12º Desafio Sherlolly
1 Chá e Biscoitos
Notas iniciais
Dedico totalmente à Roberta, porque a história é baseada em uma que ela contou... :P
E se não fosse ela eu estaria penando até agora com uma história doida qualquer... hauahuahauahau
Ah! Se passa depois que o Sherlock levou um tiro da Mary. ;)
Fugi do hospital. Tinha que resolver toda a confusão com Mary da minha própria maneira e não podia fazer isso estando deitado em uma maca com dezenas de fios presos a mim, sem contar os médicos e enfermeiras que entravam a cada minuto para ver como eu estava e me dopar de morfina. Ok, essa parte não era tão ruim.
Só havia uma pessoa que podia me ajudar nessa situação — e em todas as outras -, então é para a casa de Molly que vou.
Não sei bem como consigo chegar, mas chego. Em condições precárias, é verdade. Molly me recebe no susto. Pela expressão em seu rosto e pelo o tom que ela usa para perguntar o que eu estou fazendo ali, acho que ela me bateria se eu já não estivesse tão derrubado. Mesmo resmungando, ela me coloca para dentro e eu me apoio nela para que possamos chegar até o quarto de hóspedes.
- Você sabe que não deveria ter feito isso, Sherlock.
- Molly... — eu agarro seu pulso — Que tal parar de falar e me aplicar alguma coisa?
Ela sai do quarto sem dizer nada, mas volta com remédios. Aplica-os direto em minha veia e o alívio não demora a vir. Só então eu reparo que ela veste apenas um robe de cetim preto. Quando ela se inclina para me ajeitar na cama quase consigo ver o que não deveria. De repente está calor aqui. Deve ser o analgésico.
Já é de madrugada, então Molly confere se estou bem e pergunta se preciso de mais alguma coisa, antes de sair do quarto. Sim. Talvez. Acho que preciso dela. O que? Isso surpreende? Oras, vamos lá, há muito tempo eu quero ter algo com ela. Antes eu estava enrolado com Moriarty, depois ela estava noiva e então, não tive tempo. E agora, como podem perceber, estou quase morrendo. Mas, pelo amor de Deus, tudo em mim reage toda vez que a encontro. Só preciso que as coisas deem certo alguma vez na vida. E espero que seja breve.
Molly me deixa e apaga a luz. Durmo por pouco tempo e perco o sono. Sinto-me melhor e, cansado de ficar deitado, levanto-me para ir até a sala. Pego um livro na estante dela e sento-me no sofá para ler. Mas que livro chato!
Ouço a porta do quarto de Molly se abrir. Será que ela me ouviu? Ou será que a luz da sala a acordou? Aguardo ansioso para ver Molly toda descabelada ficando irritada comigo por estar acordado e atrapalhando-a. Gosto de vê-la brava comigo. Olho para o corredor e espero que ela saia do quarto. Mas... Por que Molly está nua? Meus olhos se arregalam e eu fico em choque. Não vou olhar, não vou olhar, não vou olhar... Olhei.
Tenho que admitir que nem mesmo eu tinha noção do que aquele jaleco escondia. Mas, espera, por que Molly está vindo para cá sem as roupas? Consigo desviar os olhos e a encaro. Seus olhos estão vidrados. Deus, ela está dormindo. Molly é sonâmbula. Uma sonâmbula nua e muito... Ahn... Uma boa sonâmbula.
Fico assustado e apreensivo com o que ela fará. Molly não sai do apartamento assim, não é? A cena passa pela minha cabeça e uma pontada de ciúme me machuca.
Ela passa pela sala — ops, meus olhos se perdem por um momento quando ela vira de costas — e vai até a cozinha. Levanto-me com dificuldades e a sigo. Seguro o riso quando vejo Molly "preparando" um chá. Sim, entre aspas, porque ela pega todos os utensílios e simula todos os gestos. Mas não há água, não há chá. E então, quando ela finalmente vai tomar, é em uma xícara vazia. Meu corpo dói ainda mais com o esforço de não rir para não acordá-la. Molly faz uma careta como se o chá tivesse pouco açúcar e finge colocar mais. Depois falam que eu que sou o louco.
Quando acho que ela já fez coisas demais e fico com medo que decida sair para procurar os biscoitos fora do apartamento, eu decido ajudá-la a voltar para a cama. A verdade é que não aguento mais vê-la assim, nua, na minha frente, mas tudo bem.
- Molly... — falo baixinho — Vamos...
- Mas... O chá...
- Você já tomou o chá... Vamos dormir agora, está bem?
Ela não responde, mas começa a andar de volta para o quarto e eu vou guiando-a, com a mão em suas costas para que ela não desvie e tente fazer Deus sabe lá o que. A minha sorte é que ela vai sem reclamar e também se deita sem que eu precise me esforçar muito. Cubro-a assim que possível, não posso mais aguentar essa visão. Não sei se é bom ou ruim eu estar caindo pelas tabelas.
Deito-me ao seu lado, só para garantir que não serei mais pego de surpresa com ela aparecendo sem roupas por aí. Espero também que ela não me agarre enquanto eu durmo. Ou espero que faça, não sei bem, minha lucidez já está indo embora.
Depois disso, não demoro a dormir e parece que não passam nem cinco minutos quando escuto Molly me chamando.
- Sherlock! Sherlock! Acorde!
Abro os olhos com um esforço monstruoso.
- O que?
- O que digo eu. O que você está fazendo aqui?
Aqui onde? Olho em volta, nem sei mais onde estou. Ah sim, quarto de Molly. Olho para ela, que está se cobrindo com um lençol de forma desesperada e com o rosto vermelho. Como se eu não tivesse visto tudo em High Definition na madrugada.
- Estou aqui para garantir que você não fosse buscar biscoitos no vizinho sem antes vestir ao menos seu robe ou se enrolar em uma toalha.
A boca dela se abre em espanto e ela leva as mãos à cabeça.
- Isso não aconteceu justo hoje! Puta merda!
- Ah sim, aconteceu. O chá estava bom?
Molly me encara incrédula e eu sorrio inocente.
- Não seja mais idiota do que já é, Sherlock.
Encaro-a com os olhos semicerrados. Como assim eu era idiota?
- Por acaso isso se repete com frequência? Talvez eu deva dormir mais vezes na sua casa.
- Sim, Sherlock. — Ela responde, se levantando com o lençol grudado ao corpo. — Isso mostra o quanto você gostou do que viu. — Virando-se para mim, ela dá apenas um sorriso vitorioso e se tranca no banheiro.
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Depois desse episódio eu parti para preparar meu plano de desmascarar Mary. Molly me deu alguns remédios para que eu usasse quando me sentisse mal e prometi a mim mesmo que voltaria para o apartamento dela quando tudo se resolvesse para finalmente por um ponto final em nossa questão. Mas, como sempre, minha vida se enrolou de tal forma que não consegui cumprir o prometido.
A imagem dela vinha parar em minha cabeça a todo instante, mesmo nas horas mais improváveis. Como se eu nunca tivesse visto uma mulher nua antes na minha frente.
Dias depois de toda a bagunça com o "eu-não-valho-nada" Magnussen, quando eu já estava de volta à Londres, recebi uma mensagem de Molly.
"Aceita um chá?"
Sorrio que nem bobo para o meu celular, pego meu casaco e corro porta afora. Chego ao apartamento de Molly e ela me pede para subir. Encontro a porta estranhamente aberta e entro com receio. O que Molly está aprontando?
Escuto barulho na cozinha e vou até lá. A cada passo meu coração dispara mais um pouco. Molly não faria isso, faria?
Respiro fundo e entro no cômodo. Não, ela não está nua. Prepara o chá com o mesmo robe preto que vestia quando cheguei à sua casa daquela vez. Não sei se fico aliviado ou decepcionado.
- Ora, Sherlock, e não é que você veio. — O sorriso dela é de quem ganhou de novo.
- Tenho um fraco por chás.
Recebo um olhar de canto acompanhado de um sorriso.
- Dessa vez estou acordada, Sherlock. — Molly diz isso enquanto começa a se aproximar de mim.
- Estou vendo. — Por que eu começo a travar quando não devo? Quando vejo corpos por aí as palavras não ficam me faltando. Correção: corpos mortos.
- Há alguma coisa sobrando, Sherlock? — Ela se aproxima ainda mais.
- Sim, o chá. Sua xícara estava vazia naquele dia.
Molly vira-se sorrindo e despeja o conteúdo da xícara na pia.
- Mais alguma coisa? — A frase é falada quase a centímetros do meu ouvido. Agora que não estou entupido de remédio ou com dor espalhada por tudo, meu corpo reage de forma insana. Nem me dou ao trabalho de responder, simplesmente desfaço o frouxo laço que segura seu robe e o deixo cair no chão.
- Não foi nessa hora que você me levou para cama?
Os lábios dela encostam em minha orelha quando ela fala e descem por meu pescoço. Seguro seu braço firmemente e a encaro por um segundo antes de puxá-la para mim e a beijar.
Nós nunca mais escutamos a palavra "chá" sem trocar um sorriso indiscreto e, depois disso, fiz o impossível para dormir com ela todos os dias. E quando não podia, implorava para que ela dormisse de roupas. E se por acaso algum dia ela desse falta dos biscoitos?
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