Notas iniciais
*eu faltando aula pra escrever e postar capítulos no nyah*
se eu repetir de ano, eu culpo vocês

Seis e meia da manhã e a primeira coisa que eu ouvi foi o barulho irritante do despertador. Apenas levei a mão à mesinha que encontrava-se ao lado da mnha cama e joguei o aparelho no chão.

Sentei-me na cama, abrindo os olhos e me espreguiçando. Eu teria aula hoje e estava assustado pra caralho com a ideia.

Acordei meio atrasado, então não tive muito tempo, apenas vesti uma roupa e preparei uma xícara de café e saí de casa, levando minha mochila e meu celular com fones de ouvido.

Segui meu caminho para a escola à pé, toda hora parando para pedir informações. Demorei uns vinte minutos só para chegar ao local e, é claro, cheguei atrasado. Não havia ninguém no pátio, tampouco nos corredores. Isso era uma coisa boa, por um lado, pois significava que eu não precisava me enfiar num corredor lotado de gente. Mas, por outro lado, significava que eu estava totalmente fodido por ter perdido as primeiras aulas.

– Frank, é você? – DIsse alguém às minhas costas e, por sinal, alguém bastante animado.

Me virei e dei de cara com o mais novo dos irmãos Way, acompanhado por alguns caras que eu reconheci da festa do outro dia.

– Ah, Mikey, oi! – Exclamei, com falso entusiasmo. – Eu estava realmente esperando te encontrar por aqui.

– Eu também estava te procurando. Você tem sorte de que hoje tenha palestra, pois está atrasado. – Disse ele, tudo muito rápido, e riu ao ver minha cara confusa.

Logo após as apresentações, seguimos até o grande salão da escola. O lugar estava enfeitado com grandes balões azuis e vermelhos. Algumas cadeiras haviam sido cuidadosamente arrumadas e, mais à frente, via-se um palanque com uma bandeira do país dependurada. Um homem, que segurava um microfone, falava animadamente. Ao seu lado, um enorme cartaz branco dizia "Hoje: palestra sobre drogas". Tão típico.

Segui caminhando atrás de Mikey e seus amigos, e agora já passavamos por entre as cadeiras com alguns estudantes. Alguns deles estavam sentados bem na frente e prestavam atenção à cada palavra que era dita; outros conversavam, ouviam música e até mesmo dormiam. Mas algo em comum eles tinham: todos vestiam o mesmo maldito uniforme que eu.

Aí tá outra coisa que eu detesto: uniformes. Eles são totalmente idiotas e arracam ridiculamente a personalidade da pessoa. Parece que todos pensam igual, quando, na verdade, são completamente diferentes. A escola deveria ser um lugar para preparar-nos para o futuro e, na minha opinião, ser mandado por um bando de gente velha que acha que sabe de tudo não está nos planos do futuro de nenhum adolescente. E, de qualquer jeito, definir o jeito de uma pessoa se vestir não vai impedí-la totalmente de se expressar, mas parece que os diretores sentem um certo poder ao fazer isso.

Logo depois da interminável palestra e da aula incompreensível de biologia, finalmente fomos liberados para o intervalo.

Eu estava perdido, é claro. Demorei alguns minutos para chegar até a cantina e, depois, encontrei Mikey no pátio da escola. Ele estava em cima de uma árvore que ficava meio isolada do resto do pessoal.

– Hm, olá... O que faz aí? – Perguntei.

– Pensando. – Respondeu simplesmente. – Quer subir?

Acenei positivamente com a cabeça e escalei a grossa árvore até chegar em um dos galhos mais altos, próximo de Mikey.

– Você tem saído bastante com o meu irmão, não é? – Perguntou ele, e eu apenas assenti. – Gerard é uma pessoa solitária e muito difícil de se lidar, Frank. Já jurou me matar e suicidar-se inúmeras vezes. Aliás, já até tentou. – Ele fez um pausa, olhando para o nada. – Mas eu fico feliz que ele esteja se entendo com você, só queria alertá-lo para não mexer com o meu irmão. – Concluiu, com uma cara pensantiva e um tanto preocupada.

Eu não respondi. Gerard não havia sido uma pessoa ruim comigo, só não me tratou muito bem logo que nos conhecemos... Mas eu sabia que agora ele já confiava em mim, e eu nele.

Nossa amizade estava progredindo e eu estava feliz por isso. Eu finalmente estava conseguindo entendê-lo, e ele estava deixando-me fazer isso e, melhor ainda, ele estava mostrando-se por si próprio.

Mas ele não saía da minha cabeça, eu admito. Seu jeito me encantava, sua personalidade ainda me prendia, e seus olhos... Ah, seus olhos eram perfeitos. Eu poderia viver a observados. Aliás, eu fazia isso sempre que tinha chances, pois saíamos juntos todos os dias.

Nessa tarde, decidimos que iríamos passear pelos arredores da cidade em seu carro, já que eu não tinha um. Nós não trocavamos muito contato físico, pois Gerard vivia me chamando de "criança" e, em minha mente, isso era um tipo de aviso de que ele não queria nada comigo. Mas isso não me incomodava e muito menos me fazia parar de sentir algo por ele.

Porra, eu estava apaixonado. E, porra, era por ele, Gerard Way. Qualquer um que convivesse com ele por mais de uma semana poderia perceber que ele gostava de ser livre, e era impossível imaginá-lo ficar velhinho ao lado de alguém. Mas, por outro lado, o jeito que ele falava comigo era diferente. Ele me tratava bem e eu gostava disso, porque ninguém costumava me tratar bem. As pessoas falavam comigo por obrigação ou para serem gentis. Mas eu sabia que se Gerard não fosse com a minha cara ou algo assim, ele simplesmente me ignoraria.

– Você está vivo, criança? – Perguntou, enquanto dava arranque no carro. – Você deve ter muitos problemas mesmo, pois está muito pensativo.

– Sim, eu estou vivo e sim, eu tenho problemas. E eu já não cansei de pedir para parar de me chamar de criança?

– Faça 18 anos e eu pararei. Já expliquei como funciona essa coisa de ser ou não uma criança, não me faça repetir. – Ele respondeu, seco.

Eu bufei.

– Aonde estamos indo? Outro cemitério?

– Não, Frank, não podemos ir a esses lugares à tarde, há pessoas dramáticas e excessivamente emocionais por lá, chorando sobre um caixão como se pudessem reviver o morto. Patético, na minha opinião.

– Você não pode culpá-las, perder alguém que você ama é uma merda.

– Eu não concordo. Não amo ninguém verdadeiramente há anos e, então, não sei como seria perdê-las. A última pessoa amada que perdi foi a minha avó, eu a amava demais mas não chorei nem nada do tipo. O amor fica ridículo se você o disperdiça e o exibe exageradamente.

– Mas ontem mesmo você estava dizendo que não se deve fugir do amor, e agora você age exatamente da maneira oposta. Isso é ridículo.

Ele deu um riso leve.

– Você está certo, achei que não iria perceber a contradição. Mas acontece que sempre haveá contradições. Você nunca vai achar uma pessoa totalmente certa sobre si e sobre o mundo, e que tenha ideias completamente fixas e coerentes. Mas enfim, o amor é quando você o assume e o demonstra da maneira certa. E, o mais importante: quando você o aproveita. De nada adianta você ignorar uma pessoa durante sua vida e, quando ela morrer, chorar e demonstrar de uma vez só todo o amor que deveria ter mostrado aos poucos durante a vida. Tudo vai estar acabado e as suas chances terão ido embora. – Disse ele. – E, aliás, eu não fujo do amor... Ele é que foge de mim.

Eu não respondi, pois estava atento a cada palavra que ele dizia, analizando-as cuidadosamente.

O amor não fugia dele, afinal. Ele que não queria ver, porque, porra, eu estava bem na frente dele. E como ele queria que eu demonstrasse se, aparentemente, a única pessoa que eu poderia querer que recebesse-o, não o receberia? Aliás, ele foi bem claro quando disse que não amava ninguém.

Notas finais
Aliás, renomeei a maioria dos capítulos hehe