1864
1 Capítulo 1
Notas iniciais
(Não estou subestimando a inteligência dos meu leitores não, ok?!É que gosto de tudo muito esclarecido e sem dúvidas ._. Ah e caso alguém as tenha, por favor me comunique o/)
Desferiu-lhe outro profundo golpe no estômago, fazendo escorrer mais sangue pela boca do adversário. Este caiu, arfando, gemendo, com os olhos semiabertos . Estavam sozinhos.
-Quem mandou invadir meu território?! – disse entre um sorriso, um homem alto, com pele morena, cabelos negros e ondulados, de olhos verdes brilhantes. Trajava uma indumentária militar azul marinho. – Agora você e seu povo pagarão por esse ato...
Chutou as costas do inimigo. Seus cabelos castanhos estavam sujos, seu rosto manchado de sangue, seus olhos cor de mel estavam assustados, sua indumentária, também militar, em farrapos.
-Pena que Argentina e Uruguai não estão aqui...
-Eles...são meus hermanos... como puderam...? – ajoelhou-se, tentando levantar.
-Você quis dar um passo maior que as pernas, Paraguai... – o agressor segurou os cabelos castanhos de Daniel e encarou-o- Seus irmãos não iam te acompanhar nessa burrada! O que farei com você agora...?
-Brasil... por favor...
-Seu líder fugiu, te abandonou... devo apiedar-me? – soltou uma risada amarga. – Acho que não... devo mostrar aos meus inimigos onde é o seu lugar...
Daniel tremeu. Onde estava sua coragem que estivera presente quando invadiu o território brasileiro? Cerrou os olhos.
Meses atrás...
- Vossa Majestade deseja continuar com isso? – perguntou o idoso oficial.- Já ganhamos a guerra! Não há necessidade de continuar com esse banho de sangue, perdemos muitos soldados!
Luciano permaneceu quieto, ao lado do Imperador. De fato seu inimigo já estava enfraquecido, concordava com o oficial. Mas obedeceria às ordens de seu líder, Dom Pedro II.
- Marechal Luís Alves de Lima e Silva... –pronunciou o Imperador, seus olhos verdes expressavam severidade. – Essa guerra não lhe pertence mais...
-Mas a guerra é do Brasil e eu sou brasi...
-Meu genro, o Conde D’Eu, o substituirá já que pediu afastamento por motivos de saúde.
Luciano suspirou, já ouviu falar do tal Conde e este boa fama não tinha. E o pior de tudo: criado por Francis. O imperador notou a expressão do rapaz e dispensou, polidamente, o ex-militar.
-Algum problema, Brasil? – perguntou Dom Pedro II.
-Senhor, com todo respeito... – o brasileiro só falava polidamente com seu superior, detestava formalidades. – O Conde D’Eu não possui uma vasta experiência em campos de batalhas...
-Daremos uma chance a ele, Brasil... caso meu genro falhe, não será de extrema gravidade, afinal estamos no fim da guerra.– um sorriso podia ser notado por baixo da grossa barba do Imperador. – Esse é o momento companheiro. A vitória desta guerra será importante para sua imagem perante o exterior...
-A Europa, o senhor quis dizer, né?! – Luciano deixou escapar. Detestava ter que se submeter à cultura européia toda a vez que alguém lhe visitava, especialmente Arthur. Aquelas roupas o faziam sentir calor e pinicavam sua pele, assim que a reunião acabava, tirava tudo e ia se banhar no mar ou nos rios. Preferia usar roupas mais leves e despojadas, que lhe facilitasse os movimentos quando subia em jabuticabeiras ou ia brincar com seus “primos”, ex-colônias espanholas.
-Tão jovem e tão revoltado... – riu o homem.- Nossa cultura é única, Brasil. Olhe minha coroa... – apontou para o objeto dourado, depositado em uma almofada de veludo vermelho ao lado do trono. – Ela é feita de ouro mineiro, com emblemas de meus ascendentes europeus e com penas de tucano!
-Hum... — o jovem, de braços cruzados, desviou o olhar. – Espero que vosso genro saiba o que está fazendo...
-Ele sabe, Brasil, ele sabe... você o acompanhará na viagem até o acampamento no sul. Tenho certeza que serão amigos...
Mais uma vez o brasileiro suspirou. Tinha certeza que não seriam amigos. Já ia se retirando, após fazer uma reverência ao Imperador, quando este, antes que saísse pela pesada porta de madeira do palácio, disse:
-Apenas faça o Paraguai pagar pela invasão e que nunca mais toque o solo brasileiro, faça-o sentir na pele do que o nosso povo é capaz.
A porta de madeira se fechou. Brasil abaixou os olhos, não queria humilhar ninguém, mas se esse era o desejo de seu superior... teria que fazer.
Luciano permaneceu quieto durante o trajeto até o sul, a companhia do Conde D’Eu não era insuportável. Até concordavam em uma coisa: detestavam as futilidades da nobreza. Mas o jovem brasileiro não gostava do tal conde.
-Vamos mostrar àqueles vagabundos onde é o seu lugar. Quero ter a cabeça de López em minhas mãos...
-O Imperador não quer López morto, e sim preso...
-... aquele covarde fugiu, mas vou queimar cada casa, matar cada soldado até encontrá-lo... – o homem não o escutava, falava consigo mesmo.
O brasileiro gostava de apreciar a paisagem durante as viagens, mas nunca desejou com tamanha intensidade que essa passasse o mais rápido possível.
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