A batalha foi longa. A décima geração Vongola deu seu corpo, alma e sangue na tentativa de reverter e apagar os pecados das gerações passadas. Todavia, o tempo passou mais rápido do que o esperado, e a velhice começava a atingir os guardiões.

Era tarde demais para eles.

Principalmente para começar do zero, como teriam de fazer, uma vez que os anéis Vongola voltaram a adormecer.

— EU NÃO ADMITO ISSO, DÉCIMO!! – gritava com raiva Gokudera Hayato, guardião da Tempestade.

— Calma, calma Hayato – com falsa calma na voz dizia o guardião da Chuva, Yamamoto Takeshi.

— Deixa disso, Takeshi!! – falava com voz forte o guardião do Sol, Sasagawa Ryohei – Nós podemos muito bem continuar lutando!!!!!!!

— Vocês sabem que não têm mais tanta energia assim – dizia Lambo, guardião do Trovão – Eu até conseguiria, já que sou mais novo, mas assumir essa luta, sozinho, não seria a melhor saída.

— Chefe.... – falava preocupada Chrome Dukuro, guardiã da Névoa, juntamente com seu “mestre”, Mukuro.

Cada guardião dava sua opinião naquela sala isolada de reuniões. A mesa redonda propiciava que todos conseguissem se olhar nos olhos. Todos estavam ali presentes e dando suas opiniões, menos Hibari Kyouya, guardião da Nuvem, que só observava a reunião.

— Décimo! Por favor, nos permita partir em busca dessa lenda – implorava ao chefe, Gokudera.

— Hayato-kun... – disse baixinho, com voz sofrida, Sawada Tsunayoshi, guardião do Céu e 10º chefe da Vongola – já disse pra você... – e mudando subitamente seu tom de voz para um tom imperativo, disse – Não vou arriscar a vida dos meus companheiros quando não é mais necessário.

Fez-se um momento de silêncio na sala.

— Como o Lambo falou, não estamos mais em condições de arriscar nossas vidas nessas batalhas. – Tsuna falava com tristeza em suas palavras – Nosso tempo já está esgotado.....

— E não conseguiram realizar a tarefa que o Primo deu a vocês.

— Reborn!!! – todos se espantam com a repentina aparição do bebê.

Reborn tinha sido o professor de Tsuna quando, aos 15 anos de idade, esse foi intimado a se tornar o novo líder de uma das famílias mais poderosas da máfia, a Vongola. Reborn era o Arcobaleno do Sol, uma pessoa de extremo conhecimento e que todos respeitavam em demasia. Por conta disso, todos abaixaram os olhos com ar de decepção e frustação quando o bebê esfregou na cara de todos que eles não conseguiram completar sua missão mais importante:

Livrar a Vongola de seus pecados.

— E ainda conseguiram adormecer os anéis – completou Reborn, calmo demais para a situação.

— Eu sei!! – disse, com uma leve alteração na voz, o 10º líder da Família.

- Chefe... Não se culpe tanto – disse Chrome ao se levantar e colocar-se ao lado de Tsuna – Nós nem sabíamos o que fazer direito... – disse ela colocando as mãos sobre os ombros do chefe.

- Eu sei Chrome... Mas não consigo não me sentir culpado – a decepção em sua voz era tamanha, tal qual a nos olhos de seus guardiões.

- Mas ainda não está tudo perdido, não? – disse Hibari, após horas de observação e silêncio.

- Sim. – afirmou veemente Reborn ao subir na mesa – Ainda há esperança.

- Qual? – perguntou Yamamoto.

— Uma antiga lenda, relacionada aos Hell Ring – disse Chrome.

- Aqueles anéis da névoa ao extremo? – perguntou Ryohei.

Nisso uma névoa formou-se ao redor da guardiã, de onde escutou-se uma outra voz respondendo a questão do guardião do Sol.

- Exatamente isso.

- Mukuro!! – disse Tsuna espantando e tendo calafrios. Sempre fico assim quando ele aparece, que droga, pensou o chefe.

- Essa lenda existe não somente no mundo da máfia, mas em todo o submundo. Entretanto a chance de ser verdade é baixíssima – disse Mukuro com ar sério.

- Reza a lenda que os Hell Ring não passam de fragmentos de um anel maior, o anel da Escuridão. – o Arcobaleno começou a explicar a lenda – e esse sim seria um dos reais Hell Ring.

- Peraí que agora confundiu minha cabeça – disse Ryohei coçando a cabeça – qual é o verdadeiro Hell Ring?

- Os seis anéis que são conhecidos hoje por Hell Ring são apenas fragmentos de um dos verdadeiros Hell Ring. – Lambo ia explicando aos poucos ao guardião mais velho.

- E que Escuridão é essa? – perguntou Yamamoto.

- Seria o atributo equivalente à Névoa, só que do elemento Fogo. Como se fosse o Deserto do elemento Terra. – respondeu Gokudera — E há boatos de que existem mais seis anéis, um para cada atributo, que ao serem juntados dariam origem a um sétimo anel, do Inferno.

Yamamoto e Ryohei fizeram aquela cara de “como assim?”, uma vez que eles eram os menos informados sobre o assunto.

- Deixa eu explicar melhor, já que o Gokudera não explica direito.

- Ei!! Lambo!! Eu até tava trazendo o quadro branco pra explicar melhor – disse Gokudera com seus óculos, pronto para “explicar” as coisas didaticamente.

- Não!!!! – Tsuna falou rápido – Pode deixar que o Lambo explica, tá?

- Ahh... tá bom... – disse todo decepcionado o braço direito do chefe.

- Voltado... – disse Lambo retomando de onde parou – “Existem” seis anéis da Tempestade, seis do Sol, seis da Chuva, seis da Nuvem, seis do Trovão e seis da Névoa.

- Logo, seriam 36 anéis, certo?

- Isso, Yamamoto – afirmou Reborn – e quando são unidos seis do mesmo atributo, é criado um sétimo anel, o vulgo Hell Ring daquele atributo.

- E o anel do Céu? – perguntou Lambo.

— Ué? Você não sabia da história, Lambo? – perguntou confuso Tsuna.

- É que sabe...eu não pesquisei tudo...

- É uma vaca estúpida mesmo – falou frustrado Gokudera – deixa que eu termino – e foi correndo pegar o quadro branco.

- Ai, começou. – fala baixinho Tsuna.

- Existem seis anéis de cada atributo – e enquanto ia explicando ia desenhando no quadro – esses, com propriedades semelhantes aos fragmentos do “Hell Ring”, isto é, quanto mais se usa, mais consome a shinuki no hono do usuário – ele desenhou seis conjuntos de seis anéis, formando um círculo com eles.

No centro de cada pequeno círculo de seis anéis, desenhou mais um anel. Logo em seguida desenhou um anel no centro do círculo formado pelos pequenos círculos. Era um anel maior, o anel do Inferno.

- São anéis poderosos, mas ainda assim mais fracos que os Vongola Rings. – completou Mukuro, enquanto Gokudera fazia seus esquemas no quadro.

- Quando unem os seis anéis da Tempestade, forma-se o anel da Tormenta. – Hayato foi falando e escrevendo os nomes sobre os respectivos anéis – Os seis do Sol dão origem ao da Lua. Os do Trovão formam o do Vulcão. Os anéis da Chuva originam o da Nevasca e os da Nuvem dão origem ao do Fogo.

- E os de Névoa dão origem ao da Escuridão, como já dissemos – completou Reborn.

- Tá... e o do Céu? – Ryohei repetiu a pergunta.

- Espera! – disse irritado Gokudera – Tem que ir por partes — E voltou a escrever no quadro. Puxou flechas saindo de cada anel do elemento fogo até chegarem ao anel maior no centro. – Após a formação dos seis reais Hell Ring e combinando suas chamas com outro anel, qualquer um, mas de preferência um que seja capaz de canalizar um grande volume de shinuki no hono, formar-se-á um sétimo Hell Ring, o anel do Inferno.

Um silêncio fez-se na sala, todos estavam tentado processar as novas informações.

- Vocês conseguiram entender, não? – perguntou Gokudera após o longo silêncio.

- É... acho que sim... então esses anéis ai, que falam ser os Hell Ring não são os Hell Rings, mas sim outros. E dai você junta esse seis Hell Rings falsos, faz “pukyu” e junta eles, dai vocês faz mais cinco “pukyus” e dai você faz um “PUKYU” master que daí vai criar o anel do Tsuna, isso?? – Yamamoto tenta entender sozinho a história – Se for isso, eu entendi. – e da aquele sorriso bobo alegre típico dele.

- Aaaahhhhhhhhhhhhhhh, é... eu acho que é isso sim, Takeshi – Tsuna fala com sorriso simpatia.

- E onde estariam esses outros anéis? – perguntou Lambo.

- Esse é o problema. Há somente especulações sobre, nem sabemos se eles realmente existem – afirmou Gokudera.

- Mas sabemos que os seis anéis da Névoa existem, e um deles, por sinal, está contigo, não, Mukuro? – fala Reborn olhando para o guardião da Névoa.

- Kufufufufu... – Mukuro deu sua risadinha típica – tenho um comigo sim, e tem um até com o Chibi-Fran, mas se vocês acham que vou entregá-lo, estão muito enganados. Mesmo que esses anéis sejam o primeiro passo para destruir a máfia inteira, não vou simplesmente dá-lo de “mão beijada”. – O sarcasmo na voz dele era muito presente – Se o querem, venham buscá-lo.... Kufufufufu – e sumiu deixando sua névoa para trás.

- Maldito Mukuro!! – disse Gokudera com raiva.

- Considerem isso como um bom sinal, seus bestas. – disse Reborn dando uma voadora na cabeça de Gokudera.

- Como assim, Reborn? – Tsuna perguntou confuso.

- Pensem, o Kyouya nem fez menção de atacar o Mukuro – fez uma observação Yamamoto.

- Ohh!! Verdade né? – disse Ryohei – Você conseguindo se controlar Kyouya-san!! Isso é muito bom! – sua voz era animada.

Um olhar gélido e mortífero foi lançado em direção ao guardião do Sol.

- Ahhhh... Ryohei-senpai... acho que essa não foi uma boa frase... – disse Lambo.

- Ué? Por que não? – Perguntou o Guardião do Sol.

- Tá bom, chega de enrolar – disse Reborn dando outra voadora, agora na cabeça de Ryohei.

- E também considerem-se sortudos pelo Mukuro aparecer de boa vontade, contando absolutamente tudo que ele conhece sobre os verdadeiros Hell Rings. – completou o Arcobaleno, dançando na cabeça de Ryohei.

- Sério? – espantou-se Tsuna.

- Sim... – disse Chrome, que já estava no lugar onde Mukuro desaparecera – O Mukuro-sama e eu pesquisamos muito sobre essas lendas, mas infelizmente não achamos muita coisa...

- Mas acredito que ele está confiando nesta próxima geração para livrar o mundo da máfia – Yamamoto soltou um palpite.

- Exatamente isso – confirmou Reborn.

- Nossa... o Mukuro confiando assim em uma família da máfia para acabar com a máfia – pensou alto Lambo.

- Sim, extremamente estranho... – completou Gokudera.

-Mas... – Tsuna se interrompeu antes mesmo de completar uma frase. Sabia que seus pensamentos não estavam de acordo com a situação.

- Com o que você está preocupado, Décimo? – perguntou ao chefe seu braço direito.

- Com a próxima geração.... – Tsuna falava pausadamente, preocupado em demasia, mas sabia que, apesar de todas essas preocupações, nada poderia ser feito em relação a ela – é um peso muito grande para ser jogado nas costas dessas crianças!

- Não os subestime, Dame-Tsuna! – disse Reborn dando uma combo-voadora na cara do preocupado, fazendo com que sua cabeça fosse parar na mesa. E a mesa parar no chão.

- Nossa... a mesa quebrou mesmo... – comentou Chrome.

– Essas crianças estão sendo observadas desde que nasceram. E suas famílias são avaliadas desde antes — Reborn continuou seu discurso.

- São todas crianças sucessores de mafiosos ou que têm família relacionada, de alguma maneira, à máfia. – completou Lambo – Essa parte eu sei por que foi a única que eu pesquisei por completo. – afirmou com um sorriso na cara o ex-membro da família Bovino.

- Como se isso fosse coisa boa, vaca estúpida. – falou baixinho Gokudera.

- Deixa eu terminar, AhouDera. – reclamou Lambo.

E ao terminar a frase, tirou do bolso da jaqueta de couro sete fotos e jogou-as sobre os restos mortais da mesa. Ao total eram oito adolescentes, com idades entre 15 e 17 anos. Em uma das fotos havia duas gêmeas idênticas trabalhando em um circo; na outra aparecia uma jovem japonesa com olhar frio. Na sequência, um rapaz alto, com feições leves, tocando violão em um bar; em outra foto uma jovem de cabelos no comprimento dos ombros, com diversos piercings nas orelhas. Na outra foto, uma garota alegre cuidando de um jardim florido e cheio de vida; em contrapartida, na fotografia seguinte havia um jovem irritado, pronto para uma briga de bar. Na última, um rapaz com feições sérias, usando uma capa preta e um chapéu em estilo antigo, andado solitário por uma rua deserta.

- Olhem bem e gravem esses rostos. Esses serão os guardiões da 11ª Vongola – anunciou Reborn sobre a cabeça de Tsuna. – e essa será a última “missão” oficial de vocês: Vão buscar seus sucessores!

Todos assentiram, pegaram as fotos de seus “kohais” e partiram para a derradeira missão da 10ª geração Vongola.