18 Desafio Sherlolly- Filofobia
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Já fazia um tempo que ele vinha tendo essas sensações. Ele não soube precisar exatamente quando, mas estava ocorrendo, e cada vez com mais frequência. Para um homem como Sherlock Holmes, extremamente racional, e que sempre menosprezou as emoções, ele agora, estava tomado delas, sendo levado para a escuridão da irracionalidade. Ele detestava isso, e era tudo culpa dela.
Toda vez que ele se aproximava de Molly Hooper, sua boca ficava seca, sua respiração acelerada e um medo sem sentido o invadia. Ele tinha medo de se apaixonar.
O amor, para ele, era uma mistura de endorfina com ocitocina, e não havia nada de mágico ou de misterioso nele. Ele sabia disso, ele sabia exatamente como cada célula do corpo funcionava, quando alguém se apaixona. Mas ele não podia se apaixonar, ele era Sherlock Holmes, um homem racional, de inteligência muito superior, e ceder aos sentimentos era algo impensável.
Com humilde relutância, percebeu que ele podia se apaixonar, só não deveria. O medo de se apaixonar o dominou naquele momento, se imaginou como John, um homem que faz de tudo pela esposa. Pensou em John sendo carinhoso com Mary, e em como ele imaginava essa cena ridícula. Ele não podia ser transformado em um babaca, por um sentimento tão frívolo quanto o amor.
Mas era só olhar para Molly, estivesse ela fazendo qualquer coisa; examinando um corpo, analisando uma substância, tomando chá, sorrindo sem jeito, e todos aqueles sentimentos que ele evitava, voltavam. A boca seca, a falta de ar, e principalmente, o medo.
- Sherlock, você está bem?! – perguntou a legista ao ver suas mãos tremendo.
A visão de Molly se aproximando dele, fez com que se afastasse abruptamente, assustando a moça.
- Estou bem, Molly! Estou bem! – respondeu com um leve tom de desespero na voz.
- Suas mãos estão tremendo, e você está suando muito! – analisou – Por um acaso está com crise de abstinência?!
Como Sherlock queria que isso fosse verdade. Drogas eram tão mais previsíveis em sua consequência, do que o medo de se apaixonar por Molly Hooper.
- Estou limpo! – falou tentando controlar seus sentimentos desesperadamente – Apenas me deixe sozinho!
- Você está com medo de que?! – perguntou a garota preocupada.
Ela sempre conseguiu lê-lo perfeitamente, mas Sherlock não via nenhum motivo para elogiá-la por isso. Eram essas atitudes dela, que geravam nele aquele sentimento que ele tanto despreza, e que ele não queria sentir de maneira nenhuma. Sherlock saiu do laboratório, sem dizer uma única palavra a mais. Ele precisava sair, ele precisava se afastar dela, e mais do que isso, ele precisava saber o que estava acontecendo com ele, e se controlar. Sherlock Holmes não seria vencido.
Medo, uma sensação irracional, referente ao desconhecido. Mas o que lhe era desconhecido?
- Emoções! – a Molly de seu palácio mental apareceu. – Você as sente, mas as ignora!
- Eu não quero você! – ele respondeu – Você está causando isso em mim!
- Não, Sherlock! É você que está!
Sherlock sentiu falta de ar e fraqueza, e foi levado para baixo, caindo de joelhos no chão.
- O que você está fazendo comigo? – ele gritou.
- Não sou eu! É você! – respondeu compreensiva, se abaixando e colocando suas mãos sobre os ombros dele. – Pense, Sherlock! Por que você está com medo?!
- Não quero me apaixonar!
- Por que? – ela insistiu, ainda de forma carinhosa.
Sherlock hesitou, seu coração acelerou de uma forma absurda, como se estivesse tendo um ataque. Seu corpo caiu de vez no chão, e ele, subitamente, começou a chorar.
- Sherlock, por que você não quer se apaixonar? – Molly repetiu a pergunta, agora mais firme. – Vamos Sherlock, pense!
- Eu não quero mudar! Eu não quero mudar as coisas! Quero que tudo fique como está! – Sherlock gritou entre o choro.
Quando seu medo real foi anunciado em voz alta, dentro de seu palácio mental. A compreensão veio, e Sherlock voltou ao normal.
- Muito bem! – disse Molly sorrindo – Mas você sabe, Sherlock, as coisas vão mudar! Só resta saber se você quer fazer parte delas ou não!
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Quando Sherlock abriu os olhos, percebeu que estava em um quarto muito conhecido. Toby estava deitado em seu pé, e quando Sherlock levantou, o gato olhou para ele e miou, voltando a sua soneca logo em seguida.
- Sherlock, graças a Deus! – a figura de Molly, agora da vida real, surgiu pela porta, carregando uma pequena bacia e um pano. – Fiquei apavorada!
- O que estou fazendo aqui?! – perguntou confuso, enquanto tentava repassar as cenas em sua cabeça.
- Segui você depois que você saiu! Fiquei preocupada, e ainda bem que o fiz, você estava tendo convulsões na calçada!
Sherlock se levantou, e de repente, percebeu que apesar de Molly estar próxima a ele, sua boca já não estava mais seca e suas mãos não tremiam. De repente, Molly passou um pano úmido em seu rosto, e Sherlock, sem pensar em nada, a puxou pelo braço e beijou.
- O que...o que foi isso? – gaguejou Molly, após se separarem.
- Estou provando que você tem razão! As coisas vão mudar, independente da minha vontade, e eu quero fazer parte dessas mudanças!
E sem dar tempo para que Molly perguntasse, em que momento ela disse tal coisa, Sherlock a puxou para outro beijo. Sherlock estava curado. O amor continuava sendo um sentimento desprezível aos seus olhos, mas também era maravilhoso. E era um sentimento muito mais racional, que o medo de não amar.
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