A Toca - Ottery St. Catchpole

Um mês depois

Rony estava deitado em sua cama pensando na carta que recebera no dia anterior, era a primeira notícia que recebia de Hermione depois da carta onde ela desmentia os boatos sobre sua morte. Ela simplesmente havia desaparecido, e pelo que ele notou Harry sabia tanto quanto ele, mas o amigo parecia achar normal essa decisão repentina de sumir e se isolar de todos. Rony entendia que a amiga precisava de um tempo, mas não podia deixar de se preocupar, mesmo ela tendo dito que estava fora do país ele temia por sua segurança. Mortes e desaparecimentos haviam virado notícias comuns no Profeta Diário, fora os casos que o ministério conseguia esconder do público alegando não querer “instaurar mais pânico do que o já existente” como se fingir que estava tudo sob controle pudesse fazer os comensais sumirem. Até a tarde passada ele não ouvira falar dela, quando uma coruja desconhecida chegou trazendo uma breve carta da amiga pedindo para passar o resto das férias com a família Weasley, e avisando que caso a resposta fosse afirmativa ela iria via flu na manhã seguinte, ele enviou a resposta pela mesma coruja dizendo que ela sempre seria bem-vinda ali.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction e em seu antecessor, o Nyah, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Barulhos vindos da sala chamaram a atenção do garoto que rapidamente levantou segurando a varinha com força e foi ver o que estava acontecendo. Ao chegar no andar de baixo paralisou ao ver sua amiga que estava sendo recebida por uma Molly aos prantos oferecendo suas condolências e dizendo o quanto estava feliz por ela estar bem. Onde quer que Hermione estivesse esse tempo todo ela mudara muito, estava mais alta, seu corpo ganhara mais curvas e seus cabelos estavam mais claros e caiam em cachos perfeitos sobre seus ombros, mas a expressão em seu rosto foi o que mais chocara o jovem, ela parecia ter amadurecido ainda mais nesse curto espaço de tempo, e isso fez o garoto se perguntar o que ela havia visto para mudar assim.

Logo que conseguiu se desvencilhar do abraço esmagador da matriarca Weasley Hermione correu para os braços do amigo. Depois de tanto tempo e de tudo que havia acontecido era bom saber que ele estava bem. Rony havia crescido muito nas férias, estava mais alto e forte, porém seu rosto ainda expressava o brilho da esperança, a pureza do coração do garoto que não havia sido corrompida pela guerra que estava acontecendo. De certa forma estava feliz pelo amigo continuar o mesmo, por enquanto, pensou ela, infelizmente ela sabia que ele também sofreria perdas e provavelmente teria que ver e fazer coisas que marcariam sua vida para sempre, isso se eles vencessem a guerra. Felizmente ele não teria que passar pelo mesmo que ela. Se ela seguisse seu plano sabia que seria um caminho sem volta, precisaria ir até o fim e erros não eram permitidos, mas ela já estava decidida e agora já era tarde para voltar atrás, já perdera bastante e perderia ainda mais, mas essa havia sido sua escolha e reclamar não mudaria nada.

Ela sabia que Rony queria respostas, o olhar dele demonstrava que ele estava se controlando para não começar um interrogatório ali mesmo. Mas ela queria esperar Harry, seria mais fácil explicar tudo uma só vez, e que Merlin desse forças para ela falar tudo que precisava ser dito.

Rony entendeu que a amiga não falaria nada naquele momento e decidiu esperar ela estar pronta para falar, era o mínimo que podia fazer por ela, já que ele nunca soubera como lidar com sentimentos e nunca havia passado por nada semelhante, e nem esperava passar. Ele sabia que se Harry já estivesse ali ele saberia o que fazer e como ajudar a amiga. Rony não pode deixar de sentir uma pontada de ciúmes quando esse pensamento passou pela sua cabeça, mas logo tratou de esquecê-lo, não fazia sentido pensar essas coisas sobre os amigos, eles eram o Trio de Ouro da Grifinória, e assim deveria continuar. Estava certo de que os sentimento entre eles eram apenas fraternais e o ciúmes que sentia era apenas por não poder compreender o que os amigos estavam passando.