Quando voltaram, Martha estava disposta a procurar por Lorenzo.
O problema é que o primeiro do dia era um doido que ficava gritando "EU SOU LORENZO BARTOLINI" é a mulher gritava da janela para eles levarem o marido com eles.
Os próximos foram uma sucessão de desastres: um quitandeiro que suava mais que um porco, um padre, um dono de restaurante que não dizia nada além de "uau!" quando olhava para Martha, e mandava beijinhos e piscadelas. Eles saíram correndo e rindo dele.
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Depois de mais um dia desastroso, Martha preferiu jantar sozinha, enquanto Molly e Sherlock foram para um bar, e ficaram tomando vinho.
Os dois já estavam meio bêbados, porque de uma conversa sobre crimes, foram parar em Romeu e Julieta.
– Se eu encontrasse o amor da minha vida, não ficaria parado como um idiota sussurrando em um jardim. Faria ela descer da maldita sacada de uma vez por todas!
Mesmo que o Sherlock que ela havia passado a manhã não fosse o mesmo que ela havia encontrado na primeira vez, na Casa de Julieta, aquilo ainda era surpreendente. Ele não parecia do tipo romântico. Do jeito que ele falava do trabalho e dos crimes, ele parecia mais aqueles malucos que não tinham tempo para nada nem ninguém a não ser o trabalho. Não esperava uma atitude assim dele.
– Você acredita em destino? — ele ficou encarando-a e devolveu a pergunta. — acho que sim. Acho que é o meu destino estar aqui, agora. — aquilo era cafona demais, ela sabia. Na verdade, nunca havia parado para pensar nessas, mas naquele momento, parecia apropriado.
Ele se aproximou dela, e ficou olhando de um jeito quase irresistível. Ela não conseguia tirar o enorme sorriso do rosto, então achou mais seguro completar. — Com Martha.
– Claro. com certeza, com Martha.
Depois disso o clima ficou meio estranho, e cada um foi para seu quarto.
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Ela observava o mapa, a caminho do próximo Lorenzo. Ainda faltavam alguns, e apesar de ser divertido, estava começando a ficar cansativo.
Mas qualquer pensamento que ela por acaso tivesse de que estava chato, foi apagado quando levantou os olhos do mapa e encontrou um Sherlock sorrindo para ela pelo espelho retrovisor. Ela sorriu de volta e ficou encarando a paisagem lá fora, meio envergonhada. Qual era o problema dela? Parecia uma criança de doze anos paquerando pela primeira vez.
Quando chegaram no próximo endereço, a casa estava abandonada. Por sorte um parou ali na frente.
– Posso ajudar?
– Procuramos por Lorenzo Bartolini.
– Estão de carro? — eles acenaram — então sigam-me.
Então ele os guiou. Dez minutos depois ele apontou para um muro, e sem parar, apenas acenou.
Um cemitério. Aquilo era uma piada de mal gosto?
Martha estava parada em frente ao túmulo. Deus sabe o que estava passando na mente dela naquele momento. Depois de tudo isso, só faltava ele estar morto.
Sherlock obviamente pensou a mesma coisa, e logo já estava descontando nela.
– Isto era o que eu temia.
– Não sabemos se é ele. — ela tentava convencer mais a si mesmo do que a ele.
– Espero que não. Seja ele ou não, terminamos aqui.
– Não, aqui não!
– E quando paramos? No próximo? Depois de rodar o país? — ele quase gritava na cara dela, que por sua vez ia ficando cada vez mais desesperada. — Não, termina aqui.
– Tem muitos Lorenzos não muito longe daqui.
– Não é o final que você quer, não é? Não se trata de mais de uma das suas histórias com finais engraçados.
– Para, Sherlock! — ele havia passado dos limites. Ela sabia que não era sobre a história dela. Aquilo só não podia terminar assim pela Martha! Não dava pra ela encerrar essa busca assim!
– É a nossa vida. A Vida da minha avó...
– Não se trata da história!
– A minha avó já perdeu esse homem uma vez. Quantas vezes mais você quer que ela o perca? — ele ficou encarando, gritando tudo na cara dela, mas ela não sabia o que falar. — eu não espero que você compreenda tudo isso porque você não sabe o que é perder alguém.
Nisso ele estava errado, mas Molly apenas acenou, e saiu dali, porque sentiu as lágrimas chegando.
Ficou parada na entrada do cemitério, tentando controlar as lágrimas, porque a morte não é uma escolha. Abandonar alguém é.
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