18 Uma Questão de Tato e Contato
1 Capítulo 1
Tay Kamurato andava em direção a seu trailer com um olhar cansado e preocupado. Desde que Kay se machucara, não trabalhavam juntas e os serviços de espionagem tornaram-se complicados e desgastantes. É claro que a oferta de Ban de ajuda impressionou-a e por mais que as coisas tivessem sido difíceis no começo, eles agora tinha se adaptado a trabalharem juntos.
O que realmente perturbava Tay é que agora seus pensamentos estavam ligados a Ban, o calor que sentira na noite em que Kay fora atingida e ele salvara sua vida heroicamente só aumentara com a aproximação. Ele fazia de tudo para ajudá-la, tanto no serviço, quanto em casa e ela já não conseguia mais se enganar dizendo que o que sentia por Ban era gratidão. Ela voltava de uma reunião com um cliente e tinha recebido uma missão bastante simples: teria de colocar um rastreador na filha de um poderoso chefe de estado que estava sendo ameaçado e temia pela segurança da filha, mas ela não devia suspeitar que corresse perigo. Tay estava acostumada a esse tipo de serviço. Ela se lembrava de quando tinham criado as Kamy Spys, Kay tinha dado a idéia de trabalharem disfarçadas. Como sempre fizera, Tay achou a idéia fantasiosa e tola, mas com o tempo, passou a gostar de fazê-lo. Era a parte mais divertida das missões. Dessa vez lhe veio a mente um disfarce de estudantes do secundário e ela só não entedia essa estranha vontade de levar Ban com ela. Ela entrou no trailer e encontrou Kay e Ginji sentados a mesa da cozinha jogando cartas, enquanto Ban tirava alguma coisa do forno. -- Oi, Tatá! E aí, como foi lá maninha? -- Foi tudo bem. A missão é bem simples. -- Você vai precisar de mim? – Ban encarou-a com uma expressão enigmática no rosto, enquanto depositava uma pizza na mesa. -- Se não for incomodar, precisarei de você pra não... Chamar atenção! -- Eu ainda não entendo bem esses termos de espiões... O que quer dizer? -- Bom, teremos que nos infiltrar em um colégio, pra colocar um rastreador em uma estudante. Tem que ser uma missão discreta, por isso preciso da sua ajuda pra não chamar atenção – Tay aceitou o pedaço de pizza que Ban lhe oferecia e ele lhe pareceu bastante animado com a idéia de trabalhar disfarçado de estudante. Tinham combinado que iriam na manhã da próxima segunda-feira e com tudo providenciado, não houve empecilho. Por mais que relutasse, Ban pediu ajuda a Ginji na hora de compor seu disfarce, a costureira que sempre fizera os disfarces de Tay e Kay, tinha alguns uniformes que tinham sido encomendados e nunca foram buscados que couberam perfeitamente em Tay e Ban. Tay usaria uma blusa e uma saia, meias compridas e um sapatinho preto lustroso, Kay lhe fizera a maquiagem e duas tranças que deixaram Tay com um ar alegre e colegial. Ban guardara os óculos e abaixaram o cabelo, usando-o ao natural, usava uma camisa, uma gravata com o nó frouxo, pois Ginji disse que lhe daria um jeito mais de estudante e a calça e os sapatos completavam o disfarce. Os dois deixaram a Joaninha escondida e não tiveram problemas em entrar no pátio do colégio junto com os outros estudantes de verdade. Apesar de ser cedo, já tinham muitos alunos que se reuniam muito antes das aulas começarem. -- E então, como pretende fazer isso? – Ban parecia ansioso pra entrar em ação, mas o plano de Tay era apenas não chamarem atenção pra si. -- Não podemos sair perguntando por ela, já que ela não pode suspeitar do que está acontecendo. Também acho que não devíamos no enturmar, se envolvermos mais gente, pode acabar atrapalhando nossa missão. -- Tá certo. É só você mandar. -- Bom, temos que nos preocupar também em não atrair pessoas que queiram conversar, tem que ser só nós dois – uma imagem um pouco constrangedora foi se formando na mente de Tay. Só havia uma maneira de seu plano acontecer como esperado e ela só não sabia como pediria a ele. -- Certo. Sem se enturmar, sem atrair pessoas, sem chamar atenção e se isolar. Como pretende fazer isso? -- Acho que só tem um jeito de fazer, Ban. -- Estou as ordens, é só mandar que eu faço! É uma oportunidade única, viu? Nunca mais pretendo repeti-la! -- Só existe uma maneira de nós dois ficarmos isolados de todo mundo pra espionar a vontade sem chamar atenção. -- Bom, então vamos nessa! – ele não parecia entender o que ela estava dizendo e isso só aumentava sua aflição. Percebendo que ela teria de fazê-lo entender, segurou sua mão e atravessou o pátio, foram até um canto onde tinham uma ampla visão de todos os outros estudantes e ainda ficavam isolados. Tay encostou-se na parede e puxou Ban mais pra perto dela. Ban ergueu as sobrancelhas e chegou o rosto perto do dela, nem por um segundo ele hesitou, colou seus lábios e beijou-a suavemente. Depois de um tempo, ele se afastou. -- Foi isso que mandou fazer, não foi? – ele deslizava o rosto no dela, ambos de olhos fechados. -- Hum hrum. -- Ótimo! – Ban tornou a beijar a boca de Tay, mas se afastou mais uma vez. – E eu disse que faria tudo o que mandasse, certo?
-- Hum hrum! – Tay estava agarrada ao pescoço dele, tocava sua nuca e deslizava seus dedos pelos cabelos de Ban. Ele tornou a beijá-la e Tay começava a sentir seu corpo se entregar àquele homem. Ban soltou-se mais uma vez do beijo e, ofegante perguntou: -- Posso me empolgar? -- Pode – Ban chegou a boca perto da de Tay e seu beijo foi ainda mais entusiasmado. Tay deixou-se beijar por muito tempo, com os braços de Ban envolvendo sua cintura, os calores que passavam por seu corpo como correntes elétricas tinham atingido o nível extremo. Ban se deixava dominar pela mesma sensação de êxtase e enquanto Tay deslizava delicadamente as unhas por sua nuca e suas costas, todo o corpo de Ban se arrepiava, suas bocas se colavam e se encaixavam como moldadas uma para a outra e por um instante ambos se esqueceram da missão. Quando finalmente percebeu seu momento de distração, Tay soltou-se do beijo de Ban, que deslizou o rosto e começou a beijar-lhe o pescoço. -- Ban... Ban... – a voz de Tay saia sussurrada e ofegante, as carícias dele a deixavam extasiada. – Ban... A missão... Eu tenho que... Ficar de olho... Na garota... Ban continuava sua representação de namorado entusiasmado e sem parar de beijar-lhe o pescoço, ele se encostou à parede, trocando de lugar com ela. -- Pronto! Pode olhar a vontade! Tay dividia suas atenções entre procurar a garota que precisava rastrear e as carícias de Ban. E com um grupo de garotas, lá estava ela, o alvo do serviço de espionagem. -- Tá ali, Ban. Ela tá ali. Cadê o rastreador? -- Tá no meu bolso – Ban sussurrou em seu ouvido ofegante. Tay foi descendo a mão do pescoço pelo peito de Ban pra alcançar o bolso da calça dele. -- O bolso da camisa! -- Ah, ta certo – Tay corou com o tom malicioso de Ban. – Vem, tenho que passar por ela. -- Mas já? Não dá pra gente ficar mais um pouquinho aqui? -- Vem – do mesmo jeito que o puxou para aquele canto, Tay foi puxando Ban pra perto do grupo de garotas e quando chegou perto o suficiente, esbarrou na garota e colocou o rastreador nela. – Desculpe – com um sorriso, ela se afastou com Ban e discretamente saíram da escola. Quando entraram na Joaninha, Ban arrancou a gravata e Tay verificou se o rastreador estava funcionando. -- Perfeito! Serviço concluído com sucesso! – Ban foi se aproximando dela lentamente, mas ela o afastou sutilmente com um sorriso provocador e maroto. -- Tay... Eu sei que eu lhe disse muita coisa e que nós dois nem sempre nos entendemos, mas... Agora... Depois de tudo isso... Eu vejo você diferente... Eu acho... E eu acho que... -- Diga de uma vez! -- Eu te amo! – Ban tornou a beijá-la e ela não o afastou. Era a coisa certa a se dizer.
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