Notas iniciais
#071.Broken/Quebrado

Mycroft odiava ter que deixar o trabalho de lado para ter que tratar de algum assunto pessoal, mas fora obrigado a fazer tal coisa quando sua mãe telefonou e implorou desesperadamente para que ele fosse atrás de seu irmão. Aparentemente Sherlock havia desaparecido da face da Terra nos últimos três dias... Seus colegas de faculdade não o haviam visto, seus professores disseram que ele não havia comparecido às aulas e o telefone do seu dormitório não era atendido. Tudo isso fora o suficiente para que a Sra. Holmes se desesperasse e pedisse para que seu filho mais velho fosse atrás do outro.

Então, lá estava ele, parado na frente da porta do quarto de Sherlock no dormitório da faculdade, esperando que o irmão abrisse a porta. Mycroft estava sendo paciente... Já havia batido na porta três vezes, mas não havia recebido nenhuma resposta do outro. Suspirando, o homem pendurou seu guarda-chuvas no pulso e enfiou uma mão no bolso do terno, tirando de lá uma cópia da chave do quarto do irmão. Ele estava tentando manter a privacidade do irmão, mas se Sherlock não queria cooperar, ele também não seria tão legal.

Assim que entrou no cômodo, Mycroft já começou a pensar em tudo o que diria para o outro sobre como aquele lugar parecia estar mais bagunçado do que sei lá o que.

“Levante.” O mais velho empurrou a forma adormecida do irmão que estava sobre a cama no canto do quarto, mas não recebeu nenhuma resposta, e foi até a janela, escancarando as cortinas escuras e deixando a luz do Sol iluminar o interior do lugar. “Vamos logo, Sherlock.”

O Holmes mais velho deu as costas para o rapaz na cama e olhou em volta. Realmente, era impossível entender como seu irmão conseguia viver naquele lugar... Havia restos de comida em cima da escrivaninha, dividindo o espaço com alguns frascos de produtos químicos que o outro deveria ter surrupiado do laboratório de Química e vários livros, cadernos e folhas soltas; havia uma pilha de roupas usadas em um canto do quarto e o guarda roupas tinha apenas algumas poucas peças dentro, um casaco longo e escuro e um jaleco branco incluídos.

“Mamãe ficaria louca se visse esse lugar,” Mycroft falou enquanto se abaixava para pegar o violino do irmão que estava no chão, perto da pilha de roupas sujas, antes de virar-se para olhar o rapaz novamente. “Sherlock, você está me ouvindo?”

O mais novo, que estava deitado de costas para ele, não respondeu e nem deu sinal algum de estar ouvindo. Soltando um muxoxo, o homem deixou o violino sobre a escrivaninha e foi até o outro, empurrando as suas costas novamente.

“Sherlock, eu sei que você não tem um sono tão pesado, seu idiota, levante!”

Revirando os olhos, Mycroft puxou o outro, fazendo com que ele ficasse de barriga para cima, pronto para ficar uma boa hora dando sermão no irmão, mas todos os seus planos desapareceram assim que ele olhou para o rosto de Sherlock.

O rapaz estava pálido, muito mais pálido do que o normal, aparentemente inconsciente, e havia uma poça do que parecia ser vômito ao seu lado. Antes de pensar em qualquer outra coisa, Mycroft puxou o braço esquerdo do irmão e, como imaginava, encontrou várias marcas avermelhadas em seu antebraço. Afastando-se um pouco, viu, caída no chão ao lado da cama, quase oculta pelas cobertas, uma seringa.

“Seu imbecil!

O mais velho puxou o outro de cima da cama e colocou-o deitado de lado no chão. Ajoelhando-se atrás da cabeça do irmão, Mycroft dobrou uma perna deste, assim como seu braço, colocando a mãe dele embaixo de seu rosto, antes de colocar a mão sobre a testa de Sherlock e puxar a sua cabeça para trás. Com a outra mão, o homem deu um jeito de alcançar o telefone sobre a mesa de cabeceira e, com os dedos trêmulos e quase se recusando a apertar os números certos, digitou o telefone que queria.

“Alô...” Sua voz estava esquisita. Trêmula e quase esganiçada, como se sua garganta estivesse se fechando ao redor de suas cordas vocais. “Preciso de ajuda, tenho um caso de overdose de cocaína aqui...”

Notas finais
Já que o Sherlock dos livros era viciado em cocaína, aí está um Sherlock da BBC viciado em cocaína. Tadinho do Mycroft, sei lá, imaginem o desespero do cara... 1- A posição em que o Mycroft coloca o Sherlock no chão (de lado, uma perna dobrada, um braço dobrado sob o rosto e cabeça puxada pra trás) é chamada de PLS, Posição Lateral de Segurança, e serve pra abrir as vias aéreas da vítima. Agora toda a vez que eu for estudar/treinar isso num manequim eu vou lembrar do Sherlock, ótimo D: (minha-aula-de-Suporte-da-Vida-serviu-para-uma-fic-que-lindo! :D) Nho, valeu as duas pessoas lindas que deixaram reviews no drabble passado :3 MsWritter e Piper :3 Espero que tenham gostado desse aqui (: Beijos ;* Ari.