11º Desafio Sherlolly
1 Dreams
Notas iniciais
Depois de alguns anos sendo desprezada por Sherlock, com seu jeito idiota de sempre falar as piores coisas para uma garota, ou melhor, falar as piores coisas para mim, eu decidi que não me importaria mais. Só me importaria comigo mesma. E a vida seguia sem intercorrências, até o dia que ele decidiu me convidar para um encontro. Seria nosso primeiro “encontro oficial”, disse ele. Como se tivesse existido outros. Ele é estranho e sinto que nunca me acostumarei com isso. Eu estava debruçada em um corpo, totalmente alheia ao que se passava a minha volta quando ele se aproximou.
— Oi Molly.
Me virei assustava e fitei aqueles olhos azuis perto de mim. Muito perto. Tentei permanecer firme, mas quem consegue ser firme ao lado de Sherlock Holmes? Minhas pernas viraram gelatina no mesmo instante e precisei me apoiar na mesa para não cair.
— Ai Sherlock…você me assustou.
— Você aceita sair comigo amanhã?
— Oi? — Pisquei e balancei a cabeça.
— Vou repetir: Você aceita sair comigo?
Olhei para ele por longos segundos, não sabia o que responder. Tentei ser o mais displicente possível, não queria dar na cara que o tão sonhado dia havia chegado. O dia Sherlock me convidou para sair.
— Sair para fazer o que?
— Eu faço as peguntas aqui. É surpresa.
Ele me provocava arrepios e por mais que minha mente dizia não, meu coração dizia sim. Odeio meu coração. As vezes tenho vontade de arrancá-lo do meu peito por ele me fazer sentir assim.
— Não sei…é que…
— Você tem algum outro compromisso?
— Não. — Opa! Isso saiu mais rápido do que eu tinha imaginado. Minha língua sempre mais rápida que meu cérebro.
— Então posso considerar um sim?
— Sim...quer dizer...não. — Droga!
— Sim ou não? Decida-se.
— Sim. Tudo bem...sim.
— Ótimo. Será nosso primeiro encontro oficial. Amanhã as 20:00 te pego no seu apartamento.
— Ok.
Girou em seus calcanhares e saiu me deixando plantada ao lado do corpo. Suspirei resignada. Mais uma vez Sherlock Holmes arrancou de mim o que queria. A diferença era que dessa vez eu estava incluída em seus planos.
–--
Letras garrafais explodiram em minha mente quando abri os olhos: “É HOJE!”. Mal consegui dormir de tanta ansiedade. Maldito Sherlock e seu dom persuasivo. Não o culpo por completo, afinal eu poderia ter recusado o convite. Não, não poderia.
Eram 7:00 da manhã e eu só conseguia pensar se ainda faltava muito para as 20:00. Esse dia ia parecer uma eternidade. Onde ele me levaria? “É surpresa.” Uma vez ele até me convidou para almoçar, mas ao retirar dois pacotes de babatas fritas dos bolsos e dizer que aquilo seria nosso almoço, eu posso imaginar todo o tipo de coisa.
Saí correndo do St. Barts, um corpo de última hora me segurou um pouco além do meu horário habitual, justo hoje. Cheguei em casa já arrancando as roupas entrei no chuveiro para um banho rápido. Não tive tempo de pensar em que roupa vestiria, principalmente porque não tinha a mínima ideia de onde iria. Calça jeans, bota, casaco e cachecol. Acho que vai servir. Maquiagem leve, sem muito batom. Ele implica com meu batom. Ele implica comigo, fato. As 20:00 em ponto a campainha tocou e meu coração veio a boca. Ele chegou e trouxe com ele os arrepios. Merda! Porque sou tão boba? Abri a porta e quase tive uma síncope quando vi que em suas mãos ele segurava uma única tulipa rosa. Minha flor preferida.
— Boa noite Molly. Está pronta? Isso é para você. — Estendeu a flor em minha direção. Se Sherlock estava tentando ser romântico, devo lhe avisar que a tentativa estava funcionando.
— Obrigada. Sim, estou pronta. — Depois desta flor, estou pronta para qualquer coisa, pensei me derretendo por dentro.
Entramos no táxi e quando ele falou o endereço ao motorista, mais uma vez minha língua foi mais rápida.
— Onde? — Minha voz saiu alta demais e ele me olhou surpreso.
— Você sabe onde estamos indo?
— Se o endereço está correto, eu sei sim. — Ele sorriu e não consegui distinguir se seu sorriso foi de alegria ou tristeza por eu ter estragado sua surpresa. Abaixei a cabeça envergonhada e ele pegou em minha mão, os arrepios recomeçaram e procurei me manter calma. Seu olhar para mim dizia que estava tudo bem e fiquei tranquila com isso. Ao descer do táxi pude reparar que ele olhava fascinado para a construção a nossa frente.
A London Eye erguia-se imponente em sua estrutura de 135m de altura toda em aço, com cabines que poderiam abrigar até 30 pessoas. O que eu descobri chegando lá é que Sherlock havia reservado uma cabine privada com canapés, champagne e vinho somente para nós dois. Isso era possível? Sim, era. Era possível eu estar mais maravilhada? Não, não era.
— Boa noite Sr. Holmes, sua cabine está reservada. Podem me acompanhar por gentileza?
Ele saiu me puxando pela mão, praticamente me arrastando para dentro da cabine, feito criança entrando no parque de diversões. A porta foi trancada e partir de agora era eu, ele e Londres a nossos pés.
Sherlock abriu o champagne e me entregou uma das taças. Tomei um gole meio sem jeito, me encaminhei até o vidro da cabine e fiquei observando as luzes de Londres. Era lindo. A noite não poderia ficar mais perfeita quando ele se aproximou por trás e envolveu seus braços em minha cintura.
— Gostou da surpresa? — Ele falou com a boca colada em minha orelha.
— Oh…sim. Londres não poderia ser mais linda aqui de cima.
— Sabe Molly, minha vida está mudando a cada dia, de todas as maneiras possíveis e meus sonhos nunca são tão calmos quanto parecem. Andar de roda gigante era um sonho que eu tinha sabia? Mas alguma coisa me dizia que quando esse dia chegasse, teria que ser especial.
Fiquei de frente para ele. Sherlock nunca tinha subido em uma roda gigante? Era isso mesmo que eu estava ouvindo?
— E você acha que está sendo especial?
—Demorei muito para perceber que somente seria perfeito com você. Agora te digo abertamente, você tem meu coração.
Meu coração saltou mais alto que aquela roda gigante e minha respiração parou no momento que ele retirou a taça de minha mão, levou sua mão a minha nuca e me beijou. Senti meu corpo inteiro arrepiar. Malditos arrepios! Pensando bem agora, não eram tão malditos assim. Não sei precisar quantos minutos se passaram até ele quebrar o beijo e continuar:
—Você é algo que eu não pude encontrar em lugar nenhum. Uma cabeça tão fantástica, compreensiva e tão gentil. Você é tudo pra mim.
Mas quando achei que fosse só meu coração que tivesse parado, uma voz no alto-falante da cabine anunciou:
—Senhoras e senhores, informamos que por problemas técnicos a London Eye necessitará ficar parada por alguns instantes. Não há motivo para pânico, todos os esforços estão sendo feitos para que o problema seja resolvido o mais breve possível.
Sua boca se curvou num sorriso malicioso e a partir dali eu já sabia o que ele estava tramando.
–--
Abri os olhos e senti a mão dele ainda envolta em minha cintura. A luz do sol entrava vagarosamente pela cabine da roda gigante. Sherlock dormia a sono solto com o nariz enterrado em meus cabelos. A noite não poderia ter sido mais perfeita e a partir de agora eu sabia que meus dias seriam perfeitos também. Porque você é um sonho pra mim. Meu sonho.
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