Epiphany
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Chapitre 113 min de lecture

Primeira Grande Verdade

Epifania

Eu sei que seria muito mais fácil colocar uma foto aqui, porém, como vocês notaram. Não tem como. Claro, que em toda as histórias é legal ter uma descrição do personagem principal, ou seja, eu. Poderia me descrever como o homem mais lindo do mundo. Isso é interessante e vocês nunca descobririam.

Por que eu poderia viajar aqui, não é? Histórias são vidas sem rosto. Nossa, assim eu me empolgo. Posso ser loiro de olhos azuis. Legal!

Tudo bem, eu vou ser verdadeiro. Tenho cabelos ruivos, bem vermelhos mesmo, atécintura, e olhos verdes. Os cabelos são lisos, como todo ruivo eu tenho sardas, muitas sardas, que eu odeio. Estou exagerando, não tenho cara na sarda, se é isso que está pensando. Tenho algumas pintinhas.

Minhas sobrancelhas são finas, e vermelhas como o cabelo, quase não dá para vê-las com a minha pele muito branca. Meu rosto é fino, com lábios bem desenhados com dentes retos e brancos, óbvio né? Sou magro normal, nem muito nem pouco.

Eu também não gosto do meu nome, mas é melhor parar de reclamar aqui, ou vão me achar chato e dizer que essa não é uma comédia. Mas é uma comédia, a minha vida é uma piada, vocês logo vão descobrir. Chamo-me Renan Rodrigues, e nasci no dia 15 de Novembro de 1991. Ou seja, tenho 17 anos e sou do signo de Escorpião.

Se bem, que antigamente comédia era o nome dado a qualquer tipo de texto com teor literário. Falei como um especialista agora? Mais uma explicação, o que é epifania? A primeira vez que eu ouvi o termo foi no filme dos Simpsons.

E quer dizer simplesmente a descoberta de grandes verdades com interferência do divino. Foi profundo não?

Acho que está bom de descrições. Deu para pegar o espírito da coisa. Deu para conseguir me imaginar fisicamente, o resto vocês vão descobrindo com o tempo. Algo como uma epifania.

=.=

Hoje eu tenho um encontro, algo meio adolescente de ser. Vou com dois amigos mais três garotas ao shopping, tudo armação dos dois. Eu tenho dois amigos de infância com a mesma idade que eu, e estudando no mesmo colégio.

Vamos dar nomes e rostos aos burros. Como já dizia o ditado. Um deles chama Gabriel, tem cabelos curtos e pretos como os olhos, é mais baixo que eu, tem 1,70 de altura. Os cabelos sempre arrepiados e um tanto fortinho, é o playboy do grupo. O rosto quadrado com uma covinha no queixo e um piercing do lado direito dos lábios na parte de baixo, uma argola.

O outro tem cabelos castanho escuro, ondulado até os ombros, é bem magrelo como eu. Mais alto do que eu, tem 1,83 de altura, eu tenho 1,75. Os olhos de um tom azul acinzentado. O rosto magro e bonito. Chama-se Luís.

Claro que esse era mais um daqueles encontros que os dois armavam para me desencalhar. Como se eu fosse mesmo o cara mais encalhado do mundo sabe. O problema é que garotas me irritam.

E lá estávamos nós no shopping. Fiquei chateado por ter sido deixado na praça de alimentação com a tal garota, enquanto eles passeavam com as outras, separadamente claro.

Agora descrevendo a fulaninha (apelido para garotas que você despreza). Ela tinha cabelos enrolados loiros, pouco abaixo do ombro, era baixinha e magrela, o rosto fino e não era tão feia.

Estava sentada de frente para mim, e eu a olhava com calma quando ela estragou o prazer do meu Milk shake de morango. Começando a falar da vida dela como se eu fosse o seu terapeuta. Se bem, que nem pagando eu aturaria aquela chata falando.

Eu a ouvia como se ela falasse: blá, blá, blá... Deu para entender?

- Então eu me mudei para a casa do meu pai assim que eles se separaram. Eu gosto da minha mãe, ela me trata bem e...

“Eu poderia estar em casa jogando vídeo game.” – pensamentos internos. Será que existem externos?

- Mas eu agora estou indo na escola perto da casa da minha mãe...

“Eu ainda preciso descobrir como faço para passar daquela fase do Looney Tunes: Sheep Raider.” – mais pensamentos internos.

- Sabe, eu achei legal conhecer você, você é bem poupular entre as garotas da escola...

“Ah, como assim? Popular eu? Então, eu preciso descobrir como faço para eliminar o dragão para empurrar as pedras e pegar as ovelhas do Sheep Dog.” – pensamentos.

- Você não namora, seus amigos me falaram que você adora lanches do Mac.

“Nossa, que pé no saco ela. Será que ela sabe que eu não estou prestando atenção? Melhor balançar a cabeça afirmando e fazer cara de entendimento.” – pensamentos.

- Qual lanche que você gosta mais?

“Droga, uma pergunta! Agora ela quer me ver interagindo? Isso está ficando cada vez mais chato. Por que mulheres falam tanto? E imploram tanto a atenção, será que ela não sabe calar a boca e comer?” – pensamento.

- Na verdade eu gosto de todos. Prefiro o Big Mac com Milk shake, ou de morango ou de chocolate. Mas acho que prefiro mesmo o lanche quente. Sabe não dá para falar e comer ao mesmo tempo.

“Bem era isso que eu queria responder e dar o fora. Mas não queria ser mal educado, então cortei a frase no Milk shake de chocolate. O resto fico só na cabeça mesmo.” – deu para notar que em aspas são pensamentos?

- Que bom. Eu nunca vi cabelos como os seus, nem em garotas. Acho bonito.

“Sim, são melhores que os seus cabelos, sebenta. Passou um pote todo de creme no cabelo? Sério os cachos dela parecem ter sido envolvidos com cola.”

E logo os dois idiotas com as duas garotas que eu nem vou perder o meu tempo, e o de vocês descrevendo-as. Voltaram e se sentaram à mesa, estavam românticos demais com as garotas o que significava que haviam pegado.

Não sei, mas vê-los juntos e tão melosos deu nojo. Parecia um grande churros com doce de leite, bem enjoativo.

- Seu amigo é tímido, não é Biel?

“Não chame ele assim sua idiota, é um apelido carinhoso e ele não é nada seu.”

- Ele é sim, normal. Mas é uma pessoa legal, quando não esta de mau humor. – disse Gabriel comendo batatas com sundae, algo nojento também.

- Eu não estou de mau humor. – disse com a cara mais feia do mundo.

As sobrancelhas grudadas de tão raivosa que estava à expressão do meu rosto. Voltei a sugar o canudo do Milk Shake.

Logo todos eles discutiam as minhas manias como se eu fosse um quadro a ser desvendado. Eu queria muito ir embora. E a vontade crescia cada vez que eu olhava para a fulaninha, não é só por desprezo que chamo ela assim, mas por que ela é tão chato que não me lembro o nome.

- Mas quando não está assim ele é legal. E beija bem também. – disse Gabriel. Cortei meus pensamentos sórdidos e mal criados sobre tudo e prestei atenção.

- Você nunca me beijou não tem como saber. – disse para ele louquinho para começar uma briga, e animar as coisas que estavam calmas demais.

“Isso, agora é só eu levantar uma sobrancelha e rir com cara de que eu ganhei”

- Claro que não beijei, mas ouvi dizer das minas que você já ficou. – disse Gabriel.

“Mais uma que eu posso usar para tirar ele na frente de todo mundo e começar de fato uma briga.”

- Eu não beijo minas, eu beijo garotas. Eu morreria se tentasse beijar uma, elas explodem sabia?

“Acabei sorrindo ao ver que todo mundo tinha caído na gargalhada e que ele tinha ficado com raiva.”

Não estava com ciúmes dele, apenas queria provocar uma situação, se você está pensando isso se enganou. Eu com ciúmes do Gabriel? Fala sério, ele é um garoto.

Mal sabia eles que eu normalmente ficava uma vez só com uma garota, para não ficar com fama de Beijo Virgem. E depois as dispensava por serem chatas.

- Ah, muito engraçado e...

- Gabriel, depois você fala, eu vou no banheiro.

Disse me levantando e saindo. Caminhei até o banheiro, pensando nos meus jogos de Game, no The sims 2 no computador, eu tinha comprado uma nova expansão e queria muito jogar. E parei em frente ao banheiro por que encontrei Deus!

Que Deus? O meu Deus do momento. Vou descrever, era quadrado, de um material desconhecido, estava entreaberto deixando o sol entrar. E tinha uma placa quadradinha em néon escrito: “Saída de emergência”. Era uma emergência não era? Eu precisava me ver livre, mas tinha que avisar ou ficariam me esperando, do jeito que eram idiotas.

Fui no banheiro, que estava ocupado apenas por um homem. Ele era alto, com cabelos curtos e castanhos e olhos castanhos também. Quando eu parei do seu lado para urinar, ele me olhou de cima a baixo. Claro que eu estranhei.

“Merda, só me falta ser abusado sexualmente por um homem dentro de um banheiro que ninguém quase usa.”

- Ei, qual seu nome garoto?

“Ele ta falando comigo. Devo fingir que não ouvi e sair de fininho. Mas ainda estou no meio do xixi, se eu cortar agora vai arder. Sem desespero, ele só perguntou o meu nome, não me pediu para tirar a roupa e ficar de quatro.”

- Renan. – disse rápido.

“Anda logo xixi.”

- Me chamo Danilo, prazer. – disse ele sorrindo maliciosamente e piscando um olho.

“Ai meu Deus, estou me descabelando por dentro. Tem um HOMEM me paquerando. E eu não acho nojento.”

- Quantos anos você tem Renan?

“Definitivamente isso é uma cantada. Que merda.”

- Tenho dezessete.

“Beleza, agora é só lavar a mão e sair. E torcer para ele não me seguir.”

Ele se aproximou de mim enquanto eu lavava as mãos. E segurou os meus cabelos, eu queria simplesmente sair correndo. Ele esfregou as pontas dos dedos nos meus cabelos.

- Seus cabelos são lindos, chamam muita a atenção não?

“Estranho, mas esse elogio agora, não ficou tão agressivo quanto o da fulaninha. Estou gostando. Mas ele é HOMEM.” – pensamento grita.

- Obrigado. – olho no espelho e minha cara está tão vermelha quanto os cabelos.

“Ai, era só o que me faltava. Um dia chato, aquela garota estúpida, o milk shake pela metade, odeio não tomar inteiro. Ter que voltar cedo. Ir mal na prova de matemática. Torcer o joelho no jogo de futebol na escola. Brigar com o Gabriel. E descobrir que sou Gay.”

- Você fica ainda mais lindo envergonhado. Parece que é a primeira vez que um homem paquera você.

“Esta ficando pior. Tirei meu cabelo da mão dele. Eu não posso ser gay, meu pai me mataria. Ele é bonito, mas eu não beijaria ele. Por que? Por que não gosto dele só acho ele gostoso. Ai, merda, o que eu to pensando. Para cabeça maldita.”

- É sim... Eu sou heterossexual.

Ele acabou sorrindo, e pegou um papel no bolso e me entregou. Havia seu nome, telefone, tudo. Ele era advogado.

- Me liga quando mudar de idéia, que é isso que vai acontecer.

“Beleza, eu encontrei um médium agora, um guru que prevê o futuro.Tomara que ele saia logo da minha frente, vai que acaba prevendo mais alguma coisa.”

E logo ele saiu. Eu estava confuso com aquilo. Ser Gay ou não ser? Deixei isso para lá acabei voltando para a mesa e para os meus amigos que haviam se tornado chatos. Queria ficar sozinho.

- Estou indo para casa. – anunciei com a cara séria tacando o Milk shake no lixo.

- Por que? Fica mais um pouco. – pediu a fulaninha.

- Não to afim, estou com dor de cabeça.

- Quer que eu vá junto. – perguntou o Gabriel. – Por que vai ir? Não quer passar na farmácia do shopping e comprar um comprimido?

- Não, eu quero ir para casa.

“Mas que pé no saco, não posso nem ir para casa. Hum, acho que vou pegar eles de surpresa.”

- Sabe o que é Gabriel. Eu acabei de descobrir que sou gay e quero pensar mais a respeito.

“Isso, agora todo mundo está olhando para mim. Desde Gabriel a todos, com aquelas caras chocadas.”

- Afe cara, que nojo. – disse Gabriel.

- Ei, ele está zoando Gabriel, como você é tonto. — disse Luís.

“Claro, não é fácil ser irônico com o senhor Luís, que ele sempre estraga tudo.”

- Olha, Não é por que você não gostou da Fabiana que vai virar gay. O que aconteceu, seja sincero. – disse Luís.

“Ah, então esse é o nome dela. Bem, rima com Fulaninha, Fabiana ou Fulaninha, esta tudo ali. Um do lado do outro. Eu particularmente, gosto mais de Fulaninha.”

- Eu fui no banheiro. E esse cara aqui. – disse mostrando o cartão que tinha também uma foto. – Danilo, me paquerou e eu descobri que tenho tesão por garotos. Eles são menos chatos que garotas. E a cabeça combina melhor sabe.

“Pronto, agora até Luís está me olhando como se eu fosse um ET.”

- Acho que vou ligar para ele. Se bem, que se ele for tão patético quanto vocês dois acho que vou virar um assexuado. Afinal como diria Woody Allen: Não despreze a masturbação, é fazer sexo com a pessoa que você mais ama.

“Eles ainda estão me olhando como se eu fosse um ET.”

- Vou explicar, é fazer amor com você mesmo.

“Eu acho que choquei demais. Será que perdi amizades, melhor corrigir de alguma forma.”

- Woody Allen é um cineastra viu. — acabei completando.

- Eu sei disso. Mas é que... Cara, é nojento ficar com outro homem. – disse Luís.

“É, eles são dois idiotas de mente fechada. Em fim, ninguém é perfeito. Aliás, todo mundo é pouco evoluído, e o homem não está no topo da cadeia alimentar.”

- Nojento é trocar de garotas e ficar com umas tão feias, e transar sem camisinha como vocês fazem, agradeçam por ainda não terem pego Aids. Eca... Quer saber fui. Se não for muito nojento ter amizade com um gay, vocês podem passar em casa amanha para jogar Playstation 2. Meu pai vai comprar hoje. Presente de aniversário atrasado.

Me virei e fui embora, estava sorrindo. E essa havia sido a minha primeira epifania.

“Eu sou gay, eu sou gay, eu sou gay... Nossa que bacana, eu sou gay, não vou mais aturar as garotas chatas e pegajosas. Eu sou gay. Uau, é tão diferente isso.”

Eu tive mesmo uma epifania, essa é uma grande verdade que vai mudar a minha vida. “Tocando ao fundo o tema de Star Wars.”

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