20 Dias Com Percy Jackson
4 Such lesser period for a minor problem
Notas iniciais
Devia fazer meia hora que eu e Perseu estávamos sentados nas cadeiras da sala de reuniões, agora vazia, nos encarando. Eu, obviamente, o olhava com um desprezo do fundo do meu coração, raiva e indignação ao mesmo tempo, enquanto ele, simplesmente me encarava para me provocar; seu olhar era desafiador, e acredite: Annabeth Chase nunca recusa um desafio. Acho que Quíron finalmente notou o clima tenso, afinal, as faíscas que atravessavam os nossos olhos eram tão visíveis quanto a Torre Eiffel em Paris.
_ Han... acho melhor nós sairmos para eles conversarem melhor não é Piper?_ Quíron perguntou um pouco desconfortável, pois apesar de tudo, quando eu e Perseu ainda éramos amigos, Quíron era mais que nosso professor favorito, quase como um pai. Provavelmente estava decepcionado pelo fato de que seus dois “filhos” não se davam mais tão bem quanto antes. Por um pequeno instante me senti mal por isso._ Não é Piper?_ Quíron chamou outra vez e eu olhei para Piper uma ultima vez, de um jeito que ela percebesse que poderia ir sem problemas.
Assim que os dois saíram, Percy parou de me encarar por um momento, abaixando a cabeça ainda com aquele sorriso de lado irritante.
_ Ora, ora... Quem diria que iríamos nos reencontrar, não é Annabeth Chase? _ ele disse, levantando a cabeça e me olhando com aqueles olhos verdes hipnotizantes. Seu olhar agora era sombrio, me olhava como se eu fosse à presa e ele o predador._ Você sabe, que eu vou acabar com a sua vida não é? _ ele me perguntou se levantando, andando em círculos a minha volta. Eu não respondi, e de repente seu sorriso maligno sumiu de sua face._ Eu vou infernizar a sua vida, Chase. Até o dia em que você não estiver mais entre os vivos!_ foi sua ultima fala antes de levantar a cabeça dando uma gargalhada diabólica e...
Ok, na verdade foi isso que aconteceu:
_ Bom dia para você também Annie._ ele me disse sorrindo gentilmente. Perseu Jackson realmente estava tentando ser simpático? Não, ele não só estava tentando, sua “simpatia” era completamente natural.
_ Não haja como se ainda nos déssemos bem._ eu falei enquanto o olhava predadoramente._ E não me chame de Annie. Para você é Annabeth, ou Srta Chase, entendeu?
_ Sim, eu entendi Annabeth._ ele me respondeu revirando os olhos e dando de novo um sorriso simpático, só que um pouco... Triste?_ Você ainda está brava com aquilo?
_ E porque eu não estaria?_ perguntei elevando um pouco o meu tom de voz, afinal, parecia até que ele já tinha se esquecido do que tinha feito no passado. Ele se levantou.
_ Talvez porque isso foi á mais de cinco anos atrás?_ ele parecia estar mais afirmando do que perguntando. Me levantei ficando de frente para ele.
_ Olha aqui Perseu, nós teremos que passar vinte e cinco dias aturando um ao outro, escrever um livro, e ele tem que render mais 85 mil cópias. O que quer dizer que não poderemos brigar, bater, esfaquear, esmurrar, xingar, e nem nos matar. Então colabore, porque eu não tenho paciência para aturar garotinhos irresponsáveis que nem você e... Dá para prestar atenção em mim?_ perguntei indignada quando vi que ele havia se sentado novamente, só que com os pés em cima da mesa e os braços cruzados, fingindo roncar.
_ Hã... Oi? Desculpe não prestar atenção em você, mais eu tenho coisas mais interessantes para fazer do que te ouvir falar; ler um dicionário por exemplo!_ ele me disse sorrindo ironicamente.
_ Muito engraçado Perseu, mas estamos falando de um assunto sério aqui. Isso não é coisa para..._ ele me interrompeu.
_ Blá blá blá! Deixe de ser chata Annie._ ele disse dando ênfase no meu nome. Nasceu para me provocar mesmo, com certeza._ Primeiro que quem está falando aqui é só você! Eu não tenho nada a ver com isso!_ ele disse colocando os braços para o alto e logo depois os cruzando embaixo da cabeça.
_ Ah não é?_ perguntei e ele assentiu._ Então que tal você sumir dessa empresa, ou melhor, de Nova York, ou melhor ainda, do país!_ eu estava quase gritando.
_ Não fique assim tão emburrada Annie, que tal você simplesmente se sentar e relaxar?_ ele me perguntou logo depois fechando os olhos e dando um longo suspiro sorrindo levemente depois.
_ E que tal você parar de ser folgado?_ perguntei me aproximando do estrupício e dando um tapa em seu braço._ E tire os pés da mesa!
_ Ai!_ ele reclamou passando a mão em seu braço, no lugar onde eu tinha dado o tapa._ Isso doeu Annie.
_ Era para doer mesmo._ falei emburrada e ele sorriu.
_ Vem aqui, vem._ ele me pediu e eu o olhei confusa._ Senta aqui no meu colo._ ele falou se sentando corretamente e batendo as mãos nas pernas em um sinal para eu me sentar. O olhei incrédula por alguns segundos antes de dizer:
_ Você está ficando maluco?_ perguntei, agora realmente gritando.
_ Fale baixo! Assim os outros vão ouvir._ apesar da expressão séria eu sabia que ele estava me desafiando.
_ Seu louco._ eu disse baixinho e ele se levantou se aproximando de mim.
_ Assim está melhor._ ele falou quando ficou cara a cara comigo._ Você nunca sorri é?_ ele perguntou colocando as mãos no meu rosto e puxando um sorriso com os dedos, esse que logo se desfez.
_ Não._ falei cruzando os braços e franzindo as sobrancelhas.
_ Deveria sorrir um pouco, e pare com isso._ ele disse colocando um dedo no meio das minhas sobrancelhas, puxando um pouco para cima._ Se continuar com essa carranca as pessoas vão achar que você é sempre assim, mal-humorada.
_ Eu sempre sou assim. Você tem algum problema com isso?_ perguntei ainda séria.
_ Sim, eu tenho. Melhora essa cara, se não vai ficar cheia de rugas._ ele disse se afastando e... Se sentando com os pés sobre a mesa de novo!
_ Eu desisto de discutir com você!_ falei descruzando os braços.
_ Eu também! Você é séria de mais!_ ele disse girando a cadeira de um lado para o outro.
_ E você é idiota de mais!_ eu falei enquanto pegava alguns papeis em cima da mesa.
_ Assim magoa._ ele falou fazendo bico e colocando uma caneta atrás da orelha. Não respondi nada. Estava saindo da sala quando ele gritou: Cuidado com as rugas! Eu conheço um bom creme que..._ não pude ouvir o final da frase, mas eu sabia que naquele momento ele estava gargalhando como se fosse a coisa mais divertida do mundo me irritar.
_ Perseu Jackson? Quer dizer, aquele Jackson?_ Thalia perguntou quase cuspindo todo o suco de uva em cima de mim e Piper.
_ Sim, aquele Jackson. E não cuspa em mim!_ falei pegando um guardanapo e limpando um pouco de suco do meu braço.
_ Vofê eftá ferrada! Tipo, eftá muito ferrada mefmo!_ Thalia dizia enquanto mordia e mastigava um pedaço exageradamente grande de seu lanche. Estávamos no Mc Donald’s, eu havia acabado de contar para ela e Piper sobre o que havia acontecido na sala de reuniões.
_ Se já não bastasse eu ter que escrever um livro em vinte e cinco dias, ainda tenho que fazer uma parceria com aquele idiota. E não fale de boca cheia, é falta de educação. _ falei repreendendo Thalia e ouvimos o som da porta sendo aberta. Olhamos para trás e damos de cara com ninguém mais, ninguém menos do que ele..._ falando no diabo..._ murmurei abaixando a cabeça, tentando ficar fora da vista daquele idiota. O que foi inútil, já que ele me viu três segundos depois.
_ Annie, então você está aí!_ ele falou vindo em minha direção. Droga, droga, droga! Por que ele tinha que me ver?
_ Eu já falei para não me chamar de Annie._ eu disse baixinho praticamente o fuzilando com o olhar. E a visão raio-X quando a gente precisa dela? Cadê?
_ Ok, sabidinha._ ele disse se sentando ao meu lado. Bufei indignada e ele riu fraco._ Thalia Grace! Como vai a minha prima punk preferida?_ ele perguntou cruzando os braços em cima da mesa. "A única", murmurei e ele fingiu não ouvir.
_ A pé, e você? De carro, moto, ônibus ou o que?_ ela perguntou dando um sorriso mais falso do que artista de televisão.
_ Limusine baby._ ele disse dando uma piscadela e olhou para Piper. _E você gracinha? Acho que não fomos apresentados antes._ ele falou pegando a mão de Piper e a beijando.
_ Piper Beauregard. É um prazer conhecê-lo SrPeter Johnson._ eu e Thalia seguramos uma gargalhada.
_ Sabe, você me lembra duas pessoas._ Piper o olhou curiosa, como se realmente estivesse interessada._ A primeira é a Silena, que eu já sabia que era sua irmã antes mesmo de saber seu sobrenome. E a segunda é o Sr.D, ele foi nosso diretor no ensino médio. Ele sempre errava o meu nome, aliás, o nome de todo mundo. Ainda bem que eu não preciso mais aturá-lo.
_ Ele sempre acertava o meu._ eu sussurrei me lembrando de um pequeno detalhe que Perseu não sabia. Sorri levemente olhando para ele._ Só por curiosidade, você sabe quem é o chefe da empresa?
_ Quer dizer, o dono de tudo, o chefe geral mesmo?_ ele perguntou e eu assenti._ Não, eu me esqueci de perguntar á Quíron desse detalhe._ lerdo... Eu ia fazer um pouco de suspense, mas Thalia chata e sem graça como é, me interrompeu.
_ O próprio Dionísio._ ela falou e Perseu engasgou com e meu milk-shake de morango, que ele havia acabado de tomar da minha mão._ E o Di Angelo trabalha lá também. Ele praticamente se mudou para o escritório da Sabidinha. E também tem o Castellan, a Calipso, a pesadelo ruivo trabalha em uma floricultora aqui perto, Silena e Charles trabalham em um café em frente a empresa. Travis e Connor moram aqui perto também, a Katie Gadner, e também o...
_ Não seria bem mais fácil dizer que a nossa turma do colégio inteira se mudou para Nova York?_ Perseu perguntou e Thalia fez careta.
_ Não, eu gosto de fazer as pessoas se sentirem lisonjeadas por poderem ouvir a minha linda voz._ ela disse tomando o ultimo gole do seu suco de uva.
_ Tenho uma proposta para você._ o Jackson me disse assim que voltamos para a empresa. Estávamos no meu escritório, as tralhas de Nico agora estavam todas lá. Eu e Perseu discutíamos sobre o livro, exatamente como Piper tentou me avisar.
_ Oh meu Deus, estou com medo._ falei já imaginando que tipo de proposta ele me faria.
_ O que acha de escrever o livro sozinha?_ ok, se ele realmente quer se livrar disso tudo poderia ao menos dizer á Quíron.
_ Mas o que..._ ele me interrompeu.
_ É bem simples: eu e você iremos agir como se fossemos adolescentes outra vez._ ele havia endoidado, fumado orégano, misturado vodka com carvão, fugido do hospício ou o que?
_ E por que eu aceitaria essa sua proposta?_ perguntei curiosa, me chame de bipolar mas apesar de tudo, recuperar a minha adolescência...
_ Porque se você conseguir escrever o livro em apenas vinte dias, eu volto para a minha cidade, ou seja, bem longe daqui, como você esteve desejando desde que soube que teria que passar vinte e cinco dias comigo._ ele me falou e meus olhos se arregalaram. Ele estava me propondo isso de verdade ou era algum tipo de sonho? Não me acorde, por favor!
_ Primeiro: vinte dias é um prazo bem mais curto para quem vai ter que escrever um livro bom o suficiente para vender 85 mil cópias; Segundo: aonde você quer chegar com isso Perseu?_ com certeza ele deveria estar querendo algo por trás disso tudo, ele não iria me dar o gostinho da vitória sem nada em troca.
_ Com você escrevendo o livro, eu não teria nenhum esforço, além de que eu me divertiria agindo como adolescente novamente._ ele falou dando de ombros._ E então sabidinha, o que acha de voltar aos velhos tempos por vinte dias?
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