100 dias
21 Capítulo 21 - O porão
O quarteto antes formado por Any, Mia, Vi e Leon, agora é composto apenas por Vi e Leon, que tem como missão chegarem vivos ao laboratório e tentarem mudar as atuais circunstâncias.
— O que houve? -Diz Viollet ao abrir os olhos e perceber que estavam em movimento, sua visão estava um pouco embaçada e sua cabeça doía. – Eu estou sangrando, Leon, onde estamos? Cadê a Any?
Silêncio.
— Leon, estou falando com você, me responda.
— Graças à Deus você está bem, estava muito preocupado, você estava desmaia, não se lembra do que aconteceu? Você caiu de aproximadamente 4 metros, direto para o capô do carro.
— Sim, é verdade, agora que você disse estou me lembrando, Any estava presa, como fez para tirar ela de lá? – Perguntou ela preocupada – Você a tirou de lá, né?
— Não consegui a tempo, mas ela nos salvou, salvou a todos! Mesmo sendo atacada, manteve sua mão fechada segurando o que nós estávamos procurando.
— Não acredito, isso é culpa minha, se eu não tivesse caído, poderia ter ajudado, ai meu Deus, o que eu fiz? -Ela diz em soluços ao começar a chorar desesperadamente-
— Calma, não foi culpa de ninguém, ela pediu para que nós terminássemos o que iniciamos e que ela partiu em paz, sabendo que fez a sua parte.
A garota se senta no banco, secando as lágrimas, olha para Leon e percebe que assim como ela, também está extremamente magoado. Talvez aquele não fosse o momento para eles estremecerem, agora mais do que nunca, precisam ficar firmes, ela observa o banco do passageiro e vê uma lata.
— O que é isso? -Ela aponta-
— Feijões enlatados, ao voltar pela cidade, saqueei o que ainda estava bom, se você quiser por pegar, já comi a minha porção.
— Teremos apenas isso para comer o caminho todo? -Ela pergunta observando a lata-
— Acredito que sim e temos outro problema, o tanque está ficando vazio, logo ficaremos sem combustível.
— Ah, tá de brincadeira né? Já vai anoitecer, como poderemos ficar a pé? Falta muito para chegar?
— De acordo com os meus cálculos, teremos que fazer a travessia da ponte a pé, torcer para não encontrar alguma criatura, pois lá seremos alvos fáceis, temos que chegar ao outro lado de qualquer jeito.
Ele dirige por mais algumas horas até que o carro começa a falhar, ele então percebe que o momento que ele e Viollet discutiam há algum tempo, chegou.
— É agora, vamos? -Ele pergunta já abrindo a porta do carro-
— Não tenho escolha, então vamos. Você sabe que na floresta antes de chegar ao hospital sempre viveram diversos desses monstros, né? Temos que ir armados com qualquer coisa que acharmos.
Eles então procuram nas redondezas, qualquer coisa que servisse como arma. Leon coloca um graveto afiado em sua cintura e carrega uma pedra em sua mão direita enquanto a planta está no seu bolso da calça. Viollet faz um coque no cabelo utilizando um graveto que poderia ser usado caso necessário e carrega em sua mão esquerda um galho de árvore.
Iniciam a travessia da ponte e ao chegarem próximo a metade do caminho, encontram uma gosma verde borbulhando.
— Mas que merda é essa? Como fede – Diz Viollet tapando o nariz-
Leon se agacha, olha para aquilo que estava a sua frente e faz uma observação.
— Essa cor não te lembra nada?
— Como assim?
— As criaturas que estamos lutando contra esse tempo todo, são exatamente dessa cor. Será que estão se multiplicando além de infectar?
Pasma, Viollet não responde nada, apenas respira fundo e fecha os olhos, preocupada com o que poderão encontrar pela frente.
— Vamos continuar, mas me prometa uma coisa, aconteça o que acontecer, você vai continuar e vai chegar ao laboratório, me prometa! -Diz Viollet segurando a mão de Leon-
— Jamais irei te abandonar, iremos fazer isso juntos, agora vamos, não sabemos quanto tempo falta para que tudo acabe.
Decidem correr o máximo que conseguirem e ao contrário do que pensaram, o restante do caminho estava tranquilo, não houveram mais lutas nem nada que os impedisse, tudo estava estranho, onde estariam essas coisas? Completando o caminho, chegam na garagem do hospital e o portão está aberto.
— Será que o pessoal daqui perdeu o juízo? Como deixam o portão aberto? – Pergunta Viollet passando pela fresta que estava aberta no portão-
— Realmente, muito estranho, sem problemas para chegar aqui, portão aberto, aquela gosma verde, o que será que está acontecendo?
Ao entrarem no corredor do hospital, tudo o que conseguem enxergar são as luzes vermelhas de emergência piscando, e o alarme soando fraco como se já estivesse disparado há muito tempo. Naquele corredor haviam quatro salas, uma delas era o quarto de Leon, onde esteve por muito tempo, olham em todas e não encontram ninguém, passam pelo refeitório e o cheiro de comida podre é intenso, preenchendo cada centímetro daquele lugar, bandejas deixadas na mesa como se as refeições não tivessem sido terminadas.
— Tem alguma coisa muito errada, cadê as pessoas? -Pergunta Leon desesperado enquanto soca uma das mesas-
— Calma, calma. Devem estar mais ao fundo.
Entrando na porta que leva ao laboratório é possível ver em uma das macas a gosma verde novamente e ao lado um DVD com a inicial “L” gravada com caneta preta, imediatamente Leon o pega e mostra para Vi que sobem correndo para a administração do hospital que era o único lugar onde poderiam passar a informação.
Ao começarem a assistir não pode-se perceber quem gravou, mas é claramente possível ver Emma amarrada a maca enquanto injetam algo nela, de início parece ser uma espécie de cura porém após alguns minutos o seu tamanho dobra e seus braços e pernas que estavam amarrados podem ser soltos facilmente enquanto as cordas estouram, aquilo ou ela grita como se estivessem com muita dor, começa a bater em todos até que alguém atira em sua cabeça e ela cai, ao cair leva apenas alguns segundos para se transformar naquela gosma verde.
Pela maneira como encontraram o laboratório, várias tentativas foram feitas e todas deram errado, talvez tenha saído do controle e acabaram todos que habitam ali morrendo.
— Não acredita no que acabei de ver, Emma está morta, tudo o que eu fiz foi em vão, não poderei salvá-la -Diz ele enquanto olha para as próprias mãos que estão tremendo – Não pode ser verdade.
— Leon, eu sinto muito... De verdade. Mas não foi em vão, pense em quantas pessoas vivem como nós, fugindo, se escondendo, com medo, com fome, nós poderemos dar novamente um sentido para a vida delas.
Ele pega a planta que está em seu bolso, limpa a bancada que está logo ao seu lado, seca as lágrimas, pega alguns bequers, tubos de ensaio e outras coisas e começa a preparar.
Viollet o deixa por alguns instantes e vai averiguar o restante do hospital, ao chegar aos outros quartos, todos estão vazios, mas para onde todos teriam ido? Resolve ir até o porão, onde encontra algumas pessoas.
— Ei, quem são vocês? O que aconteceu aqui?
— Só pode ser um milagre, não acredito que nos encontraram -Diz uma das enfermeiras chorando – Estávamos na troca de turno, até que todo mundo começou a correr e gritar, e tinha uma criatura verde, imensa logo atrás, não sabíamos o que fazer, nos reunimos e descemos até aqui, mas quando tudo ficou em silêncio e tentamos sair, a porta estava emperrada, achamos que morreríamos de fome.
— Calma, vai ficar tudo bem, Leon voltou, vamos subir para vocês trocarem de roupa e se alimentarem. -Diz Vi esticando a mão para que elas a seguissem-
Ao torno de dez enfermeiras subiram a escada.
— Bom, vocês conhecem esse lugar melhor do que eu, vão e tomem banho, se vistam depois comam, estarei esperando vocês na porta do laboratório.
Passado uma hora e vinte e três minutos, elas encontram com Vi no local marcado.
— Vamos entrar? Esperei por vocês para que nós não o interrompêssemos mais de uma vez -Diz Viollet enquanto abre a porta – Leon tenho uma coisa para mostrar pra você... – Ela paralisa – Leon? — Grita desesperada -
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