20 Dias Com Percy Jackson
18 We get so disconnected
Notas iniciais
.Café Expresso;
.Biscoitos com chocolate.
.Livros velhos;
.Musica;
.Fone de ouvido;
.Frio;
.Roupas quentinhas;
.Casa na árvore.
Basicamente, isso é tudo que eu preciso para ter inspiração. Não tem como ter paz na minha própria causa por causa de um bando de adolescentes e “adultos” que formaram uma camada de latas de refrigerante e papéis de salgadinhos no chão da minha sala, então eu decidi ir pro segundo lugar que eu mais me sinto em paz no mundo; Exatamente, a biblioteca, porém ela estava fechada pra reforma. FECHADA. E aí eu vim pra cá.
Um livro e uma peça. Duas histórias que teriam de ser feitas o mais rápido possível, sendo que uma teria de fazer mais sucesso do que tudo o que eu já publiquei antes. É um tanto confuso eu ainda estar fazendo isso, porque somente com o meu primeiro livro eu já poderia ser aceita em alguma empresa ou faculdade de arquitetura, mas isso tomou conta de mim rápido. O escritor coloca em palavras tudo o que se passa na mente do leitor, como a musica é a descrição de nossos pensamentos e sentimentos em cima de um ritmo, já mudei de opinião várias vezes, repensei os meus conceitos e evolui mentalmente por causa do que li, e só a idéia de pessoas sentindo o mesmo que eu por causa de algo que escrevi faz com que eu me motive cada vez mais pra continuar com isso. Meu primeiro livro foi como um desabafo psicológico sobre tudo o que estava acontecendo e o que eu estava sentindo. Dreams não se trata de sonhos, é mais como uma “não realização” deles. Foi meu recomeço, e um tipo de superação pra mim, apesar de que se eu pudesse, hoje, mudaria muitas partes dele, aquele livro significou mais pra mim do que eu esperava e do que eu queria. E ele é um dos motivos de eu ter aceitado a proposta de Percy; Eu queria aquela sensação de novo.
— Você ainda tem essa blusa? — Percy disse, terminando de subir as escadas e entrando na pequena “casa”. Sorri, apertando as mangas — maiores que meus braços, aliás, — do moletom azul celeste.
— Ela é quentinha, e tem um cheiro muito bom. — Ele sorriu convencido, já que ele havia me dado aquela blusa (dele) quando ainda tínhamos dezesseis anos.
— E como é esse cheiro? — perguntou, se sentando do meu lado e olhando a capa do livro que eu estava lendo. Alice no país das maravilhas.
— Muito bom, coelho branco. Uma mistura de maresia, colônia masculina, terra molhada, o que é incrivelmente bom, e meu perfume com cheiro de flores que eu não uso há um bom tempo. — Ele sorriu, e então reparei no cachecol que ele estava usando; Era o que eu tinha trocado com ele pela blusa no dia do meu aniversário. Sim, tínhamos essa mania de trocar as roupas. — E esse cachecol? Como cheira?
— Á livros velhos, que, aliás, é um cheiro bem viciante, café expresso, seu perfume com cheiro de flores que você não usa há um bom tempo, e á minha colônia masculina. E o que você está fazendo aqui Dorothy? — sorri, mexendo em seu cabelo.
— História errada, chapeleiro. Não tem como ter paz na minha própria casa, porque certas pessoas tomaram conta dela e fizeram de tudo o que tinha dentro refém. E você, o que está fazendo aqui?
— Procurando a minha Alice, achei que ela tinha caído em algum buraco, porém lembrei que ela gosta de ficar aqui. — bocejei ainda cansada por causa da noite anterior. E claro que isso soou bem mais inocente pra mim.
— Acho que ela também teve a casa invadida por leões, espantalhos e homens de lata enquanto estava fora. — falei, juntando minhas coisas e descendo as escadas, com Percy atrás de mim. Pulei os últimos degraus, e ele fez o mesmo alguns segundos depois.
— Achei que ela gostaria de saber que os soldados da Rainha de Copas já saíram de sua casa.
— Bom mesmo, ela não é muito sociável. — respondi, deixando-o pra trás e andando rápido.
— Você poderia, por favor, avisar pra Alice que ela fica extremamente linda com a minha blusa? — corei, virando para trás com um sorriso malicioso logo em seguida, fazendo com que meu rosto e de Percy ficassem a apenas cinco centímetros de distância. — Eu poderia beijá-la agora mesmo. — ele sussurrou, e quando estava quase grudando nossos lábios, me afastei e comecei a correr pelos campos floridos.
— Pois vai ter que pegá-la primeiro. — ele me olhou indignado, saindo correndo atrás de mim logo em seguida, sem parar de sorrir.
— Cuidado pra não cair em alguém buraco dessa vez Alice. — ele disse, virei para trás por alguns segundos, e depois continuei correndo o mais rápido que pude. O que foi inútil, pois senti Percy me agarrando por trás pela cintura e me levantando no ar, enquanto eu ria escandalosamente.
— Quero meu prêmio. — ele falou, fazendo um bico como o de uma criança que quer ganhar algum presente. Ri, com as mãos na cintura.
— Pelo o quê? Ter me alcançado? Vai sonhando com isso, Oz. — ele fez careta, o que foi extremamente fofo.

— Finalmente em casa! — exclamei me jogando no sofá e fechando os olhos por alguns minutos. Lar, doce lar.
— Como pode ver, nós arrumamos a sua casa — ouvi a voz de Percy bem perto de meu ouvido. Me arrepiei, abrindo os olhos e o empurrando.
— Nada mais justo depois de terem dormido aqui e criado um piso de sujeira em cima do original. — falei, bocejando em seguida e indo para o meu quarto. Percy me parou no meio do caminho.
— Onde a senhorita pensa que vai? — ele encostou-se à porta, com os braços cruzados e meio sorriso no rosto. — Se esqueceu do que temos que fazer hoje? — eu arregalaria os olhos se eles não quisessem tanto fechar.
— Mas que droga! Não posso nem mais dormir agora por causa dessa droga de peça. — Percy riu do nada. Garoto estranho.
— É uma droga de problema em que eu te meti. — semicerrei os olhos. — Tinha que ser a droga do Perseu. — ele começou a gargalhar de repente, me fazendo ficar confusa pensando se devia interná-lo ou se devia esperar um tempo pra ver a gravidade do seu retardo mental.

— Ok. Vamos começar com o gênero da peça. Comédia, aventura, romance? — perguntei. Eu estava em frente a todos os protagonistas que participariam da peça, de braços cruzados e esperando algum deles se manifestar. Percebi que nenhum deles estava muito confortável, talvez por não me conhecerem, não queriam compartilhar opiniões. — Levante a mão, quem gostaria de uma comédia. — tentei, e um tanto relutante, 4 das 15 pessoas a minha frente levantaram a mão. — Quem gostaria de uma aventura? Lembrando que vale escolher mais de um gênero. — 7 levantaram a mão. — Universo alternativo? — 11. — Romance ou algum outro gênero? — 5.
— Então faremos uma peça de universo alternativo com aventura? — uma das protagonistas, linda por sinal, com cabelos louros naturais e olhos entre o azul e o verde perguntou.
— Exatamente. Então... — pensei, e aproveitei o cenário para me inspirar. — O que acham de mitologia? — todos pareceram concordar. Mitologia, tudo bem. Temos 15 pessoas, 12 olimpianos e pelo que eu contei tem homens e mulheres suficientes. Sobrariam três dois homens e uma mulher. Sorri com a idéia que me surgiu na cabeça. — Vocês já ouviram falar de semideuses?

Depois de muitas horas de ensaio, já era bem tarde. Eu estava sentada em uma cadeira qualquer, com os olhos fechados e praticamente dormindo, ouvindo as pessoas irem embora aos poucos. Eu estava cansada, muito cansada, e eu nem tinha começado o livro direito. Já tinha algumas primeiras páginas, mas nada demais. Quantos dias eu ainda tinha? Nem me lembrava mais. Tudo o que eu queria agora era dormir o máximo possível.
— É hoje o ensaio foi duro, o que acha de sairmos um pouco e... — Percy parou de falar quando viu meu estado. Pude senti-lo sorrir. — É, você parece estar cansada de verdade. Só um minuto. — abri um dos olhos e o vi se afastando enquanto discava alguns números no telefone. Não consegui ouvir direito, mas depois de desligar ele ligou para outro número, e depois veio até mim. Tremi quando um vento forte passou pela janela dourada do Olimpo, como eu chamava a construção. Percy fechou a janela, e depois se agachou ao meu lado colocando seu/meu cachecol em volta do meu pescoço. Eu tentei me embrulhar com minhas próprias mãos, me aconchegando o quanto podia na cadeira fria e dura. Percy colocou a mão sobre minha testa. — Vou ter que cuidar da doente pelo jeito. Você está com febre. Se sente bem?
— Estou com muito, muito frio. E cansada. E minha cabeça dói, e sinto como se eu pudesse vomitar a qualquer momento, meu estômago está revirando. — falei, sentindo meus olhos lacrimejarem por causa da dor de cabeça.
— Nico vai chegar aqui a qualquer momento, já avisei pra Piper preparar um banho quente pra você, e quando acabar e se vestir com roupas bem quentes, quero você na cozinha porque vou preparar uma sopa que minha mãe fazia pra mim quando eu ficava doente. — murmurei um obrigada, e Percy me abraçou por trás da cadeira, beijando levemente minha testa e acariciando meus braços. Me arrepiei por completo, segurando seus braços junto dos meus e tentando me aquecer. Mesmo com bastante frio, senti minhas bochechas se esquentarem. — Você está muito quente mesmo.
— Percy. — ele me olhou. — Você beija bem. — ele riu com vontade, jogando a cabeça pra trás.
— Estou à disposição quando precisar. — disse piscando para mim. Ri levemente, bocejando. Eu estava começando a soar, o que era estranho já que estava tremendo. — Se você pudesse, mudaria alguma coisa? Quero dizer, você se arrepende de ter me beijado? — ri como se aquilo fosse uma piada extremamente engraçada.
— Que tipo de pessoa se arrepende de beijar Perry Johnson? O Rei supremo dos banheiros, o maioral, o gostoso pra dedéu? — falei, repetindo a piada de Grover de quando tínhamos dezesseis. — Não. Não me arrependo nem um pouco, eu estava precisando de um pouquinho de Percy. — ele riu e eu fiz careta. — Meu Deus, isso soou tão estranho e cafona. Foi horrível.
— Foi mesmo. Mas o que vale é a intenção então eu te perdôo. Dessa vez. — sorri, suspirando e me encolhendo mais um pouco. — Eu posso te beijar de novo agora? Quero dizer, pra dar sorte. — sorri.
— Se você me pedisse permissão da primeira vez eu teria te dado um belo tapa. Que tipo de pessoa pede permissão pra beijar outra? Por que ainda não me agarrou e me beijou como naqueles filmes românticos? Aquilo sim era legal, mas isso, sinceramente Perseu... Pensei que você fosse melhor que isso. — sorrimos, e senti sua mão quente em minha nuca, me trazendo para mais perto. Quando nos beijamos, me senti completamente aquecida por dentro. Era suave e voraz ao mesmo tempo, como se me aquecer fosse seu objetivo. Porém como o mundo não é uma maquina de fabricação de sonhos, ouvi a buzina do carro de Nico no segundo seguinte. Percy se afastou de mim sorrindo.
— Parece que temos que ir. Vamos, talvez possamos continuar isso quando você estiver melhor. — ele disse já a oito passos a minha frente. — Como esse cara chegou aqui tão rápido?
— Provavelmente estava no Mc Donald’s aqui perto quando você ligou. — dei de ombros. — Que tipo de pessoa você pensa que eu sou? Eu não estou a sua disposição sempre que você quiser Perseu. Já está se achando assim? — ele riu.
— Você não vem? — perguntou quando viu que eu ainda não tinha me levantado. Estiquei meus braços em sua direção, e fiz bico como uma criança. — Você só pode estar brincando. — ouvimos Nico buzinar de novo, e eu sorri.
— Você não tem opção.
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