4° Dia= 96 — Ainda faltam 72 horas.


Acordei sentindo a respiração de Joe sobre mim. Me mexi vagarosamente para não acordá-lo e fiquei observando o quanto ele era lindo.Fiquei sentindo o calor de seu corpo, o quanto era aconchegante.
Levei uma das minhas mãos até até seus rosto acariciando-o meigamente.
Ele era tão lindo dormindo, tão sereno...
Ele moveu as pestanas piscando tentando abrir os olhos.
Ele pareceu desorientado durante um tempo, até que seus olhos se focaram nos meus e ele sorriu.
__ Bom dia. — ele me disse com a voz um pouco rouca devido ao sono.
__ Bom dia — eu lhe respondi.
Afaguei seus cabelos carinhosamente enquanto ele ainda me olhava.
Ficamos naquele momento durante algum tempo, até que sentimos necessidade de comer algo.
Sentamos na mesa da cozinha, enquanto comíamos em silêncio verbal, porém os olhares eram frequentes.
Era uma coisa minuciosa e tão prazesora, amava quando eu via Joe me observando tentando notar cada detalhe meu.
Isso ás vezes me deixava constrangida, mas nesse momento eu não me importava.
Ele fazia aquela ruga de interrogação em seu rosto,tentando ler minhas expressões,eu imaginava que era isso que ele tentava fazer quando seu rosto se contorcia naquele expressão linda.
Havia tanta coisa a ser dita, no intanto nem de nós pronunciava nenhuma palavra.
Talvez nos faltassem as palavras certas, ou o constrangimento de dizer algo que não convinha no momento, nos impedia de nos pronunciarmos.
Depois de tomarmos café, vi Joe se sentar em frente a televisão, observando-a atentamente.
Fiquei curiosa em saber o que lhe prendia tanta atenção.Depois de um certo tempo, resolvi perguntar, quando ele se virou para mim.
__ Porque tudo tem que ser tão difícil? — ele perguntou a mim, com com as sobrancelhas arqueadas.
Eu fiquei confusa e não sabia do que ele estava se referindo até eu olhar para a televisão e ver os créditos finais do filme Amor e Inocência, que conta a história da vida da escritora do século XVIII, Jane Austen.
__ Ah... — foi o que eu consegui pronunciar.
__ Quero dizer, porque ela teve que voltar quando já estavam longe, eles seriam felizes. — Joequestionou.
__ Não, não seriam. Jane jamais permitia que Tom deixasse sua mãe e sua irmã sem o pouco dinheiro que ele lhe dava para se sustentarem.- eu lhe expliquei.
__ Mas, ele não se importava! — Joe disse.
__ Joe, mas ela se importava, ela não era egoísta, ela pensava que tipo de impacto que suas atitudes causaria nas pessoas.
__ Mas, eles se amavam, isso deveria bastar não? — Joe perguntou.
__ Joe, o amor era o que menos importava naquela época, na verdade era irrelevante.As pessoas só pensavam em dinheiro, ou o que os casamentos proporcionariam as famílas.E acho que isso não mudou muito nos dias atuais.
__ Bom, acho que Tom não a amava de verdade...
__ Porque diz isso? — eu perguntei escandalisada, não havia nada a fazer.
__ Ele deveria lutar mais por ela!
__ Joe! O tio dela se recusou a aceitar o casamento dos dois! Eles fugiram porém ela quis voltar, o que ,mais ele poderia ter feito?

__ Eu não sei...

__ Joe... as coisas eram complicadas naquela época...
__ Eu sei.. só estou tentando dizer que EU teria feito algo a mais..., se eu a amasse.
__ Teria? — eu perguntei, agora profundamente interessada na conversa.
__ Sim, Quando eu me apaixonar por uma garota, e se ela também gostar de mim, vou fazer de tudo para tê-la ao meu lado.
__ Joe, cada dia eu me suepreendo mais com você. — eu disse sorrindo, com a expressão surpresa.
__ O que você você quer dizer com isso? — ele perguntou, me encarando.
__ Nada, você só é diferente do que eu tinha imaginado.
__ Bom, você também é. Acho que todos estamos nos surpreendendo aqui não? — ele sorriu tentando disfarçar seu constrangimento.
Ficamos em silêncio durante um tempo. Eu estava surpresa com o que eu tinha visto de Joe essa manhã.
Eu não esperava esses comentários dele, em relação ao amor. Isso só mostrava o quanto ele era diferente do que ele tentava passar a mim quando estávamos lá fora.
Fiquei um pouco em estado de inécia até que eu notei uma coisa que eu já havia notado, porém eu não conseguia compreender.
A verdade é que eu não me apaixonei por Joe em três dias. Eu SEMPRE o amei.
Um sentimento ofuscado pelo meu falso ódio.
Um sentimento intensificado pela arrogância de Joe.
De uma forma ou outra ele sempre esteve presente em meus pensamentos, independentemente da forma.
Percebi que mesmo pela minha repugnância de tê-lo por perto, eu sempre o tive, mesmo que eu fosse indiferente a isso.
Bom eu tentava.
Agora eu percebi que sempre o amei por tal razão. Porque por mais estranho que possa parecer, ou de que forma ele demostrava isso, Joe é uma das poucas pessoas que REALMENTE sempre se importou comigo.
Ouvi o som da voz de Joe interrompendo meus pensamentos.
Me virei para encará-lo.Mas ele não pronunciou nenhuma palavra e continuou me encarando daquela forma que me fazia arrepiar.
Segredos descobertos, sentimentos aflorados, tudo parecia totalmente repleto de um misto de sentimentos e eu me encontrava no meio desse redemoinho com a MINHA certeza mas com a INCERTEZA se ser correspondida.
Eu queria perguntá-lo se ele sentia algo por mim que me pudesse ter algum vestígio de esperança ou algo semelhante, porém eu não era corajosa o bastante para enfrentar as consequências das respostas que eu temia ouvir.
Me senti uma covarde, era o que eu era!Uma covarde por me esconder no escuro de algo que me fizesse sofrer.Mas era algo o qual eu não poderia lutar, estava em minha mente, fazia parte de mim.
Parte da minha auto-preservação.
Porque eu sabia perfeitamente que no caminho disso tudo se eu saísse machucada, não me restaria nada além de ouvir meu coração em pedaços tentando furiosamente continuar a bater.
Minha mente retornou a algumas horas atrás, viajando nas palavras que Joe pronunciara.
Ele disse que queia ficar perto de mim, porém parecia constrangido demais para tentar.
Ele parecia confuso, como se não soubesse como agir, no intanto tentava demonstrar confiança e me dizia que tudo ficaria bem.
Eu estava tentando acreditar nisso veemente.
Eu o vi ali, na minha frente e eu queria tanto tê-lo perto de mim.
Dei passos largos direcionados a Joe enquanto ele mantinha aquele mesmo olhar sobre mim.
Envolvi meus braços em volta de seu pescoço, o abraçando e logo em seguida o apertei contra o meu corpo com força.
Senti ele me abraçando envolvendo suas mãos em minha cintura. Adorava sentir a sensação de tê-lo tão próximo a mim como agora, sentindo sua respiração, o cheiro de sua pele, ouvindo seu coração.
Fechei meus olhos, sentindo apenas Joe. Somente ele. Eu estava intorpecida, como se nada fosse interromper minha felicidade e como se nada pudesse me atingir quando eu o tinha por perto.
Eu precisava tanto dele, eu não gostava de me sentir tão vulnerável, mas eu não podia fazer nada quanto a isso.Joe se afastou de mim e fixou seus olhos nos meus.
__Eu precisava tanto te abraçar. — ele disse colocando uma mexa solta do meu cabelo atrás da minha orelha.
Eu sorri timidamente e olhei para baixo.
__ Porque não me abraçou? — eu murmurei, quase num sussurro.
Ele sorriu e negou com a cabeça.
__ Porque eu sou um completo idiota! — ele disse, gargalhando
__ É, eu acho que sim — eu desdenhei.
Ele revirou os olhos e levou uma de suas mãos na minha nuca, me aproximando mais do seu rosto.
A outra mão ele levou até meu rosto o acariciando levemente, eu fechei os olhos involuntariamante até que senti seus lábios nos meus.
A mão antes no meu rosto, agora se encontrava em minha cintura.Joe me beijava e movíamos nossos lábios enquanto nossas línguas se encontravam, tudo num ritmo calmo e lento. Joe apertou minha cintura contra seu corpo, enquanto eu bagunçava seus cabelos.
Senti meus pulmões arfarem necessitando de ar. Nós nos afastamos ofegantes. Joe se abraçou a mim, e recostou sua cabeça em meu ombro e eu fiz o mesmo.
Ficamos apenas ali, abraçados sentindo a presença um do outro enquanto o tempo passava e nós nem percebíamos, porque o tempo era algo irrelevante quando se tem a pessoa que ama do seu lado.

Notas finais
Deixem um review!! Faça a autora felizz!!! Please?? *-*