Notas iniciais
Oi, oi!!! Tudo bem? ai vai mais um capitulo!! ;)

– Tá maluco?! Acha que pode vir na minha casa e... – Julie foi interrompida pela aparição de Eduardo.

– Julie sua gata, eu estava te procurando há um tempão e... quem é esse? – diz Eduardo referindo-se a Nicolas.

O clima era de tensão, tanto na edícula como entre os quatro que assistiam a tudo. Julie alternava o olhar entre Eduardo e Nicolas, ela sabia que a situação era difícil. Nicolas estava com os olhos arregalados e disse:

– Eu é que pergunto... Q-Quem é você?

– Não te importa. – responde Eduardo grossamente. – Mas quem é você pra achar que pode ficar de conversinha com a Julie, hein? – Eduardo cruza os braços.

– Ai meu Deus! De novo tá acontecendo isso... – Nicolas diz a si mesmo, mas Julie ouve.

– Como assim, Nicolas? Você já... am... viu... ele? – ela pergunta.

– Não, eu vi... ah, quer saber, eu devo estar pirando, isso sim! Você fica “em cima do muro” em relação ao nosso namoro e... – Nicolas foi interrompido por Eduardo.

– Epa! Que historia é essa de namoro? Você estava com ele, com o... – Julie interrompe Eduardo.

– Chega! Vocês dois, cada um pra sua casa, por favor.

– Não... agora quero saber... está interessada em mim, está com esse panaca ai e... ainda estava com o Daniel?! – diz Eduardo.

– Sabia que aquele guitarrista idiota estava por trás do seu comportamento! – grita Nicolas.

– Nada a ver, Nicolas... olha, é o seguinte... – Nicolas a corta.

– Pera ai... cadê ele?

– Cadê quem? – ela pergunta.

– Aquele cara que estava aqui! Cadê?

Nicolas olha de um lado para o outro e vê que o homem sumiu... misteriosamente. Ele começa a ficar confuso e ao se lembrar que isso já acontecera, diz:

– Eu devo estar realmente enlouquecendo!

– Do que está falando, Nicolas? – pergunta Julie.

Nicolas não responde e se senta no sofá da edícula. Ela senta ao lado do rapaz que estava sem emoção facial e ela diz:

– Me conta... que foi?

– Não acredito! Ela vai ficar de papo com ele?! – diz Daniel contrariado.

– Fica quieto, cara. – diz Martin. – Psiu.

– Será que ele vai dizer que foi assombrado? – questiona Felix.

– Quem o assombrou? – pergunta Pietra.

– Eu. – sussurra Daniel.

– Ele não pode dizer que foi assombrado! – ela exclama.

– Por que? – os três perguntam juntos.

– Por que? Simplesmente porque tudo tá sendo gravado e esse material não pode ser editado. – ela responde. – Se ele disser que foi assombrado e ainda por cima descrever que foi Daniel... a situação de vocês pode piorar muito.

– E o que fazemos? A Julie não sabe disso. – comenta Martin.

– Já sei... – Pietra some e aparece instantaneamente na edícula.

Os três fantasmas ainda assistiam atentos a tudo que acontecia. A fantasma de cabelos castanhos fica visível a Julie, que se assusta ao vê-la.

Pietra sabe que não pode dizer; “Sai daqui com ele, porque tudo está sendo filmado’, afinal ela poderia ser punida por ter interação com a humana. Então ela dá algumas voltas e disfarçadamente diz com a mão sobre a boca para que a câmera não pegasse ela dizendo:

– Sai da edícula, Julie. Nunca se sabe o que ele vai dizer. E as vezes isso pode comprometer a situação dos seus amigos. – ela sussurra.

Julie percebe que Pietra estava tentando se esconder e assenti de leve.

– Que tal se fossemos a cozinha, te preparo um chá pra se acalmar. – diz Julie.

Nicolas concorda e os dois saem da edículas. Pietra sorri e desaparece, retornando a cela, Daniel diz:

– Você só piorou tudo, sua tonta!

– Lógico que não! Tudo iria piorar se ele dissesse que foi assombrado por você. Ai sim, a coisa estaria feia. – ela responde grossa.

– Mas... por que não pode ser editada as gravações? – pergunta Felix curioso.

– Isso ai não é vídeo amador de câmera digital, querido. – ela sorri.

– O que seria... câmera digital, garota? – questiona Martin.

– Ai... as vezes me esqueço que estou conversando com três fantasmas dos anos 80. – ela suspira. – Enfim, não pode ser editado pelo fato de ser conteúdo da Policia Espectral. E como ai tem provas da interação do Eduardo com a humana... o conteúdo tem que ser certificado de que não foi editado. Compreendem?

– Sim. – responde Daniel e Felix.

– Não. – responde Martin sozinho.

– Ah, você é um caso a parte. – ela comenta. – Bem, depois tento conversar com a Julie e perguntarei se o rapaz disse que foi assombrado pelo nosso fantasma mais “simpático” daqui.

Ela sorri com deboche e Daniel a olha torto.

– Por que tampou a boca na hora de conversar com a Juh? – questiona Felix.

– Você deve ser o mais curioso do grupo, hein! – Felix abaixa a cabeça com o comentário de Pietra. – Gosto disso... enfim, agi dessa forma porque... pensem comigo: Se a câmera é daqui da policia espectral, é obvio que ela vai filmar fantasmas. E não adianta o fantasma estar invisível para o humano... para a câmera, nós estaremos visíveis mesmo sem querer. Outra que... disfarcei na hora de conversar, porque se não... eu também sofreria com o fato de ter conversado com a menina.

– Disfarçou bem até... não deu pra ouvir o que você disse. – comenta Daniel.

– Claro, eu sussurrei. Acha que sou burra? – ela diz. – Bem, vou indo, afinal se o Eduardo saiu de lá... daqui a pouco esta aqui, tchau. – ela some junto com o Teblet nas mãos.

Felix sorria bobo e Martin não deixou a oportunidade escapar, ele se aproxima do amigo e diz:

– Que gata, não?

– Uhum. – resmunga Felix.

– Acho que vou... trocar uma ideia com ela qualquer dia.

– Por que? A Débora já é afim de você! Por que não fica com ela e deixa a Pietra quieta?

– Um... ciúmes, é? – Martin sorri malicioso.

– Não. – Felix responde baixo.

– Tá, sei...

Martin e Daniel riem da situação do amigo e Felix não gostou da brincadeira.

Enquanto isso, Nicolas estava sentado em uma das banquetas do balcão da cozinha de Julie, enquanto a mesma fazia um chá para o rapaz que estava calado.

– Não vai mesmo me dizer o que houve? – ela pergunta.

– Não. Já disse... devo estar ficando doido, só isso.

– Mas pelo menos me fala uma coisa... o quem acha que pode ser aquele homem? Acha que pode ser sua imaginação mesmo ou... algo real? Tipo... fantasma.

– Primeiro que fantasma não existe... eu acho. – ele sussurra a ultima parte pois não tinha mais certeza do que dizia. – E outra, deve mesmo ser coisa da minha imaginação, se bem que... como sabe que era um homem o que eu via?!

– Você... é... você disse: “Cadê o cara que estava aqui?”. Que eu saiba não chamam meninas de “cara”. – ela sorri forçado.

– Um... mas eu vi você o respondendo.

– Eu... eu... falava com você Nicolas, mas acho que você estava tão perdido que nem notou.

– É... tem razão. Descarto o fato daquilo ser real. Devo estar doente.. só pode.

– Mas... uma coisa me intriga.

– O que?

– Você disse que estava acontecendo de novo... isso já aconteceu uma vez? Viu esse mesmo “cara”?

– Não. Era outro.

– Outro?

– É. Esse outro cara que eu vi me disse pra eu me afastar de você. Se não... ele voltaria e... acho que em vez dele voltar... ele mandou o amigo ou sei lá quem... vir no lugar dele.

Nicolas começa a ficar nervoso novamente ao se lembrar da experiência que teve meses atrás.

– Nicolas conta pra mim, por favor. – ela insisti.

Nicolas conta detalhadamente tudo o que houve na noite em que Daniel e assustou. No começo a menina não percebeu que Nicolas referia a Daniel, mas depois... de acordo com as caracterizas que Nicolas foi dando... ela logo desconfiou.

Ele narrava com um certo incomodo, dizia tudo o que Daniel disse, falava sobre os livros que voaram da estante, das luzes que se apagaram, etc.

Julie não ficou brava em saber essa atitude de Daniel, afinal ela sabe que o que ele sentia ao fazer isso... era ciúmes. Porém, em nenhum momento ela se manifestou, deixou Nicolas contar tudo e depois disse:

– Uau... que coisa mais... louca, não?

– Pois é, eu tinha até esquecido, mas ai acontece isso...

– Ah, esquece de novo. Como você mesmo disse... fantasmas não existem.

– Verdade. Topa dar uma volta?

– Claro, vou só trocar de roupa.

– Ok, te espero aqui.

Ela sorri e ele sorri fraco, ainda estava nervoso com o que aconteceu e em sua mente... estava arquivada a imagem dos dois “rapazes” que o visitaram.

Depois de uns 10 minutos, Julie chega a sala pronta e os dois saem. Vão a praça e tomam sorvete. Conversam sobre assuntos aleatórios e Nicolas até esquece de tudo.

Enquanto isso na Policia Espectral, Pietra andava pelos corredores do presídio, até que Demétrius a para e diz:

– Que tanto faz aqui? Já reparei nas câmeras o quanto você vem aqui!?

– Nada de mais, apenas meu trabalho, Senhor.

– Um sei... e pra que isso? – ele se refere ao Tablet nas mãos da moça.

– Eu estava levando de volta ao meu escritório, Senhor.

– Faça o SEU trabalho e não fique de gracinha. Não pense que só porque trabalha na vigilância tem vantagens aqui, mocinha.

– Sim Senhor. Mas... por que o Senhor me observava nas câmeras?

Demétrius se sente “encurralado” e diz com um tom superior:

– Quer mesmo ouvir a resposta?

Aquela era uma pergunta retórica e Pietra notou a ignorância e ironia na hora.

– Perdão. – ela diz.

– É bom mesmo que me peça desculpa.

Ele some e a moça “suspira” aliviada, ela continua seu caminho até sua sala em silencio.

Eram já quase oito e meia, Pietra estava pensando em ir visitar Julie e perguntar sobre o ocorrido de horas atrás. E é isso que faz, vai à casa da garota e aguarda Julie entrar no quarto dela para ficar visível.

– Você de novo? – pergunta Julie.

– Sim eu. Quem mais seria? Papai Noel? – ela responde irônica. – Enfim, vim aqui para discutirmos a respeito daquilo que aconteceu na edícula.

– Era isso que eu também queria falar. Como soube que Nicolas estava aqui?

– Eu assistia tudo ao vivo e seus amigos também.

– Quer dizer que Daniel viu eu...

– Sim, ele viu e ouviu o que aconteceu entre você e Eduardo ontem.

– Imagino que ele deva estar furioso comigo.

– Não mais bravo do que comigo, querida. Ele é bem ciumento e muito protetor... tá na cara que te ama. Mas enfim... não é sobre isso que vim conversar. – Pietra ajeita os cabelos e começa a andar de um lado para o outro no quarto. – Ele disse que foi assombrado pelo Daniel?

– Disse sem saber que era o Daniel. – diz Julie. – Não sabia que Daniel havia feito isso... ele assombrou Nicolas.

– Nem eu sabia, fiquei sabendo hoje e mandei você sair da edícula aquela hora, porque o que for gravado lá não pode ser editado. Ou seja, se ele dissesse que foi assombrado pelo Daniel, a situação poderia piorar.

– Obrigada por mandar eu sair de lá então.

– Tá, mas mudando de assunto... quando vai rever o Eduardo?

– Não sei, ele sumiu aquela hora. Ele parecia estar bravo e outra... já não tem material suficiente?

– Não, preciso de mais. Faça as pazes com ele e o faça dizer tudo.

– Vou tentar... é difícil pra mim.

– Eu imagino, vi como é duro. Mas saiba que esta fazendo um ótimo trabalho.

– Ainda bem que esta compensando.

– Esta e muito. Em breve seus amigos podem estar aqui de novo.

– Espero...

– Julie!!! – grita Raul. – Vem cá!!!

– Já vou. – ela responde.

– Vou indo, até mais. – diz Pietra.

– Tchau e... mande lembranças a eles.

– Mando sim. – Pietra acena e some.

Julie vai ver o que seu pai queria e depois vai tomar banho, afinal amanhã tinha aula e ela deveria descansar. Porém antes de se deitar recebe uma mensagem de Bia que a deixa com uma sensação estranha. A mensagem dizia:

“Você não vai acreditar no que estou vendo... As vezes pode não ser nada de mais, já que você ama o Daniel e está com o Nicolas só por estar, mas... O Nicolas e Thalita estão na praça daqui da frente da minha casa... Aos BEIJOS!!!”

Julie se sente estranha, sente... ciúmes!? Aquele breve passeio com Nicolas na parte da tarde a fez bem e... querendo ou não, ela ainda gosta de Nicolas.

– O que é isso? O aquela loira azeda está fazendo aos beijos com o MEU namorado e... espera... eu amo o Nicolas ainda? A ponto de deu ter ciúmes?

Julie estava confusa com seus sentimentos e diz em voz alta a si mesma:

– Preciso pensar nas coisas, colocar os “pingos nos is”, dar as devidas respostas aos meus questionamentos... preciso saber quem realmente amo!

Enquanto isso, Demétrius estava em seu escritório conversando com o filho:

– Como anda aqueles três tontos? – diz Demétrius se referindo a Daniel, Martin e Felix.

– Como sempre... vão ficar lá a eternidade inteira se depender de mim.

– Um... bem, se quiser ir pra casa, vá. Vou fazer mais uns relatórios e depois vou.

– Acho que vou ver a mãe.

– Por que?

– Porque sim, e depois a Marlee.

– Como anda sua irmã?

– Bem, as filhas delas estão lindas. Tanto Emily quanto Cecília.

– Mande lembranças a elas. Diga a sua mãe que quando der eu vou lá.

– Mando sim. – Eduardo some.

– Sr. Demétrius, posso entrar rapidinho? – diz Pietra.

– Entre logo e sai depressa. – diz Demétrius bravo.

– Faltou esses documentos... – ela entrega um envelope ao chefe. – Preciso que os assine e carimbe, por favor.

– Amanhã de manhã venha pega-los, estarão assinados.

– Tudo bem, obrigada Senhor. – diz Pietra saindo.

O que Demétrius não sabia, era que Pietra ouviu a conversa de Demétrius e Eduardo. Agora ela tinha certeza que de que se “jogasse” direito... podia colocar os dois, mais rápido do que imagina, na cadeia.

Notas finais
Então o que acharam? Beijos! Até o próximo!