1977
5 Vento de Mudanças
O mundo está acabando
Você já pensou
Que nós poderíamos ser tão próximos... como irmãos
O futuro está no ar
Eu posso senti-lo em todo lugar
Soprando com o vento de mudanças
— Sabe Sirius, eu já esperava por isso.
Moony e eu caminhávamos, sem a menor pressa, para a aula de Adivinhação.
— Seu jeito muda quando você tá perto dela. — Aí o miserável parou de falar para pegar um livro roxo que uma corvina derrubou próximo aos meus pés. Tive que fazer força para não falar nada, porque, francamente, a simpatia do Remus muitas vezes enchia meu saco. — Igual agora. Essa garota faltou pouco se jogar no seu colo e você nem percebeu nada. Por quê? Porque é o nome Marlene McKinnon que tá no jogo.
Franzi a testa.
— Sério? — então, voltei a atenção novamente para o que importava. — E desde quando você sabe disso?
— Já tem um tempinho. Acho que no quinto ano eu já tinha minhas suspeitas. Você era muito estúpido com ela, desnecessariamente até. Aí no ano passado, já era o oposto: você prestava atenção em tudo em que ela estivesse envolvida, o que era muito estranho, porque, sinceramente Padfoot, você não dá a mínima pra nada da vida de ninguém.
Permaneci algum tempo calado, observando um garotinho da grifinória brincar com um frisbee dentado.
— E Prongs? Você acha que ele desconfia de algo?
Nesse momento, Remus olhou para mim com condescendência, como se tanta ignorância lhe causasse pena.
— James só vê o que está a um palmo de seu nariz, Sirius. Ele acha que você só quer transar com ela, pra experimentar e tal.
Abri um sorriso, sacana.
— Bom, ele não está de todo errado.
Já estávamos na Torre Norte, prestes a alcançar a escada que nos levaria ao alçapão da matéria, quando escutamos um "Esperem!" ofegante atrás de nós. Nos viramos alarmados, já esperando o pior.
Era Dorcas Meadowes, com o rosto vermelho e os cabelos loiros e curtos alvoroçados pelo esforço da corrida. Olhei para Moony maliciosamente. Sua expressão ao olhar para Dorcas era ainda mais afetuosa que o habitual.
— Vocês não fazem ideia do quanto estou satisfeita em vê-los. — afirmou ela, com sua elegância característica. Mesmo não sendo parte de nenhuma das famílias prestigiadas do Mundo Bruxo, Dorcas era uma das pessoas mais educadas que eu já havia conhecido. — Não suportaria ouvir mais nenhuma profecia sobre a minha morte trágica e nada natural.
Ela sempre era a última a chegar no sótão e toda maldita vez o mestre Patil profetizava, para "quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça!", que Meadowes seria brutalmente assassinada por alguém ligado às Artes das Trevas.
Moony e eu rimos e a deixamos passar na nossa frente. Aí ele a seguiu e depois eu subi atrás deles. O sótão velho e infestado por incensos já estava completamente abarrotado de estudantes da grifinória e da lufa-lufa.
Fechei a entrada do alçapão.
Inferno. Essa era a tão aguardada aula inicial de revelações do sétimo ano, quando o Patil profetizaria algo à respeito da vida de cada um de nós. Só que eu pouco me importava com isso, apenas me inscrevi nas aulas para relaxar com o cheiro impressionante de incenso misturado com hortelã.
— Tome cuidado, Sirius Black! Esse seu comportamento impulsivo ainda lhe trancafiará!
E era assim que ele aterrorizava o último aluno a chegar em sua classe. Sempre com frases pessimistas e sombrias. Nem me dei ao trabalho de esboçar alguma reação, Ragnard Patil era só um velho esbaforido e charlatão. Dos grandes.
— Finalmente, vocês terão um vislumbre do trajeto que cada um irá percorrer na passagem das estações. — Ele tomou um gole de uma taça negra e prosseguiu. — Devo, porém, avisá-los que nem todos serão chamados agora e que está na mão de vocês a decisão de deixar a visão ser concretizada ou de impedir o caminho desenhado pelo seu eu de hoje.
Aí o professor fez uma pausa dramática e deixou sua taça cair, provocando gritinhos histéricos e despertando àqueles que caminhavam para os abismos do sono, como eu. Depois se sentou em sua velha mesa dourada e deu início às visões.
— Senhor Bones, faça-me o favor... — E Edgar Bones foi até lá. E mais uns sete alunos fizeram o mesmo favor. Aí, quando restavam apenas poucos minutos, ele chamou Moony.
Eu e Dorcas nos entreolhamos, desconfiados. Assim como Prongs, Wormtail e eu, ela também ficava apreensiva quando Remus conversava com algum funcionário. Sei que é algo bastante idiota, mas tínhamos medo de algum tipo de discriminação ser realizada contra ele.
Então esperamos. E esperamos. E esperamos mais. E eu já estava para lá de aflito com esse velho embromador e bizarro conversando potoca pra cima do meu amigo, quando a sineta tocou marcando o fim da aula.
Dorcas e eu descemos a escada íngreme, com o firme propósito de aguardarmos as boas-novas de Moony. Contudo, não foi possível. Um batalhão vermelho e dourado composto por Marlene, Prongs, Alice, Frank, Wormtail, Evans, Podmore, Vance e outros mais dos sexto e sétimo anos, nos aguardava no corredor. Todos com os rostos abatidos.
— Santo Deus! — exclamou Meadowes antes de correr até Marlene e a envolver com os braços.
Caramba.
Também fui até lá e pude notar com mais clareza a gravidade da situação: Evans e Wonder choravam; Marlene e Prongs tremiam de raiva, enquanto relatavam o ocorrido em uníssono: Mary Macdonald, do nosso ano, foi feita de refém, em uma sala misteriosa do sétimo andar, por alguém mascarado e coberto por vestes negras. Seu agressor lançou-lhe um feitiço estranho que a fazia vomitar sangue e vísceras incessavelmente. Provavelmente lhe causando danos irreparáveis nos órgãos internos.
Certamente utilizando magia das Trevas.
Portanto, não mais desconfiávamos. Agora tínhamos pleno conhecimento da presença de comensais da morte em Hogwarts. E não iremos permanecer de braços cruzados. Iremos à luta. Ainda que sangremos, não abaixaremos a guarda. Mesmo que percamos companheiros durante o combate, não iremos nos entregar à tentação do desânimo. Iremos prosseguir, até que nenhum bruxo sofra novamente pelo seu sangue; até que cada um consiga ocupar pacificamente o seu devido lugar no nosso Mundo, seja como bruxo ou como criatura mágica. Iremos tentar. E tentar. E tentar até o último fôlego. Até que o medo da crueldade humana não seja mais o centro de nossos pensamentos. Até que estejamos totalmente livres das amarras do preconceito.
A partir daí estaremos bem.
O vento de mudanças sopra direto
Na cara do tempo
Como uma tempestade de vento que irá tocar
O sino de liberdade pela paz da mente
Deixe sua balalaica cantar
O que a minha guitarra quer dizer
Leve-me à magia do momento
Em uma noite de glória
Onde as crianças do amanhã dividem seus sonhos
Com você e eu
Leve-me à magia do momento
Em uma noite de glória
Onde as crianças do amanhã sonham
No vento de mudanças
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