2013

1 Feliz 2013...


Nesse penultimo dia do ano e 2012, o ano que o mundo deveria acabar, mas não acabou, tenho que escrever algumas linhas sobre o que aprendi ou desaprendi nesse ano.

O mundo pode não ter acabado, como previam os Maias, mas nessas últimas semanas confirmei para mim que temos que tentar viver com pouco como esses pequenos arbustos que nascem nas encostas pedregosas e parecem crescer unicamente pela presença do vento e do sol.

Para mim foi o ano do fim de um ciclo em que eu quis fazer o início e agora sou obrigada a admitir o fim.

Nesse ano perdi a confiança nas pessoas, sem restrições. Confirmei que estamos sós nesse mundo, entregues a nós mesmos.

Somos bons enquanto somos úteis. Depois temos todos os defeitos que são nossos e os que nos colocam.

Percebi que meus desafetos continuam cada vez mais fiéis a mim e eu à eles.

Penso sempre neste ensinamento: ‘’Eu não falo de vingança nem de perdão, o esquecimento é a única vingança e o único perdão’’.

Porém continuo mastigando algumas dores, porque sou humano e acho que não pertence ao ser humano a liberdade de não sentir. Cansa o coração e assim vou renovando os sentimentos.

Gostaria de pedir perdão para algumas pessoas, talvez isso tornasse minha alma mais leve, mas serena, mas eu sei que essas pessoas me diriam:

- Eu te perdoo afinal errar é humano e você afinal, não é nada.

As palavras que eu gostaria de ouvir:

- Eu não preciso te perdoar, nós todos erramos porque errar é humano. Vamos todos nos perdoar e recomeçar novamente, como se nada tivesse ocorrido.

Por isso eu não peço e não dou perdão. Eu não odiei meus inimigos porque se eu fizer isso, de algum modo eu me tornaria seu escravo. Porém, não consigo perdoar, e as lembranças nunca serão melhores que a minha paz.

Você dirá: Do que precisas então para te sentires bem?

Do que preciso para me sentir bem persiste no contato de uma mãe acolhendo meu rosto em forma de concha. De um abraço quente, verdadeiro, de um beijo apaixonado com gosto de amor, um beijo com gosto de saudade. E se alguém me deixasse, um amigo, qualquer pessoa, sussurrasse ao meu ouvido: ‘’- Ocupa muito de mim com o seu desconhecer!’’ eu nada mais pediria.

Os dias, os grandes dias, esses que retiram pouco a pouco a película que encobre a alma, eles se insinuam timidamente, sem anunciação, como um cimento capaz de preencher as fissuras que a ausência deixa em nós.

Nesse ano percebi quantas ausências já tem em minha vida. Tomei conta também que a alma é eterna, mas esta história não. Ela tem fim. Por mais que ela seja necessária para meu crescimento espiritual, muitas ausências pesam muito no final de mais um ano.

Vejamos o que posso desejar para os que lerem esta linha em 2013...

- Um ano em que os pais não deem seus filhos por mais que o futuro pareça assustador.

- Um ano em que os filhos não abandonem os pais, porque eles são nós, amanhã.

- Um ano em que se abram as gaiolas para que todos possam voar.

- Um ano em que o dinheiro não fale mais alto que a compreensão.

- Um ano em que a fé remova montanhas, mas uma fé verdadeira, não a fé que derruba, que humilha, que destrói.

Enfim, um ano, que eu sei, será apenas a troca no calendário, mas quem sabe para alguns seja o ano da vitória, o ano da paz, o ano da justiça, o ano do amor, o ano do perdão, o ano dos que creem ou o ano dos que não creem mais, o ano em que se unam o novo e o velho, o branco e o negro, o amor e o ódio, a paz e a guerra, o alegre e o triste, o doente e o são, a verdade e a mentira, a noite e o dia, o doce e o amargo, o sangue e o vinho, a água e o fogo, o bonito e o feio e que se unam as mãos em uma só corrente de misericórdia.

Feliz 2013

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!