14 Anos...
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Meu nome é Lisa Fernandes, atualmente eu tenho 28 anos. Estou no auge de minha "beleza" e de minha carreira como marketing e publicitária de uma empresa.
É apenas 07hrs das manhã de um sábado. Eu estou totalmente atoa, já que estou em férias. Eu não sou casada, não estou namorando, não estou noiva, não estou em um rolo ou em nada. Estou só. Eu e minha querida vida.
Levantei, tomei meu banho após minhas necessidades e me arrumei. Iria para algum café trabalhar. "MAS LISA, VOCÊ ESTÁ DE FÉRIAS." Eu não tenho para fazer, então eu trabalho até nas férias!
Cheguei ao meu café preferido. Eu sempre pedia um capuccino e me sentava no lado de dentro na janela. Enquanto o notebook ligava, eu olhava em volta. Vários escritores iam à esse café, o dono fazia uma promoção. Você chegava, mostrava sua identidade e ele procurava na internet se você era realmente um autor. Se fosse, a cada hora você ganhava um copo de café ou chocolate.
Durante esses meus anos aqui, o dono do café acabou de me conhecendo. Como eu sempre fui bem tratada aqui, eu ajudei com às propagandas e dei dicas para chamar a atenção de clientes, principalmente escritores, e com isso eu ganho um café a cada hora como recompensa. Mas eu não gosto daqui só por causa disso. É um lugar extremamente agradável e bem frequentado, e com música clássica tocando de fundo. É realmente o meu café favorito.
Eu estava trabalhando em uma nova proposta de propaganda. Depois de uma hora, Juliana, filha do dono do café a qual eu apelidei carinhosamente de Juli, me trouxe um café novo. Olhei para ela e sorri.
— Oi Juli.
— Oi Lisa. Trabalhando ainda?
— Sim. — Fitei a tela do notebook. — Preciso de uma nova proposta. — Ela sorriu.
— Vai conseguir. — A olhei sorrindo.
— O que me diz? — Virei a tela para ela.
— Tenta azul bebê ou alguns tons acima. — Olhei para a tela e sorri.
— Obrigada. Tive uma idéia. — Ela riu.
— É sempre bom te ajudar. — Ela diz e se vai.
Fiz os ajustes e fiquei com dois tons acima do azul bebê. Me espreguicei e beberiquei meu café. Cruzei os braços e meus olhos se direcionaram para a entrada do café. Um homem havia entrado.
— Engraçado... — Pensei. — Ele me lembra o Daniel. — Sorri com o pensamento e direcionei o olhar para o notebook.
Eu havia ficado incomodada com esse pensando. Daniel? Daniel Silva aqui? Era impossível. Totalmente improvável. Decididamente isso é bem difícil de acontecer. As chances são nulas. Contra minha vontade, voltei meu olhar ao homem. E ele tinha a mesma marquinha ao lado da boca. No mesmo lugar. Ele de repente, me olhou e ficou tão surpreso quanto eu.
— Eu conheço você! — Ele afirmou. Gelei e arregalei meus olhos. Era realmente Daniel Silva.
Salvei meu arquivo e fechei o notebook, coloquei ele dentro das pastas e logo dentro das bolsa. Juli me olhou e eu segui até o caixa.
— Deu U$ 6,70. — Ela disse. — Com os descontos...
— Sem problema Juli. — A interrompi meio nervosa. Daniel estava vindo em minha direção. — Puxei de dólares e dei para ela. — Gorjeta. Tchau.
Corri em direção à porta o mais rápido e disfarçadamente que eu consegui. Depois foi só correr até o meu carro, que era um modelo popular e ir para casa. Chegando lá, eu enviaria uma mensagem à Juli me desculpado por meus terríveis modos.
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Não havia entendido a reação daquela garota. Ela me era tão familiar. Depois que saiu correndo pela porta meio desajeitada, ela aumentou a velocidade e desapareceu na rua. Voltei para o meu lugar, tentando me lembrar daquela garota tão estranhamente familiar. A menina do caixa logo veio me atender. Ela parecia confusa.
— O que deseja?
— Um café e um pedaço da cheese cake. — Disse olhando para minhas mãos.
— OK. Um minuto, senhor. — Ela saiu e aí pude pegar meu celular. Abri a galeria e achei muitas fotos antigas. Fotos que nunca tive coragem de apagar. Fotos de meu antigo amor. De meu verdadeiro amor.
— Aqui está, senhor. — A garota me entregou o café e o cheese cake.
— Será que você poderia me dizer quem era aquela garota que saiu correndo pela porta? — Ela me olhou desconfiada.
— O que quer com Lisa?
— Lisa? — Meus olhos brilharam. — Por acaso é Lisa Fernandes? Ela estudou em Washington?
— Sim. — Ela me olhou curiosa. — Quem é o senhor?
— Um cara que está procurando ela há onze anos.
— Mas para quê? — Ela se sentou em minha frente.
— Fomos namorados no fundamental até o primeiro ano do Ensino Médio. — Sorri. — Mas as coisas deram errado por... Questões do destino. — Eu olhei para ela. — Quero concertar isso. Eu ainda amo Lisa Fernandes com todas as minhas forças e vou fazer de tudo para poder ter pelo menos seu perdão, senão seu amor. — Ela sorriu.
— Nunca vi a Lisa com um namorado. Ela é tão linda e encantadora. Um monte de caras do serviço dela já vieram parar aqui para observar a Lisa e chamar pra sair. — Sinto algo em meu peito. Ciúmes. — Ela trabalha demais e nunca sai para se divertir. — A castanha me olha. — Vou ajudar você.
— Sério? — Fico realmente contente.
— Sim. Faço psicologia e sei quando alguém vale a pena ou não. E você, meu caro, vale a pena. — A garota puxa um bloquinho e caneta do bolso e anota algo. Arranca a folha e me entrega. — Esse é o endereço dela. Boa sorte. — Ela diz se levantando e indo atender outra pessoa. Fito a folhinha entre meus dedos e sorrio. Estou indo Lisa, penso comigo mesmo.
—---- * -----
Cheguei em casa e corri para o chuveiro frio. Eu estava chorando muito. Daniel Silva estava aqui. Eu havia o encontrado depois de onze anos me escondendo e tentando esquecê-lo. Deu tudo errado. Tudo. Eu estava assustada. Eu corria risco. Risco de me arruinar por causa de um homem.
Todas as lembranças eram tão duras. Tão frias. Tão dolorosas. Tão... Lindas. Eu sempre amei Daniel Silva, desde o sétimo ano do fundão.
~~~~~ * ~~~~~
Estávamos juntos à três anos. Eu era uma garota feliz. Iludidamente feliz ao lado de Daniel Silva. Ele era um cara normal, quer dizer, nem tanto. Ele era tão inteligente, interessante, divertido e engraçado. Meu cara dos sonhos. Só tinha muitos problemas com o pessoal da sala.
No primeiro ano do Ensino Médio, uma garota apareceu. Kelly Araújo. Linda, sabe? Tão linda quanto vadia. Nós não nos demos muito bem desde o início. Parecia que o objetivo dela era me arruinar e, seu objeto de desejo era meu namorado.
Ele havia me dando um colar antes de ter me deixado. Era um coração dividido da metade. Ambos os lados se encaixavam um no outro. Eu havia ficado com o lado prata e ele com o lado dourado. Ambos os lados estavam escrito "I Love You". Representava nosso amor, além de me deixar mais feliz e fazer com que eu me sentisse segura.
Dois meses depois, Kelly havia se tornado amiguinha dele. Vivia grudada nele, e ele caia na dela. Loira –falsificada, mas loira–, corpo esbelto, voz de princesinha mimada e roupas chamativas. Fazia todos os garotos babarem e comerem em suas mãos.
Eu havia tentando conversar com ele sobre tudo isso é, sobre as vezes que ela me abordava e me humilhava, mas ele estava cego. Quando eu menos esperava, ele apareceu em minha casa e terminou TUDO comigo. Eu tentei argumentar, aceitei que havia ofendido a amiguinha dele, disse que nunca mais faria isso, apesar de NUNCA ter feito. Mas não adiantou nada... Eu havia perdido meu namorado. Meu noivo. O amor de minha vida. Assim que ele foi embora, eu tirei meu colar e entrei em casa.
O meu lindo colar foi guardado em uma caixinha bonita, para nunca tirarem ele de mim. Eu havia ficado tão fria e mal, que acabei me afastando das pessoas não tão íntimas. Até que, quando eu estava lendo, Daniel veio até mim e se sentou ao meu lado.
— Oi Lisa. — Meu coração acelerou, mas ele ainda ardia e doía muito.
— Olá. — Continuei com meus olhos em meu livro. Eu queria chorar!
— Você por acaso ainda tem aquele outra metade do colar que te dei? — Meu coração acelerou. Iríamos voltar? Fiquei tão feliz. Iria responder, até que ele me interrompeu. — Eu quero ele de volta para dar para alguém. — Gelei. Agora sim eu iria chorar.
— Lamento, mas acabei jogando fora no calor do momento. Sabe, depois que terminamos. — Continuei olhando meu livro. Ele suspirou.
— Entendi. — Ele disse apenas isso e saiu. Apenas levantei meus olhos e o vi indo embora, em direção à Kelly.
— V-vadia. — Olhei para o meu livro e me surpreendi. O livro tinha gotas. Gotas transparentes. Minhas lágrimas. Fechei meu livro e limpei minhas lágrimas. Não iria chorar por isso.
Um tempo depois, Kelly resolveu me atacar. Ela, de alguma forma, sabia que eu estava com o colar. Minha bolsinha estava aberta, então ela apenas passou a mão e pegou meu colar.
— É, que curioso o seu "jogar fora". — Ela debochou com o colar em mãos.
— Me devolve isso Kelly. — Eu disse dura. Não iria chorar na frente dela. Kelly olhou para a porta e fez cara de choro.
— COMO PODE DIZER ESSAS COISAS À MIM? EU NUNCA FIZ NADA À VOCÊ! — Ela começou a chorar. "Não me diga que a vaca sabe forjar choro." Pensei. — SEMPRE QUIS QUE FOSSEMOS AMIGAS. MAS VOCÊ SEMPRE DOI MÁ COMIGO QUANDO DANIEL NÃO ESTAVA VENDO.
— O que está acontecendo aqui? — Daniel apareceu. "Agora eu entendi, vadia." Pensei. "Como pode ser tão cínica assim?"
— Nad... — Kelly me interrompeu.
— Amorzinho... — Arregalei meus olhos. Eu chamava ele assim quando estava triste. — Eu entrei na sala e ela me mostrou o cordão dizendo que eu nunca seria como ela. E ela ainda me xingou. Me chamou de coisas horríveis.
— Mentira. — Eu disse furiosa, me virando para ele. — Daniel, você me conhece. Sabe que eu não sou assim.
— Sinceramente Lisa, ultimamente eu não tenho te reconhecido.
— Mas Daniel... — Tentei argumentar.
— CHEGA LISA! SE É O COLAR QUE VOCÊ QUER... — Ele tirou o dele e pegou o meu que estava na mão de Kelly e jogou em mim. — ENTÃO TOMA! — Daniel pegou na mão de Kelly e a puxou para fora. — Vão bora Kelly. — Kelly sorriu pra mim e se agarrou a Daniel.
Não me lembro de ter chorado tanto. No final do ano, eu fiz questão de sair da escola. Kelly só aprontava pra mim, e minha imagem com Daniel só piorava.
~~~~~ * ~~~~~
Sai do chuveiro, me embrulhei em minha coberta e fui para minha sala. Liguei a televisão e comecei a chorar. Estava acabada, como eu faria? Eu o amava ainda depois de tudo o que havia acontecido. Mesmo após ter sido abandonada, feita de trouxa e ter bancado a ciumenta possessiva.
Enquanto via um filme qualquer, fui surpreendida por um barulho. Campainha. Levantei contra minha vontade e abri a porta de mau gosto.
— Daniel?
— Oi Lisa. — Ele sorriu.
— O quê você está fazendo aqui? — Gaguejei.
— Eu... É... — Ele olhou meu Ap. — Posso entrar?
— C-claro. — Dei passagem à ele. Fechei e porta e apontei para o sofá. Ele obedeceu e me olhou.
— Está linda como sempre. — Suspirei. Ele ainda acelerava meu coração. Ainda mexia comigo por inteiro. Sentei ao seu lado.
— O que você quer Daniel? — Ele olhou no fundo dos meus olhos.
— Eu vim conversar com você. — O olhei sem entender.
— Conversar o quê? — Perguntei. Ele suspirou e me olhou.
— Depois que você foi embora da escola, Kelly mostrou quem era de verdade. Ela me disse... — Ele parou e engoliu em seco. — Jogou na minha cara que na verdade, você nunca havia feito nada para ela. Tentou ser sua amiga, mas tudo que ela queria era acabar com sua vida. Depois que descobriu que eu era o seu bem mais precioso, ela só precisou me seduzir... — Daniel continuou a me explicar toda a história. Eu estava emocionada.
— Então... — Comecei depois de Daniel ter terminado de me contar tudo. Ele suspirou.
— Sei que é quase impossível você ainda me aceitar depois de tudo, mas saiba que eu ainda te amo muito. Sempre foi você o amor de minha vida. — Sorri. Eu levantei, fui até o meu quarto e logo voltei com uma caixinha.
— Sei quando está sendo sincero depois de todos esses anos. — Retirei os colares da caixinha. — Eu quero tentar.
— Eu não quero só tentar... — Ele colocou o colar dele e pôs o meu. — Eu quero fazer dar certo... Para sempre. — Corei. Eu ainda o amava. Daniel me puxou para mais perto e me beijou.
Confesso, nessa noite do dia 30 de dezembro, antes dos fogos da virada, me entreguei ao meu amor. Seria um novo e ótimo ano!
Notas finais
FELIZ ANO NOVO!
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