11ª Geração - Saga Jigoku
6 Primeiro contato.
- Corretto, então me deixe ver se entendi: procurarei 30 anéis chamados Hell Rings, em contrapartida terei mais poder para combater a Oggeto, e ainda informações privilegiadas para encontrá-los. – Tessei Ken recapitulava o que Reborn estava-lhe explicando.
— Exatamente isso – o Arcobaleno respondeu – É pegar ou largar.
— Va bene... – Ken pensava sobre os prós e contras do “acordo” – Pode ser um bom negócio. Estou de acordo. – disse apertando firmemente a mão daquele que oferecia o acordo. – Mas... você fica me devendo uma – completou o jovem, o Arcobaleno sorri, mas seu semblante ficou sério.
Reborn retribuiu o aperto. Tsuna sorriu por conseguir convencer seu sucessor a ficar. Agora só esperava que seus guardiões conseguissem retornar com seus respectivos sucessores.
— Tsuna – Hibari disse ao entrar na sala.
Ele estava acompanhado de uma jovem japonesa de expressões sérias, com uma calopsita no ombro e uma mala de viagem. A guardiã da Nuvem da 11ª geração tinha acabado de chegar.
— Kyouya! Que bom que já chegou – Tsuna disse aliviado por vê-lo.
— Você é Fuuka Miu, certo? – Reborn perguntou se aproximando dela.
Ela ficou muda. Sua expressão mudou por um momento. Seus olhos começaram a brilhar por verem um bebezinho de terno e chapéu.
— Kyaah! – ela exclamou se abaixando para vê-lo melhor – Que bebezinho mais fofo!
— Ciaossu.
— Nossa! Há quanto tempo que você não diz isso, Reborn – Tsuna se impressionou.
— Fica quieto, Dame-Tsuna – disse o Arcobaleno dando uma voadora no chefe.
Miu ainda estava admirada por achar um bebê tão fofo, afinal ela adorava-os.
— Prazer, sou Reborn – disse se aproximando da jovem.
— Prazer, Fuuka Miu – e estendeu a mão para ele — e esse é o Manju – disse apontando para a ave em seu ombro.
— Fiuu – respondeu ele.
— Você sabe por que está aqui, Miu? – Tsuna perguntou preocupado.
— Na verdade não – respondeu ela meio vagamente.
— Kyouya! – Tsuna disse com tom de reprovação para seu guardião – Por que não explicou pra ela?
Hibari não respondeu. Apenas um olhar frio foi o suficiente para Sawada calar a boca e morrer de medo.
— Você não muda mesmo, Dame-Tsuna – Reborn disse tirando sarro da cara dele.
Enquanto isso, Kyouya virou as costas e saiu da sala, sem mais satisfações.
Ken se sentia desconfortável no meio daquela agitação. Mais gente que ele não conhecia aparecendo do nada, mas mantinha a aparência calma e fria.
— Então vamos fazer assim Miu, vamos esperar os outros chegarem e dai explicaremos as tudo para todos – Tsuna falava calmamente.
Ela assentiu com a cabeça.
— Enquanto isso, vocês podem ficar na sala de espera que é aqui do lado. – Reborn apontou para uma porta, indicando-lhes o caminho.
Eles se deslocaram para lá, tanto Miu quanto Ken, em silêncio. O olhar preocupado do atual chefe da Vongola os seguia.
— Reborn – ele falou deixando transparecer claramente o tom de preocupação – você acha mesmo que isso vai dar certo?
Sem tirar os olhos dos sucessores, Reborn respondeu:
— Não sei...
Horas mais tarde Lambo chegou trazendo sua sucessora. A garota trazia consigo uma pequena mala e uma mochila de costas. Miu brincava com sua calopsita e Ken estava distraído olhando para o nada enquanto “acariciava” a cabeça de lobo prateada do punho de sua bengala.
— Quem são esses estranhos? – Maya perguntou para Lambo baixinho.
— Seus futuros companheiros – ele respondeu.
— Quê?
— Fuuka Miu e Kurotsuki Tessei Ken, se é que recordo...? – Lambo perguntou aos que já estavam na sala.
A garota japonesa virou para eles, mas não respondeu. O rapaz nem sequer virou o rosto.
— É... devem ser sim. – Lambo respondeu sozinho – Bom, você fica aqui, Maya.
— Como assim? – ela não queria ficar naquele ambiente estranho.
— Só até os outros chegarem, dai explicaremos tudo para vocês. – disse o guardião do Trovão se virando e saindo da sala.
— Oh, legal. – Maya falou sozinha com seu típico tom irônico.
Sentou-se no mesmo sofá que Miu, porém mais afastada dela. Só então reparou que ela tinha um passarinho.
— Isso é uma calopsita? – Maya perguntou animada.
— Hã? – a japonesa se assustou com o assunto repentino – Ah, é sim.
— Deixa eu ver? – a inglesa perguntou.
— Pode sim – e com o Manju nas mãos, aproximou-o das mãos da sua nova companheira.
Maya aproximou a mão lentamente para acariciar a ave, com muito cuidado. Manju estava meio receoso, não era acostumado a receber carinho de outras pessoas, mas notando que não havia nenhum perigo, abaixou a cabecinha, permitindo receber carinho da “estranha”.
— Wooo – disse Maya – que bonitinho.
Miu olhava impressionada para ela, afinal, era a primeira pessoa estranha que sua ave permitia fazer-lhe carinho. Apesar do espanto, estava feliz.
— Kaminari Maya, certo? – Miu perguntou.
— Isso. E você?
— Fuuka Miu – respondeu amigavelmente — Você tem alguma noção do porquê de estarmos aqui?
— Não te explicaram nada? – Maya estranhou a situação.
A outra só mexeu a cabeça, em um gesto de negação.
— E mesmo assim você veio?
Agora o gesto foi de afirmação.
— Nossa, que estranho...
Nisso a porta se abriu abruptamente.
— EXTREMOOO! – era Ryohei quem entrava.
— Isso ai! – a garota loura entrou na sala após ele, com tanta animação quanto o outro.
Todos que estavam na sala exceto Ken pararam e olharam para os dois super agitados que estavam ali.
— Então, Ran! – Ryohei disse olhando para a jovem que o acompanhava – Você fica aqui até todo mundo chegar.
— Tá – ela disse com uma voz meiga.
Quando Ryohei foi embora e Ran se viu cercada por pessoas estranhas, suas expressões mudaram completamente. De alegria passou para receio e medo. Sentou então em um canto isolado da sala, e ficou ali, resmungando consigo mesma.
— O que deu nela? – Maya perguntou baixinho para Miu.
— Vou lá saber – a japonesa respondeu.
— Vamos lá falar com ela?
Miu novamente assentiu com a cabeça e as duas se aproximaram da garota que acabara de chegar.
— Boa tarde – Maya disse ao se aproximar de Ran.
A garota se virou assustada, olhou bem para a cara da outra e respondeu algo baixo, tão baixo que não foi audível para Maya.
— Você é quem?
— Go-Gokudera Ran... – sua bochecha ficou vermelha.
— Sou Kaminari Maya e essa é Fuuka Miu – disse apontando para ela mesma a para a companheira, respectivamente.
— Prazer... — Ran disse baixinho.
Quando Maya ia estender a mão para cumprimentar Ran, a porta abriu em outro supetão, mas agora era Gokudera quem entrava seguido por seu sucessor que estava amarrado.
— Hayato-ji-san! – Ran levantou rapidamente ao ver um rosto conhecido.
— Ran, então você já chegou? – Hayato falou.
— Tava com saudades de você – ela disse abraçando o “tio”.
— Eiei, calma ai, Ran – ele sabia que ela era carente, mas nem tanto.
— Você vai ficar junto com a gente, né? – ela disse ansiosa.
Ele se soltou do abraço com jeito, para não magoá-la. Abaixou-se na altura dela e disse:
— Desculpa, Ran, mas não vou poder ficar com você o tempo todo.
— Tá – ela disse abaixando a cabeça, com ar triste.
— Olha, mais um pra vocês, esse aqui é O’Neill Stevan – Gokudera apontou para o rapaz que o seguia – e você — ele disse soltando as amarras do rapaz, — espere ai comportado até todo mundo chegar, ouviu?
Esse não respondeu, só olhou raivoso.
— Não se preocupem, só falta a Chrome e o Takeshi chegarem – Gokudera falou se dirigindo para a porta.
— Não falta não. – disse uma voz abrindo a porta, fazendo com que esta batesse na cara de Gokudera.
Ran segurou o riso, Maya começou a chorar de rir, Stevan e Ken aliviaram um pouco sua expressão tensa e Miu continuou com a mesma cara séria de sempre.
— Seu idiota! – Gokudera gritou com a mão sobre o nariz que, por sinal, sangrava.
— Opa... foi mal Hayato, hehe. – Yamamoto se desculpou, com aquela mesma cara de besta de sempre, sendo seguido por seu sucessor.
— Olá pessoas – Oda já foi se adiantando.
— Boa tarde – Maya respondeu ainda rindo da cara de Hayato.
Ran soltou um “oi” baixinho e tímido. Stevan, Ken e Miu não responderam.
— Bom, eu já vou saindo – Yamamoto disse virando as costas – até mais.
— Ei! – Hayato reclamou – Volte aqui seu idiota! Olha só o que você fez! – e saiu correndo atrás do outro, com o nariz sangrando.
Oda, ao ver a situação, começou a rir tanto quanto Maya. Nisso, Ran começou a se soltar mais e agora ria um pouquinho mais alto. Miu olhava para todos com uma expressão de “como vocês são idiotas”.
— Do que vocês estão rindo tanto? – perguntou Chrome ao entrar na sala com as gêmeas seguindo-a.
— É que.. hahahaha – Maya tentava falar, mas ria demais.
— É que um cara bateu a porta na cara do outro e dai o nariz dele começou a sangrar – Stevan explicou friamente.
— Ah, só isso? – Chrome estranhou – E eles estão rindo tanto assim só por isso?
— Acho que são retardados – Miu falou pegando sua calopsita na mão.
— É que...hhahaha foi muito boa a cara que ele fez com o nariz sangrando, hahaha – Oda ria sem parar.
— Quem são eles? – as gêmeas perguntaram ao ver aquele bando de gente estranha.
— Seus novos companheiros – Chrome respondeu.
— Vamos parar com essa palhaçada toda – escutou-se na sala quando a porta se abriu.
Era Reborn, colocando ordem no local, sendo seguido pela 10ª geração.
— Bom, por favor, vamos para a sala de reuniões – Tsuna pôs-se a frente de todos, indicando uma porta ao lado, para que todos se dirigissem para lá.
Um clima tenso tomou conta de todos. Agora a conversa ia ser séria e inédita para a maioria.
Era uma mesa grande e oval, que acomodava a todos ali presentes, sendo que em cada ponta um chefe estava sentado. Os novos guardiões estavam, se não muito, um pouco perdidos.
— Bom – Tsuna começou a falar — Parece que nós adultos não sabemos olhar para o futuro... – Os mais novos olhavam meio confusos para o chefe, afinal, ninguém sabia direito o que estava acontecendo ali — Não, quero dizer, parece que à medida que vamos virando adultos vamos desaprendendo o significado da palavra "mudança". Ficamos estagnados no tempo, acreditando que não há mais tempo para mudarmos e melhorarmos. Ai passamos o futuro para vocês.
- Vai com calma Dame-Tsuna! – Reborn disse com tom de ameaça – Eles mal sabem onde estão.
- Olha como aquele cara se veste! Ele parece olhar pro futuro? – falou Lambo apontando para Ken, e este retribui o comentário com um olhar frio e ameaçador, um sinal mais do que claro para Lambo não continuar com aquela “brincadeirinha” sobre senso de moda.
- Tá, querem parar de enrolar e falar logo o que tá acontecendo por aqui? – Stevan estava irritado.
E assim começaram as explicações sobre toda a máfia, do que já havia acontecido com eles e com as gerações passadas. E, o mais importante, qual seria a missão deles, a 11ª geração.
- Peraí, nós fomos chamados aqui pra arrumar uma merda que vocês fizeram? – Stevan estava inconformado com a situação.
- Pelo que eu entendi, sim. – Oda respondeu.
- Vocês tão de zuera comigo! – Stevan se levantou com raiva da cadeira, batendo com as mãos sobre a mesa – Eu nunca tive o interesse de vir pra cá! Agora sim que não vou ficar!
Quando ele começou a se mexer para ir embora, repentinamente Ken segurou-o pelo braço, mas sem se quer levantar da cadeira.
- Você tem uma vingança para levar a cabo, não? – Ken perguntou sério e friamente para aquele que segurava.
Todos sentados a mesa olharam para os dois. Stevan olhava com ódio para Ken, e esse olhava para aquele com olhos de quem entendia o que ele sentia.
- Aqui você conseguirá o poder para realizar essa vingança. – Tessei olhava profundamente nos olhos do outro, tão persuasivamente que O’Neill não respondeu uma palavra se quer. Apenas voltou-se a sentar ao lado direito do chefe.
Um momento de silêncio se fez após a situação tensa, enquanto Reborn olhava com certa satisfação para Ken. Logo em seguida, Tsuna falou as palavras de fechamento da “reunião”.
- Bom, para terminar, como vocês estão ainda tem idade de ir para a escola, todos vocês foram matriculados na escola Namimori, até para melhorar o japonês de vocês.
Sim, todos eles tinham um pequeno conhecimento do idioma japonês, fosse por ter alguma descendência ou por terem vontade de falar a língua, ou até por serem nômades e, por conseguinte, serem poliglotas.
- Quê? – Maya falou inconformada.
- Ei! Ninguém me falou que ia ter que brincar de escolinha! – agora era Ken quem não queria mais ficar ali.
- Nem ferrando que a gente vai pra escola! – as gêmeas falaram.
- Sem objeções! – Tsuna levantou o tom de voz e a entonação: aquilo não era uma opção, era uma ordem!
Todos ficaram quietos.
- A única opção que vocês têm é se querem morar aqui, no quartel general, no hotel perto da escola ou na casa dos outros guardiões.
- Posso ficar junto com o Hayato-ji-san? – Ran foi a primeira a se manifestar.
- Eu quero ficar no hotel. – Stevan falou.
- Amarantha, você quer ficar no hotel ou na casa da Chrome? – Amarilis perguntou para a irmã.
- Pode ser no hotel mesmo. – Amarantha responde.
- Bom, eu tenho parentes nessa cidade, então vou ficar na casa deles. – Miu falou.
- Por mim tanto faz – Oda disse – desde que eu não incomode ninguém com meu violão.
- Prefiro ficar no hotel a morar com o Tio. – Maya se opôs a ideia de morar com Lambo.
- Eu fico acom... – Ken ia falar, mas foi interrompido.
- Desculpa Ken, mas você é o único que não tem opção. – Reborn disse subindo sobre a mesa.
- Como assim? – Tessei ficou confuso, afinal, foi-lhe dado a opção de escolha anteriormente.
- Você vai ficar com o Tsuna, afinal tenho que te treinar, como fiz com esse aqui. – apontando para o chefe da 10ª geração.
Ken olhou confuso para o Arcobaleno.
- Lembre-me de nunca mais aceitar um acordo proposto por você... – ele fez uma pausa e levantou uma sobrancelha — Questo avrà un ritorno.*- murmurou, mas os demais presentes não escutaram, mas se quer entenderiam.
- Eu vou ser seu Katekyo! – Reborn disse apontando uma arma para cabeça de Ken.
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