17º Desafio Sherlolly - Cartas para Julieta
10 De volta a Nova York
Notas iniciais
A viagem a Verona havia sido um fiasco em seus propósitos. Molly e Tom viajaram como uma pré lua de mel e de todo o tempo que estiveram lá, passaram apenas um dia juntos. E nem foi um dia só curtindo a companhia um do outro. Não. Foram atrás de fornecedores.
O resto da viagem, Molly buscou por Lorenzo com o mesmo afinco que Tom buscou por vinhos.
Alguma coisa estava errada nas prioridades de ambos.
Mesmo assim voltaram para Nova York como se nada tivesse mudado.
Mas tudo mudou.
Na verdade o relacionamento já estava por um fio, e Molly achou que talvez viajando juntos isso poderia melhorar. Mas aquela busca na companhia de Martha e Sherlock a fez perceber que já não sentia mais o que costumava sentir por Tom.
E ela não conseguia parar de pensar no beijo de Sherlock.
No começo se sentia um pouco culpada por isso. Porém, ter que competir com o restaurante era exaustivo e ela estava perdendo, o que fez com que se afundasse na história.
Assim que terminou – resolveu que Sherlock tinha razão, e decidiu parar de ser covarde — Molly levou a história para seu chefe ler. Pela cara dele, pensou que ele não havia gostado, mas Bobby só queria saber o que havia acontecido com eles: se a Martha e o Lorenzo ainda estavam juntos, o que havia acontecido com o Sherlock. Só de ouvir o nome dele, Molly sorriu.
– Não sei, não mantivemos contato. – ficou esperando que ele falasse algo. – Algum conselho?
– Compre ações de Alitalia, porque todas as mulheres vão querer viajar para Verona.
– Você irá publicar?
– Sim, é uma boa história. – ela teve que se controlar para não sair pulando. – Algo mais para me dar?
– Por enquanto, não.
Ela não conseguia acreditar. Finalmente sua história seria publicada! The New Yorker ia postar sua história!
Foi direto para o restaurante, procurar por Tom.
– Oi, Molly! Como foi seu dia?
– Mostrei minha história para o Bobby.
– Ele gostou?
– Sim, ele vai publicar!
– Sério? Nossa, isso é fantástico!
– Sim. Você leu? Deixei ontem à noite para você ler.
– Não, não. – ela já imaginava que não, mas ele podia ter pelo menos tentado. – eu não preciso ler a história, sei que fará sucesso. – e vendo que não a convenceu, completou. – Além disso, prefiro ver quando for publicada, comprar e ter a surpresa.
– Claro...
Alguém derrubou alguma coisa dentro do restaurante, e Tom foi correndo ver o que aconteceu, deixando Molly plantada, cada vez mais incerta sobre o que estava fazendo com a própria vida.
Alguns dias depois, quando estava saindo do trabalho, lhe chamaram, haviam mensagens para ela. E uma carta.
Que na verdade não era uma carta, e sim um convite. Um convite de casamento.
“Martha Hudson & Lorenzo Bartolini anunciam com alegria seu casamento, que será celebrado no sábado, dia vinte e oito de agosto, a uma da tarde.” E junto do convite, Martha havia mandado a carta que ela escreveu a cinquenta anos.
Eles iriam se casar. Depois de tanto tempo separados, eles ainda sentiam o mesmo um pelo outro. Aquilo era lindo. E Molly decidiu que queria isso para ela. Não iria esperar cinquenta anos. Quem sabe quantos Sherlocks existem no mundo?
–-
Na semana do casamento, Molly finalmente decidiu falar com Tom.
Quando chegou no restaurante, Tom estava gritando com todo mundo, aparentemente ninguém sabia fazer nada certo lá, e ele tinha que ficar ensinando o tempo todo.
– Oi, Molly, como vai? – ele andava para la é para cá, mal prestando atenção nela. – Tudo bem?
– Lorenzo e Martha vão se casar. – era melhor ir direto ao assunto.
– Mesmo? Uau. Quando?
– Sábado.
– Esse sábado?
– Sim. Eu irei. Sozinha. – agora ela tinha a atenção dele.
– Sozinha? – ele continuava mexendo em sabe-se lá o que ele estava cozinhando. – Pessoal, vocês podem sair da cozinha? Todos! Deixem tudo como está.
Assim que todos saíram, ele começou.
– Espere, Molly...
– Não, não. Só...
– Espere...
– Deixe-me dizer uma coisa. Por favor. – ele estava tão desesperado quanto ela. Estavam a tanto tempo juntos que era estranho pensar em se separar. Mas não dava mais. E não era justo com Tom, ficar com ele pensando em outro. – Eu não sei mais o que é isso. Não sei o que estamos fazendo. – Deus! Ela não achou que seria tão difícil fazer aquilo. – Saímos de férias e não passamos um único dia realmente juntos.
– Porque você estava ocupada escrevendo. Não me incomodou.
– Sei que não incomodou você. E você estava ocupado também.
– Ah, vamos...
– Você foi para Livorno e não me incomodou também.
– Não, não, Molly! Eu não...
– Não, Tom, é a isso que me refiro! – ele estava perdendo o controle, e para a irritação dela, virou de costas, com os braços cruzados. – Tom, nós fomos em uma espécie de lua de mel e não nos incomodou estarmos separados. – ele se virou para ela. – Não deveria ser assim. Nós deveríamos querer estar sempre juntos.
A voz dela já estava falhando. Ela gostava dele. É lógico, se não gostasse, não teria passado tanto tempo junto.
– Eu gostaria de poder dizer que tudo será diferente. É que eu serei diferente. Mas... É assim que eu sou. – quem o visse falando, pensaria que ele estava calmo com a situação, mas Molly sabia que ele estava no auge do desespero quando falava manso daquele jeito.
– Eu sei. Eu amo... Eu amo quem você é. Mas eu mudei. E não está funcionando.
Só então ele desabou. Lágrimas escorriam sem parar, porque apesar de tudo, ele também gostava dela.
Sem coragem de olhar nos olhos dele e acabar mudando de ideia, eles se abraçaram.
– Tenho que ir embora, Tom. – se soltou quando ele não queria soltá-la.
E saiu sem olhar para trás.
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