Notas iniciais
Oláaaa Obrigada por chegar até aqui, e desculpe a demora para postar. Era pra ter postado na sexta, mas eu tive um evento do meu colégio e decidi postar no domingo (que pra quem não sabe, é o segundo dia de postagem (ou sexta OU domingo)).

As pessoas conversavam animadamente ao redor da mesa enquanto uma mulher, já um pouco idosa, porém ainda forte e bonita, servia carne para todos que estavam ali presentes. O ambiente era quente e acolhedor naquele fim de inverno, não era o cenário de um filme americano, com a família reunida e a lareira acesa, mas era quase.

Taeyeon estava sentada à esquerda de seu pai, que estava em uma das pontas da mesa, sua mãe era a mulher que servia a carne para todos os presentes. Eram aproximadamente quinze pessoas no local, espalhados pela sala de jantar, todos da família da garota.

Ela não tinha irmãos, pelo menos não de sangue, a irmã mais nova era adotada, mas as duas se davam muito bem. O restante das pessoas eram tios, tias, primos e primas, avós, parentes distantes, todas aquelas pessoas que ninguém lembrava o nome com certeza.

—Está servida querida? -Sua mãe, Minji, parou ao seu lado com o prato em que a carne estava servida.

—Não obrigada, já estou satisfeita. -Taeyeon sorriu verdadeiramente, ela adorava o fato de que sua mãe ainda a tratava como uma criança, mesmo que talvez ela fizesse isso pela condição de Taeyeon.

As pessoas conversavam animadamente sobre todo e qualquer assunto, seja as olimpíadas de inverno, a copa do mundo, uma música ou filme, o assunto nunca morria e sempre mudava. Taeyeon estava prestes a se juntar em uma das conversas, não queria ser chamada de anti social -mesmo que fosse- e ser mal vista pela família.

Os jantares da família Nah eram normais, uma vez a cada dois meses, bom para colocar o assunto em dia. Taeyeon ainda se sentia desconfortável e perdida quando havia muitas pessoas ao redor, mas também sabia que era apenas sua família, eles a amavam tanto quanto ela amava eles.

Quando foi se reunir com os primos e tios na sala, seu telefone tocou, o que era extremamente incomum, a única pessoa que a ligava era sua mãe, mas aquilo era improvável já que sua mãe estava no mesmo cômodo que ela.

Quando o celular tocou, todos pararam de falar e olharam pra ela, primeiramente pelo barulho extremamente alto, em segundo -”segundamente”- pelo fato de que todos sabiam que ninguém nunca ligava para Taeyeon. A família toda sabia sua situação e o quanto ela não gostava de receber ligações, por isso era novidade.

A menina se levantou envergonhada, ela já não gostava de que a família soubesse de seus problemas, imagina agora ser o centro das atenções? Ela pegou o telefone e saiu para o quintal da casa, o vento gelado causou um choque térmico em seu corpo.

—Alô? -Ela atendeu com uma voz de desconfiança, tinha quase certeza de que era engano já que a tela mostrava “número desconhecido”.

—Taeyeon? Nah Taeyeon? -A voz conhecida chamou do outro lado da linha, a garota ficou surpresa, jurava que ele tinha esquecido.

—Taehyung?

—Reconheceu minha voz? -Ele falou em um tom risonho, fazendo com que Taeyeon ficasse em silêncio.- Enfim, desculpe a demora para ligar, eu andei meio ocupado.

Ela queria dizer que estava tudo bem, que nem tinha percebido, mas estaria mentindo. Fazia dois dias que tinha encontrado Taehyung, fazia dois dias que ela teve esperança de encontrar novos motivos, esperança essa que já estava morrendo pela falta de resposta do garoto. Respirou fundo.

—Está tudo bem, o que importa é que você ligou. -A menina sorriu, mesmo sabendo que ele não poderia ver, ela queria ser simpática.

—Enfim, eu ganhei umas férias de vez da empresa, podemos aproveitar para eu te mostrar os motivos.

—Tem certeza? Você podia usar essas férias pra tanta coisa, vai desperdiçar comigo?

—Não é desperdício, tenho certeza que vão ser as melhores férias da minha vida.

—Está certo então… -ela suspirou- Quanto tempo nós temos?

—20 dias, começando amanhã, eu vou te buscar na sua casa às 8:00 horas da manhã.

—Tão cedo?

—Sim, cedo, você tem algum compromisso?

Ela pensou em falar que tinha aula ou alguma coisa na faculdade, mas estaria mentindo, tinha um mês de férias da faculdade e não trabalhava.

—Não tenho nada, mas… -silêncio por alguns segundos- Você não sabe meu endereço.

—Não tem problema, você pode me mandar uma mensagem com o endereço?

—Como eu posso confiar em você Kim Taehyung? Nos conhecemos faz dois dias.

—Eu ainda tenho uma reputação, não posso fazer nenhum mal à você. -Ele riu.- Agora vá para dentro de casa!

Ela paralisou, olhou em volta por um tempo.

—Como você....

—Eu consigo ouvir seu queixo batendo pelo frio, vá para dentro e se agasalhe! -Taehyung falou autoritário.- E não esqueça de salvar o meu número e me mandar o endereço. Tchau, boa noite.

Ele desligou, Taeyeon ficou paralisada por um tempo, até se lembrar do frio que sentia. Enquanto andava em direção à casa, recebeu uma mensagem que dizia “salve o meu número e mande o endereço”, fez exatamente o que ele havia pedido antes de entrar.

Assim que abriu a porta de casa, com seu queixo batendo de frio, foi recebida pelo conforto da casa de sua mãe e o amor de seus familiares. Sua tia foi correndo e pegou um casaco para ela, colocando-o sobre os ombros de Taeyeon, eles a sentaram no sofá da sala e trouxeram chocolate quente, já que sabiam que a mesma não gostava de café.

Algumas perguntas como “o que aconteceu?” e “você está bem?” foram ouvidas, mas após Taeyeon dizer que estava bem e que a ligação havia sido um engano, todos ficaram quietos. apenas a acolheram com abraços e a famosa conversa animada. Seu tio começou a falar sobre os avanços que teve com o restaurante dele quando Taeyeon começou a observar ao redor e pensar.

Ela amava aquela família, cada pessoa naquela sala tinha uma parte especial em seu coração. A forma como eles a tratavam (mesmo que houvesse aqueles falsos), apesar das brigas e desentendimentos com alguns (que inclusive não estavam presentes), ela não conseguia deixar de amá-los. Ela sorriu de lado ao lembrar dos problemas que tinha com alguns tios, que até fizeram questão de mudar o sobrenome legalmente, por mais que ela não os considerasse parte da família, ainda fazia questão de se lembrar deles de vez em quando.

Foi assim, refletindo sobre cada pessoa que já passou pela família dela, que ela decidiu seu terceiro motivo. Era a família. O amor incondicional, ela sabia que poderia cometer qualquer erro, que sua família ainda a amaria -eles podem repreendê-la, mas ainda a amam- e, na maioria dos casos, a acolheria.

Já era próximo da meia noite quando ela alegou estar cansada e subiu para seu antigo quarto na casa de sua mãe. Deitou-se na cama e observou as estrelas cintilantes grudadas no teto. Sorriu antes de dormir, ouvindo as risadas das pessoas que ainda estavam na casa.

Motivo Nº 3: Família.