19 Desafio Sherlolly - Neve
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Tem certeza de que não quer vir?!
John insistiu pela terceira vez na pergunta. Desde o início do dia, Mary o havia mandado na missão de levar Sherlock Holmes na festa de Natal, que estavam dando em sua casa. Porém, em todas as tentativas, Sherlock fora seco e direto. E dessa vez, não foi diferente.
– Acho que já lhe dei minha resposta!
– Vamos, Sherlock, reconsidere! Vai ser divertido! E tenho certeza que todos sentiremos sua falta, se você não for!
O detetive sabia o que o amigo estava tentando fazer, mas isso não o comoveu. Sherlock não queria e não iria passar o natal em uma festa, repleta de pessoas, que ele decididamente não queria ver. Tendo sua oferta recusada pela quarta vez, John desistiu.
– Bom, pelo menos sei de uma pessoa que realmente está esperando que você apareça! Vou dizer à Molly que lhe mandou feliz natal!
John saiu, deixando o detetive como gostava, sozinho. Molly era um dos motivos, pelos quais não desejava ir à festa dos Watsons. Ela estava solteira, a filha de John e Mary havia nascido, e ele sabia que os dois iriam tentar juntá-lo com ela, em algum momento da festa. Ele não queria isso. As coisas estavam bem como estavam, e ele não queria nenhuma situação que deixassem ele ou Molly desconfortáveis. Essa mania de John, e principalmente de Mary, de acharem que Sherlock deveria formar uma família, o irritava. Ele não queria namorar com Molly, ele não queria casar ou ter filhos. Criar situações que o forçasse a isso, só iria piorar o relacionamento com a legista. Há muito custo, ele fez com que ela seguisse em frente, e agora que eles podiam ter um relacionamento amistoso, ele não iria deixar que essa besteira de amor e relacionamentos arruinasse tudo. Observou a neve caindo do lado de fora, e suspirou.
Foi dormir. Era o melhor a se fazer.
– Hey, hey bonitão! Acorde, Bela Adormecida!
Sherlock abriu os olhos lentamente, e ao ver a figura de Molly em cima de sua cama, pulou assustado.
– Molly?! Por que não está na festa?!
– Eu estou na festa, bonitão! – Ela o olhou enrolado no lençol – Então é verdade que você dorme pelado! Me deixa ver!
E antes que pudesse puxar o lençol enrolado no corpo do detetive, ele se afastou bruscamente, ficando em pé do lado da cama.
– O que pensa que está fazendo?! – ele exclamou, totalmente surpreso com a atitude da legista.
Molly riu, espalhada na cama, e foi quando Sherlock reparou que ela estava diferente. Os cabelos soltos e desarrumados, os olhos com contorno e maquiagem pesada – algo que Molly nunca usou na vida – um vestido vermelho justo e uma jaqueta preta. Sherlock duvidou que aquela mulher, rindo em sua cama, fosse a verdadeira Molly Hooper.
– Quem é você? – perguntou sério.
A garota levantou-se, e sentou no colchão.
– Sou fruto da sua imaginação! – respondeu sorrindo. – Ou você acha que a verdadeira Molly tentaria puxar o seu lençol?!
Sherlock não respondeu, analisou aquela garota por alguns breves segundos e então disse.
– Está dizendo que isso é um sonho?
– De certa forma!
Ela se levantou da cama e se postou ao lado dele.
– Não encare isso como um sonho, mas como uma iluminação! Algo que abrirá seus olhos!
– O que quer dizer com isso?!
– Por que você não quis ir à festa de Natal?!
Sherlock sorriu sarcástico.
– Se você é fruto da minha imaginação, então sabe o motivo!
– Perfeito! – ela exclamou empolgada – Arrogante como sempre, é assim que eu gosto!
E dizendo isso, deitou seu rosto no ombro dele. Sherlock recuou.
– Não fuja! Não tem pra onde! Hoje é um dia de neve, e você não tem pra onde fugir!
– Um dia de neve? – repetiu confuso – O que isso tem haver?
Ela piscou o olho, de um jeito bem moleca. Apesar de saber que não era Molly, aquele gesto o encantou. E lembrando-se da primeira vez que vira isso, o cenário mudou bruscamente. O quarto de dissolveu, dando lugar à um ambiente, que Sherlock demorou pra reconhecer. Muitos rostos, conhecidos e desconhecidos, se juntaram naquele lugar. Alguns eram simplesmente borrões, mas um foi totalmente reconhecível. Era Molly, a verdadeira, mas não a atual. Uma Molly do passado. Seu cabelo era mais curto, e naquela época, ela ainda usava óculos.
– A festa de Natal do St. Bart’s! – Sherlock disse enquanto observava o ambiente se formando a sua volta.
– Isso mesmo! – a Molly de jaqueta disse, enquanto os dois observavam a Molly mais jovem, totalmente deslocada na festa. – Ahh, olhe você vindo ai!
E de fato, um Sherlock mais jovem apareceu. Os dois observaram o Sherlock mais jovem ir até a Molly do passado e iniciar uma conversa. Foi então que o detetive reparou na janela atrás dele e de Molly. Estava nevando.
– Foi isso que você quis dizer com dia de neve?! – perguntou o detetive, observando o ele e a Molly do passado rirem.
– Não exatamente! – respondeu a garota – Mas você é bem esperto! Acha que foi isso que a atraiu em primeiro lugar? Ou foi o seu andar tão elegante?
Novamente, aquela Molly se encostou em seu ombro, mas dessa vez, Sherlock não recuou. Seus olhos estavam vidrados na cena que acontecia à sua frente. Alguma coisa foi dita por ele, e Molly sorriu e piscou. Ele e Molly pareciam estar tendo uma conversa divertida, e por mais que tentasse, ele não conseguia se lembrar qual era. Independente disso, ele sorriu ao reviver tal lembrança de forma tão clara.
– Ounn, você está derretendo! – zombou Molly.
O sorriso se desfez.
– Qual o propósito disso?
– Por que acha que tem algum propósito nisso?!
– Minha mente não faria isso, se não tivesse!
Molly riu.
– Ai Sherlock, você vê, mas não observa! – disse imitando o detetive. – Vamos para a próxima cena!
Novamente, o cenário se dissolveu, e eles não estavam mais no refeitório do hospital, mas sim no laboratório. Tudo estava escuro. Era de noite, as luzes estavam apagadas e nevava lá fora. Molly estava sentada no chão, chorando baixinho.
– Coitadinha! – disse em um tom quase de zombaria – Está de coração partido!
Sherlock olhou aquela cena, e sabia perfeitamente o que estava para acontecer. Em menos de dois segundos, ele adentrou o laboratório e se postou ao lado de Molly.
– Não chore, Molly! – ele disse.
– Eu sou uma boba, uma boba! Eu me deixei levar tão facilmente!
– Moriarty sabe exatamente como manipular as pessoas Molly, você não tem culpa!
– Eu sou tão indesejável assim, Sherlock?! As pessoas só se aproximam para conseguir coisas! Eu devo ser a pessoa mais sem graça do mundo!
– Essa é a minha parte favorita! – sussurrou Molly nos ouvidos de Sherlock, e ele sabia o porque.
Naquele instante, ele abraçou Molly com força, com vontade de protegê-la.
– Molly, você é a mulher mais maravilhosa que eu já conheci! – ele disse seriamente – Você é linda, inteligente e bondosa, não deixe que um idiota qualquer arruíne seu coração, seja eu ou Moriarty!
Sherlock sentiu seu coração pesar ao rever essa cena. Ele e Molly permaneciam abraçados, enquanto ela chorava discretamente no peito dele. Ele se lembra do quanto amaldiçoou Moriarty naquela hora. Ele nunca havia visto Molly chorar antes, ela nunca permitira. Naquele momento, tudo o que ele queria era ver o sorriso de Molly de novo, e sem querer, acabou dizendo algo do qual até hoje se arrepende.
– Eu amo você, Molly! Por isso, não chore!
Idiota, pensou com todas as suas forças, xingando a si mesmo.
– Quer um lencinho? – perguntou Molly em zombaria, fingindo um falso choro e entregando um pedaço de papel para Sherlock.
– Essa cena acaba aqui! – ele disse sério e sem graça.
– Não, não acaba não! Olha lá!
Molly apontou para o casal abraçado. Sherlock sabia o que iria acontecer, e cada vez que olhava, sentia cada vez mais raiva de si. Ele se aproximou de Molly e a beijou. Assistir aquilo, lhe trouxe de volta a sensação. Era um beijo carinhoso e verdadeiro. Algo que ele jamais foi capaz de vivenciar de novo. Seus punhos cerraram, ver aquilo estava deixando-o zangado, e ele não sabia o motivo. A única coisa que ele sabia, é que era um idiota.
O cenário se dissolveu, transformando-se novamente no apartamento da Baker Street. Era uma festa de Natal. Sherlock observou ele próprio tocando violino para John, Sra. Hudson, Lestrade e uma garota que John havia trazido. Novamente, ele sabia que cena era aquela.
– Uhul, é natal de novo! – disse Molly, vestindo um chapéu de festa e assoprando uma língua de sogra em seguida. – E a convidada de honra chegou!
Sherlock olhou em direção a porta, e viu a verdadeira Molly chegando com grandes pacotes de presentes.
– Ela tinha exagerado esse ano, não?! – comentou Molly próxima de Sherlock – Por que acha que foi?
Sherlock não respondeu, então a Molly de jaqueta o fez por ele.
– Porque aquele beijo e aquela declaração ocorreram em menos de duas semanas!
A cena se passou tal qual Sherlock lembrava. Ele quis zombar de Molly, e instantaneamente, ao ver que ele era o namorado que a garota queria impressionar, pediu desculpas lhe dando um beijo na bochecha. E no momento em que Sherlock recebeu uma mensagem de Irene, a cena congelou, como se alguém tivesse pausado.
– Você não estava pedindo desculpas pela brincadeira, mas pela declaração! – falou Molly, expondo os pensamentos do detetive.
– Ela entendeu, isso é o que importa!
– E o beijo na bochecha! Aquilo foi claramente pra dizer “seremos apenas amigos”! – continuou a outra. – Tadinha dela, olha só a cara com que ela ficou! Não teve coragem de ficar mais do que cinco minutos na festa!
– Menos, quando sai do quarto, ela já não estava mais lá! – corrigiu Sherlock.
Estava visivelmente incomodado. Rever aquelas cenas só o estavam deixando irritado e sem graça.
– Você não fez uma falsa declaração, nós dois sabemos disso! Afinal, lembre-se “eu sou a sua mente”! – disse a última frase em zombaria – Então, por que voltou atrás?
– Isso interessa pra você?! – respondeu, tentando aparentar indiferença.
– Pra você mais do que pra mim!
Sherlock hesitou. Se aquilo estava se passando na cabeça dele, então não faria mal nenhum em ser sincero e admitir em voz alta. Poderia ser até reconfortante.
– O amor é algo ilusório, não existe! É só um bando de enzimas e hormônios agindo em conjunto!
– Grande resposta! Digna do meu professor de química! Mas saber disso não impede ninguém de se apaixonar, até mesmo você!
– Eu não terminei! – informou Sherlock – Eu sei que não impede ninguém de se apaixonar, eu sei que estou apaixonado por Molly Hooper! Sou humano, e como tal, sujeito a emoções tão banais quanto essa! Eu só não quero esse tipo de vida!
Molly riu e bateu palmas, assim que Sherlock terminou sua confissão. Ela se aproximou da Molly real, cuja imagem ainda estava congelada.
– Chegamos a algum lugar, finalmente! Ouviu isso, Molly?! Ele gosta mesmo de você!
Sherlock olhou a cena, sem entender, então, seus olhos foram em direção à janela. Apesar da cena congelada, a neve ainda caía.
– Um ponto esclarecido! Vimos o passado, agora, vamos pro presente!
– Do que está falando? – perguntou com seus olhos indo novamente em direção a Molly.
– A festa de Natal dos Watsons, onde você deveria estar! – explicou.
O cenário se dissolveu, e de repente, eles estavam na sala de estar da casa de John e Mary. Lestrade, Donovan, Anderson e a Sra. Hudson estavam lá. Mary chegou, junto com Molly, as duas traziam bandejas de aperitivos. Foi quando John entrou pela porta.
– E então?! – perguntou Mary, assim que viu a figura do marido.
– Ele não vem! – informou.
Todos se mostraram decepcionados , com a exceção de Donovan, mas Sherlock não reparou, seus olhos encaravam a única pessoa que realmente importava. Molly tentou não aparentar o que estava sentindo, mas o detetive pode notar a tristeza e a decepção em seus olhos.
– É uma pena! Ele realmente deveria tentar interagir com as pessoas – foi o comentário da Sra. Hudson.
– Bem, é Sherlock, não é?! – falou Lestrade, e todos concordaram.
– Eu nunca fui capaz de entender como eles gostam tanto de você! – comentou Molly para Sherlock. Ele sorriu.
– Nem eu! – respondeu.
Nesse instante, a campainha tocou, e Mary correu para atendê-la.
– Olhe agora, você não vai querer perder isso! – falou Molly, apontando para a porta.
Sherlock olhou na direção em que a garota apontou, e viu um rapaz alto, de cabelos loiros e sorriso aberto surgir por entre a porta. Sherlock reconheceu o sujeito, era o amigo de Mary que ele ameaçara uma vez.
– Chris! Você veio! – exclamou feliz, dando um abraço no amigo e o encaminhando para onde todos estavam reunidos – Pessoal, esse é o Chris! Ele estava no meu casamento, não sei se algum de vocês se lembra!
John foi o primeiro a se levantar e a cumprimentar o rapaz.
– Bem vindo! Feliz Natal! – falou o médico. Chris retribuiu.
Um por um, ele cumprimentou a todos, então parou em Molly.
– Olá! – disse amigavelmente.
– Olá! – ela respondeu da mesma forma.
O coração de Sherlock se apertou ao ver aquela cena, ele sabia o que esse cumprimento iria resultar, ele podia sentir.
– Bom! Daqui não tem mais nada para ver! Você já sabe o que irá acontecer, não é?! – disse Molly, enquanto o cenário novamente se dissolvia.
Uma casa, com um amplo jardim se formou. Era a primeira manhã de neve, e uma Molly e um Chris mais velhos saíram, juntos com duas crianças, todos ainda de pijamas. Um cachorro grande de pelo arruivado foi ao encalço da turma e se jogaram na neve. Uma guerra de bolas de neve aconteceu entre eles.
– Um quadro maravilhoso de se ver! – falou Molly, se postando ao lado do detetive, que observava a cena com uma expressão triste.
Molly finalmente tinha uma família, pensou Sherlock, e uma família linda. O menino era a cara dela, concluiu sorrindo melancolicamente. Vê-los brincando na neve doeu-lhe o peito. Principalmente quando viu Chris abraçar Molly pela cintura e dar-lhe um beijo. Ele pode ler os lábios de Chris dizendo “eu amo você” no ouvido de Molly, e isso lhe trouxe a lembrança dele próprio dizendo isso pra garota, naquela noite no laboratório. Então, a imagem de Chris foi substituída por Sherlock, e ele pode se ver abraçando Molly, brincando com as crianças e com o cachorro. Sherlock sentiu algo úmido escorrer pelo seu rosto, e ao passar a mão, percebeu que eram lágrimas.
Surpreso por notar que estava chorando, a visão se desfez, e Chris reassumiu seu papel.
– Então, está feliz?! – perguntou Molly para Sherlock, em tom irônico – Tudo ocorreu como você planejou! Você fez com que ela seguisse em frente!
– Eu não....- ele hesitava, enquanto seus olhos permaneciam naquela cena. Molly realmente tinha seguido em frente – Onde estou agora?!
– Quer dizer? Agora, agora?! Você está na Baker Street, tocando violino! Como sempre faz na primeira manhã de neve!
– Como você sabe?! – perguntou Sherlock, agora olhando para Molly ao seu lado.
– Por que “eu sou sua mente!” – respondeu, zombando novamente.
– Não, você não é! Eu não sei o futuro, e nem sequer tinha isso projetado no meu subconsciente!
Molly sorriu.
– O que você acha que eu sou, então?!
Sherlock pensou, e então, sem acreditar no que ele estava respondendo, disse:
– Você é a neve!
Molly bateu palmas, feliz.
– Você é incrivelmente inteligente! Finalmente percebeu! Tenho assistido você e essa garota desde o início! No começo, achei que era o casal mais improvável do mundo, mas mudei de ideia rapidinho!
– Por que?
– Porque amor veradeiro é raro, e difícil de encontrar! Você e essa garota serão as pessoas mais felizes do mundo, se você apenas a admitir em sua vida!
– Como você sabe?! – perguntou Sherlock.
Novamente, a cena se dissolveu, voltando ao apartamento da Baker Street. Ele estava sentado na sua poltrona habitual, então, um garotinho que vinha correndo pelo corredor pulou em seu colo.
– Feliz natal, papai! – exclamou, enquanto o abraçava.
Sherlock sentiu um estranho calor dentro dele percorrer, conforme viu essa cena. Molly apareceu, carregando uma menina menorzinha, que se parecia muito com o detetive. Molly sentou no braço da poltrona e lhe deu bom dia, beijando-o logo em seguida.
– Vamos brincar do que, hoje?! Podemos ir no campo? Quero brincar de bolas de neve! – exclamou o menino empolgado, enquanto pegava a irmãzinha no colo, corria de volta para o quarto.
– De quem ele herdou tanta energia, hein?! – brincou a Molly do futuro, dando-lhe outro beijo no marido. Sherlock sorriu.
– Quer me culpar agora? – respondeu.
– Quero sim! Você é o culpado por tudo isso!
Os dois beijaram-se novamente.
Sherlock sorriu ao ver essa cena. Sabia que Molly estava se referindo a família que tinham, e isso fez com que algo dentro dele mudasse. Ele queria isso, ele queria ter uma família com Molly Hooper, porque se não fosse com ela, não seria com mais ninguém.
– Neve, o que eu tenho que fazer para...?
Mas ao se virar para falar com a falsa Molly, percebeu que estava novamente em seu quarto, em pé do lado da cama. Saiu e olhou em volta, tudo estava da mesma forma de quando fora dormir. Olhou pela janela, e a neve caía. Sorriu.
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– E então? Como foi? – perguntou Mary assim que viu John entrar pela porta.
– Ele não vem! – informou.
Todos se mostraram decepcionados, principalmente uma certa legista que havia comprado um vestido novo, só para que ele a visse nele.
– É uma pena! Ele realmente deveria tentar interagir com as pessoas – foi o comentário da Sra. Hudson.
– Bem, é Sherlock, não é?! – falou Lestrade, e todos concordaram.
Mary ia dizer alguma coisa, mas a campainha tocou nesse instante, e ela foi correndo atender a porta.
– Sherlock! – exclamou surpresa- Jonh acabou de nos dizer que você não viria!
– Mudei radicalmente de ideia! – disse dando um beijo na bochecha de Mary. – Feliz Natal!- exclamou ao entrar na sala onde todos estavam reunidos. Seus olhos procuraram os de Molly imediatamente, e os encontraram sorrindo. Ela estava feliz por vê-lo, e ele também estava.
– Molly, posso falar com você um minuto? Lá fora?! – perguntou o detetive na frente de todos.
E sem dar atenção para a surpresa geral, Molly assentiu e os dois saíram. Nesse momento, John reapareceu da cozinha e a esposa já foi lhe fofocar as novidades.
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–O que foi, Sherlock?! É algo importante? – perguntou a legista, assim que eles saíram de dentro da casa.
– É sim, muito importante! – ele disse, e então a puxou para um beijo. Depois do beijo, o detetive a abraçou e falou em seu ouvido.
– Não vou mais voltar atrás!
Molly, ainda estarrecida, sorriu e o abraçou de volta. Foi quando eles ouviram várias exclamações vindo da janela. Todos os convidados estavam amontoados, observando os dois. Sherlock e Molly ficaram levemente sem –graça e a figura de John pode ser vista, expulsando todo mundo da frente da janela e fechando as cortinas.
Os dois sorriram perante essa cena, e Sherlock , pronto para dizer alguma coisa, foi interrompido novamente, pela chegada de um carro. Um rapaz alto e de cabelos loiros saiu de dentro dele. Sherlock abraçou Molly institivamente. Os dois rapazes se cumprimentaram educadamente com um aceno de cabeça, e Chris entrou na casa.
– O que foi isso?! – perguntou a garota, sem entender a atitude do detetive
– Apenas protegendo a minha felicidade! – ele respondeu, dando outro beijo na garota.
– Isso é muito confuso, você tem certeza?! – perguntou a garota após se separarem – Quero dizer, foi muito rápido e...nem parece você! O que aconteceu?
– A neve! E eu queria que ela registrasse esse momento também!
Sherlock abraçou Molly, e a levou para dentro. Ele estava ansioso pelo próximo Natal, e com um lindo garotinho, que se pareceria com a mãe. Por hora, ele aproveitaria esse, e a companhia da mulher que ele tanto amava, e que, agora, já não entendia o motivo de ter demorado tanto pra assumir. Tudo daria certo, e ele sabia disso, afinal, um casal que a neve juntou, iria permanecer junto para sempre.
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