Rue. Eu gostaria de poder ficar perto dela, gostaria de ser o irmão mais velho que ela não teve. Infelizmente eu estava num jogo onde o prêmio era minha vida.

Os jogos estavam cada vez mais complicados. A aliança dos Carreiristas era perigosa, mas eu ainda preferia ficar sozinho. Afinal, aqueles jogos eram uma injustiça, e eu não ligaria de morrer provando isso. Minha única meta era me vingar dos que me fizeram mal, e até agora, ninguém fez isso.

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O meu maior medo era ver Rue ferida, mas eu sabia que a menina do 12 estava ajudando-a, por isso não fiquei preocupado. Até eu ver fumaça, ouvir uma explosão e um grito. Corri na direção do grito, pois o reconheci como o de Rue. Eu não sabia exatamente onde estava: corri às cegas na maior velocidade que eu consegui, desesperado.

Finalmente cheguei e vi Katniss abraçada à Rue. Resolvi não falar nada para não correr o risco de ser morto. Fiquei observando as duas. Só então percebi o que tinha acontecido: Rue estava morta. Katniss tinha lágrimas nos olhos e se levantou, vindo em minha direção. Me escondi entre as árvores, olhando quando Katniss juntava flores e fazia uma éspecie de cobertor que envolvia Rue. Finalmente notei o gosto salgado das lágrimas. O que eu havia temido nesse tempo todo aconteceu.

Esperei que Katniss fosse embora para poder ficar junto à Rue. Ela havia sido a única com quem eu havia feito amizade, a única que não me temia e me respeitava. Katniss beijou os três dedos médios e os ergueu. Reconheci o gesto como o de respeito do Distrito 12. Minhas lágrimas só aumentavam, mas eu tomava cuidado para que fosse um choro silencioso. Katniss foi embora.

Esperei uns cinco minutos e corri em direção ao corpo de minha “irmãzinha” e o abraçei. Agora eu não tinha medo que o mundo me visse chorando. As lágrimas saiam descontrolademente, molhando o rosto de Rue.

Lembrei dos pequenos momentos que havia passado com ela.

“Um dia antes de irmos para arena, eu não consiguia dormir. Abri os olhos e fui para fora do quarto, ficar olhando pela janela e pensando em como seria amanhã. De repente, Rue apareceu e simplesmente se sentou ao meu lado sem dizer uma palavra.

— Você está sendo muito importante pra mim, Tresh — ela disse depois de uns dez minutos de silêncio. — Lembra que eu te disse que queria ter um irmão mais velho? Então, encontrei o meu. Você.

Simplesmente sorri com o pensamento. Irmão mais velho. Ela segurou minha mão e ficamos olhando para o céu.

— Eu vou te protejer nos Jogos, Rue. Prometo — eu disse, sorrindo por dentro.

— Não vai não. Nós vamos ter que nós matar, afinal. Que vença o melhor. Mas quero que saiba que, nesse pouco tempo que passamos juntos, você foi importante pra mim, Tresh. Mesmo sendo meio... anti-social. Nós dois somos, afinal.

— Você também.

— Na sua língua, aposto que isso quis dizer várias coisas.

— Certo. Que tal dormimos um pouco?”

Para muitos, isso seria apenas um momento sem nada de especial. Para mim, aquela conversa foi uma das maiores e mais revelantes conversas da minha vida. Eu sempre fui, como diz Rue, anti-social. Ela fez uma diferença imensa na minha vida, e agora estava ali, morta.

Eu simplesmente não aguentei a dor. Adormeci abraçado à minha irmãzinha.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.