20 Dias Com Percy Jackson
15 "Kiss me" Your eyes say to me
Notas iniciais
A loja de discos que Percy me apresentou era um ótimo lugar para me inspirar, talvez eu pegasse a mania dele de ficar aqui todo o tempo livre que eu tivesse. Quero dizer, assim que eu tiver um tempo livre.
Havia um Toca Discos na construção onde faríamos as aulas de Artes Gerias, então a primeira coisa que eu pensei quando o vi foi: “Poxa, eu conheço uma loja de discos, porque não? Ainda mais porque isso pode ser a porcaria da inspiração que eu tanto procuro!”. Então cá estou eu, linda e loira, ouvindo os discos que Percy havia pegado na loja no outro dia. E eu fui burra o suficiente pra achar que ele havia os comprado. Discos são relíquias, mesmo se estivessem à venda, o preço é quase que obrigatório ser exageradamente alto, nem quinze salários meus (mentira, sete dava) poderiam comprar ao menos um deles. Por isso, ali nos “alugávamos” os discos por preço determinado (entre quinze e trinta, dependendo do artista) e nos davam um prazo pra devolver, de acordo com a data de lançamento. Por isso foi fácil encontrar os que Percy havia levado na primeira vez que vim aqui, estava registrado na loja. Paguei não só pelo empréstimo dos discos, mas também dos CDs de cada um, porque acho que me traria mais inspiração ouvir coisas antigas de modos antigos, mas como eu não tenho um Toca Discos em casa, peguei os CDs. Paranoias de uma escritora entendem? Enfim, como diria Perseu Jackson, “O importante é o que importa! Não, espera...”, então fui direto para casa ouvir as musicas, pra poder organizar aquele musical o mais rápido possível.
Comecei por Pearl Jam, e fui direto para a musica que Percy começou a cantar (e muito bem) enquanto estávamos pintando a casa na árvore; Corduroy. Percy me contou o seguinte; Nos anos noventa, Eddie Vedder usava a mesma jaqueta Corduroy para ir a todos os shows e eventos do Pearl Jam, então meio que ficou a marca registrada do cara. Aí começou aquela moda de todo mundo começar a imitá-lo, copiando o corte de cabelo que na verdade nem era um corte, só um cabelão mesmo, o jeito dele de cantar, de falar e até mesmo de se mexer! E claro, a jaqueta. Porém Eddie tinha pagado mais ou menos uns vinte dólares naquela jaqueta, enquanto outras fábricas cobravam o dobro, triplo, quádruplo ou até mais, então ele ficou puto e fez essa musica, que é mio que uma revolta para todos que começaram a copiá-lo. Ela dizia algo sobre “Não viva a vida de uma pessoa só porque ‘ela está na moda’”. Enfim, essa musica pertence ao álbum Vitology, que concorreu e ganhou um Grammy, apesar do Eddie ter dado uma de revoltado e quando ganhou o prêmio ter dito: “Eu não faço ideia de que diferença isso vai fazer na minha vida”. Mas enfim, continuei ouvindo outras musicas, passando por More Than Words, Extreme, uma das minhas musicas preferidas, Torn por Natalie Imbruglia, Livin’ on a prayer meu querido toque de celular, Always, outra das minhas preferidas do Bon Jovi, e claro, pela clássica We Are The World, composta por Michael Jackson e Lionel Richie com o objetivo de arrecadar fundos para o combate á fome no continente africano. A musica apresenta quarenta e cinco vocalistas diferentes, incluindo os próprios Michael e Lionel, Diana Ross, Stivie Wonder, Ciyndi Lauper, Tina Turner, Bob Dylan e outros muitos nomes consagrados. Além da musica ter arrecadado mais ou menos cinquenta e cinco milhões de dólares. Outra das quais eu ouvi foi You Really Got A Hold On Me os Beatles e...
— Ainda não acabou? Você ficou a tarde inteira escutando musicas Annie! — Percy entrou no meu apartamento, segurando quatro latas de refrigerante em uma sacola e dois hambúrgueres gordurosos em outra. Nesse exato momento percebi que eu também não comia nada desde que ele me tirou de casa de manhã. Quase voei em cima das duas sacolas e comi a parte dele também, Percy deveria ter trago mais comida. — Aqui. — disse me entregando uma das latinhas de refrigerante e sentando no sofá ao lado do que eu estava. É, nenhum de nós bebíamos álcool.
— Você me interrompeu em Beatles. — Ele sorriu me entregando um dos hambúrgueres, em seguida me jogando um CD, quase fazendo minha comida cair. Ele iria morrer se isso acontecesse, sem mais.
— Piper separou algumas musicas pra você, e pediu pra guardar esse CD no quarto dela quando acabar de ouvi-las. — arregalei os olhos. Que tipo de pessoa eu sou? Piper não estava em casa quando eu cheguei, além de tê-la deixado sozinha aqui, nem me lembrei de verificar se ela ainda estava no apartamento. — Ela está na casa da Rachel, não se preocupe. — soltei um suspiro, aliviada, logo depois dando uma dentada de sete metros no meu hambúrguer.
— Você quase me hesita dizendo o que eu quero ouvir Perseu. — as palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse segurá-las, e Percy gargalhou jogando a cabeça para traz. Cara, como ele era sexy!
— Enfim, vamos ouvir isso ou não?

Eram 19:00 quando Piper voltou, e 21:54 quando eu e Percy terminamos de ouvir todas as musicas do CD. Começamos por Ed Sheeran, depois Coldplay, Oasis e McFly. Ouvimos musicas como Give me Love, lego House, The A Team, Paradise, Wonderwall, Don’t Know Why e Mr. Brightside. Não é que não gostássemos de musicas modernas e coisa e tal, mas eu e Percy somos apaixonados por solos de guitarra, piano ou bateria e dedilhados de violão. Basicamente, instrumentos. Por isso é bem difícil nos ver ouvindo musica eletrônica, apesar de serem boas também. Das que Piper separou, por exemplo, não encontrei nenhuma que não tivesse gostado.
Guardei o CD na capa, e fui pro quarto de Piper devolvê-lo. Abri a porta no caso de ela estar dormindo, e a encontrei cochilando na cama, deitada de forma confortável somente com um travesseiro. Abri o armário do quarto de hóspedes com cuidado, pegando um cobertor quente, já que New York conseguia ser extremamente fria quando queria. A cobri, passando a mão pelos cabelos trançados e desarrumados dela. Nem parecia uma garotinha mimada e estressada daquele jeito, quietinha e de olhos fechados. Estava mais parecida com Silena, era possível ver a semelhança entre as duas quando Piper estava dormindo. E eca, eu estava parecendo uma mãe coruja, socorro! Fiz careta, colocando o CD em cima da escrivaninha, com cuidado e sem fazer barulho. Saí do quarto fechando a porta com ainda mais cuidado para não acordá-la, e fui para sala procurar Percy. Talvez eu abrisse uma exceção e deixasse ele dormir aqui hoje. Mas somente por hoje!
— Percy? — perguntei, assim que não o encontrei na sala. — Cabeça de algas, onde você está? — entrei no meu quarto, e o vi olhando para o conteúdo de dentro uma caixa de um pouco mais de trinta centímetros de altura, de madeira maciça, pintada de preto, cinza, branco e leves tons de azul. Não me importei por ele ter mexido nas minhas coisas, apenas sorri o vendo olhar para as coisas dentro da caixa. Eu sabia o que era aquilo.
— Você ainda guarda tudo isso? — ele perguntou, os olhos verdes penetrantes brilhando como nunca vi antes.
— Por que não guardaria?
— Pensei que me odiasse. — suspirei pesadamente, me sentando ao seu lado em minha cama.
— Não te odeio Percy. Você é... Era o meu melhor amigo, e você ficaria do mesmo jeito comigo se eu fizesse o que você fez.— quase pude jrar ver seus olhos lacrimejando.
— Eu estraguei tudo, não é mesmo? Seus sonhos de entrarem na faculdade de arquitetura, seu futuro com seu pai, seu namoro como Luke... — o olhei como se perguntasse “Tem como deixar mais óbvio?”. — Ainda tenho tempo pra tentar ser seu melhor amigo de novo, ou estou atrasado demais? — Sorri.
— Em cima da hora. — pela primeira vez nestes anos todos, abracei Percy como se ainda fôssemos jovens de dezessete anos, como se nada daquilo tivesse acontecido e ainda fôssemos a melhor dupla de todas, os melhores amigos do mundo. E foi aí que eu percebi o quanto eu senti saudade, durante todos esses anos, do meu cabeça de algas.
Depois de alguns minutos, estávamos sentados de lado em minha cama, eu abraçando sua cintura e ele com a mão direita sobre meus ombros enquanto a outra era mantida ocupada em tirar meus pertences de dentro daquela caixa.
— Essa é a blusa daquele acampamento de verão com nome esquisito que fomos com Quíron e a turma toda nas férias? — sorri, assentido. — Já viu nome mais estranho para um acampamento? Meio sangue... Que idiota!
— E esse é o meu cordão de contas do acampamento. Lembra que o Sr. D nos dava missões para nos manter ocupados e não ter que cuidar dos “moleques catarrentos do colégio”? — Percy riu.
— E as fotos de todos os verões que passamos por lá! Ainda me lembro da nossa promessa de tirar a mesma foto, no mesmo lugar e vestidos do mesmo jeito em todas as férias que íamos para lá! — como se eu também não lembrasse! Nós colocávamos as fotos de acordo com o ano em que as tirávamos, Percy de bermuda com a blusa laranja do acampamento, bermuda solta e cabelos despenteados, e eu com os cabelos louros cacheados presos em um rabo de cavalo com a mesma blusa laranja e um short jeans, os dois virados de costa para o lago de canoagem.
— E o chifre daquele touro quando fomos a uma excursão escolar visitar os toureiros da fazendo de Quíron! Lembra que você entrou sem querer na arena, e quando o touro te viu começou a correr atrás de você e...
— Dois segundos depois de eu sair dali e fecharem a porta para o touro não passar, ele deu uma cabeçada na cerca e o chifre dele ficou preso! E o pião me deu de presente, e aliás, o que ele está fazendo com você?
— Eu te obriguei a me dar por ter quase me matado do coração com aquela aranha de brinquedo! — rimos juntos.— E aqui o boné de “invisibilidade” dos Yankees!
— Sempre que usava esse boné, você ganhava quando brincávamos de esconder! Ficamos olhando o resto das coisas dentro da caixa, brincando um com o outro de vez em quando, até que deram 23:00 horas.
— É melhor eu ir embora, já está ficando tarde. — ele disse baixinho, ainda abraçado a mim. Me aconcheguei em seu pescoço, sentindo o cheiro de maresia que ele emanava e o abraçando mais forte. Tinha medo de ele ir embora, e quando eu acordasse de manhã tudo tivesse sido apenas um sonho, e eu não teria mais meu melhor amigo. Levantei o rosto, ficando a milímetros do dele.
— Você poderia dormir aqui essa noite. — engoli em seco, nervosa pela nossa proximidade. Já conseguia sentir sua respiração em minha boca, e tive a impressão de poder ouvir seus batimentos cardíacos, tão acelerados quanto os meus.— Quero dizer, se você quiser e... Não necessariamente aqui, na minha cama, eu quero dizer no sofá-cama da sala ou... — Percy arrumou o melhor jeito de me calar; Ele me beijou.
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