1942

4 Capítulo III — Ano-Novo


Notas iniciais
Oi gente, como vocês estão? Espero que bem. Enfim, mais uma semana chegou e com ela mais um capítulo. A partir daqui, as coisas vão ficar menos entediantes (ou eu espero). Hoje temos a primeira aparição "de verdade" da Rachel, yay!
Eu agradeço pelos favoritos e pelos reviews dos capítulos anteriores, obrigada mesmo, e, bem, espero que gostem desse capítulo!

Dezembro de 1936

O fim de ano da família Fabray impressionava Quinn desde a infância. A festa de ano-novo era sempre animada, com a sala de estar cheia de convidados, pessoas andando para lá e para cá conversando sobre tudo e todos e a música tocando delicadamente ao fundo.

Cinco minutos antes da meia-noite, Russell parava o que quer que esteja fazendo e discursava sobre o ano que teve e pedia as mesmas coisas sempre: paz, amor e saúde. Seu discurso terminava à meia-noite em ponto, e todos no cômodo se abraçavam e desejavam feliz ano-novo uns aos outros.

Quinn sabia que essa véspera de ano-novo não seria diferente das outras, mas Sam estaria lá com a família, o que tornaria tudo bem mais agradável. A garota não o via desde agosto. Voltara à sua universidade e aos estudos assim que as Olimpíadas terminaram, enquanto Sam, um oficial nazista agora, tinha suas obrigações militares na cidade.

Os dois trocavam cartas, é claro, mas não era a mesma coisa que ver o sorriso radiante de Sam todos os dias. Quinn sentia falta dele, dos seus abraços acolhedores e, mesmo tendo beijado-o apenas algumas vezes, de seus lábios. Mas, principalmente, Quinn sentia falta das informações que Sam possuía.

Eles haviam concordado que transmitir informações secretas do governo por cartas seria arriscado demais. Na universidade, Quinn era como qualquer outro membro da máquina nazista: só sabia o que Hitler queria que ela soubesse. Sentia-se tão fraca e indefesa quanto se sentia antes de conhecer Sam.

Quinn ainda pensava no garoto enquanto escrevia em seu diário quando a porta de seu quarto abriu e revelou o rosto de Judy, que lhe sorria afavelmente.

— Quinnie, eu acho melhor você descer. Os convidados já estão chegando!

Quinn retribuiu o sorriso da mãe, se levantando. O diário aonde escrevia estava mais para um grande caderno cheio de segredos sobre o governo nazista do que para seus sentimentos. Ela disse para a mãe que desceria em instantes, enquanto fechava o diário com um cadeado, presente de Sam.

— Você não deveria escrever tanto, Quinn — Judy disse séria. Por um segundo, viu um lampejo triste nos olhos da mãe. — Não está na universidade e é véspera de ano-novo! Esqueça um pouco os estudos.

Eu não posso, respondeu Quinn mentalmente, mas apenas acenou em concordância. Ela empurrou a mãe para fora do quarto, saindo em seguida.


Para a infelicidade de Quinn, a família de Sam ainda não tinha chegado. Na sala de estar estavam Frannie e seu marido, Oliver, um homem robusto de vinte e poucos anos que Quinn quase nunca via; um casal na mesma idade que Frannie e seu marido, que ela não conhecia; e o general dono da casa em que vira Sam pela primeira vez, conversando em um tom animado com Russell.

— Quinn! — exclamou Russell assim que viu a filha. Ela suspirou, mas foi de encontro ao pai, tentando sorrir amigavelmente. — Quero que você conheça o General Hartmann, por favor. Ele foi responsável pela rápida escalada de Sam no exército.

Quinn agradeceu polidamente o general pelo o que ele tinha feito por Sam, lançando um olhar de relance à Frannie. A irmã borbulhava de raiva, apertando o braço do marido com força, enquanto conversava com o casal desconhecido.

— Ela não é como a irmã, Dirk — disse Russell, puxando a filha mais nova para mais perto. A mãe de Quinn tentava distrair Frannie, Oliver e o casal contando sobre o peru queimado do último Natal. — Disse que frequentaria uma universidade. Casar? Só depois disso.

General Hartmann a avaliou dos pés à cabeça. Quinn sentiu as bochechas corarem com a atenção que lhe davam.

— Uma pena que meu menino mais novo está na França. Tenho certeza de que os dois dariam um belo par.

Russell riu escandalosamente, dando tapas amigáveis no ombro de Dirk. Quinn tentou acompanhar a risada do pai, mas acabou saindo como um grasno muito irritante.

— Ela já está prometida, querido amigo. O jovem Sam, a quem você ajudou.

Dirk olhou para ela de forma questionadora. Ela se apressou a concordar com o pai. Embora Sam ainda não tivesse feito um pedido de namoro oficial, ele estava mais do que aprovado por Russell para pedir sua filha não apenas em namoro, mas também em casamento.

— Quinnie, querida — Judy chamou. Ela sempre adorou o fato de que sua mãe sempre sabia quando a filha estava em perigo. — Vá olhar os doces no fogão, por favor!

Suspirando aliviada, Quinn acenou afirmativamente e correu para a cozinha, evitando o olhar maligno de Frannie que a acompanhou até o corredor. Quinn nunca sentira pena de Oliver por casar com sua irmã, mas, naquele momento, ela soube que o homem passaria por um sufoco enorme para tentar controlar Frannie e seu instinto assassino.

No entanto, ela parou à porta do cômodo, assustada, ao ver que havia alguém ali.

— Ei! — Quinn exclamou, esperando não soar tão covarde quanto lhe pareceu em sua cabeça. — O que está fazendo aqui?

Quinn apenas notou que era uma garota quando ela virou-se de supetão, segurando um pedaço de pão mordido. Seu rosto estava sujo, mas Quinn a reconheceu imediatamente: era a mesma garota que não abaixara os olhos quando a encarou firmemente no terraço da casa de Hartmann, seis meses antes.

— Como entrou aqui? — Quinn sussurrou alarmada, fechando a porta atrás dela. Esperava que seu grito não tivesse chamado a atenção de ninguém na sala de estar.

O olhar da menina foi em direção da janela escancarada.

— É isso que você faz quando não está trabalhando de garçonete? Invade as casas das pessoas e rouba a comida do banquete de ano-novo? — Quinn perguntou, cruzando os braços e olhando da janela para o pedaço de pão na mão da garota.

— No Natal também — a menina disse. Sua voz era rouca, como se não falasse havia anos.

— Mas você é judia — retrucou Quinn, apontando para a estrela de Davi no braço da garota, a única coisa limpa em sua vestimenta.

— Não importa. Roubar dos ricos nessas duas semanas é a coisa mais fácil que existe.

Quinn tentou não sorrir diante da postura da outra garota. Sentiu um estranho orgulho dela, e queria fazer algo para ajudá-la. Se a garota já estava furtando, Quinn não queria nem imaginar como era a situação dos outros judeus de Berlim.

— Então me deixe ajudá-la. — disse Quinn, observando a cozinha cheia de comida. Poderia oferecer um verdadeiro banquete àquela judia. — O que você quer?

A garota a encarou, incrédula. O sorriso de Quinn foi ainda maior.

— Rápido, por que alguém pode entrar a qualquer momento — ela disse, colocando mais pães nas mãos da menina e correndo para pegar uma vasilha para colocar algumas frutas.

Quinn pegou um pouco de cada coisa que estava nas panelas em cima do fogão. Conferiu a cozinha de novo, com medo de ter esquecido algo, mas não. Ela tampou a vasilha e entregou-a a garota, que parecia ainda não acreditar no que estava acontecendo.

— Você é uma garota forte, vai conseguir pular a janela com isso, não vai? — indagou Quinn, pedindo da menina alguma reação. — Fique segura.

A garota concordou com o que Quinn dissera, mas sem realmente ouvir, embalando a comida em seu casaco. Antes de sair pela janela, ela virou-se para Quinn e olhou-a agradecidamente. Quinn pensou que ela falaria alguma coisa, mas a garota judia apenas pulou a janela e partiu.

Aquela era a primeira vez que Quinn lutara contra Hitler, ainda que indiretamente. Uma felicidade estranha invadiu seu corpo, tal como a sensação de dever cumprido, que Hitler jamais a tinha feito sentir em nenhum de seus discursos. Ficou olhando a janela por um bom tempo até Judy entrar na cozinha, afobada, fazendo Quinn se sobressaltar.

— O que está fazendo aqui até agora, Quinn? Eu disse para você checar os doces, não produzi-los!

Quinn piscou e fitou a mãe, lembrando-se, por fim, de sua tarefa. Tentou pedir desculpas, mas a mãe já lhe entregava uma bandeja para distribuir as bebidas na sala.

— Sirva Frannie primeiro ou ela é capaz de mostrar suas fotos de bebê ao Sam — Judy aconselhou seriamente.

— Sam está aqui?! — ela indagou esganiçada, quase deixando as bebidas caírem.

— Chegou há alguns minutos — disse sua mãe displicente. — Ah, sirva os convidados primeiro e só depois vá falar com ele, entendeu?

Quinn acenou que sim com a cabeça, cansada, e saiu da cozinha, tomando cuidado para não tropeçar e deixar a bandeja cair.


— Sam! — exclamou Quinn assim que se viu livre das bebidas. Quinn o abraçou fortemente, sob os olhares de metade da sala de estar.

— É bom ver você também, Quinn — ele disse, mais discreto que a garota, embora a abraçasse com a mesma intensidade.

Ao soltar Sam, notou a família dele, parecendo bem mais desconfortáveis que o garoto. Sra. Evans parecia mal-humorada, mas o sorriso do Sr. Evans era acolhedor. Os gêmeos, um garoto e uma garota, irmãos mais novos de Sam, já corriam por aí. Quinn cumprimentou os pais de Sam mais polidamente, e puxou o garoto pelo braço, deixando a mãe iniciar uma conversa com os Evans.

— Senti sua falta — ela disse quando os dois estavam sozinhos na sala de jantar.

Ela entrelaçou seus dedos nos de Sam e se aproximou dele para beijá-lo. O garoto não desviou, como da primeira vez em que ela tentara beijá-lo, mas quando ela abriu os olhos, encontrou Sam vermelho feito um pimentão.

— Eu também senti sua falta — ele respondeu, envergonhado.

— Como a vida trata um oficial? — perguntou Quinn, sorrindo ao garoto.

Os dois havia trocado várias cartas sobre isso, mas a animação descrita por Sam não valia muito distante dos olhos brilhantes e tom sonhador que ele usava agora.

— É claro que o que sei agora é muito pior, mas é uma boa vida. Consegui uma promoção por bons serviços!

Quinn socou o ombro do garoto com força.

— Por que não me contou?!

— Foi há uma semana! Iria te contar no Natal, mas minha família decidiu ir a Frankfurt visitar meu avô. Além disso, sei que você gosta de uma surpresa.

Ele sorriu e Quinn o abraçou novamente. Não seria um completo choque se estivesse apaixonada por ele, Quinn se pegou pensando. Ela estaria feliz se estivesse apaixonada por Sam.

— O que você descobriu sendo oficial? — ela sussurrou no ouvido dele, retomando o assunto sério.

Sam soltou-se dela e tirou do bolso interno do terno um pequeno caderno preto aveludado com a suástica brilhando em vermelho-sangue na capa.

— Está tudo aqui — ele disse, parecendo muito orgulhoso de si.

Quinn pegou o caderno e deu uma olhada. Estava completo, como seu diário, com datas e pequenos gráficos do quartel. A garota inclusive encontrou duas fotos de Sam, uma dele com seu pelotão e outra com os generais de alto comando do quartel.

— Guarde-o em um lugar seguro — ele pediu. — Só Deus sabe o que pode acontecer conosco se isso parar em mãos erradas.

— Não se preocupe garoto — respondeu Quinn, encostando seus lábios nos de Sam suavemente —, vou guardá-lo.

Quinn pensou em contar a Sam sobre a garota judia que ajudara minutos antes, mas decidiu guardá-la para si. Aquela menina era o seu segredo, a sua forma de lutar contra Hitler, sozinha. O garoto não precisava saber dela, não por enquanto.

— O que vocês dois estão fazendo? — a voz doce da irmã de Sam nunca pareceu tão irritante à Quinn.

— Nada — respondeu Sam, empurrando Quinn para longe. Ela viu que o rosto do garoto começara a atingir um forte tom de vermelho e controlou sua risada. — Já estávamos voltando para a sala.

Quinn concordou rapidamente. Ela não tinha vergonha nenhuma do que estava fazendo, mas a irmã de Sam poderia contar aos mais velhos e isso geraria problemas. Ela sorriu à garotinha, afagando seus cabelos dourados, e entrelaçou a outra mão na de Sam, saindo da sala.

O diário militar de Sam aquecia seu casaco por dentro e lhe dava mais confiança para enfrentar os generais da sala ao lado.


Quando faltavam cinco minutos para a meia-noite, Russell pigarreou e chamou a atenção de todos ao bater delicadamente na sua taça de champanhe.

— Ah, os famosos discursos do meu pai — Quinn disse no ouvido de Sam, segurando a taça de vinho com firmeza. Não gostava de champanhe, era seco e amargoso, ao contrário do precioso vinho caríssimo que seu pai comprava. — Eu sei que você já ouviu falar deles.

Quinn se recusava a assumir que estava bêbada. Não estava. Conseguia ver Sam, seu pai e toda a festa perfeitamente bem. Eles estavam rodando, mas nada que Quinn não vivesse no cotidiano. Não estava bêbada, forçou sua mente a pensar. Não mesmo.

— Sim — respondeu Sam. O garoto, ao contrário de Quinn, estava sóbrio e bebia apenas o suco de laranja doce demais de Judy.

— Ele é um otário — disse Quinn, mais alto do que deveria. Umas pessoas na sua frente viraram para ela, em choque, mas Sam felizmente a livrou de uma grande confusão dizendo:

— É de um personagem que estamos falando. Realmente um idiota.

Dois homens pareceram convencidos pelo garoto e voltaram sua atenção a Russell, mas uma mulher olhou para Quinn como se ela fosse uma mancha em seu tapete novo. Quinn fez uma careta esnobe para ela que logo a espantou. Ela falaria coisas ofensivas, mas Sam a segurou, pedindo para que prestasse atenção no discurso de seu pai.

— Mais um grande ano se passou — Russell começou a falar com um tom de voz exageradamente alto. Quinn revirou os olhos. — E nesse grande ano, uma quantia enorme de conquistas foi feita! Eu estive nas Olimpíadas acompanhado de minha família e posso dizer plenamente que o nosso governo está crescendo, e crescendo para melhor. Caminharemos para um futuro brilhante, onde a raça ariana será predominante!

Todos na sala concordaram e acenaram positivamente a Russell. Quinn sentiu-se enjoada. “Quantia enorme de conquistas”, isso era Russell falando de seu faturamento anual, não do governo de Hitler. E, enquanto ela se fartava de comida, pessoas como aquela judia que ajudara horas antes estavam roubando dos ricos para dar aos pobres. Quinn pensava que muito mais poderia ser feito, que muito mais poderia ser roubado se eles se arriscassem mais.

Russell abriu um sorriso e ergueu sua taça e continuou:

— Para um Ano Novo abençoado e cheio de novas conquistas, tanto para o governo quanto para nós! Que nunca falte comida na mesa dos verdadeiros alemães e que Hitler esteja sempre conosco!

O aperto de Sam em volta do braço de Quinn era tão forte que chegava a doer. Ela queria chegar perto do pai e dar-lhe uma bofetada por causa do que ele dissera. Verdadeiros alemães? Que estupidez. A judia que encontrara na cozinha era tão alemã quanto ela. Porque era tão preocupante que a garota tivesse outra religião? Qual era o problema? Quinn precisava dizer alguma coisa, gritar para todos aqueles babacas xenofóbicos na sala o quanto eles eram idiotas.

Faltava um minuto para a meia-noite quando Quinn gritou:

— Pare com isso!

Quando percebeu o que dissera, a sala de estar inteira olhava para ela em choque. Seu pai a fitava com um misto de raiva e diversão. Quinn encontrou os olhos de Frannie, e eles não eram nada convidativos. De fato, pareciam estar em chamas. Oliver, o marido de Frannie, parecia não sabia o que sentir, assim como Judy.

— O que houve, querida? — Russell ainda tinha a taça erguida quando indagou cuidadosamente.

— E-eu... — Quinn gaguejou, se perguntando novamente por que tinha bebido. Não, pensou. Ela não estava bêbada. Uma dor de cabeça repentina lhe acometeu. O que diabos ela falaria agora? — Bem... N-na verdade...

— Temo que ela queira chamar a atenção para mim, senhor — Sam disse, se colocando na frente de Quinn protetoramente.

Ele avançou lentamente na direção de Russell. Não tremia, não gaguejara ao falar tais palavras. Quinn se impressionara com o andado firme dele. Quinn nunca o vira tão determinado. Por um instante, o diário ardeu em seu peito.

— E por que, Sam? — A testa de Russell franzia à medida que o garoto chegava mais perto dele.

— Por que... — Sam finalmente se colocou perto de Russell e olhou para Quinn, em estado de choque, bem atrás dele — não é óbvio? Eu iria pedi-la em namoro, mas Quinn felizmente lembrou-me de que preciso pedir a mão dela ao senhor primeiro.

Quinn tentou não parecer tão surpresa quanto o resto das pessoas na sala. Ela olhou para o relógio da sala e notou que já era meia-noite e dois; o ano já era 1937. Sam conseguira parar a contagem regressiva para o ano-novo, conseguira tirar a atenção de Russell e ainda ignorar os fogos de artifício que se ouviam do lado de fora da casa.

Russell olhou de Sam para Quinn mais vezes do que precisava. Frannie e Judy estavam boquiabertas. O pai de Quinn, no entanto, largou a taça na mesa mais perto dele e abraçou Sam, soltando uma forte gargalhada após.

— Mas é claro que sim, Sam! — Russell exclamou, causando uma rodada de aplausos dos convidados. Alguns já vinham cumprimentá-la pelo pedido que nem havia sido realizado ainda.

— Obrigado, senhor — Sam disse, parecendo finalmente entender o que estava acontecendo. Ele se soltou do abraço de urso de Russell e correu para Quinn, dando aqueles sorrisos tímidos que a garota adorava.

Sam tirou uma caixinha preta de veludo do terno e se aproximou dela, jamais quebrando contato visual. Quinn sentiu as bochechas ficarem vermelha ao perceber que, mesmo sem seu chilique, Sam iria fazer aquilo. Ele viera hoje para pedir sua mão em namoro, não comemorar o Ano-Novo ou trazer-lhe o seu diário. Aquilo estava planejado, talvez desde sempre. Pensar nisso deu a Quinn um frio desconhecido na barriga.

— Quinn Fabray — ele disse quando a sala inteira se calou para ouvir a declaração —, há anos espero encontrar alguém como você. Esperta, inteligente, linda... Você é a garota dos meus sonhos, Quinn, e por isso, agora com o apoio de seu pai, eu quero pedi-la em namoro. Aceita?

Quinn sorriu. Acenou em concordância e deixou que ele colocasse o anel de prata em seu dedo. Quando a pequena cerimônia terminou, Quinn pulou nos braços de Sam, dando-lhe um beijo calmo. Russell, animado, ergueu novamente a taça e exclamou:

— Ao novo casal e ao novo ano de 1937! — E os convidados repetiram o brinde, finalmente se abraçando e desejando uns aos outros um feliz ano novo.

Quinn abraçou Sam, feliz e agradecendo os que vieram cumprimentá-la pelo início de namoro. Abraçou Judy, Russell, Oliver e a família de Sam, mas não encontrou sua irmã em lugar nenhum.

— Sam, você e sua família estão mais que convidados para almoçar com a gente amanhã — disse Russell, apertando a mão do garoto com firmeza.

Sam agradeceu com a cabeça. Ele provavelmente não entendia a comoção que envolvia um simples pedido de namoro, mas para Quinn estava mais que claro: nos últimos anos, ela assistiu Frannie chegar com o homem de seu sonho, ser pedida em namoro e depois em casamento, e as pessoas perguntavam a Quinn sempre quando seria sua vez.

Quinn nunca sabia o que responder. Mas naquele primeiro de janeiro de 1937, ela tinha uma resposta: Sam. Quinn tinha plena certeza de que Sam era o homem da sua vida, desde o momento em que o encontrara naquele terraço. E agora estava provada para a sociedade alemã que ela era uma mulher “normal” e que iria, sim, se casar um dia.

Notas finais
Então, o que acharam do segundo cameo da Rachel? Quinn ainda não sabe o nome dela, e temo que não saberá pelos próximos três capítulos (creio eu), até nós termos o primeiro POV da Rachel. Isso vai demorar, mas, bem, eu não posso apressar muito a estória, me desculpem.
Espero reviews de vocês, xingando ou elogiando o capítulo e vejo vocês no próximo, até lá :D