Capitulo 8

Esme POV

...Que estranho, foi apenas um sonho. Mas parecia tão real. Eu sabia que era eu mesma mais nova, com o homem em quem eu pensava todos esses anos. Meu remédio para aliviar o que eu sofria com Charles. Mesmo ele sendo um homem ruim, eu sabia que também existiam homens como Carlisle. Eu percebi que seu sotaque era levemente inglês. O que lhe dava ainda mais charme. Ele era todo lindo. Tão perfeito. Oh meu Deus!

Mas o que tinha acontecido comigo? Me senti no nada, a escuridão me envolveu, logo depois que eu pulei do penhasco, pelo que eu me lembre. Estou tão confusa! Depois de um longo tempo sem sentir nada, senti-me queimando, como se eu houvesse sido mandada para o inferno. Sempre pensei em Deus como misericordioso e clemente. Que ele veria o motivo que me levou a me matar, a morte de meu filhinho, e desconsideraria o pecado do suicídio. Mas eu me enganei. Eu tinha me matado ao descobrir que meu bebê havia morrido. Eu havia perdido toda a razão de viver quando ele se foi. Parecia que eu estava ardendo no fogo do inferno. Sim, porque suicídio é pecado. Ao que tudo indica Deus não me perdoou nem mesmo sabendo do motivo que me fez pular do precipício. O fogo ardia.

No entanto, a dor abrandou e depois eu comecei a ter esse sonho estranho que parecia tão real. Por que? Minha cabeça girava, ainda estou desnorteada e tonta...

De repente percebi que podia abrir os olhos. Abrir os olhos! Então, eu não estava cega!

Não sei o que aconteceu comigo, mas assim que pude ver, percebi o mesmo homem que conheci há dez anos (o homem do sonho) olhando para mim com compaixão e ternura.

– Esme!

– Dr. Cullen!

– Me chame apenas de Carlisle.

– OK, Carlisle... O que aconteceu? Onde estou?

– Você está em minha casa. Pulou do penhasco, levaram você para o hospital e eu te salvei.

– Muito obrigada.

– Por nada, Esme.

– Mas, então porque eu me sinto estranha? E, antes de acordar era como se eu estivesse no inferno?

– Por que você deveria estar no inferno, Esme?

– Porque eu me suicidei quando perdi meu filho.

– Seu filho?

– É. Meu primeiro bebê.

– Você é casada?

– Sou viúva. Perdi meu marido na guerra.

– Sinto muito.

– Não precisa sentir, ele era um crápula, me batia e me estuprava.

– Sinto muito.

– Você não precisa se desculpar. Você não fez nada. Pelo contrário, você me salvou daquele mostro, lhe agradeço muito... Carlisle.

– Er, Esme. Você não foi bem salva.

– Que quer dizer Carlisle?

– Nós não somos, bem... vivos.

– O que ‘NÓS’ somos Carlisle? – minha voz ficou estranha na palavra nós. Minha voz estava diferente sim, mas foi como se eu tivesse... rosnado?! Para ele, como pude?

– Nós somos – ele media bem as palavras com receio te me deixar com raiva. – VAMPIROS.

– Como? Vampiros não existem! ...Pode me dar um copo d’água? Estou com sede.

– Não é bem sede de água que você tem agora.

– Então é sede de SANGUE? –fico desesperada, aflita. – Eu não quero machucar ninguém. Carlisle, me ajude, por favor.

– Esme, calma! Vou te ajudar! Vem comigo.

Ele me conduz pela floresta, quando nos deparamos com um grupo de cervos eu pergunto:

– O que devo fazer?

– O que você quer fazer?

– Como?

–É instintivo querida, apenas deixe-se levar.

Ataco meia dúzia de veados enquanto Carlisle se concentra nos dois maiores. Ao terminarmos minha roupa está toda rasgada, porém Carlisle não tem nenhum fio de cabelo fora do lugar.

Caminhando pela floresta de volta para casa encontramos um jovem. Sem pensar eu me atiro nos braços dele:

– Meu filho!

– Esme, não sou quem você pensa.

Fico imaginando, ‘como ele sabe meu nome?’

– Eu posso ler pensamentos. Me chamo Edward. Carlisle me adotou.

‘Ah, está explicado.’ Penso ‘Mas como ele pode ler pensamentos’

– Alguns de nós têm habilidades extras, além das básicas de todos os vampiros.

– Edward! – Carlisle o repreende. – Não importune mais, Esme.

– Tudo bem. Deixe o garoto! – senti imediatamente que deveria proteger o menino. Simpatizei com ele.

– Edward, vá para casa!

– Não, deixa ele, quero conversar.

– Sim.

– Então, você me conhece.

– Sim, li tudo que você tem em mente. Também sei tudo o que Carlisle pensa.

Me virei assustada para o Dr.:

– Ele também pode ler a mente? – se ele pode, viu que sou apaixonada por ele. Todos esses anos sonhei com ele.

– Não, a habilidade dele é resistir ao sangue humano.

– Edward!

– O que foi? – pergunto.

– Carlisle, não considera isso um dom.

– Será que eu?

– Você pode ver que número que eu estou pensando? – 464.

– Não.

– Então, sua habilidade pode ser outra. Descobriremos com o tempo.

Em poucos segundos estamos de volta a casa. Carlisle me pergunta:

– Você tem que voltar para algum lugar, Esme?

– Não! – Fiquei apavorada só de pensar em Charles.

– Não quis te ofender. Tudo bem, fique conosco se você não tem para onde voltar.

– Carlisle, ela não pode ir assim, precisa ficar conosco. – diz Edward.

– Preciso?

– Para que você não machuque ninguém.

– Eu? Machucar?

– Ninguém mais pode te machucar, quer dizer nenhum humano. Mas, você pode.

– Então, Charles?

– Opa, mas você não disse que era viúva, Esme? – pergunta Carlisle.

Já vi que essa vai ser uma longa noite, vou ter de explicar tudo.

– Er – digo constrangida, sentando no sofá, mais por hábito porque não me sinto cansada. – Meu marido está me procurando... porque eu fugi de casa.

– Por que, Esme? – Carlisle pergunta, a legitima curiosidade em seu olhar.

– Porque ele me batia e estuprava, isso que eu disse era verdade. Eu queria mesmo que ele tivesse morrido na guerra, Deus que me perdoe. Mas ele voltou. Por poucos dias parecia que ele havia mudado, mas com o tempo Charles voltou a me bater e abusar. – fiz uma pausa para respirar, depois percebi que era desnecessário. Reparei que Edward estava atônito e Carlisle estava tenso. Mas continuei: — Pouco tempo depois descobri que estava grávida, não iria permitir que meu filho ou filha, crescesse vendo a mãe apanhar e talvez também apanhar. Meu maior medo era se fosse menina ser abusada algum dia como eu era quase todos os dias. Então resolvi fugir e viver por conta até o bebê nascer. Eu era professora e assim sobrevivia. Fugi a princípio para a casa de meus primos, mas meus pais descobriram onde eu estava e tive que partir. Quando meu filho nasceu, um lindo menino foi maravilhoso. Me senti realizada, tinha imaginado uma linda vida para nós dois. Ele seria o único homem em minha vida, eu viveria apenas para ele. Mas, o sonho durou alguns dias e meu pequeno adoeceu inexplicavelmente, acho que dos pulmões, e veio a falecer. Penso que foi por causa das surras de Charles que eu levei, mesmo antes de saber que eu estava grávida. Com meu filho morreu toda a minha vontade de viver, minha razão. Eu queria me juntar a ele no céu. Por isso eu pensei que estava no inferno Carlisle. Suicídio é pecado e foi o que eu fiz, mas na hora achei que Deus fosse me perdoar por causa do motivo que me levou a acabar com minha vida... Mas, agora estou feliz por ter encontrado você de novo Carlisle. – calei minha boca antes que falasse mais alguma coisa que me comprometesse ainda mais.

– Como ele pode? Se eu o pegasse – disse Edward.

Carlisle não disse nada, mas fez um barulho que me assustou: um rosnado, identifiquei logo, ainda mais forte e audível do que eu tinha feito antes.

– Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr — e veio correndo imediatamente para mim, me segurou com tanta força, me puxou para si – Não vou deixar ninguém machucar minha mulher.

– Caham? – dissemos Edward e eu ao mesmo tempo.

Carlisle ficou todo sem jeito. Mas, porque ele não ficou vermelho? E porque eu não chorei ao contar minha história?

– Nós não podemos mais corar, Esme. – respondeu Edward ao meu pensamento. – Também não podemos chorar.

– E respirar?

– Não precisamos respirar para... ã, viver. Mas respiramos apenas para sentir cheiros.

– Podemos sentir o cheiro um dos outros?

– Sim, e também dos outros além de nós e dos humanos.

– Há mais vampiros?

– Sim.

– Quantos?

– Centenas – responde Carlisle já refeito do constrangimento.

– Carlisle...

– Sim, Esme?

– Não quero que vocês vão atrás de Charles; ele não presta, sim, mas não vale a pena ir atrás dele e desgraçar a vida de vocês por minha causa.

– Por você eu iria até o inferno! – exclama Carlisle.

– Obrigada, amor.

Edward saiu de fininho.

– Edward! – eu chamo.

– Edward, filho! – Carlisle chama.

– Acho que ele quis nos deixar à sós – digo, enrubesceria se fosse possível.

– Por que ele faria isso?

– Porque precisamos conversar. Mas, temos que dormir antes – digo. Para mim fez todo o sentido.

– Não precisamos dormir.

– Nunca?

– Nunca mais. E meu plantão no hospital vai começar em uma hora.

– Você trabalha? No HOSPITAL?

– Sim, lembra? Foi assim que você me conheceu.

– Sim – digo envergonhada por não ter me lembrado, mas agora que sei que ele, que nós, somos vampiros é, diferente. — Carlisle...

– Sim, Esme.

– Você gosta de mim? – fui tão direta, espero não tê-lo assustado.

– Não vou negar depois do que eu fiz hoje ao saber da sua história. É verdade, gosto muito de você. Eu amo você, Esme.

– Eu também te amo Carlisle. Passei esses últimos 10 anos sonhando com você.

– Eu também, Esme. Me perdoe, mas eu tive que te deixar. Eu fiquei confuso ao perceber que uma menina tinha mexido tanto comigo. Tive que ir embora, não sabia o que poderia acontecer. Tive medo de te machucar. De perder o controle. Mas depois de saber o que aconteceu, me sinto mal por ter te deixado. Pensei que estava fazendo bem para você, mas você acabou maltratada. Sinto muito.

– Tudo bem, Carlisle. Você não sabia, não havia como saber o que aconteceria dali a 5 anos.