Valêncio exigiu que o prisioneiro se sentasse e não interrompesse o depoimento, mas a cada segundo o jovem o provocava cada vez mais. Era prazeroso mexer com o estado mental de uma autoridade policial, principalmente o responsável pelo seu caso.

Por um momento, o delegado ameaçou deixar a sala. Cleiton pediu para ele ficar e que contaria tudo. Valêncio voltou à cadeira e viu o assassino olhar nos seus olhos e sorrir, depois viu Cleiton encarando o seu corpo até chegar na calça. Aquilo era constrangedor, haja vista estava sendo assediado pelo carniceiro de Fortaleza, um psicopata sem escrúpulos.

Marcelo retirou os tênis, subindo na cama. Ferdinand desabotoou sua camisa e começou a morder a sua barriga. Era o momento mais lascivo do jovem estudante.

— Aonde vai?

— Trazer um pouco de bebida pra nós — o modelo trouxe um balde de gelo com uma garrafa de espumante.

— Essa marca é cara...

Ambos brindaram e começaram a laçar romanticamente. Marcelo era o que estava mais envolvido.

— Você ainda me surpreende. Estamos quase transando e ainda traz esse champanhe maravilhoso... hã?

O modelo pegou um pacote transparente de dentro da gaveta e uma tábua de carne. O pó branco foi colocado sobre a tábua.

— Isso... isso é...

— Cocaína.

— Não posso...

— Espera, deixa eu explicar. Você sabe que é ilegal ter drogas, mas eu juro que quando você cheira isso aqui, é a sensação mais gostosa do mundo.

— Eu nem fumo, imagina cheirar pó.

— Te garanto que é uma experiência boa. Cara, cocaína não é crack, ela não vai te deixar magro e desdentado embaixo da ponte. Confia.

Persuadido por Ferdinand, Marcelo cheirou o pó e quase se engasgou. O outro também cheirou. Como o modelo havia dito, a sensação foi avassaladora. Queria se arrepender, mas os beijos do seu parceiro o fizeram desistir.