2002
1 2002 - Capítulo Único
Notas iniciais
Foi inspirada na música 2002, da Anne-Marie.
Quem ainda não conhece, vale muito a pena!
https://www.youtube.com/watch?v=9QKSK1B9wx8
Boa Leitura!
“2002”
Eu nunca vou poder dizer que meu primeiro ano em Hogwarts foi tedioso. Pelo contrário, foi mais do que qualquer coisa que eu pudesse ter imaginado. Até uns dias atrás, por exemplo, eu estava sendo possuída e quase morta na maldita câmara secreta.
— Vem, Ginny! Vai perder a diversão!
— É, Ginny, não te salvamos da enfermaria pra ficar aí isolada!
Ouvi Fred e George me chamando e apenas acenei de volta me ajeitando para alcançá-los.
Estávamos todos sentados na beira do lago, silenciosos demais, ainda assustados e confusos de tudo que aconteceu. Nem percebi quando os gêmeos desapareceram e agora surgiram do nada, nos levando ao que parece ser uma pequena aventura proibida.
— Não acredito que nós estamos mesmo entrando por livre e espontânea vontade na floresta proibida – disse Hermione indignada, andando ao meu lado.
— Relaxa, Mione, estamos indo a um ótimo lugar! – Respondeu Fred, que ao lado de George, nos guiava cada vez mais floresta adentro.
— Não gosto nada disso, da última vez que entrei aqui, quase virei comida de aranhas – Dessa vez foi Ron quem resmungou, ainda traumatizado de seu encontro com Aragogue e sua família.
— Ron, da próxima vez que eu sugerir seguir algum bicho vindo de Hagrid, você tem permissão para me estapear – Harry, que até então estava calado apenas nos seguindo, disse risonho para Rony, mas alto o suficiente para que todos nós pudéssemos ouvir.
Não pude segurar a risada ao ouvir isso:
— Duvido que essa tenha sido a última encrenca de vocês!
— Ria mesmo, Ginny, essa é só a sua primeira enrascada. Quero saber até quando teremos a sorte de não sermos expulsos.
Após alguns minutos andando, finalmente chegamos a uma clareira enorme, que nem parecia fazer parte da floresta.
— Gostou irmãzinha? Este é um dos nossos lugares favoritos em Hogwarts! – Disse George gracejando ao nosso redor. Enquanto Fred abria sua mochila e tirava garrafas de lá.
— O que vocês estão fazendo, hein? Se mamãe descobrir vai ficar uma fera! Não quero receber outro berrador pavoroso!
— Acalme-se Roniquinho, nós só vamos nos divertir um pouco!
— É, Roniquinho, como irmãos mais velhos nós temos o dever de tomar conta de vocês por aqui e iniciá-los devidamente nas tradições escolares Weasley!
Por tradições, entendam: surrupiar comida na cozinha, contrabandear doces e bebidas de Hogsmeade e estar em lugares proibidos.
Os gêmeos tinham todo tipo de coisa na mochila. Um pequeno — mas bem executado — feitiço indetectável de expansão e tínhamos ali o suficiente para todo o time de quadribol festejar por horas.
As horas avançavam conforme a gente beliscava os petiscos, comia doces, se enchia de cerveja amanteigada e brincava das coisas mais idiotas possíveis.
Hermione, que no início estava preocupada com o que estávamos fazendo, agora nem lembrava mais de se preocupar. Estava pulando em volta de Harry e Ron, que jogavam uma disputada partida de xadrez bruxo. Estava descabelada, com o rosto corado e risonha, torcendo para o tabuleiro.
Harry e Ron estavam igualmente serelepes e bobocas. Mal sabiam o que estavam fazendo no jogo, ditando movimentos aleatoriamente e gargalhando a cada jogada executada.
Fred e George estavam animados, rindo da gente enquanto comiam sapos de chocolate. Eles beberam e comeram quase nada, o que me faz pensar que estava tudo “batizado”. Entendi a intenção deles.
Depois de tudo, queriam que nós tivéssemos um momento despreocupado e que pudéssemos agir como as crianças malucas que éramos. De quebra, eles se divertiriam às nossas custas.
Eu também estava me divertindo, mas não ainda não conseguia ficar tão à vontade com o pessoal. Eu queria me soltar mais, mas estava acanhada. Com meus irmãos eu estava acostumada, mas com Hermione e Harry nem tanto. Harry principalmente.
É claro que ele sabia do meu crush astronômico por ele desde que nos conhecemos. Meus irmãos faziam piada e ele apesar de ser educado e gentil, sempre fazia cara de paisagem pra mim. Tivemos pouco tempo para interagir de verdade e nos conhecer. E esse ano, quando finalmente vim para Hogwarts com todo mundo, ele não desgrudava de Ron e Mione e eu fui possuída por um diário possuído.
Grande começo, eu sei. E no final, foi ele quem me salvou. Corajoso, lindo e destemido aos 12 anos. Entrou na câmara secreta, matou um basilisco, destruiu o diário amaldiçoado e me salvou de uma morte precoce. Ele era meu herói desde a mais tenra infância só pelas histórias que ouvia sobre ele e agora ele era meu herói real. Como isso poderia ser mais louco, aterrorizante e constrangedor para uma garota de 11 anos?
— Ou, Ginny! Tem alguém aí nessa caixola?
Era George, que eu nem vi chegando, estalando os dedos na altura dos meus olhos.
— Que foi George?
— Como o que foi? Você está aí sentada há horas só assistindo. Assim não tem graça, oras!
— Tem graça sim, estou ótima aqui.
— Sei. Isso não tem nada a ver com o porco espinho de óculos ali, né?
— Sai fora, George. Duvido que você queria mesmo falar sobre isso.
— Tem razão, não quero. Você é só uma garotinha envergonhada, não é mesmo?
E ele disse isso levantando as sobrancelhas num claro tom de desafio. Ele sabia que estava cutucando meu ponto fraco. Eu odiava ser a menininha. E ele estava certo. Eu não poderia deixar de aproveitar nossa festa clandestina por vergonha de Harry, até porque eu teria mais uns bons anos de convivência com ele pela frente.
Levantei, peguei uma das garrafas de cerveja amanteigada e virei tudo, olhando para George no final, mostrando a minha melhor cara de “desafio aceito”.
Depois disso, tudo virou a maior bagunça. O que tinha nessas cervejas, afinal? De repente estávamos todos dançando e pulando e rindo. Nós éramos os donos da floresta e nada poderia nos amedrontar aqui.
O velho Anglia de papai, todo amassado e caindo aos pedaços, de algum jeito que não sei explicar, apareceu por aqui também e agora eu estava em cima dele pulando e cantando a plenos pulmões uma música trouxa esquisita e dançante sobre amor que Hermione nos mostrou nas férias e gostamos.
Agora que todos nós estávamos realmente nos divertindo e participando dessa festa maluca, parecíamos até gente grande. Que mamãe e papai nunca descobrissem ou ficaríamos de castigo até a formatura.
Lembro exatamente de quando desci do carro. Fred e George estavam correndo atrás de Ron em alguma brincadeira insana, Mione estava sentada com as costas na roda do carro, já cansada demais do alvoroço, Harry e eu estávamos dançando juntos e eu mal tinha me dado conta do que isso significava para mim. Eu gargalhava enquanto ele me segurava pelos braços e me girava como se eu fosse uma boneca.
Quando ele parou de me girar, só levou um minuto até eu fazer a maior loucura da minha vida até aquele momento: Olhei bem nos olhos de Harry, levantei na ponta dos pés e lhe tasquei uma bitoca nos lábios. Leve e doce como uma pena de açúcar. Ele ficou paralisado, mas eu nem liguei. Foi sensacional! Ainda cheia da coragem repentina que me tomou, disse a ele:
— É bom você me beijar de verdade quando eu crescer, Potter.
E corri atrás dos meus irmãos, como se nada tivesse acontecido. Nesse exato momento, 99% dos meus problemas estavam me acenando um tchauzinho. Eu beijei o Harry, me diverti o dia inteiro com meus irmãos e amigos e estávamos todos bem e vivos. Isso era impagável.
[...] Alguns anos depois [...]
— Harry, levanta, vamos nos atrasar pro almoço n’A Toca.
— Gin... só mais 10 minutos.
— Ok, dorminhoco, 10 minutos e nada mais, senão mamãe vem nos puxar pelas orelhas, você sabe.
Enquanto Harry ainda dormia, fui arrumar minhas coisas no outro quarto. Ainda voltaria para Hogwarts depois do feriado, para então finalmente me formar, junto com Mione.
Harry e meu irmão não voltaram para a escola, decidiram seguir com os aurores e agora eram alunos da academia. Parecia até piada, depois de tudo.
Eu ainda moro n’A Toca com minha família, mas sempre que Harry tem folga da academia, venho para o largo ficar com ele.
Alguns meses se passaram após o fim da guerra e o peso de tudo que ela significou recaiu sobre os nossos ombros. Antes, carregávamos o fardo de adiar nossas vidas para lutar. Agora, carregamos o peso de tudo aquilo que perdemos. Família, amigos...
Harry nunca imaginou realmente ter um futuro. Ele acreditava que ia morrer na luta contra Voldemort e que nada haveria depois. Mas ele se enganou, para a sorte de todo o mundo bruxo. Isso não quer dizer que ele não tivesse seus traumas para curar, como uma grande depressão e estresse pós traumático para enfrentar.
Minha família não era a mesma, nem poderia. George sem Fred era desolador de ver. Meus pais estavam abatidos. Meus outros irmãos também.
Ron e Mione finalmente assumiram seu relacionamento, assim como Harry e eu. Juntar todos em casa para um almoço em alguns domingos era o que trazia um pouco de alegria a mamãe. Ela ralhava com Harry e Ron por estarem magros e machucados do excesso de treinos e os enchia com comida e poções fortalecedoras.
Pensando sobre isso, só posso afirmar que hoje somos a força uns dos outros. Eu e Harry somos mais que namorados, somos tudo o que precisamos. Uma dupla e tanto.
Distraída, quase morri do coração quando ouvi um estrondo vindo do quarto onde Harry dormia e saí correndo até lá com a varinha em punho, pronta para atacar. Não precisei, minha única reação ao ver o que acontecia, foi gargalhar.
George, Ron e Mione estavam de pijamas, pulando em cima da cama de Harry, jogando-o para todos os lados. Ron segurava seus óculos, Mione sua varinha e George puxava suas cobertas.
— Mamãe mandou chamar vocês pela lareira, mas tivemos uma ideia melhor! – Disse Ron, ofegante e vermelho de tanto pular.
— Gin, me salva desses malucos!
— Ah, qual é Potter! Que tipo de Auror é você! – Brincou George, sufocando-o com os travesseiros.
— Ele já acordou pessoal, deixem ele respirar!
A essa altura, Ron e Mione já estavam esparramados na cama, fadigados de toda bagunça. Fred sentou na beirada da cama e deixou que Harry sentasse também para se recompor.
Nesse momento, percorro os olhos pelo quarto até encontrar minha foto favorita da vida. Todos nós tínhamos uma cópia. Vendo a cena que acontecia no quarto e olhando a foto presa ao porta retratos na parede, minha mente é levada de volta àquele dia na floresta.
Hagrid nos flagrou aquele dia, mas antes de chamar nossa atenção e nos recolher, ele fez uma fotografia. Na foto, Mione estava sentada encostada ao carro, Fred e George corriam atrás de Ron e eu corria atrás deles, enquanto Harry olhava para mim, aposto que com a cara mais abobalhada do mundo. Foi logo depois que eu o beijei e saí correndo. Foi o dia em que nos apaixonamos.
FIM!
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