200 quilos de amor
10 Capítulo 9 - Dúvida cruel
Notas iniciais
Os dias se passaram tão rápido que eu mal podia acreditar que finalmente era uma cantora de verdade. Meu CD já havia sido lançado, meu primeiro single ficara em primeiro lugar nas paradas de sucesso, meu primeiro show já estava agendado, gravei vários comerciais e fiz algumas campanhas publicitárias. Mas, a melhor parte do meu dia, a melhor parte de minha carreira e da minha vida era os momentos que eu passava ao lado de Edward. Antes como Isabella trabalhávamos sempre juntos, mas dessa vez era diferente. Anabella estava à frente de tudo, nada era feito sem minha permissão. Sem contar o fato de que Edward me dava dicas, passava horas me auxiliando e sinceramente eu me apaixonava cada vez mais por ele, isso se fosse possível amar tanto uma pessoa. Porém eu precisava ir devagar, devia conquistá-lo aos poucos, mas embora jogasse todo meu charme para cima dele, não parecia fazer muito efeito. Ele realmente era um homem muito difícil.
Era um dia calmo de inicio de verão. Edward e eu estávamos almoçando em um restaurante sofisticado próximo a gravadora. Eu havia escolhido meu vestido mais bonito naquele dia: um tomara que caia preto com flores brancas estampadas, meu cabelo estava trançado e escolhi um perfume silvestre suave, bem no clima de verão. Conforme as estações passavam Edward se tornava cada vez mais bonito e naquele dia estava simplesmente radiante com uma blusa branca em gola V, jeans claros e óculos escuros, sua pele estava bronzeada e eu não conseguia desgrudar meus olhos dele.
–Algum problema? – Edward perguntou arqueando a sobrancelha.
–Nenhum – Engoli em seco tentando olhar para outra coisa que não fosse seu rosto lindo.
–Por um instante pensei que...
Graças a Deus o telefone dele tocou interrompendo aquele assunto constrangedor. Eu queria ser ousada e seduzi-lo de vez, mas parece que remodelar seu corpo por fora não significa mudar o que você é por dentro. O lado tímido e recalcado de Isabella infelizmente continuava em mim.
–Alô? – Ele atendeu numa voz monótona, eu já sabia de quem se tratava o volume do telefone estava bem alto e eu podia ouvir a voz histérica de Tanya do outro lado da linha.
–Por que vocês estão me evitando?
–Já conversamos sobre isso milhões de vezes – Ele suspirou entediado.
-Você não pode me dispensar assim Edward! Não pode! Você vai se arrepender...
–Não preciso mais de você – Respondeu seco, era impressão minha ou quando era grosseiro se tornava ainda mais sexy?
–Vou dar a volta por cima –Ela riu nervosa – Vocês ainda vão voltar atrás. Eu tenho muito mais fãs do que essa... Essa usurpadora! Você vai ver Edward eu vou encontrar a gorda!
–Não fale de Isabella! – Ele praticamente gritou e eu engasguei com o suco que bebia. Edward olhou-me questionador, sorri me desculpando e limpei a boca com o guardanapo. Ele esfregou os olhos com a mão desocupada suspirando e então voltou a falar com a voz mais branda – Eu já pedi para esquecê-la. Se ela realmente estivesse preocupada com a gravadora, conosco ou até mesmo com o pai ela já teria aparecido há muito tempo. Está perdendo seu tempo Tanya, pare com isso. Concentre-se no papel que te consegui naquela série de TV, memorize suas falas e esqueça a musica!
–Não sou uma atriz – Ela soluçou, provavelmente estava chorando – Eu sou uma cantora!
–Tanya... Deus é quem faz todas as coisas, nós humanos só fazemos aquilo que realmente somos capazes!
–Eu sou capaz! Sou famosa! Sou uma cantora e você não vai tirar isso de mim!
–É mesmo? Então boa sorte — Desligou o telefone jogando-o na mesa impaciente.
–Problemas com a sua antiga cantora? – Perguntei fingindo que não sabia de nada.
–Ela é problemática. Tanya me tira do sério.
–Pensei que ela já tinha desistido.
–Não irá desistir nunca. Está com a ideia obsessiva de encontrar Isabella – Ele riu sarcástico.
–Quem é essa?
–Ninguém – Ele tentou disfarçar – Que tal irmos para a gravadora? Está na nossa hora.
–Tudo bem – Concordei dando de ombros. Estar trancada com ele naquela salinha o dia inteiro me parecia uma ótima ideia.
–Vamos então – Ele colocou o dinheiro na mesa e se levantou, me coloquei de pé também – Você está muito bonita, aliás.
Sorri e quis me matar por corar. Pude perceber os cantos de sua boca esboçando um sorriso. Eu tinha que parar de ser tão vulnerável, será que não aprenderia nunca? Edward precisava de uma mulher de verdade e não uma garotinha que fica vermelha só por causa de um elogio. Estava na hora de me armar com artilharia pesada.
[...]
Antes minha estação do ano favorita era o inverno. O motivo era simples: Todos usavam bastante roupa e escondiam seus corpos da nevasca. Para uma gordinha era a época perfeita para andar no meio de todo mundo sem se sentir deslocada por vestir mais roupas do que deveria. Porém com todas aquelas mudanças o inverno nada mais era do que uma lembrança de um tempo ruim, agora o verão era tudo para mim. Finalmente eu podia colocar um biquíni sem me preocupar em parecer uma orca patética, meu corpo era magro e escultural. Assim que me olhei no espelho com aquele biquíni vermelho me senti a mulher mais realizada do mundo, só faltava uma coisa: Edward.
Parecia doentio o modo como ele estava presente em todos os meus pensamentos, vinte e quatro horas por dia, desde que eu dormia até quando acordava. Talvez eu realmente estivesse doente, mas eu não ligava. Alice e eu estávamos em um badalado clube em que os membros da gravadora eram sócios. Era a primeira vez que eu iria à uma piscina pública, foi bem difícil tirar a canga e ficar apenas de biquíni, mas com o tempo acabei me acostumando e quer saber? Eu adorei. Alice havia literalmente me arrastado para o clube, dizia que eu precisava esquecer Edward pelo menos algumas horas. Precisava me bronzear e relaxar. Estávamos deitadas nas espreguiçadeiras. Alice havia passado um óleo de bebê para pegar um bronze, embora eu a tivesse aconselhado de não fazer isso. Billy havia me orientado sobre os riscos de tomar sol indevidamente, mas como a perfeita teimosa que era não me deu ouvidos. Perguntei por que ela não usava um bronzeador ou qualquer coisa mais segura, mas ela me disse que óleo de bebê queima a pele mais rápido. Era inútil discutir. Ela estava de costas e eu já podia ver pequenas manchas vermelhas se formando em sua pele alva.
–Não vai se queimar um pouco Ana? – Alice tinha se adaptado bem ao meu novo nome, nem se esforçava para chamá-lo.
–Nem pensar – Respondi espalhando protetor solar fator cinquenta na pele – Prefiro não correr riscos.
–Você é tão medrosa – Ela riu – Os homens adoram mulheres bronzeadas...
–Alice – Cutuquei suas costas.
–O que foi?
–Tem um homem ali acenando para mim, o que faço?
–Acene de volta é claro!
Eu sorri desconcertada e acenei para ele. O homem veio andando em nossa direção e eu engoli em seco. Alice virou-se e eu me preparei para falar que o homem que acenara parecia querer algo mais, porém ela se levantou rapidamente e pulou no colo dele.
–Oi gatinho como está? – Ela disse grudada ao pescoço dele.
–Muito bem, e você?
–Ótima! Vamos dar uma volta?
–Claro!
–Você não se importa de ficar só um momento, Ana?
–Não – Sorri sem graça – Pode ir.
Ela me deu um “tchauzinho” e saiu de mãos dadas com ele. Que cafajeste! Não tive coragem de contar a safadeza do “gatinho” para Alice naquele momento, mas ela ficaria sabendo, ah se ia!
–Hei – Senti um cutucão nas minhas costas e virei-me dando de cara com Tanya.
–O que? – Perguntei sem ânimo.
Ela me entregou um vidro de bronzeador.
–Passe nas minhas costas – Sem delongas ela se sentou de costas para mim na cadeira de Alice.
Pensei em lhe dar uma boa resposta, mas um diabinho colocara uma ideia malvada em minha cabeça.
–Não tem medo de se bronzear? Ouvi dizer que o sol é prejudicial à pele – Falei fingindo preocupação.
–Meu bronzeador tem protetor solar. Importado de Paris, posso pegar uma cor legal e ainda ter a pele saudável.
–Ah – Sorri malignamente e sem que ela percebesse troquei o bronzeador pelo óleo de bebê da Alice. Esfreguei em suas costas até ficar escorregadia.
–Obrigada – Ela se levantou – Até que você é útil... – Ela fingiu não saber meu nome.
–Anabella – Falei e sorri.
–Como? – Ela estava mesmo tentando me irritar...
–Anabella, aquela ali do comercial – Apontei para o telão em uma das paredes em que meu rosto e meu nome estavam estampados no comercial do meu Cd.
–É mesmo – Ela sorriu desconcertada e com ódio nos olhos.
Tanya saiu rebolando com o nariz empinado tentando manter a pose. Deitou-se numa espreguiçadeira bem longe, onde o sol era mais forte. Soltei uma gargalhada malvada, agora era só esperar até que os raios ultravioletas torrassem a pele dela. Se bem que ela poderia renová-la depois, não é isso que cobras fazem? Trocam de pele? Balancei a cabeça e ri ainda mais alto. Mas, então percebi que os homens olhavam muito mais para ela do que para mim. Não era difícil saber por quê. Tanya era ousada e tinha... Tinha atitude. Era disso que eu precisava como Alice bem me disse precisava ser um pouco mais... bitch. Mordi o lábio pensativa, será que Edward gostaria mais de mim assim? Eu tinha que descobrir...
–Boa tarde – Congelei quando ouvi aquela voz rouca e sexy.
–Boa – Respondi olhando para Edward.
Ele estava incrivelmente... Divino. Usava uma bermuda preta, óculos escuros e estava sem camisa. Seu peitoral era bem definido e com o clima de verão e as várias idas aos clubes e praias ele havia adquirido um bronzeado que deixava sua pele acobreada... Simplesmente perfeita.
–Também aproveitando a folga? – Ele sentou-se ao meu lado.
–Sim – Sorri para ele encantada- Está fazendo muito calor.
–Demais – Ele colocou os óculos na cabeça deixando seus orbes verdes encarar-me.
–O que ela faz aqui? – Perguntei apontando para Tanya – O clube não é exclusivo para sócios da gravadora?
–Ela ainda tem passe livre. Não é mais cantora oficial, mas tem outros tipos de contrato.
–Ah – Falei pesarosa, será que não ia me livrar dela nunca? Se bem que seria interessante conviver com ela, dizem que é melhor manter seus inimigos por perto. Acabei sorrindo perversamente.
–O que é tão engraçado? – Edward perguntou arqueando a sobrancelha.
–Nada – Respondi balançando a cabeça – Quer dar um mergulho?
–Seria bom – Ele se levantou e tirou a bermuda. Preciso dizer que fiquei sem ar? Que pernas eram aquelas? E aquela sunga preta apertadinha? Céus ele era a personificação de um deus grego – Vamos? – Ele estendeu a mão para mim.
Eu estava trêmula, mas precisava manter a calma. Eu não era mais a bobinha da Isabella, agora eu era uma outra mulher decidida a ter aquele homem para mim então precisava me mostrar confiante e... Sensual. Isso mesmo, eu precisava ser sensual, embora não fizesse ideia de como. Segurei a mão dele e me levantei, caminhamos juntos até a borda da piscina. Eu havia feito várias aulas de natação na clinica com Billy, era parte do processo de emagrecimento, inclusive havia aprendido muitos mergulhos, era uma boa oportunidade de me exibir para ele.
–Primeiro as damas – Ele sorriu.
–Certo – Pisquei para ele.
Inclinei meu corpo para frente e pude jurar que ele deu uma espiada em certos lugares, era exatamente o que eu queria, mas também com um biquíni minúsculo daquele jeito seria meio impossível resistir. Sorri presunçosa e então mergulhei na piscina. Fiz um nado sereia até o outro lado. Assim que emergi vi Edward aplaudindo. Acabei sorrindo e balançando a cabeça. Ele também mergulhou na água e veio até mim num nadando de costas.
–Belo mergulho – Ele disse parando ao meu lado.
–Obrigada.
–Fez aulas de natação?
–Algumas – Respondi por alto.
–Que tal uma competição?
–Sério? É claro que você ganha de mim, com todos esses músculos deve ter muita força para nadar.
–Ai que você se engana. Esse seu corpo pequeno deve ser muito mais ágil.
–Tudo bem, vamos lá.
Iniciamos uma disputa na piscina, é claro que Edward me deixou ganhar. Eu era boa nadadora e ele também, estávamos no mesmo patamar, porém ele fazia questão de se mostrar menos ágil do que era. Quando terminamos de competir ficamos brincando na água como duas crianças. Sem dúvidas era o melhor dia da minha vida e ficaria na minha memória para sempre.
Ao cair da tarde Edward me levou para casa já que Alice tinha desaparecido com o carro. Ele achou estranho o fato de eu estar morando no apartamento de Isabella, mas inventei uma desculpa de que Alice tinha a permissão dela para alugar caso desejasse. Ou Edward era muito sonso ou se fazia, mas no final acreditou.
–Te vejo amanhã? – Ele perguntou parando o carro em frente ao prédio.
–Sim – Respondi sorrindo.
–Foi uma tarde adorável.
–Muito...
–Você é uma pessoa muito divertida Anabella. Acho que seremos bons amigos.
–É... – Falei sem animo – Bons amigos.
–Então, até amanhã.
–Até – Desci do carro.
Acenei para Edward e ele saiu deixando-me um tanto transtornada. Minhas investidas na piscina não tinham significado nada? Parecia que ser somente amiga dele era um carma para mim. Mas, eu não ia aceitar isso. De jeito nenhum! Ele seria meu em todos os sentidos de qualquer maneira!
[...]
Pov Edward
Entrei no apartamento e joguei as chaves na bancada. As lembranças de meu dia com Anabella não saiam de minha mente. Há muito tempo eu não me divertia tanto com alguém. Mas, o que mais me marcou foi a sensualidade dela, será que aquela mulher tinha a mais remota noção do quanto era linda? Olhar para ela era como contemplar a própria Afrodite, deusa da beleza e do amor. Os cabelos ondulados, os olhos... A boca vermelha em formato de coração. E aquele corpo? Tive que me controlar o dia inteiro. Quando olhei para seu bumbum empinado senti um desejo insano de tocá-lo, e os seios arredondados? Será que caberiam em minhas mãos? Balancei a cabeça e suspirei, estava mesmo ficando louco. Talvez fosse falta de sexo, há muito tempo não tinha contato com mulher alguma. Eu precisava me controlar, eu era seu produtor musical e poderia até ser processado se ousasse seduzi-la. Mas, Anabella também não era nenhuma santa eu percebia cada uma de suas ousadas investidas para cima de mim. O jeito como me olhava, quando nos tocávamos e como ela passava a mão pelo cabelo daquele jeito. Sem dúvidas estava jogando seu charme e de um jeito totalmente... Promiscuo. Ela não era a primeira e nem seria a ultima cantora a tentar ter um caso comigo. Tanya era um exemplo vivo, talvez algumas cantoras realmente tenham fetiche por seus produtores, o que não seria estranho. Mas, ao contrário de todas as mulheres que tentavam causar algum efeito em mim, Anabella era a única que até então tinha conseguido.
Fui para meu quarto e tirei a camisa jogando-a em um canto qualquer. Olhei-me no espelho e percebi o resultado de uma das minhas “brincadeiras” com Anabella. A lembrança me veio na mente na mesma hora. Ela havia arranhado minhas costas de modo lascivo e ainda piscou para mim. Parecia uma coisa tão simples, mas seu efeito era atormentador. Eu simplesmente adorava ser arranhado, machucado, xingado. Era meu fetiche e ela tinha acertado em cheio, eu tinha certeza que ela fizera de propósito... Sem duvidas era uma vadiazinha, mas diferente das outras que conheci, ela também era ao mesmo tempo, tímida e inocente, um paradoxo delicioso que despertou um desejo insano em mim. Sem dúvidas eu teria de me controlar ao máximo para não levá-la para cama.
Na manhã seguinte, quando cheguei à gravadora Isabella já estava lá. Usando um vestido extremamente sensual, sem dúvidas ela maquinava alguma coisa naquela cabecinha. Começamos os ensaios e notei que ela estava diferente. Parecia mais... Ousada. Não que fosse ruim, mas aquela era uma canção romântica e ela não parecia sentir isso. Se insinuar para mim fora do trabalho era uma coisa, mas fazer isso no meio de uma gravação era estritamente inapropriado. Eu precisava fazê-la se concentrar. Anabella tinha uma voz incrível, mas lhe faltava emoção, era como se estivesse desconcentrada.
–Espere um pouco – Falei ao microfone desligando o playback.
–O que foi? – Ela perguntou espantada – Fiz algo errado?
–Você está no tom certo e acertou as notas, mas preciso que vá além do lado técnico.
–Como assim?
–Vem aqui um instante, pode ser?
–Ta.
Anabella veio até mim na sala de equipamentos. Pedi aos outros que me deixassem a sós com ela.
–Quero te mostrar uma coisa – Falei ligando o DVD.
Logo o vídeo da audição de Isabella começou a tocar. Ela cantava "Imagine". Sua voz era doce, calma e estava repleta de emoção. Ao ver aquele vídeo senti uma saudade imensa.
–O que você acha? – Perguntei ainda olhando o vídeo.
–A qualidade de imagem é ótima – Ela deu uma risadinha – Qual câmera você usou?
–Não quis dizer isso. O que quero saber é o que você sente com a música dela.
–A musica está no coração dela – Ana falou encarando-me – É como se ela cantasse para alguém que ela ama. É o que eu acho, e você?
–Exatamente – Assenti.
–E o que isso tem a ver comigo? – Ela perguntou sorrindo sem graça.
–Acha que consegue cantar como ela? – Perguntei apontando o vídeo – Você se preocupa demais com sua aparência enquanto canta. O tempo todo arruma o cabelo, ajeita a roupa. Não se concentra como ela.
–Mas, ela é tão gorda, feia e... Você devia passar muita vergonha com ela.
–Pare com isso – Interrompi nervoso ainda encarando o vídeo — Ela era especial para mim. A gravadora estava com sérios problemas e ela nos ajudou a reergue-la, você só está aqui graças a ela, todos temos uma dívida enorme com Isabella.
–Mesmo assim eu...
–Você não é nem metade do que ela era! – Alterei a voz, ouvir alguém falando mal de Isa me deixava muito nervoso, olhei para Ana e estreitei os olhos – Por que está chorando?
–É que ouvir você falando assim me deixou emocionada...
–Hmm – Foi só o que consegui murmurar – Tente se concentrar mais Anabella. Cante com seu coração do mesmo modo que ela fazia. Tenho certeza que se tornará uma cantora melhor. Vocês duas até tem a voz parecida, mas na sua falta a emoção que Isabella tinha.
–Vou me esforçar – Ela limpou as lágrimas, mulheres são tão emotivas!
–Ótimo.
Sai da sala e fui direto para meu escritório. De repente senti uma falta imensa de Isabella... Onde será que ela estaria? Por que foi embora sem dizer nada? Será que estava bem? Todas essas perguntas me atormentaram durante todo o dia.
[...]
Pov Bella
Eu não podia acreditar no que tinha acontecido. Passei o dia inteiro me desmanchando em lágrimas por ter ouvido aquelas coisas da boca de Edward. Ele realmente me achava especial... Realmente sentia minha falta. Eu quis tanto me revelar para ele naquele momento, mas não era a hora. Eu tinha que pensar bem no que diria a ele. Mas, quando soube da reunião entre os membros da gravadora à noite decidi que seria a hora perfeita.
–Ficou maluca? – Alice perguntou encarando-me pelo espelho enquanto eu ajeitava meus brincos – Como assim vai contar para ele?
–Tenho que contar antes que seja tarde demais Allie. Ele vai entender.
–Se lembra dos três tipos de mulheres que te falei?
–Sim. Mas, eu sou bonita agora.
–Isso realmente é tudo? Será que Edward é do tipo que aceita mulher plastificada? Ele preza muito a naturalidade.
–E desde quando você tem experiência nisso? — Sorri fazendo graça — Parece até que teve milhões de namorados!
–Muito mais do que você – Ela rebateu mostrando a língua – Pelo menos meu amor não é platônico!
–Então você está apaixonada?
–Sim.
–Por quem? Por aquele cara do clube? Ele também está apaixonado por você? Ou está tentando te vender coisas? Ele é um corretor de imóveis não é?
–Mexeu na minha bolsa? – Ela perguntou com raiva.
–Encontrei os papéis no meu casaco que você usou. Alice, não compre nada dele! Pode ser um golpista barato!
–Não sou como você!
Nossa conversa começou a ficar séria.
–Eu realmente era uma tola ingênua. Portanto não faça nada estúpido do jeito que eu já fiz. Os homens mentem Alice, eles sempre te elogiam e nunca dizem na sua cara que você é “gorda e feia”, quando querem alguma coisa de você não apontam seus defeitos.
–Você tem muita experiência nisso não é? – Ela respondeu magoada – Conte a verdade para Edward e verá se não tenho razão.
Alice saiu do quarto e pude ouvir quando bateu a porta da sala. Ela estava apaixonada por aquele canalha e não ouviria meus conselhos, mas eu também não era muito confiável. Apesar de tudo que ouvi de Edward eu continuava ali, mudando minha vida inteira só para estar com ele.
Sentei-me na cama suspirando pesadamente. A dúvida cruel martelando minha cabeça: Contar ou não contar? O que eu deveria fazer?
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