A verdade é que ele só estava fazendo aquilo por culpa. E por culpa lê-se John Watson. Na sua cabeça, Sherlock ainda não conseguia entender o que havia feito de errado, mas John disse que ele havia feito “a maior, pior e mais estupida” burrice que ele já havia visto em toda a vida. O que significava alguma coisa, considerando que é John Watson.

Aparentemente Sherlock fez alguma coisa que ofendeu Molly. E numa tentativa meio patética de se desculpar, acabou chamando-a para sair.

- Sair? Eu e você? Um encontro? – ela estava quase tão perplexa quanto ele. Mas agora já era tarde demais para mudar de ideia.

- Claro. Você escolher o lugar, vou onde você quiser. – Sherlock Holmes, o Gênio, e não conseguia nem controlar a própria língua. Ela sorriu de um jeito meio medonho, o que o deixou seriamente preocupado sobre o que tinha acabado de fazer.

- Ótimo, passe amanhã as 11 p.m. em minha casa. – E sorriu ao falar isso.

Alguma coisa dizia que ela já havia perdoado, mesmo sem nem terem saído ainda.

Onze horas em ponto ele tocava a campainha de Molly.

- Podem... – mas não conseguiu terminar de falar quando viu a roupa que ela usava. Não que fosse algo como a Mulher usaria, mas Molly usando um vestido preto, meio curto e um tanto justo, com os cabelos soltos e lábios vermelhos não era algo que se via todos os dias.

- Sim, podemos – ela disse, já entrando em um táxi. – Vai ficar ai parado?

Quinze minutos depois estavam em frente ao que Sherlock imaginou ser... Não, ele não fazia ideia do que era aquilo. A fachada do lugar era toda preta, e só uma portinha dava acesso ao local.

- Molly, onde estamos?

- Uma balada, Sherlock. Uma balada. – e começou a rir com a cara de pânico que ele fez.

- Eu imaginava uma coisa mais tranquila, tipo um restaurante.

- Restaurantes são tediosos. – E assim encerrou o assunto, puxando-o pra dentro da balada.

Primeiro ele ficou tonto. Eram tantos estímulos, música muita alta (e ruim), cheiros de todos os tipos, pessoas e calores humanos esbarrando nele a todo momento. Aquele lugar estava trasbordando de gente e ainda não era nem meia noite.

Ainda de mãos dadas, Molly arrastava Sherlock até o bar, e gritou para o barman o pedido, olhando o menu. Cinco minutos depois ela tinha dois copos cheio de um liquido transparente, limão enfeitando e muito gelo.

- O que isso? — cheirando e reconhecendo o forte odor de vodka.

- No cardápio diz que é caipirinha. Pareceu bom. – ela gritou e tomou um gole. Fez uma careta. – Está meio forte – virou outro gole – mas é bom.

Não tendo muita opção, experimentou. Até que aquele negócio era bom. Ele já havia provado coisa pior. Empolgado, terminou tudo e já estava pedindo outra.

Quando pegou a bebida e foi voltar para perto de Molly, congelou no lugar. Um cara aleatório e completamente bêbado conversava com ela. Perto demais. “Claro que ele está perto demais, tem outro jeito de conversar aqui dentro?” o mini John em sua mente falava. Eles conversavam e ela dava risada, enquanto bebericava aquele... Como chamava mesmo? Caipirinha? É, é, isso. Tomou o outro copo inteiro.

- Eu esqueci o nome da bebi... Ih, mas já cheguei nesse nível? – e falando sozinho, foi interromper o casal logo à frente. – Da licença que ela esta comigo. – E agarrando Molly pela cintura, deixou o cara para trás, confuso.

- Por que você fez isso? Ele não estava fazendo nada. – mas ela não conseguiu passar a irritação que pretendia. Estava contente demais por ele ter ficado tão enciumado.

- Porque você está em um encontro comigo, oras. – e assim, começou a dançar, balançando os braços e o quadril de um jeito meio desengonçado e tipicamente bêbado. E para a surpresa de Molly, Sherlock começou a cantar também.

- So wake me up when it’s all over, when I’m wiser and I’m oldeeeeeeeeer – Molly tentava dançar, mas aquilo era tão engraçado, que estava quase caindo no chão de tanto rir.

- Sherlock, você está completamente bêbado!

- I wish that I could stay forever this young, not afraid to close my eyes! – quando abriu os olhos de novo, não encontrou Molly. Tentou ir até o bar, mas o caminho estava meio torto.

- Posso te ajudar, amigo? – ele podia até estar meio tonto, mas tinha certeza que estava sentindo uma mão em sua bunda. E não era sua. Ou da Molly.

- Não, eu estou bem. – e saiu o mais rápido que a vodca permitiu.

Ainda meio perdido, trombou com Molly, deixando um pouco da bebida cair no vestido, o que ela pareceu não reparar – Molly, precisamos sair daqui.

- Mas por que? A festa mal começou. – mas ela também estava bêbada, e saiu rebolando de volta para a pista de dança, e Sherlock achou difícil discutir com aquele rebolado.

A noite até que estava divertida, mas ficou muito irritado porque um número cada vez mais de homens reparava em Molly e muitos pareciam não se importar com o fato dela estar com ele.

- Ora, Sherlock, nada indica que estamos juntos, nós não estamos nem próximos! – e continuou a dançar. Se o problema era aquele, puxou-a pela cintura e a beijou de um jeito que surpreendeu o próprio Sherlock. Ela pareceu assustada no começo, mas depois entrou no clima e começou a passear as mãos pelo corpo dele.

- Acho que está na hora de sair daqui. – ela falou em seu ouvido, e os dois saíram empurrando as pessoas pelo caminho até a porta.

Eram 3h da manhã, a rua estava completamente deserta. Molly arrancou os saltos e os dois foram caminhando até a casa dela. Não falaram nada nesse meio tempo, bêbados do jeito que estavam, quanto mais se concentrassem em andar, mais rápido chegariam. E trinta longos minutos depois, estavam arrancando as roupas um do outro, sem nem a menos terem chegado ao quarto.

No dia seguinte, Molly acordou complemente dolorida e marcada. Levou alguns minutos até conseguir ignorar a ressaca e entender o que havia acontecido. Quando a ficha caiu, não sabia onde enfiar a cara. Até perceber que estava sozinha em casa.

- Céus, o que foi que eu fiz? – então seu celular tocou.

“Passo ai as onze. Vamos pular a parte da balada. –SH”

Sorriu. Talvez não tenha sido uma ideia tão ruim.

Notas finais
E então? :B
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!