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1 Capítulo 1 ~ Por que só a Bella?
Notas iniciais
Aqui estou eu de volta com mais uma história!
Ela será uma short - acredito que com 3, ou 4 capítulos, e será completamente postada dentro dos próximos dias.
Espero que gostem ♥
12 de janeiro de 2019, 14:15h, Casa do Edward e da Vanessa.
─ Então, é isso mesmo, você vai querer a festa? ─ perguntei surpreso à minha Pequena Vanessa. Bem, ela já não era mais tão pequena assim, mas era difícil admitir, para mim mesmo, que ela estava crescendo tão depressa.
─ Vou ─ respondeu ela, com uma certeza ainda mais surpreendente.
Nos últimos dias, tínhamos estado discutindo sobre esse assunto: numa hora, Vanessa parecia querer a tal Quinceanera, noutra, dizia que seria mais vantajoso usar o dinheiro para uma viagem. De qualquer forma, o plano principal era termos uma forma de comemorar o seu aniversário de 15 anos, do jeito que fosse. A questão era decidirmos logo, porque ambas as ideias demandavam tempo e dinheiro, então, quanto antes fosse definido, melhor seria – para a minha sanidade e para o meu bolso.
─ Ótimo, ligue para a Alice e peça o número daquela organizadora da festa dos gêmeos. Para a sua tia tê-la chamado mais de uma vez para o trabalho, é porque ela deve ser muito boa ─ falei, enquanto tirava os pratos de nosso almoço, da mesa, e os levava até a pia ─ Faça isso que eu arrumo a louça ─ completei, rindo quando Vanessa resmungou. Nós dois detestávamos falar ao telefone e apostava como ela preferia estar lavando a louça do que fazendo uma ligação.
─ Você me paga! ─ Vanessa resmungou mais uma vez e senti-a se aproximando de mim. Sorri quando ela me abraçou (era algo que ela já não fazia com a mesma frequência de quando era uma menininha) de lado e me deu um peteleco no ombro ao mesmo tempo em que me agradecia.
─ Não há de quê, Nessie ─ provoquei-a com o apelido que ela tanto detestava, e ri quando, ao olhar por sobre o meu ombro, vi seus olhos verdes, idênticos aos meus, se revirando em suas órbitas ─ Agora vá lá e me obedeça, porque ainda sou o seu pai.
Voltei minha atenção para a louça assim que vi sua cabeleira ruiva e cacheada passando porta afora da cozinha. Eu amava ser pai daquela criaturinha, embora muitas pessoas – inclusive de nossa família – alegassem que parecíamos muito mais dois irmãos do que pai e filha, pela nossa pouca diferença de idade – já que ela havia nascido no mesmo dia que eu, apenas 15 anos depois.
O que me deixava, muitas vezes, puto da vida era a forma como a imbecil da mãe dela – Tânia – agia: como se Vanessa não fosse importante. Em quase 15 anos de vida, ela não havia trocado uma fralda, dado uma mamadeira, acalentado, nem mesmo dado atenção para a minha filha. Porque, obviamente depois de tanta indiferença e sofrimento causados à Nessie, eu jamais deixaria que aquela mulher se aproximasse dela novamente. Foi extremamente satisfatório ter a guarda dela todinha para mim, ainda que eu preferisse, mil vezes mais, que sua mãe se importasse verdadeiramente com ela.
Estava guardando a louça, quando Nessie retornou com seu aparelho celular grudado à orelha e com um pedaço de papel e caneta numa das mãos. Ela se sentou novamente à mesa e meu coração se partiu um pouco quando li o nome de “Tânia” escrito três vezes no topo da lista de convidados; todos riscados, como se ela tivesse mudado de ideia de novo, e de novo a respeito de chamá-la para a sua festa.
─ Já disse, tia. Ela não me quer na vida dela e eu não a quero na minha festa ─ Vanessa murmurou, com uma firmeza tão real quanto se tivesse afirmado que dois e dois eram cinco.
Se eu preferia que a dita cuja fosse para o escambau e não estivesse presente num momento especial daqueles? Com certeza, mas o meu desafeto por ela jamais poderia – e eu orgulhosamente podia afirmar que nunca acontecera – nublar, ou prejudicar sua relação (ainda que inexistente) com Vanessa. Mesmo que ela não merecesse um milésimo de afeto da parte da minha filha.
Alice, minha irmã do meio, devia estar queimando os neurônios dela, isso era perceptível através de suas bochechas se tornando perigosamente vermelhas, enquanto seus punhos se cerravam diante do papel, então, achei por bem interferir, antes que minha Pequena tivesse um acesso de raiva. Roubei o celular de sua mão, sob alguns protestos, e quase xinguei minha irmã:
─ Para de atazanar a minha filha, vai. Ela chama quem ela quiser, a festa é dela ─ reforcei, acarinhando as costas de Vanessa que, aos poucos, foi relaxando.
─ Edward, sei que não gosta dela, eu também não gosto, mas Tânia é a mãe dela! É melhor ela se arrepender por tê-la chamado, do que do contrário! ─ Alice opinou.
─ Discordo. Esse assunto se encerra aqui, Alice. Garanto que Vanessa já te falou sobre o que eu pedi. Já passou o contato? ─ a indaguei.
A única coisa que eu queria era o contato da organizadora de festas, não seus achismos fora de hora. Claro que a depender da decisão, eu deveria participar enquanto pai, mas a festa realmente era de Vanessa e ela deveria ter autonomia o suficiente para seus quereres se sobressaírem aos de sua tia intrometida.
─ Vou procurar aqui ─ disse a própria, à contragosto ─ Te mando por mensagem.
─ Okay, obrigado ─ murmurei, antes de desligar o celular. Coloquei-o sobre a mesa e observei minha menina fitando, calada, sua lista de convidados ─ Não dê ouvidos à sua tia. É o seu dia, faça o que quiser. ─ Beijei o topo de sua cabeça e a abracei apertado.
Nessie me abraçou de volta e sorri. Dois abraços em menos de meia hora! Ela estava mesmo se superando!
─ É o seu dia também ─ disse ela, erguendo o rosto para me encarar com seus olhos adoráveis.
─ Abdiquei-me do meu próprio aniversário para que você tivesse o seu ─ brinquei, dando-lhe uma piscadinha e ela revirou os olhos ─ Quando foi que ficou tão malcriada?
“Foi você quem me criou!” falamos ao mesmo tempo – ela em tom divertido e, eu, irônico. Eu era um fodido por Vanessa ser tão parecida comigo, não só fisicamente, mas também em todos os seus trejeitos e maneirismos. Isso me rendia não poder brigar com ela pelas mesmas coisas que fazia quando tinha a sua idade – embora eu tivesse a certeza de que me jogaria da ponte se ela engravidasse tão cedo. Pensar que minha menininha poderia estar... Argh! Era repugnante sequer pensar em pensar sobre aquilo.
Graças aos céus ela não tinha namorado, nem mesmo interesse em garotos!
Meu celular vibrou no bolso de minha bermuda e deixei que a curiosa da minha filha também visse a mensagem de sua tia com o contato da organizadora:
Alice à Edward:
“Bella’s Festas: +1 (360) ***-****
Ela disse que teve uma desistência às 15h agora, se quiserem ir até o escritório dela para conversarem. Aqui está o endereço: Rua *******, nº 13, bloco E, apartamento 22.
Ainda não terminamos a nossa conversa, acho importante que Tânia seja convidada. O que ela fará com esse convite, é problema dela, mas pelo menos Vanessa terá feito a parte dela.
Beijos!”.
Revirei os olhos com a teimosia de minha irmã e, na resposta de agradecimento pelo contato, aproveitei para mandá-la tomar naquele lugar. Ela não estava considerando a frustração que Vanessa sentiria quando convidasse aquela mulher e ela não comparecesse à sua festa. Talvez, Alice estivesse sofrendo de amnésia para não se lembrar de outras ocasiões parecidas – incluindo outras festas de aniversário de minha Pequena – em que a decepção era a única coisa presente no olhar de minha filha, quando ainda tinha expectativas de que a mãe aparecesse. Ainda bem que tirei da mensagem a tempo de ela não ler a parte final, embora tivesse resmungado sobre não ter terminado de lê-la. Não valia a pena causar ainda mais angústias à Nessie. Não quando eu podia poupá-la delas.
─ Vamos, nós temos... Fodidos dez minutos para chegar ao centro da cidade ─ falei, dando dois tapinhas em seu ombro direito.
─ Você precisa parar com os palavrões ─ ela disse em tom provocativo ─ A vovó vai amar ter que lavar sua boca com sabão de novo.
Revirei os olhos com aquela colocação. Nessie adorava me lembrar de minhas próprias vergonhas – embora, em várias delas, fosse novinha demais para, de fato, se recordar de algo. Era minha mãe, Dona Esme, quem contava para ela sobre minhas presepadas – até como um exemplo do que ela não deveria fazer.
Naquela ocasião em específico, Nessie não devia ter mais de dois anos – e sua guarda já era completamente minha, o que significava que ela passava praticamente as 24 horas do dia grudadinha comigo – e começava a repetir literalmente tudo o que ouvia. Digamos que minha mãe estava tentando me fazer parar de falar palavrões – ou, ao menos, diminuir a frequência com que os falava – e quando não conseguiu, achou que seria interessante mostrar à Vanessa quais eram as consequências de se dizer palavras feias o tempo todo.
Lembro que minha menina só gargalhava enquanto minha mãe esfregava a mão cheia de sabonete em minha boca. Duvidava que Nessie realmente tivesse uma lembrança vívida daquele momento, mas ela sempre ameaçava me dedurar para a avó – e eu detestaria ser castigado àquela altura do campeonato. Porra, eu já tinha quase 30 anos nas costas, aquilo sim seria uma tremenda vergonha!
─ Chega de lero-lero, levanta a busanfa daí e vamos logo ─ disse a ela.
Nessie gargalhou e me mostrou a língua antes de me obedecer. Entreguei-lhe meu celular e pedi que ela enviasse uma mensagem à tal Bella, dizendo que estávamos a caminho, enquanto eu dirigia pelas ruas de Forks em direção àquela que nos ajudaria a planejar a sua festa.
15:01h, Bella’s Festas
─ Olá, sejam bem-vindos! ─ uma jovem nos cumprimentou educadamente, assim que abriu a porta cuja identificação dizia: “Bella’s Festas”. Ela realmente parecia jovem demais para ser uma organizadora de festas competente, mas algo em seus olhos me parecia ligeiramente familiar.
Ela se afastou um pouco, permitindo que Vanessa e eu adentrássemos o local e que também vislumbrássemos um pouco mais dela e então a reconheci como sendo, de fato, Isabella Swan. Havia quase meio século... Ops, meia década que eu não a via, desde sua formatura no colegial ao lado de meu irmão mais novo, Emmett – com quem, os rumores diziam, havia tido um “rolo”.
Isabella costumava ser uma coisinha pequena, magrinha e serelepe. Eu a conhecia desde o maternal – quando ela e meu irmão começaram a estudar juntos – e, apesar de sua estatura não ter mudado muito (a prova era Vanessa, com seus 14 anos e meio de idade, ser exatamente da altura dela), havia, certamente, deixado seu corpinho de adolescente para trás. Era, nitidamente, uma mulher feita – e de sucesso, aparentemente. Como eu não havia ligado, antes, seu apelido à organizadora das festas de meus sobrinhos?
E será que ela não estava me reconhecendo? Seu quase-ex-cunhado? Bem, se Alice quem tinha feito a ponte entre nós, provavelmente devia ter dito quem eu era – e tinha certeza de que Vanessa também assinou com o meu nome a mensagem que pedi para enviá-la. Será, então, que ela tinha me esquecido completamente?
─ Oi, eu sou a Vanessa ─ minha filha disse, erguendo a mão para Isabella, que sorriu de maneira doce e a apertou com a dela.
─ Olá, Vanessa, é um prazer ─ disse Isabella. Seu tom de voz ainda era o mesmo de sempre, suave e educado. Ela franziu um pouco o cenho enquanto encarava Nessie e antes que pudesse me questionar o motivo, seus olhos castanhos se arregalaram e, quando se voltaram para mim, tive a certeza de que haviam me reconhecido ─ Edward... Como não... ─ Ela deu uma risadinha e não foi difícil adivinhar seus pensamentos: também se perguntava como não tinha me relacionado ao nome de Alice.
─ Oi, Bella ─ falei, acenando para ela.
─ Vocês dois se conhecem? ─ Nessie guinchou, olhando surpresa de Bella para mim e de volta para a moça formosa de olhos castanhos.
─ Você nem era tão pequena assim quando a viu pela última vez ─ disse à Vanessa, gesticulando na direção de Bella, que concordou com a cabeça.
Nessie continuou confusa e me encarou como se me pedisse um empurrãozinho para lembrá-la do passado.
─ Estudei com seu tio Emmett ─ foi Bella quem explicou ─ Vi você nascendo e crescendo por algum tempo. Eu costumava brincar com você para o seu pai estudar durante as tardes. Cheguei até a ficar de babá enquanto o seu pai fazia algumas provas da faculdade dele.
─ Hum... Estou tentando me lembrar, mas não consigo ─ disse Vanessa, inclinando um pouco a cabeça para o lado.
─ É porque quando nos mudamos para Port Angeles, depois que comecei a trabalhar na escola de lá, nós já não víamos a Bella com tanta frequência ─ expliquei.
Bella concordou com a cabeça e suspirou antes de ela mesma continuar:
─ Quando vocês retornaram para Forks, foi a minha vez de me formar no colegial, e não faz tanto tempo que voltei para cá.
─ Você era namorada do meu tio? ─ Nessie soltou, como se aquele tivesse sido o único detalhe que havia lhe chamado a atenção.
Quase sorri quando as bochechas de Bella assumiram o costumeiro tom avermelhado de quando ela sentia vergonha. Ela sempre tinha sido bastante tímida, então não era difícil vê-la corando pelos cantos e, aparentemente, aquilo não havia mudado. Além do mais, estava muito curioso para saber sua resposta; ambos, ela e Emmett, sempre negaram qualquer tipo de envolvimento amoroso, mas os dois passavam tempo demais juntos – principalmente no quarto dele – em seus tempos de adolescência.
─ Hum, não. Sempre fomos só amigos ─ respondeu Bella de uma maneira não muito convincente ─ Mas fiquem à vontade, por favor. ─ Gesticulou para duas cadeiras pretas acolchoadas, de frente à sua mesa de madeira elegante ─ Quero saber o que posso fazer por vocês.
A maneira rápida como ela desviou o assunto indicava fortemente o quanto ele a deixava desconfortável. Talvez, ele não lhe trouxesse memórias boas; talvez, Emmett, como a maioria dos garotos, tivesse sido um babaca com ela, mas Bella não parecia magoada, nem chateada. Talvez, então, seu tempo longe de Forks tivesse lhe feito bem nesse sentido.
Nessie também pareceu intrigada com a forma como Bella tinha mudado de assunto, mas graças a Deus elas não tinham intimidade o suficiente para que minha filha a pentelhasse até saber de todos os detalhes. À minha imagem, Vanessa sabia ser bastante insistente – para não dizer irritante – quando queria, mas pelo menos tinha o senso de sê-lo apenas com pessoas próximas.
Que era o que Bella teria sido, se não tivéssemos nos mudado por três anos e, logo depois, ela, quando terminou o colegial. Lembrava-me com facilidade de toda a ajuda que havia me dado quando eu, com uma bebê de dois anos ansiosa em explorar o mundo, tive que estudar para as provas finais do Ensino Médio e, um ano depois, para as do primeiro ano da faculdade. Ainda que apenas uma adolescente, Bella estivera lá, impedindo que Nessie chorasse, distraindo-a com tanto carinho que se assemelhava ao papel que deveria ter sido o de Tânia.
Bella era apenas uma criança quando Vanessa veio ao mundo e a tratava como uma verdadeira boneca, mimando-a e dando-a a atenção que minha filha precisasse, ainda que, aos quase 15 anos, Nessie já não conseguisse mais se lembrar daqueles momentos. Bella se sentou à mesa em sua cadeira também preta, combinando com as outras e, novamente, gesticulou para que Vanessa e eu nos acomodássemos. Assim que o fizemos, ela nos sorriu e perguntou como poderia nos ajudar.
─ Hum... ─ minha filha hesitou, como se em dúvidas de como iniciar aquela conversa. Apesar de extrovertida, sabia que tinha um pouco de dificuldades em se aproximar de pessoas novas; isso contando que Bella não era exatamente uma total desconhecida ─ Vou fazer 15 anos e meu pai e eu concordamos com uma festa, tipo uma Quinceanera meio americanizada, sabe?
Bella assentiu, embora parecesse um pouco surpresa. Na nossa cultura, era mais comum que as meninas comemorassem seus 16 anos com uma festa toda pomposa, mas o que eu poderia fazer se Vanessa amava a cultura latina com todas as suas forças?
Por influência de seus tios por parte materna – a única parte materna da família que se importava o suficiente com ela –, Eleazar e Carmen, Nessie tinha o hábito de ler histórias vindas da América Latina, assistia programas, filmes e novelas, e até se arriscava num portunhol de vez em quando.
─ Ah, sim. Não sou especialista nessas festas, mas podemos combinar a cultura latina com os seus gostos ─ disse Bella, mexendo em algo no notebook sobre a mesa.
Aproveitei para observá-la um pouco mais, ela ainda parecia bem mais jovem do que eu, embora tivéssemos apenas 6 anos de idade de diferença. Seus cabelos continuavam no mesmo tom castanho de que me recordava, mas tinham algumas mechas mais claras que contrastavam perfeitamente com os seus olhos amendoados, como se os deixassem mais iluminados; eles caíam em um corte meio repicado até a altura de seus... Caham, seios. Não, não seria apropriado tentar espiá-los, ainda que seu decote em “v” chamasse minha atenção para aquela área. Vi sua pele se tornando rosada e quase me bati quando, ao voltar meu olhar para o seu rosto, Bella me encarava constrangida.
Eu havia sido pego no flagra como um adolescente fodido!
Suas bochechas estavam menores do que na última vez que eu a tinha visto, ela perdera totalmente aquela carinha de bolacha infantil, mas continuavam adoravelmente proeminentes – e rosadas.
─ Hum... Antes de saber sobre suas preferências, Vanessa, vou precisar de alguns dados, tudo bem?
Vanessa assentiu e disse algo que me surpreendeu pra caralho:
─ Tudo bem, Bella, mas pode me chamar de Nessie, se você quiser.
Ela detestava aquele apelido. Muito mesmo. E quando a encarei com um olhar inquisitivo, apenas deu de ombros, como se aquilo não fizesse a menor diferença.
─ Okay, Nessie ─ Bella concordou, sorridente. Ela imprimiu algo em sua impressora e se voltou para nós com uma folha de papel e caneta ─ É um modelo de contrato. ─ Ela nos mostrou a folha com espaços para serem preenchidos ─ Evento. Nós podemos chamar de Quinceanera, então?
Minha filha concordou sem ao menos me consultar. Pelo menos ainda não estávamos falando de dinheiro. Não que eu fosse mesquinho, mas todos sabiam que o salário de professor do Primário não era lá essas coisas.
─ Tudo bem, então ─ Bella escreveu com o seu garranchinho: “Quinceanera Vanessa” no topo da folha (ela continuava não tendo a letra mais linda da face da Terra, não que aquilo fosse um problema) e se voltou para mim ─ E como você é menor de idade, é seu pai quem vai pagar, eu assumo.
Ah, era ali que começávamos a falar de preços? Concordei com a cabeça e ela acrescentou “/Edward Cullen”, já que o item “Evento” era acompanhado por “Contratante”.
─ Vocês já têm um local para a festa? Algum salão, ou talvez um sítio? Posso ajudá-los a procurar, se necessário.
─ A casa da vó e do vô ─ disse Vanessa, antes que eu pudesse aceitar a ajuda de Bella. Aquela adolescente estava doida, se achava que meus pais iriam concordar em receber um bando de aborrecentes na casa deles para uma festa. Nessie gargalhou de minhas feições e deu de ombros ─ Eles fazem tudo o que eu peço. Pode colocar aí Bella: “Mansão dos avós Cullen”.
Bella riu e nem mesmo hesitou – nem sequer olhou para mim – antes de obedecer à minha filha. Aparentemente não eram só os meus pais quem faziam tudo o que ela pedia!
─ Os dois são mesmo um barato. Sinto saudades deles, já faz um tempo que não os vejo ─ Bella murmurou, parecendo realmente saudosa; perguntava-me se ela estava relembrando de Emmett e do que quer que os dois fizessem quando estavam à sós naquela mansão.
─ Organizadores não vão conhecer os locais de festa, antes da data? ─ Nessie perguntou de repente, tirando-me de meus pensamentos ─ Você pode encontrar meus avós logo, logo! ─ completou, animada. Eu estava feliz que ela parecesse gostar tanto de Bella. Talvez o seu inconsciente se recordasse de todos os momentos que já tinham passado juntas!
─ Bem, eu conheço aquela casa tão bem que talvez não seja exatamente necessário ─ Bella demorou um pouco para formular aquela resposta e balançou a cabeça, como se para espantar seus pensamentos ─ Mas não me oponho a encontrar os seus avós, não. Eles são ótimos.
O que será que tinha acontecido entre ela e Emmett? Seria ele o motivo para Bella evitar ir à casa de meus pais? Teria ele sido o motivo de ela ter ido fazer seus cursos fora da cidade? Há quanto tempo ela tinha voltado? Se Bella tinha sido contratada para duas das cinco festas de aniversário de meus sobrinhos, então ela provavelmente tinha retornado para Forks dois anos antes! Por que eu não a tinha visto durante todo esse tempo? Eram tantas perguntas que não cabiam de serem feitas naquele momento, que me senti um pouco frustrado!
─ Ah, eu duvido que se lembre de tudo, Bella ─ Nessie a contrariou ─ Fora que eles andaram fazendo umas reformas, acho que você deveria ir até lá.
─ É... Talvez você tenha razão ─ Era realmente impossível não fazer o que Vanessa queria e eu me dava conta daquilo cada vez mais. Minha filha era muito persuasiva ─ A data da festa vai ser no dia do seu aniversário mesmo?
Nessie assentiu e não teria porquê discordar. Seu aniversário era no meio das férias, não haveria motivos para não fazer a festa na mesma data de seu nascimento. Ela pareceu surpresa quando Bella começou a escrever “20 de junho” na folha:
─ Como você sabe... Ah, deixa pra lá. É bem estranho que você já me conheça, mas eu não me lembre nem um pouco de você.
Bella riu, como se entendesse o ponto de vista de minha filha. E então, pela próxima meia hora, ou mais, nós tentamos entrar em acordo sobre o horário da festa e o número de convidados. Bella usou a lista anteriormente feita por Nessie para marcar os maiores de 18 anos com um “+” e, aqueles que Vanessa ainda tinha dúvidas se convidaria, com um “?” ao lado do nome. Ela não questionou o nome de Tânia estar riscado no topo da lista, mas pareceu bastante pensativa logo que o viu.
─ Você tem algum tema, ou padrão de cores em mente para a decoração? ─ Bella se voltou para Vanessa.
─ Não, ainda não pensei nisso ─ Nessie respondeu.
─ Tudo bem, ainda temos tempo para isso, mas quero que pense nas coisas que goste antes de mostrar meus portifólios, ou que saia pesquisando por inspirações. Não quero que se influencie pela moda; essa festa tem que ser especial para você.
─ Uau, parece até o meu pai falando ─ Vanessa falou em tom debochado. Revirei os olhos e as duas riram ─ Mas entendi o que quis dizer.
─ Verde ainda é a sua cor preferida? ─ Bella lhe perguntou e ri quando o esforço em não parecer surpresa se estampou na cara de minha filha.
Se bem que eu também estava um pouco surpreso de que Bella se lembrasse de tantos detalhes da vida de Nessie. Talvez, ser tão boa com eles fosse um bônus para a sua profissão.
─ Sim ─ Vanessa respondeu, se encolhendo um pouco na cadeira.
─ Se for uma opção de cor na sua paleta, nós podemos ver alguns tons que você goste depois. Tenho duas opções a respeito: posso te deixar com alguns mostruários, ou podemos ir à caça, algum dia que você estiver disponível para ir até Seattle comigo. Há lojas muito boas de decoração por lá e podemos fazer algo mais personalizado.
─ Eu gosto da segunda opção ─ Nessie disse apressadamente, mas então olhou para mim ─ Se tudo bem, por você.
─ Quanto a mais isso irá me custar? ─ choraminguei de brincadeira. Nessie nunca me pedia nada, então o que me custaria fazer suas vontades uma vez na vida? Umas boas centenas, talvez milhares de dólares, mas era o meu trabalho como pai, não era?
─ Só o combustível ─ Bella respondeu. Não parecia uma resposta que ela daria para seus clientes, pelo menos eu não acharia justo se fosse, afinal, era o trabalho dela.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, porém, ela já foi se adiantando para os outros tópicos: comes e bebes.
─ Vou deixar com vocês os cardápios mais comuns das festas que faço, mas vocês podem escolher outras opções e escreverem aqui na folha. ─ Ela se afastou um pouco da mesa, ainda em sua cadeira, e pegou algo numa de suas gavetas. Instantes depois, colocou um amontoado de papéis ao lado da folha que usávamos ─ Não se preocupem, não preciso de uma resposta agora. O único trabalho de vocês é ficarem satisfeitos, o resto, eu me viro para garantir isso.
Ela era inacreditável. Continuava doce, preocupada e carinhosa como sempre.
─ Bebidas com álcool? ─ perguntou.
─ Nana-nina-não ─ respondi rapidamente, ignorando os protestos de Vanessa ─ Viu quantos aborrecentes você chamou? Imagina a responsabilidade que já não vai ser ficar de olho em todos, acha mesmo que vou arriscar um menor de idade se embebedando?!
─ Por...caria, pai! ─ ela mudou o rumo de seu xingamento quando ergui uma sobrancelha; Nessie sabia que a avó não ficaria nem um pouco contente se descobrisse que ela também andava falando palavrões ─ E os meus tios?
─ Eles não vão morrer se não tiver uma bebidinha na sua festa ─ falei de maneira firme, gesticulando para Bella marcar um “x” na opção “não” para bebidas alcóolicas.
─ Entendo a preocupação de seu pai, mas não se preocupe, Nessie, isso não vai tornar sua festa menos divertida. Até porque vocês realmente não poderiam beber. ─ Fiquei feliz e aliviado por ter o apoio de Bella naquela questão.
─ Vocês nem parecem que já foram adolescentes ─ minha filha resmungou e cruzou os braços.
─ É por isso mesmo que queremos te proteger, ou preciso te contar de novo a história de como foi concebida? ─ perguntei-a.
Nessie revirou os olhos e fez uma careta. Não que eu a tivesse assustado com detalhes, mas ela sabia muito bem como eu e sua mãe havíamos sido irresponsáveis durante o nosso relacionamento. Claro, graças àquela imprudência adolescente, eu tinha em meus braços o melhor presente que já tinha ganhado na vida, mas se eu pudesse ter esperado mais alguns anos para tê-lo, com certeza, o faria.
─ Então, é só isso? ─ minha filha perguntou à Bella, que parecia meio desconfortável. Teria sido o assunto “jovens & bebidas” que a deixara assim? Por Deus, eu precisava falar urgentemente com Emmett a respeito dela!
─ Na verdade só mais uma coisa, vocês ainda podem mudar de ideia a respeito, mas o quanto antes me responderem, melhor para mim, para eu me organizar. Vocês pensam que precisariam de mim durante todo o evento, ou apenas até a hora que ele começar? É que tem pessoas que não gostam de uma assessoria desse tipo, acham muita intromissão, então eu já prefiro perguntar para evitar desconfortos.
─ Essa assessoria durante o evento funciona como? ─ perguntei.
─ Eu ficaria lá, coordenando tudo. Desde o serviço dos alimentos, até garantir que todos estejam entretidos, por exemplo.
─ Tá parecendo mais como uma animadora de festas ─ Nessie brincou e nós três rimos.
─ Vocês não fazem ideia do que preciso fazer, às vezes, em aniversários infantis ─ Bella murmurou ─ Mas enfim, vocês podem pensar e depois...
─ Não tem o que pensar, é claro que queremos sua assessoria na festa ─ a interrompi e ela me encarou surpresa, talvez por minha rapidez em fazer tal afirmação. Peguei a caneta delicadamente de seus dedos pequeninos e marquei um “x” na opção positiva ─ Quanto mais adultos responsáveis no meio daqueles adolescentes, melhor, não é? ─ completei.
Nossos olhares se cruzaram – e se fixaram – por alguns instantes e, fiquei intrigado quando as bochechas de Bella coraram. Ela pigarreou, desviou o olhar para a sua mesa e disfarçou aquela tensão estranha que crescia entre nós com uma risada, como se concordasse com o que eu tinha falado.
O celular de Nessie vibrou e ela se desculpou antes de olhar a tela. Sorrindo de maneira estranha, ela o escondeu de mim, antes que pudesse me inclinar e ver o motivo de sua animação. Ela se voltou para Bella e perguntou se já tínhamos acabado, pois precisava ir para casa terminar uma tarefa de Matemática. Vanessa estava animada com dever de Matemática? O que ela estava aprontando?
─ Sim... Por enquanto ─ Bella afirmou ─ Vocês podem levar essa folha e o meu cartão com todos os meus contatos. Não precisam ter definido tudo para marcarmos um novo encontro; podem me mandar mensagens se tiverem alguma dúvida. Até então isso é apenas um esboço. Conforme vocês forem se decidindo, vou passando suas escolhas para o computador até o contrato final ser feito.
─ Tudo bem ─ concordei ─ Então... Vamos falar de preços?
Bella me sorriu e balançou a cabeça negativamente.
─ Só depois de terem decidido o restante das coisas. A não ser que mudem o local para um buffet, por exemplo, aí eu precisaria começar a pesquisar um preço que se encaixasse no orçamento de vocês, que eu me esqueci totalmente de perguntar.
Nem eu tinha pensado naquilo.
─ Hum, não temos um orçamento definido ainda. Meu salário de professor chora um pouco, mas o meu coração de pai me diz “fodam-se as suas economias!”.
Bella riu e Nessie fez um som indignado com a boca, certamente por causa de meu palavrão:
─ Na frente de uma dama, papai? Tsc tsc!
─ Bella está acostumada com minha boca suja, ela não se importa, não é? ─ brinquei, dando uma piscadinha na direção da morena e não esperava vê-la corando, mas, logo, suas bochechas estavam quase pegando fogo.
─ Bem, acho que sua mãe não gostaria de saber disso. Ela sempre pode lavar sua boca com sabão de novo. ─ Bella arqueou uma sobrancelha para mim e engoli em seco da expressão despretensiosamente sedutora que surgiu em seu rosto, ainda que seu rosto e colo permanecessem avermelhados.
Nessie gargalhou ao meu lado e soltou um: “Não acredito que ela também sabe dessa história”, e Bella me lembrou de um fato que eu não me recordava:
─ Eu estava lá quando ela ensaboou a boca dele! Para quem você acha que ele proferiu o tal palavrão?
─ Eu xinguei você? ─ perguntei, perplexo, repreendendo a mim mesmo pela minha absurda falta de educação.
─ Me xingou não, você apenas estava virado pela madrugada anterior, pois sua mocinha não tinha te deixado dormir. Acho que nunca ouvi você dizendo tantos palavrões em tão pouco tempo, a sua mãe ficou tão brava!
─ Disso aí eu me lembro ─ comentei ─ Na verdade eu só me lembro do gosto horrível de sabonete na boca e das gargalhadas da Nessie.
─ Ei! Eu deixei a Bella me chamar assim, não você! ─ Vanessa resmungou e franzi o cenho.
Por que só a Bella?
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