Kay e Ginji tinham acabado de se deitar, mas continuavam conversando. Tay e Ban tinham saído em missão, mas ainda não tinham voltado.

-- Você está preocupada, Kay? – Ginji tinha colocado seu colchão perto da cama da garota e segurava-lhe a mão carinhosamente.

-- Na verdade não. Ginji, você percebeu que a Tay e o Ban não tem mais brigado como antes?

-- É, eu percebi sim. Ainda bem, não seria nada bom os dois continuarem brigando daquele jeito se estão trabalhando juntos. Por que a pergunta?

-- Acho que minha irmã está apaixonada por Ban.

-- Eu não entendo muito bem disso, mas eles continuam brigando. Pode não ser do mesmo jeito, mas as brigas não pararam.

-- Mas antes, ela olhava pra ele com tanto desagrado que eu tinha a impressão de que ela ia partir pra cima dele a qualquer momento.

-- Ban também parou de reclamar dela, antes passava horas enumerando os defeitos dela. Agora parou.

-- Hã...

-- Isso te incomoda?

-- Eu não sei. É estranho ver a minha irmã gostando de alguém outra vez. Ela passou tanto tempo ditando pra si mesma que nunca mais ia se apaixonar, que eu acho que acreditei.

-- Desde que eu vi a Tay e o Ban juntos pela primeira vez, eu percebi que existia neles uma força de atração superior a tudo o que já vi.

-- Há, que engraçado, nem sabemos se eles se gostam realmente e já estamos imaginando como seriam bons juntos!

-- É verdade.

-- Mas eles já deviam ter voltado...

-- Não se preocupe, Kaká – Ginji acariciou o rosto de Kay e os dois se beijaram. Estavam juntos há três meses já, mas em segredo ainda.

-- Boa noite, Gin.

-- Boa noite, meu amor.

Tay e Ban tinham terminado rápido o serviço, mas como ela ainda estava incerta sobre contar sobre seu relacionamento a irmã, os dois aproveitavam pra namorarem.

-- Ban... Acho que devíamos voltar... – os dois estavam juntos no banco de trás do carro e ele a segurava em seu colo e beijava o pescoço e os lábios da garota.

-- Ah, meu amor... Quando estamos em casa eu não posso nem chegar perto de você pra Kay e o Ginji não perceberem.

-- Mas, a gente já demorou demais, querido – ela enlaçou o pescoço dele e beijou-lhe a boca entusiasmadamente.

-- Eles já devem estar dormindo, não precisamos voltar até às 10hs! Vamos passar a noite aqui.

-- E que desculpa daremos?

-- Quer parar de se preocupar? Eu nunca tenho a oportunidade de tê-la só pra mim por tanto tempo.

-- É que... Passar a noite aqui...

-- Ta, espera... Se voltarmos pro trailer, passa a noite dentro do carro comigo?

-- Por que está insistindo tanto nisso?

-- Porque eu tenho feito tudo o que me pede, tenho me controlado quando estamos em casa e esperado pacientemente você ter certeza de que Kay não terá um problema com nosso namoro. Não acha que eu mereço uma recompensa?

-- Vai me chantagear?

-- Do que você está com medo? Eu juro que não vou te forçar a nada, meu amor. Eu só quero acordar com você nos meus braços – Ban abraçou Tay com força e ela lhe beijou o pescoço.

-- Você me convenceu. Está bem.

-- Ótimo. Então, vamos pra casa.

Os dois estacionaram do lado do trailer, trocaram de roupa, pegaram alguma coisa na geladeira e foram para a Joaninha. Sentaram-se juntos no banco traseiro do carro, sob uma manta que Tay trouxera, com os pés sobre os bancos dianteiros, dobrados, olhando o céu noturno pelo teto solar.

Ela se ajeitou nos braços dele e ficou fazendo-lhe carinhos pelo peito, enquanto ele beijava-lhe os lábios avidamente.

-- Eu te amo, Ban. Nem acredito que isso esteja realmente acontecendo, que não seja só um sonho.

Os dois estavam muito cansados, por isso, não demoraram a dormir, mas quando eram mais ou menos quatro horas da manhã, Ban acordou com Tay tremendo em seus braços.

-- Nossa, será que ela está com frio? – ele fechou o teto solar e puxou-a mais pra perto de si, envolvendo-a com a manta. Só aí percebeu a expressão de terror no rosto dela.

Pequenas lágrimas escorriam pelos olhos da garota, que não parava de tremer, as mãos dela apertavam com força as dele.

-- O que foi, minha querida? – Ban sussurrou no ouvido dela.

-- Não... Não... Mamãe... – Tay sussurrava quase inaldivelmente, as lágrimas aumentando.

Ela parecia não conseguir respirar direito e parecia tentar se desvencilhar dos braços de Ban que seguravam firma sua cintura. Ela parecia se debater e ele ficara desesperado sem saber o que fazer. Tay virou-se nos braços dele e afundou o rosto no peito dele, quando ergueu a cabeça, tinha despertado.

-- O que foi, meu amor? – Tay abraçou-se forte nele.

-- Eu... Tive um pesadelo...

-- Você parecia aterrorizada, o que tinha nesse pesadelo?

-- Eu... Eu não me lembro. É sempre assim.

-- Sempre? Você tem pesadelos com freqüência?

-- É, desde que meus pais morreram...

-- Eu estou tão acostumado a criar pesadelos pros outros e não soube o que fazer tendo você desesperada nos meus braços! – Ban beijou a testa de Tay suavemente.

-- Estou feliz por você estar aqui quando eu acordei, me senti tão protegida em seus braços...

-- Mas isso não foi suficiente pra que você não ter pesadelos...

-- Isso não é culpa sua. Mas com você aqui, eu consegui me acalmar. Normalmente, eu fico muito tempo sem conseguir descansar...

-- Eu... Eu não sabia disso.

Tay encaixou-se melhor nos braços de Ban e beijou-lhe a boca com vontade, acariciando o rosto dele, enquanto ele puxava mais a cintura dela.

-- Você estava certo sobre dormirmos aqui. Só temo que agora eu não saiba mais dormir sem você – ela sorriu, puxando o rosto dele para um novo beijo, mais profundo.

-- Se for esse o caso, dormiremos todas as noites aqui!

Ela sorriu, mas percebeu que ele continuava preocupado.

-- Você não precisa se preocupar com meus pesadelos, Ban. Eu sou só uma criança assustada!

-- Como se protege uma mulher que não quer proteção?

-- Você já sabe como fazer isso, meu amor. É só quando eu estou nos seus braços que eu me sinto realmente segura.

-- Você é a coisa mais importante que eu tenho! Posso te ajudar a lutar e a se defender, mas, gostaria de poder estar dentro de seus pesadelos para lhe dar força pra se levantar!

-- Essa foi a coisa mais linda que eu já ouvi! Justo eu, que jurei a mim mesma não me render mais à palavras românticas, me derreto toda por você!

-- O que eu posso dizer? Você foi feita pra mim!

Tay acariciou o rosto de Ban e afagou seus cabelos, perdeu-se nos belos olhos azuis do namorado, que os desviou.

-- Já teve pesadelos demais, mocinha.

-- Ah, desculpe, eu me esqueci disso.

-- Só você mesma pra namorar em homem que possui o olho do demônio! Como consegue conviver com isso?

-- Pra alguém cuja vida mostrou o lado mais penoso de sobreviver, não existem barreiras. É como você disse, fomos feitos um para o outro, como duas metades que se encaixam.

-- Mas, você não foi amaldiçoada, o seu sofrimento e a sua responsabilidade a amadureceram, mas a sua alma continua intacta e imaculada.

Tay sacudiu a cabeça negativamente.

-- Quando dois tristes corações percebem, que a solidão é até pior que a dor, um supera o que o outro precisa e eles se ligam para sempre pelo amor.

-- O que é isso?

-- Minha mãe sempre me dizia isso. Eu sempre fui de acordar assustada no meio da noite, depois que meus pais morreram, isso só piorou. Dentro de mim sempre houve um vazio que doía mais que qualquer ferimento que eu já tenha sofrido. Faz pouco tempo que eu parei de chorar, mas eu sempre começava sem ter motivo.

Ban ouvia atentamente, segurando firme o corpo de Tay encaixado no seu.

-- Então minha mãe me dizia isso, que eu encontraria um dia o que faltava em mim, o que me completaria e que eu nunca mais me sentiria assim sozinha. Eu não podia fazer idéia de que eu a perderia, que nunca mais poderia correr pros braços protetores de minha mãe – Tay começou a chorar silenciosamente.

Ban afagou os cabelos da namorada.

-- É como se todas as noites eu percebesse um pouquinho mais que a perdi e que nunca mais eu vou vê-la. Ela é minha solidão e minha dor e sempre foi ela que me ergueu quando eu caia. Nem sempre ela me disse o que eu precisava ouvir, mas sempre ela deixou bem claro que estava lá! Só que, a mote dela e do meu pai foi a pior queda que eu já tié e ela não está mais aqui pra me ajudar.

-- Eu sei que eu não posso substituir o vazio que a sua mãe deixou, mas eu estou aqui do seu lado pra ocupar o meu lugar de direito, pra que você não se sinta mais sozinha e encontre em mim o apoio pra se reerguer! Você completa o vazio que tinha em mim.

-- Você também é o que faltava em mim, eu me odiei tanto quando percebi que estava completamente apaixonada por você!

Ela voltou a deitar a cabeça no peito dele.

-- Eu sinto muito, Ban.

-- Pelo quê, querida?

-- Por não ter contado a Kay sobre nós.

-- Eu disse que entendo perfeitamente a situação. Não quero de maneira nenhuma ficar entre vocês duas!

-- Mas eu sinto que você é o único homem que eu vou amar a minha vida inteira e ela não pode se opor a minha felicidade. Eu não me oponho a ela e Ginji.

-- É que com os dois é diferente! – Ban deu risada. – Parece um namoro de crianças travessas escondendo dos pais.

Ban beijou os lábios quentes e macios que tanto adorava, fazendo a garota em seus braços fechar os olhos.

-- Boa noite, meu amor – Tay sussurrou, encorujando-se nos braços do namorado.

-- Boa noite, Tay! Se você tiver outro pesadelo, me acorde.

-- Está bem – ela sorriu.

Mas a noite foi tranqüila até o amanhecer, Tay não se livrara de seus pesadelos, mas tinha nova força pra enfrentá-los.

Notas finais
mereço reviews
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!