11ª Geração - Saga Jigoku
5 Irmãs névoa: pra ver o circo pegando fogo.
Uma tenda de circo estava em um parque da Noruega e era para ali mesmo que Chrome estava indo. Suas sucessoras eram as ilusionistas daquele circo nômade.
Comprou o ingresso e foi passeando pelo circo, até achar um cartaz com a foto de gêmeas, com escritos grandes: “Venha assistir as melhores mágicas do continente!! As irmãs Von Hambloc!!”. Em letras um pouco menores, havia o horário da apresentação. Chrome olhou no relógio e viu que faltava meia hora para o espetáculo.
— Certo. – falou ela se “transformando” em um dos trabalhadores do circo. Assim foi procurar o camarim das mágicas nos vários trailers que ali havia.
Um dos trailers era escuro, com cortinas pretas em todas as janelas e uma plaquinha escrita “Von Hambloc” na porta. Chrome bateu na porta e esperou uma resposta.
— Quem tá aí? – perguntou uma voz vinda de dentro do trailer.
— Vim aqui ver se vocês não precisam de ajuda para a maquiagem – perguntou Chrome, fingindo ser a maquiadora delas.
— Finalmente! – respondeu outra voz, abrindo a porta – porque não to conseguindo me entender com esse pó!
— Ah, Amarantha! – reclamou a outra que estava se trocando – para de ser fresca!
— Não enche, Amarilis. – a outra retrucou – Venha aqui, Maria, rápido que em meia hora fica difícil fazer a maquiagem. – disse se sentado em uma cadeira.
— Claro. – Chrome respondeu e começou a maquiar Amarantha.
Nisso, outra pessoa bateu na porta.
— De novo? – a gêmea que não estava sendo maquiada – Quem é? – ela falou mais alto para que a pessoa de fora do trailer pudesse escutar.
— É a Maria – respondeu a voz do lado de fora.
As três que estavam dentro do trailer trocaram olhares confusos. Como assim a maquiadora estava do lado de fora, mas estava do lado de dentro?
— Pode deixar, Maria, que hoje vamos nos arrumar sozinhas. – respondeu Chrome, imitando a voz de uma das gêmeas.
A gêmea que estava sendo maquiada pulou da cadeira e junto com a outra gêmea tomou posição de defesa.
— Sabia que tinha algo errado com ela. – Amarantha comentou.
— Mas mesmo assim abriu a porta né? – Amarilis advertiu a irmã.
— Já disse pra não encher.
Elas continuavam em posição defensiva.
— Já deu pra notar que você não é a Maria. – Amarantha falou para Chrome.
— Mostre-se logo. – Amarilis disse com um tom ameaçador.
— Certo. – disse Chrome desfazendo sua ilusão.
— Quem é você e o quer com a gente? – Amarilis continuava com o tom ameaçador.
— Sou Chrome Dukuro, guardiã da Névoa da 10ª geração Vongola.
As gêmeas se olharam confusas. Primeiramente por não terem a menor noção sobre o que aquela mulher estranha estava falando. Segundo porque elas não identificaram de cara a ilusão da outra, o que nunca lhes tinha ocorrido.
— Eu vim aqui fazer um convite a vocês, gêmeas Von Hambloc. – Chrome falava ao se aproximar delas.
Elas recuaram. Afinal, mesmo que não demostrassem, estavam assustadas com o poder da estranha.
— Não vou lhes causar mal, relaxem. – Chrome disse com sua voz suave – O boss precisa da força de vocês.
— Boss? – perguntou Amarilis.
— Sawada Tsunayoshi. O chefe da 10ª geração Vongola.
— Que porra de Vongola é essa, pra começo de conversa? – Amarilis começou a ficar irritada por não entender o que estava se passando.
— Uma das mais poderosas famílias da máfia. – A guardiã da Névoa disse com naturalidade.
— Máfia? – as gêmeas se espantaram.
Por que uma família da máfia estaria atrás delas? Tudo bem que elas nunca foram santas e já tinham feito de tudo, mas será que tinham arrumado confusão com tanta gente assim?
— Não se preocupem, o convite é para vocês fazerem parte da 11ª geração Vongola. – A mais velha se aproximou mais das duas com sua expressão habitual – Aceitam?
As gêmeas, que já haviam abaixado à guarda, se entreolharam. Era um convite muito repentino, mas um tanto quanto atrativo. Fazer parte de uma família da máfia, sendo que elas nunca tiveram nada, nem casa, nem família. A única coisa que lhes importavam era a diversão do momento, para tentar completar esse vazio que havia nelas. Quem sabe aquela não era a chance que elas tinham de, finalmente, ter algo.
Como se as suas mentes estivessem sincronizadas, elas pensaram em todas as coisas que poderiam fazer se fosse de uma família poderosa. Um sorriso malévolo se fez ao mesmo tempo no rosto das duas.
— Aceitamos. – responderam simultaneamente.
— Pois então vamos. – respondeu Chrome feliz por ter sido mais fácil do que ela esperava – Arrumem suas coisas, pois hoje mesmo partimos. – e foi andando para a porta do trailer.
— Certo, mas precisamos partir agora? – Amarantha perguntou.
— Quanto antes melhor. – a mulher respondeu.
— Não tem como esperar mais uma meia horinha? – Amarilis perguntou.
— Acho que sim... mas por quê? – a outra estava confusa, pra que esperar?
— Você já vai ver. – elas responderam juntas, com aquele sorriso malicioso nos lábios.
Meia hora depois, as gêmeas estavam maquiadas e prontas para sua última apresentação.
“Agora, com vocês, as irmãs Von Hambloc!” – um homem anunciou no microfone da tenda. Apenas uma das irmãs entrou. O público estranhou, pois elas sempre entravam juntas no palco.
“Senhoras e senhores” – a voz da outra gêmea se fazia presente nos auto-falantes – “Por favor, apreciem com muito carinho esse espetáculo, pois ele será o nosso último!”
O público reclamou, os outros artistas do teatro acharam estranho, elas não tinham falado nada de sair do circo.
A outra gêmea apareceu no palco enquanto o público se agitava.
— Esse é nosso presente de despedida e de gratidão por todos esses anos de acolhimento nesse circo. – elas falavam juntas – Agora...
A gêmea da direita levantou o braço direito, a da esquerda o braço esquerdo.
-... nossa última “mágica”...
Deram-se as mãos que não estavam levantadas.
— “Eilíft Helvíti”*
Como se brotassem de suas mãos levantadas, chamas começaram a tomar conta da tenda. Tudo começou a queimar, o palco, as cadeiras, as pilastras de sustentação. Chrome se assustou com o nível da ilusão criada pelas duas, era forte demais!
— Vamos? – elas falaram se aproximando de Chrome, com sorrisos nos rostos, enquanto todos ali presentes exceto as três sofriam com a ilusão.
— Kufufufufu – uma risada diferente se escutava no ar – Gostei de vocês, minhas sucessoras.
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