20 Segundos
3 A Dor É Real
Notas iniciais
“When the sheets are washed…”
O coração de Marcus acelerou. Seu corpo se arrepiou e ficou tenso. Marcus não conseguia parar de olhar a mensagem nem por um segundo. Marcus, quase automaticamente, pensou que a alma havia enviado a caixinha para Claire, mas ao mesmo tempo, ele achava isso improvável. Milhões de pensamentos bagunçavam a cabeça de Marcus.
–Merda. Merda. Merda. – Marcus repetia para si mesmo – Não, a Claire está bem. Ela fez isso por algum motivo. Vou falar com ela.
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MarcusOliver, 22:17
Claire? O que é isso?
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Nenhuma resposta. Marcus pensou em tentar continuar falando com Claire, mas resolveu ir dormir para não se sentir cansado no dia seguinte. Então, ele dormiu.
Marcus acordou no dia seguinte 15 minutos adiantado, tempo suficiente para ele checar suas mensagens no YellowChatZ. Marcus foi direto à sua conversa com Claire.
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KlKlaireC, 3:12
VOCÊ ESTÁ SALVO
KlKlaireC, 3:14
ELE NÃO
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Marcus não entendia quem “ele” era. Ele apenas ignorou e foi se arrumar. Se arrumou e foi tomar café da manhã. Marcus comeu uma maçã e colocou um pacote de bolachas na sua mochila. Foi até o carro, deu partida e foi até a escola ouvindo música Indie.
Chegando lá, Marcus se encontrou com Annie, sozinha, chorando.
–Annie?- disse Marcus – Tudo bem?
–Não, professor. Claro que não. Não está me vendo chorar?- disse Annie, com a voz embargada.
–Tudo bem. Não vou te incomodar. – disse Marcus, e quando começou a se retirar, Annie o puxou pelo braço.
–Fica, professor. – Marcus se sentou ao lado dela – A Alice morreu.
Marcus se assustou.
–Como assim? A Alice, minha aluna? – perguntou Marcus, confuso.
–Ela mesma, professor. – disse Annie, colocando a cabeça no ombro de Marcus.
Marcus sentiu vontade de vomitar por um instante. Assim que o mal estar passou, ele começou a chorar.
–É sério, mesmo?- Marcus perguntou enquanto uma lágrima escorria em sua bochecha.
–É, a encontraram morta essa madrugada. Ao que parece, ela foi assassinada. – respondeu Annie, tentando conter o choro.
Marcus abraçou a aluna por cerca de 1 minuto até o sinal tocar.
–Ei, Annie. Você já passou de ano mesmo, se quiser ir para casa pode ir. – disse Marcus soltando a aluna.
–Eu vou assistir à aula, professor. Preciso ver o Joshua. – disse a garota, se levantando.
Na terça-feira, a última sala em que Marcus dava aula era a de Annie, então ele passou basicamente todos os segundos livres de seu dia preparando o que iria falar sobre Alice aos alunos. Marcus deu aula nas três primeiras salas, que sabiam da morte de Alice. A maioria dos alunos consolou o professor, pois sabiam que Alice era uma de suas alunas favoritas por ser muito dedicada à vida acadêmica. No intervalo, ele se encontrou com Joshua.
–Josh, falou com a Annie? – perguntou Marcus.
–Ah, falei. Ela quis ficar um pouco sozinha. Não consegue parar de pensar na morte da Alice... – disse Joshua, com a voz perceptivelmente desanimada. – A escola inteira está de luto. Alice era muito querida por aqui.
–É... eu adorava aquela garota. Era MUITO dedicada. – Marcus lamentou.
–Eu não a conhecia muito bem, sabe? Só falava com ela vez ou outra por ser amiga da Annie e tal. Mas é claro que eu sinto saudades dela. – disse Joshua, olhando pro chão.
Marcus e Joshua ficaram em silêncio por um tempo.
–Bem, hoje o intervalo tem 40 minutos, então nós podemos conversar, professor. Se estiver se sentindo mal, eu posso te ajudar, sei lá, de alguma forma. Não estou falando coisa com coisa. – disse Joshua, aparentemente desanimado. Marcus conseguia perceber que ele estava se sentindo muito mal por Alice, apesar de não ser muito próximo a ela.
–Vem comigo. – chamou Marcus.
Joshua seguiu Marcus até a escada que leva às salas de aula. Os dois sentaram no quarto degrau da escada.
–É, eu estou bem mal. – Marcus disse. Ele estava meio zonzo.
–Está com a cabeça doendo?- perguntou Joshua.
–Não exatamente. Eu estou meio zonzo, sabe? – disse Marcus, colocando a mão esquerda na cabeça.
–Compreendo... – Joshua disse, olhando em volta.
Annie passou direto por Joshua e Marcus. Ela ainda estava chorando.
–Não vai falar com ela? – perguntou Marcus, com certa dificuldade devido à náusea.
–Ah, é melhor deixar ela sozinha. Annie nunca gostou de ninguém por perto quando está triste. – respondeu Joshua e deu de ombros.
Marcus tombou para o lado, batendo a cabeça no corrimão da escada.
–Ah, merda. Eu estou muito tonto. – Marcus disse com uma cara de nojo.
Marcus se levantou rapidamente e foi até o banheiro, deixando Joshua confuso. Marcus se ajoelhou em frente a um vaso sanitário e vomitou.
–Aah... – Marcus balbuciou, tentando controlar o vômito.
“Você sabe quem é...”
Marcus ouviu aquilo dentro de sua cabeça.
“Você sabe que ele está se escondendo de novo...”
–Mas que...- Marcus disse, se levantando e olhando em volta.
“Você odeia ele...”
–Quem? – Marcus perguntou para a voz.
“VOCÊ SABE QUEM É!”
Marcus saiu do banheiro e foi até Joshua.
–Josh, existe a possibilidade de uma pessoa sofrer com os sintomas da morte pela caixinha de música mesmo tendo a evitado? – Marcus perguntou a Joshua.
–Sim, mas segundo a lenda, isso acontece porque algum conhecido da pessoa morreu por não ter conseguido se livrar da caixinha de música. – Joshua respondeu.
–Ah, sim. Obrigado. – disse Marcus.
Naquele momento, a náusea de Marcus desapareceu de forma sobrenatural. O sinal tocou e os alunos correram euforicamente até suas salas de aula. Quando Marcus entrou na sala em que ia dar aula, todos os alunos já estavam lá. Annie acenou para ele. Era possível ver a tristeza nos olhos dela.
–Bom dia, gente. Como vocês sabem, a colega de vocês, Alice, infelizmente faleceu. – Marcus começou a ter que segurar o choro. – Eu gostaria que vocês deixassem a cadeira dela nesse mesmo lugar de sempre, como uma homenagem à ela. Me desculpem, mas eu preciso fazer isso.
Àquela altura, a maioria dos alunos estava chorando. Joshua, pela primeira vez, deixou o choro rolar. Marcus ficou parado por algum tempo observando os alunos e segurando as lágrimas. Marcus foi até a cadeira em que Alice se sentava para arrumá-la, e chegando lá, Marcus viu um bilhete em cima da mesa da garota. Marcus pegou o bilhete e o leu.
“ELA É MINHA AGORA J
– C “
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