14 Desafio Sherlolly
1 Surpresas
Notas iniciais
Para a tradução da música: http://letras.mus.br/divinyls/11242/traducao.html
;)
- Sherlock, presta atenção porque eu só vou falar mais uma vez. NÃO QUERO SABER.
- Mas é claro que você quer saber. Não finja que não, Molly! Molly!
Ela começa a andar de volta para o quarto, deixando-me sozinho na sala do apartamento. Eu tenho culpa se esqueci da porcaria do dia dos namorados e não comprei um presente? Tudo bem, tudo bem. Talvez eu tenha.
Quando cheguei ao apartamento de Molly, ela estava toda arrumada me esperando. E a mesa estava posta com um jantar elegante e só então eu me lembrei de que dia era. Estúpido, totalmente estúpido. Por que ninguém me avisou que dia era hoje?
- Você precisa parar de esperar que as pessoas resolvam seus problemas sentimentais, Sherlock!
A voz dela vem lá do quarto, como ela pode saber o que estou pensando? Droga!
- Molly, escute... – Eu tentei abrir a porta do quarto, mas estava trancada. – Abra a porta, Molly.
- NÃO!
- Escute... Eu posso comprar um presente para você amanhã. E eu não tenho culpa se você está na TPM.
O resultado é imediato e a porta é aberta como se um furacão tivesse passado e arrancado.
- EU NÃO ESTOU NA TPM! E NÃO FALE DA ÚNICA COISA DA QUAL VOCÊ NÃO ENTENDE PORRA NENHUMA! E não é pelo presente, Sherlock. É porque você insiste em não dar a mínima bola para o nosso relacionamento.
É claro que eu dou atenção para o nosso namoro, pelo amor de Deus! Pergunto-me se estou namorando uma mulher ou um leão, pouco tempo antes de perceber que ela trocou de roupa e está usando uma saia minúscula que mais parece de uma criança.
- Por que... Por que você trocou de roupa?
- Porque EU vou sair.
- Você não vai sair assim sozinha no dia dos namorados.
Ela me olha com a expressão mais indignada que já vi e desconfio que corro riscos de apanhar.
- Ah agora você se importa com a data? Que coisa, não? Porque eu não me importo mais!
- Vamos juntos, então.
Não sei... Mas pelo jeito com o qual ela me olha, eu acho que disse algo muito errado e muito perigoso para mim. O rosto dela se ilumina como luzes de natal e sei que ela teve alguma ideia que vai fazer com que eu me arrependa por não ter comprado a cidade toda para ela.
- Ok. Vamos juntos.
Sim, estou ferrado e sei disso.
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Nós chegamos à pequena boate que parecia ter mais gente do que realmente cabia ali dentro. Na porta, um aviso sobre solteiros que não tinham com quem passar o dia dos namorados e não queria passar sozinhos. Definitivamente nós, mas ao contrário.
- Não devíamos estar em casa tentando aproveitar a noite e fazendo coisas mais interessantes? – Tenho que praticamente gritar para que ela me ouça e fico com a impressão que o lugar inteiro ouviu.
- Não, acho que não. – Ela diz enquanto ri de mim e pega a primeira bebida de muitas que viriam.
- Por que tem um palco aqui?
Molly não me responde, apenas me encara como se eu tivesse acabado de dizer algo muito engraçado e ela não quisesse rir da minha cara. Demora menos de um minuto para que eu descubra para o que ele serve. Ouço a voz desafinada e fora de ritmo, e vejo que um rapaz está cantando alguma música com uma letra extremamente melosa. Viemos parar no inferno?
- Molly, o que raios nos viemos fazer aqui?
- Eu vim esquecer que tenho um namorado que mal sabe o meu nome e você?
Dizendo isso ela simplesmente me dá as costas e sai andando em meio às pessoas, dançando no ritmo mal cantado da música. Minha noite vai de mal a pior. Corro atrás dela, porque até mesmo para mim é fácil imaginar que em uma boate onde teoricamente só estão pessoas solteiras e com Molly vestida daquele jeito, não vai demorar para que alguém se aproxime dela.
- Parece que arrumei um segurança. – Ela diz quando me vê parado atrás dela, com uma mão apoiada em sua cintura.
- Sim, e ele diz que é hora de você parar de beber.
Observo ela entornar o que resta do líquido que está no copo.
- Não ligo para o que ele diz.
Ando atrás de Molly por todo lado que ela vai, sempre com uma mão protetoramente sobre ela. E pelo menos disso ela não reclama.
- Grande noite, pessoal. Grandes cantores! – Balanço a cabeça negativamente quando um apresentador qualquer começa a falar no palco. Grandes cantores. Pff. – Aposto que alguém aqui já sofreu uma desilusão e espera a chance de se vingar. Quem quer vir aqui no palco para cantar uma música para essa pessoa?
Não, não, não! Eu tento segurar o braço de Molly antes que ela o levante, mas ela é mais rápida do que eu.
- Você, linda. Venha até aqui.
- Não faça isso, Molly. – Eu sussurro, ou melhor, eu grito no ouvido dela. Mas ela retira minha mão da sua cintura e caminha até o palco. Gritos e assovios são dados por onde ela passa e eu quero matar a todos.
Ela sobe no palco com ajuda do apresentador e o ódio corre por minhas veias.
- Qual seu nome, amor?
Eu vou cometer um crime aqui essa noite se ele chamá-la de mais alguma coisa.
- Molly.
- Precisando abrir o coração sobre alguém, Molly?
- Oh sim. Acho que certa pessoa merece uma lição.
- E você acha que mesmo cantando aqui, a pessoa conseguirá sentir essa lição?
- Ah... Ele sentirá.
- E qual música você quer cantar?
Ela abaixa o microfone e diz no ouvido do apresentador o nome da música.
- Owww... Diferente! Talvez ele gostaria de estar aqui para ouvir isso.
Molly pisca para ele enquanto é deixada sozinha no palco e a música começa a ser tocada. Eu não a conheço e não sei se isso é bom ou ruim. Descubro assim que ela começa a cantar.
- I love myself, I want you to love me. When I'm feeling down, I want you above me.
Puta que o pariu. De onde saiu essa música? Molly está cantando mesmo isso? Sim, está. E com os olhos fixo em mim. Quando eu acho que não, a música ainda piora.
- I don't want anybody else. When I think about you I touch myself.
Fico ali, estático. Ouvindo-a cantar essa música que é uma declaração de amor não convencional e que teria me derrubado – ou levantado – se ela tivesse cantado em particular. Sei disso porque já está acontecendo aqui, no meio de todas essas pessoas.
- I search myself, I want you to find me. I forget myself, I want you to remind me.
Meu rosto estava pegando fogo. Isso nunca acontecia. Por Deus! Não posso mais aguentar isso. Ando por entre as pessoas e subo no palco, ouvindo gritos de protestos. Retiro meu casaco, colocando-o sobre os ombros dela para cobrir a roupa minúscula que ela usa e a pego no colo.
- Solte-me, Sherlock! Eu não acabei a música!
Não respondo. Tudo que quero é sair dali o mais rápido possível. Só quando estamos na rua é que a coloco no chão, segurando-a firmemente pelo braço para que não fuja de mim. Molly parece achar tudo engraçado, porque está rindo como uma criança.
- Feliz dia dos namorados, Sherlock. – Ela diz e me beija.
Suspiro e jogo as mãos para cima. Essa bipolaridade só pode ser TPM.
- Yeah! Eu ganhei de você!
Ela ri ainda mais e desconfio que estou com uma cara enorme de retardado. Não estou entendendo nada, e não me orgulho disso.
- Eu explico, eu explico. Preste atenção, grande detetive. Sabia que você se esqueceria da data, por isso armei tudo. A briga, a saída para a boate, as bebidas que não tinham álcool... E eu combinei tudo com o apresentador ontem. Você nem desconfiou! E-U-G-A-N-H-E-i!
Olho para ela e não sei se fico maravilhado ou se me jogo de alguma ponte. Como eu pude ser enganado assim? Estou namorando uma médica ou uma atriz, afinal? O amor é um bichinho curioso.
- Pelo amor de Deus, Sherlock. Você acha que eu faria aquele escândalo todo por causa de um presente? Com quem você acha que está namorando?
Puxo-a para mim e a beijo apaixonadamente.
- Agora não sei mais, mas espero que seja com aquela mulher que cantava sensualmente em cima do palco enquanto me encarava.
- I don't want anybody else. When I think about you I touch myself.
Ela faz de novo e eu começo a sentir minha calça ficando justas em lugares que não deveria estar.
- Não entendi muito bem o que a letra quer dizer. Que tal se nós fossemos para casa e você fizesse uma interpretação completa dela para mim? – Sussurro em seu ouvido, sentindo as mãos dela agarrarem-se firmemente em meu pescoço antes de me beijar. Sim, teríamos uma encenação completa e eu mal podia esperar.
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