Molly já estava pronta pra dormir. Depois de um dia longo de trabalho e ainda ter que encarar uma faxina necessária – já que sua casa estava bem abandonada nos últimos meses – ela não via a hora de finalmente poder descansar.

Já estava de banho tomado e de pijama colocado quando decidiu que prepararia um chá. Era bom relaxar um pouco antes de se deitar. Ela foi até a cozinha, colocou a água pra esquentar e esperou, quando ouviu a campainha tocar.

“Quem será a essa hora?” – pensava enquanto se dirigia até a porta de entrada.

- Sherlock?! – falou suspresa ao ver o detetive de cabelos negros parado em sua porta – o que houve?

Sherlock apenas entrou na casa de Molly, aparentava desespero. O que preocupou muito a legista.

- Molly, preciso de você! Urgentemente! – ele disse enquanto caminhava pela sala.

- O que houve?

Não que fosse incomum para Molly as irreverências de Sherlock, mas adentar a casa dela depois da meia-noite era algo que nunca havia acontecido antes.

- Moriarty, Molly! Ele tem um plano! Ele quer tirar você de mim!

- O que?

Será que Sherlock havia conseguido pistas sobre o paradeiro de Moriarty? – pensou — Já fazia mais de seis meses desde a aparição do psicopata na tv, mas nada havia acontecido desde então.

- Sherlock, não estou entendendo!

De repente, Sherlock caminhou até Molly e a abraçou.

- Ninguém vai tirar você de mim, Molly! Moriarty tem um plano, junto com Magnussen! Nenhum deles irá tirar você de mim!

Magnussen?! Mas Magnussen havia morrido! O que estava acontecendo ali?! Molly levantou a cabeça para encará-lo. Seus olhos estavam vagos, porém extremamente dilatados e muito abertos, quase esbugalhados.

- Sherlock, você está sonambulo?! – perguntou.

- Temos que ir!– falou o detetive se soltando do abraço e indo até o sofá – Você deve arrumar sua mala, agora!

Sherlock começou a pegar as revistas que estavam na mesa de centro e a jogá-las no chão, como se estivesse colocando roupas em uma mala. Molly olhava a cena estarrecida, sem saber como agir ao que estava acontecendo.

- Você deve levar agasalhos também, pra onde vamos vai fazer muito frio! – falou enquanto jogava as almofadas do sofá em cima das revistas.

- Meu deus, Sherlock...- a legista sussurrou, tentando focar seus pensamentos.

- Isso deve ser útil! Lanternas são sempre bem-vindas! – disse enquanto pegava o abajur e colocava na pilha.

- Sherlock, acalme-se! – falou Molly, agora tentando intervir.

Sherlock parou e olhou em direção à Molly, porém a moça sabia que ele não estava realmente olhando para ela. A legista se aproximou do detetive e segurou levemente seu braço, guiando- o para o baú almofadado próximo à janela.

- Fique calmo, está bem! Nada vai acontecer! – disse com a voz mais suave que conseguiu, enquanto sentava o detetive no baú – Estamos seguros aqui!

- Mas Moriarty e Magnussen...

- Estão bem longe daqui! – falou com doçura enquanto acariciava o rosto do detetive.

- Molly, eles querem tirar você de mim! – Havia tanto desespero na voz de Sherlock, um desespero que Molly nunca tinha ouvido antes. Algumas poucas lágrimas escorriam pelo rosto dele.

- Não, não! – Molly estava quase chorando também. Nunca foi capaz de imaginar que ele se importava tanto com ela. – Ninguém vai me tirar de você!

- Não quero te perder! Não posso te perder! – Sherlock agora chorava copiosamente. Molly nunca o vira, e jamais imaginou que um dia fosse ver, o detetive nesse estado.

Ela o abraçou delicadamente e deu-lhe um beijo na bochecha.

- Não vai perder! – disse enquanto acariciava seus cabelos – Eu estarei sempre aqui com você, Sherlock!

Ela o deitou no baú almofadado, ajeitou a cabeça dele em uma das almofadas, pegou a manta do sofá e o cobriu.

- Agora descanse! – ordenou gentilmente – Prometo que quando você acordar, eu estarei aqui!

- Promete?! – perguntou o detetive, agora fechando os olhos – Promete que ninguém vai te tirar de mim?

- Eu serei sempre sua, Sherlock! Não importa o que aconteça!

Ela o beijou no rosto e acariciou novamente seus cabelos. A crise de sonambulismo havia terminado. Molly encarou o rosto dele, tão sereno, tão em paz, era quase como uma criança dormindo. Algo no coração da moça se aqueceu. Ele se importava com ela, ele chorou pensando que poderia perde-la, apesar de tudo, ele gostava dela. Molly não pode evitar que algumas lágrimas solitárias escorressem por seu rosto. Era um paradoxo, ela estava feliz por saber disso, mas ao mesmo tempo triste.

Naquela noite, ela achou melhor dormir próximo a ele, caso ele acordasse e tivesse outra crise. Ela arrumou o outro sofá e deitou-se, mas demorou pra dormir, pensando em tudo o que havia acontecido.

Na manhã seguinte, quando levantou, Sherlock não estava mais lá. A manta estava dobrada, as revistas foram arrumadas, o abajur havia sido recolocado em seu lugar original, e foi quase como que Sherlock jamais tivesse invadido a casa dela durante a noite anterior. Molly olhou em volta e se perguntou se ela não havia sonhado com tudo aquilo. Seu celular tocou. Era uma mensagem.

Me Desculpe!

SH

Molly sorriu. Não havia sido um sonho. Ela sabia que Sherlock poderia não se lembrar o que havia acontecido ontem, mas ela com certeza jamais esqueceria. Ela jamais se esqueceria das lágrimas que ele derramou por ela e da promessa que ela fizera. Ela seria sempre dele, não importava o que acontecesse.

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