19 anos

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Até agora só falhei um ano, tomara que eu continue me lembrando de sempre dar uma volta por aqui.

Fiz 19 anos. Meu Deus. Só pra constar: tô bem mais deprimida que o ano passado.

Esse ano tá um pouco diferente, estamos vivendo uma pandemia. Um vírus (COVID-19) se alastrou pelo mundo e já matou milhares de pessoas. No começo eu estava tranquila, mas hoje estou assustada. Nosso governo tá uma merda e o povo também não colabora. Está tudo tão complicado.

Mas não estou aqui pra falar de desgraças, mas sim do meu aniversário.

Mais um pra conta.

Atualizando, eu consegui me formar ano passado. Foi incrível e triste. Sinceramente, não sei se eu realmente superei o término da escola. Mas já se passaram 6 meses desde o dia 14/12/19. Já é tempo pra eu me acostumar. Quando eu relembro todo aquele dia, fico meio decepcionada com alguns acontecimentos. Mas não dá mais tempo de voltar.

Passei meu reveillon dormindo, literalmente. Fui pra Cuiabá dia 31, então passei a virada na BR. Foi legal. Aquela viagem foi meio que uma fuga do Gustavo. Eu tinha um ótimo relacionamento, mas não estava feliz. Então terminei com ele depois de voltar. A gente se fala as vezes, ele foi uma pessoa importante pra mim. Ele é um cara legal. Namoramos 2 anos e 1 mês.

Minha prima, Dani, veio embora pro MT e não vejo a hora de ir pro PR. Mas estou um pouco receosa.

Não sei se irei me formar esse ano e se eu me formar, tô com medo se me dececionar com minha mudança pra lá. Eu amo minha terra natal de um jeito inexplicável, mas tenho medo de não dar certo. Vamos saber o que aconteceu ano que vem.

Esse ano não teve bolo e nem festa, resolvi comprar o novo livro que a Stephanie Meyer lançou. Foi meu presente de aniversário.

A Kailane está crescendo muito rápido, minha bebê não existe mais. Em vez disso tenho uma criança de 3 anos e meio que é terrivelmente inteligente e bocuda, dada a qualquer um que queira dar trela pra suas conversas e que só quer ficar perturbando o pobrezinho do Max, nosso cachorro.

Eesumindo outros acontecimentos:

• Passei de primeira na prova escrita da CNH, depois fiz as aulas práticas e descobri que tenho pavor de dirigir moto. Quase tive uma crise de ansiedade enquanto dirigia aquela porcaria. Minha mãe insistiu até o dia que chorei na frente dela, de desespero por saber que ainda tinha mais de 10 aulas pra fazer. Então eu cancelei a categoria A, fazendo só o teste de carro. Hoje tenho minha CNH só para carro e só dirigi 3 vezes desde que a recebi.

• Não quero mais cursar medicina. Estava pensando em fazer psicologia, mas percebi que não vale a pena. Por enquanto planejo ficar no técnico em enfermagem e talvez fazer uma especialização cirúrgica. Quem sabe eu faça o curso de doula também, me apaixonei por essa área.

• Ano passado, duas semanas depois do meu aniversário eu fiz uma festa. O tema foi naruto. Teve pula-pula, bolo laranja e preto, docinhos e muitas risadas.

• Me tornei ovolactovegetariana. Planejo me tornar vegetariana estrita ou até vegana, quando morar sozinha.

• Tirei meu aparelho e agora só uso o removível

• Cortei o cabelo em dezembro e agora tô surtando para hora raspar tudo no 0 e hora deixar crescer. Eu sou geminiana, desculpa.

Minha cabeça tá horrível, preciso voltar a fazer terapia mas aqui onde moro é caro e eu não tenho dinheiro. Eu tenho recaídas de tristeza profunda, com aquela amizade que eu terminei em 2018. Tem dias que eu me arrependo até o último fio de cabelo, tem dias que eu penso que foi melhor assim. Eu queria voltar a ter amigas. Daquelas que conversam todos os dias, que tem coisas em comum e que riem das mesmas coisas. Eu não tenho ninguém assim. Me sinto solitária.

Eu não quero ficar assim pra sempre, tenho medo do futuro. Assim como a frase da capa, eu estou completamente perdida e pra mim, a vida não faz sentido.

Esse ano tá sendo mais um desabafo do que um conto, me desculpem.

Se eu lembrar, ano que vem eu volto para desabafar novamente, mesmo não sendo muito fã dessa data, peguei um leve ranço graças aos meus pais.

Hoje foi normal. Acordei logo de madrugada e meu primeiro pensamento foi "odeio esse dia porque não consigo ficar em paz", mas me forcei a ficar na cama até pegar no sono de volta. Acordei eram quase 9 da manhã, tomei café e voltei pra cama. A tia Nice foi a primeira a me mandar mensagens de feliz aniversário e de meio-dia, depois do almoço que minha mãe veio me procurar. Ela tinha esquecido.

Tá vendo o do porque do meu ranço? Eles sempre fazem alguma coisa.

Eu já esperava algo assim, então fiquei deitada de bruços, assistindo Diva Depressão até que ela percebeu que eu não ia dar moral e então ela voltou pra cozinha. Meu pai veio me cumprimentar quando acordou da soneca do pós almoço. Já era uma e meia da tarde. Também foram só algumas palavras que eu não entendi por causa do fone.

Só respondi, "tudo bem, obrigada" pros dois. Nem sei porque eles ainda tentam.

Durante o resto do dia ninguém mais me contatou, também já esperava isso. Sou a amiga que é lembrada quando já é tarde, tô acostumada embora ainda doa.

Só depois de postar um conjunto de fotos no insta e uma no status do Whatsapp, foi que o pessoal me mandou parabéns.

Não vou mentir. Mesmo já esperando que ninguém lembrasse, eu ainda me sinto no direito de ficar chateada e decepcionada.

Minha lista de amizades só diminuiu nos últimos anos. Agora me sinto mais só do que nunca.

Agora a noite a gente pediu pizza, pedi sabor doce porque não como mais carne e ela está em absolutamente quase tudo. Minha madrinha me mandou um áudio e então tudo melhorou, até hoje, só ela não me decepcionou.

Voltei a escutar músicas das antigas, aqueles sertanejos bregas e clássicos que fizeram parte da minha infância. Tem uma frase que resume meu eu de 19 anos:

Não aprendi dizer adeus, mas tenho que aceitar

Notas finais
Mais um ano por aqui, até meus 20 anos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!