Notas iniciais
Cuti...cuti...bebê lindinho

Ninguém se salva

Do naufrágio da própria alma.

Quisera que o mar do não-ser

Em fulminante amplexo

Tivesse me levado da vida

Mas não fui eu a escolhida.

Foi assim

Que a última centelha se esvaiu.

Na fria tenaz de um fórceps

Vítima da orgia genética

Jaz nesta sala acética

Meu pobre filho sem nome.

Morreste

Na mesma negra ignorância em que nasceste.

Voltaste ao nada e nada foste

Senão a experiência malfadada

De um deus louco varrido.

O primeiro vagido

Foi teu último suspiro de vida

Inocente condenado

A ser uma corruptela de humano

Minha pobre criança mutante

Teu corpo com duas cabeças

Enfeitará a estante

Do laboratório de anatomia.

Notas finais
Um poema pra anima as coisas