Notas iniciais
Primeiramente (E pela a última vez, creio eu que terei para agradecer alguma leitora quanto a isto), gostaria de agradecer as leitoras Isa e Wallery Souza, pelas lindas recomendações após o último capítulo. Cês não cansam de me arrasar, né? Apreciei cada uma, de coração ♥ ANTEÇÃO: CAPÍTULO NÃO REVISADO!

Moira observou o filho por alguns instantes, em completo silêncio. Sabia que ele estava consciente do seu olhar mortal, sabia também que se o mesmo escolhera ignorar sua presença, era porque já tinha uma certa ideia do que se passava na sua mente. Modéstia parte, criara filhos um tanto quanto geniais — difíceis, mas geniais. Entretanto, se eles ganhavam de um lado, perdiam de outro. Ambos eram completamente pobres em fazer escolhas sábias — com sorte, ela ainda existia e estava presente para remediar isso. Só Deus sabia qual futuro desastre ela poderia estar evitando no momento.

Com um suspiro, resolveu tomar responsabilidade do estrago que ela mesma poderia ter provocado, sem querer.

― Oliver?

Relutante, ergueu os olhos para contemplar a mãe, enquanto fechava lentamente o jornal na sua mão. Iria fazer meia hora que fingia ler o mesmo anúncio. Talvez devesse começar a temer o fim do mundo mesmo, como Pastor West havia proclamado no culto de dois dias atrás, Oliver ponderou, perdendo o que sua mãe havia acabado de perguntar.

― Desculpe, o que você falou?

Moira estreitou os olhos. ― Você anda muito distraído desde que voltamos daquela fazenda. ― Com pesar, Oliver notou um sorriso suspeito crescer no rosto da mãe. A, lá vinha. ― De qualquer jeito, eu havia te falado antes que hoje Samantha aparecerá na festa da QC. ― Prosseguiu, sem se abalar.

Ahh, a festa da QC. E Samantha. Oliver abriu a boca, mas não emitiu som algum. Seria hoje a festa de final de ano da QC, em consequência, também seria o dia em que anunciaria o seu casamento com Samantha. Sua ex namorada. Não era louca quanto Helena, mas também não era uma de suas preferidas, contudo, seu pai era dono de uma fortuna que logo a mesma herdaria. Sem sombra de dúvidas, um casamento com Samantha Clayton, era um bom negócio — tanto que Oliver havia concordado com a mãe sobre casar-se sem sequer pestanejar -, mas não mudava o fato dele sentir-se encurralado.

Antes, a ideia de casamento para ele era bem simples, uma vez que cedo ou tarde, teria de fazer aquilo mesmo. No seu mundo, poucos casavam-se por amor, portanto, achou razoável a escolha de sua mãe ser Samantha para ele. Já havia vadiado demais e estava ficando velho, nada mais justo que unir dois clãs poderosos. Se o seu casamento fosse um desastre, sempre teria o divórcio. Porém, sua concepção havia mudado drasticamente nos últimos tempos.

Se a ideia de se casar, o incomodava antes quando sua mãe anunciou a caça às noivas, agora, o incomodava dez vezes mais. Parecia um sentimento esmagador. Não acreditava que encontraria, àquela altura do campeonato, a quem se afeiçoar — mas uma loirinha irritante, estava provando o contrário para ele.

E isso o estava agoniando por dentro, durante os últimos dois dias.

Felicity. Smoak. Ela. Ela quem o estava agoniando. Ela quem o levaria para a insanidade brevemente.

― Hm... ― Não sabia mais o que falar além disso, portanto, resolveu emendar mais alguma coisa para não plantar suspeitas — se já não o havia feito -, na mente de sua mãe. ― E ela pretende se hospedar aqui na mansão?

Havia uma acidez notória no seu tom, que não passou desapercebida por Moira. Ela gostou da reação.

― Claro, onde mais ela se hospedaria? ― Lhe lançou um olhar afetado. ― Afinal, ela será sua futura esposa, não é mesmo?

Não. O inferno congelaria antes que isso ocorresse, pensou resoluto, começando a racionalizar. Bem, tinha quase trinta anos e era dono do seu próprio nariz, não precisava mais se sujeitar aquele casamento. A expansão dos seus planos de negócios poderiam esperar, decidiu. No momento, era mais importante fazer o que queria. E queria muito acabar com os planos de casamento de sua mãe, o problema era que não sabia como dizer aquilo, sem frustrá-la.

Ficar perto de uma mulher da estipe de Moira Queen e ainda frustrada, era perigoso. E Oliver não queria isso, mas tampouco queria casar-se — ou ao menos, as razões que tinha antes para aceitar aquele noivado, se tornaram grãos de areia. Francamente, era ridículo ele estar voltando atrás de um negócio grande quanto aquele, que lhe renderia bons lucros, mas...Seus instintos gritavam para recuar.

Adotou uma expressão neutra.

― Não sei, quem sabe?! Há sempre a chance dela me recusar...Afinal, temos um passado tempestuoso.

Moira elevou a sobrancelha.

― E com quem mais você não tem um passado tempestuoso? ― Girou os olhos e ele sentiu vontade de imitar o gesto da mãe, mas se limitou em bufar. ― Seu passado com todas as mulheres, é um desastre completo. ― Acrescentou simpática, quebrando a possibilidade do clima ficar hostil.

Se bem que, conhecendo Oliver como o conhecia, ele jamais ficaria hostil. Ou fora de controle. Suas emoções eram tão ou mais controladas quanto os seus movimentos. Entretanto, há dois dias atrás, Moira tinha a completa certeza que o modus operandi do filho, havia sofrido uma alteração no código.

Vê-lo gritando furiosamente com a secretária, por ela ter saído inadvertidamente para o meio de um provável cenário de guerra, quando o mesmo fizera igual no processo de dar uma represaria nela, havia deixando-a pasma, admirada, assombrada, estupefata...E o melhor de tudo que quem causara todas aquelas reações e emoções, fora uma loirinha baixinha que segundo Thea, costumava estar sempre metida em confusão junto a Oliver.

Era esplêndido. E inédito.

Por mais que apreciasse a ideia do filho casar-se com Samantha Clayton, gostava mais de o ver livre e feliz. Coisa que não almejaria usando seu raciocínio lógico para justificar que ele sempre poderia alternar para o divórcio, caso ele e Samantha fossem incompatíveis em laços matrimoniais.

Discreta, o estudou mais um pouco. Notava sua carótida trabalhando furiosamente, indicando que estava pensando em algo que lhe deixava extremamente nervoso. Reprimiu o sorriso satisfeito.

Com Felicity. Com Felicity, ele não tinha um passado tempestuoso. Quis dar essa resposta para a mãe, mas mordeu a língua mais uma vez — o que era completamente atípico, entretanto, o que andava sendo normal nos últimos dias para ele?!

― Nem todas. ― Resmungou ― Tenho certeza que em Star City, ainda há mulheres com quem eu falo e não tenho um passado assombroso. Ao contrário, sequer tenho um passado com elas!

Como se soubesse o que passava na sua mente, o avaliou por alguns minutos, até perguntar docemente — doce até demais, para o seu gosto -, a questão inconveniente:

― Está usando como exemplo Felicity Smoak?

Internamente, todos os xingamentos que Oliver conhecia, fez uma dança sincronizada em sua mente. Externamente, olhou a mãe desconfiado. Por que ela parecia tão perversamente divertida diante àquela perspectiva?

― Hmmm, isso está ficando bom. ― Thea comentou em voz alta, fingindo ler a revista na sua mão, mas todos dentro daquela sala sabiam muito bem do que ela estava falando.

Oliver revirou os olhos, descruzando as pernas e colocando o jornal na mesinha de centro, diante dele.

― Por que eu a usaria como exemplo?

Moira levou a xícara de café aos lábios e retrucou. ― Por que não a usaria?

Touché! Oliver nunca odiou tanto ter membros inteligentes na sua família. Certamente, os Deuses estavam rolando de rir agora.

Se impacientou. Jogos de palavras, eram realmente uma verdadeira merda para quem não estava disposto a lidar com eles, pensou sombriamente, dando um certo crédito para os surtos de Felicity para com ele.

― Por que mesmo estamos falando dela?

Moira fez uma encenação adorável de alienação, até retrucar:

― Não sei, por quê?

Pela primeira vez, sentindo-se derrotado, Oliver olhou o relógio antigo pendurado na parede de sua casa, de forma ostensiva. O pêndulo e muito menos o ponteiro, pareciam querer cooperar com ele hoje. Ainda não estava no seu horário para sair — e não fugir, uma vez que ele nunca fugia de nada—, de casa e evitar mais perguntas inconvenientes de sua mãe.

― Também não sei.

― Eu sei! ― Thea largou a revista e os olhou com um sorriso angelical.

Oliver grunhiu.

― Não, você não sabe. ― Apontou para a revista. ― Estava ocupada demais lendo sua revista teen para conseguir pescar alguma coisa da conversa.

Tanto Moira quanto Thea, curvaram os lábios num sorriso divertido. Todo mundo sabia que Thea Queen não estava lendo revista alguma. E só poderia haver uma explicação para Oliver ignorar isso: Estava desesperado.

― Sou multitarefas.

Moira riu, Oliver não.

― Minha paciência tem limites, vocês sabiam?

Thea piscou, inocentemente na sua direção.

― É por isso que você acabou fazendo um contrato louco de 100 dias com Felicity? Por culpa da sua paciência limitada? ― Seu sorriso se ampliou ― Aliás, não seria hoje o fim do contrato?

Oliver devolveu o sorriso, de maneira depreciativa.

― Foram muitas perguntas, para poucas respostas que eu estou disposto a lhe dar.

― Oras, esse é o seu jeito de dizer com delicadeza que está fugindo das minhas perguntas inocentes? ― Provocou, consciente que estava entrando num território perigoso.

Com prazer, notou quando Oliver mordeu a isca.

― Pra início de conversa, o contrato não é nem um pouco louco. Só uma pessoa perfeitamente equilibrada, conseguiria redigir todas aquelas cláusulas. ― Bradou, com o rosto vermelho. Por que todos insinuavam que ele era um alienado por ter feito aquele contrato? Ele era até que razoável! ― E segundo, tive muita paciência com Felicity. Se ela acabou nessa enrascada toda, foi culpa dela! Como uma secretária, ela é um completo desast-

― Por que então você não quis apenas a despedir? ― Moira o interrompeu, entrando também na discussão do filho. Cansara-se ser uma mera ouvinte.

Oliver ficou lívido, tanto de raiva pela interrupção, quanto pela pergunta extremamente boa — mas felizmente, repetida no seu repertório. Diggle havia perguntado o mesmo antes, deixando-o já armado para guerra.

―...Como eu ia dizendo, ela é um completo desastre como secretária. ― Continuou, com ênfase ― E como vocês duas sabem, gosto de um pouco de diversão, portanto, pensei nesse contrato. Seria fácil demais apenas dispensá-la. ― Fez um movimento negligente com a mão, acrescentando logo em seguida. ― E sim, é hoje que o contrato acaba. Diga adeus à sua adorada Felicity Smoak. ― Completou, dessa vez, só para provocar a irmã.

Para sua grande decepção, não conseguiu o efeito desejado, ao contrário. Se possível, os olhos de Thea cresceram, num nítido interesse.

― Ela virá hoje na festa da QC?

― Se for inteligente, não. ― Expressou sombrio, pensando no desastre que seria a cena de Felicity testemunhando o seu noivado.

Era mais que nítido sua adoração por ele e mais óbvio ainda que ela sairia ferida, caso presenciasse a cena. Mesmo que fosse cínico, às vezes, não desejava que ela sofresse por ele. Ou por ninguém. Em resumo, não desejava que jamais nada de ruim lhe ocorresse...Estranho.

Como se de repente desse conta que estava sentado num formigueiro, Oliver pulou do sofá e numa passada só de perna, alcançou o vão da porta que levava ao corredor da casa. Ainda no corredor, pode ouvir Thea murmurar para a mãe «Aposto 15 dólares que ele não a deixará ir... »

Ele quase lamentou o preço tão baixo que ela depositou na aposta. Quase.

(...)

Com uma paciência que de longe estava sentindo, Oliver aguardava seus convidados especiais no heliporto da QC, encostado à uma parede. O voo parecia ter atrasado mais que o esperado, portanto, era explicado o motivo dele estar feito um poste de luz há mais de meia hora, parado ali.

Em circunstâncias normais, rogaria a culpa na sua atrevida secretária, que estaria ao seu lado fazendo comentários impertinentes e com certeza grunhindo com aquela voz fina de «Não é a minha culpa se o voo atrasou, Queen!»

Mas uma vez que estava privado da sua presença e também da presença do seu fiel guarda-costas, restava-lha apenas a aguardar em completo silêncio, a chegada do seu amigo e afilhado. Contudo, isso não o impedia de ficar lançando olhares coléricos para a pista, ou o que quer que cruzasse no seu raio de visão.

Como havia comentado com sua mãe e irmã, mais cedo, sua paciência tinha limites. E quando estava prestes a desistir da sua missão, ouviu o som inconfundível de motores de avião.

― Bem a tempo. ― Comentou consigo mesmo, sentindo-se um tolo por estar falando seus pensamentos em voz alta daquele jeito, mas mesmo assim, sentindo-se incapaz de frear sua própria língua.

Atribuiu a reação ao que iria fazer naquela noite. Certamente estava louco.

Curtis's Pov

― CHORO PUUURQUE ESSE AMOR QUE NÃÃÃÃÃÃO SE ACABÃÃÃÃ, É COMUUU UMA FLOR QUE VAI NASCEEEERRR!

Eu ia dar na cara daquela racha se ela não parasse agorinha de cantar Kelly Key! Estava assim doidona, desde que voltou da fazenda, há dois dias e não recebeu uma ligaçãozinha do chefinho delícia. A situação estava tão triste, que estava quase pedindo pra ela começar a cantar Florentina de Jesus, pra ter uma mudança no repertório.

Com a paciência da deusa Hera, desliguei o som e acabei com aquele cocoricó todo. Estava exausta de ouvir aquela mocréia lamentar pelo o pinto não montado! Tá que eu no seu lugar, estaria chorando o atlântico e me afogando nele, afinal, Oliver Queen é Oliver Queen. Mas...Por favor! Ao menos ela poderia sofrer com um pouquinho mais de classe, lá em Paris, entornando um copo de vinho, né?!

― ...TE AMUUUUUUUUU, SEM SABEEEEEEERRRR, QUENHÉÉÉ VOCÊÊÊ!!! ― A racha continuou cacarejando, sem noção do perigo que corria.

De esguelha, notei quando Barry entrou em posição para me deter.

― SEGURA O MEU POODLE BARRY, QUE EU VOU DAR NA CARA DELA!!! ― Ameacei, pronta pra avançar na racha desafinada e mal dada. Como o previsto, Barry já correu pro abate, me agarrando. Nem gostei. ― Nada como uns tabefes para orientar essa daí! ― Continuei a encenação de ativa, quando na realidade não me passava de uma passiva louca.

Enquanto eu estava lá me aproveitando do Jackzinho que caiu de paraquedas na nossa vida, a doida ligou novamente o som e começou a pular em cima do sofá, ignorando tudo que estava em cima dele. O que incluía o seu celular e os meus pertences preciosos. Dessa vez me desesperei de verdade.

― VIADO, TU ME SOLTA QUE ELA VAI MANDAR O MEU NOTEBOOK PRA MARTE!!!! ― Gritei, tentando me livrar do aperto do segundo boy magia da minha vida.

― SE TEM UMA COISA QUE EU NÃO ADMITO É GRITAR CUUUMIGÕÕÕ!! ― A racha se juntou a minha gritaria, ignorando completamente minha aflição. De olhos fechados, recomeçou a cacarejar, fungando. ― VOCÊ GOSTÁÁÁ DE MANDAR, VOCÊ SÓ ME FAZ SOFRÊÊÊR. ― Outra fungada ― VOCÊ SÓ SABE GRITARRRR E GRITA SEM SABÊÊÊÊ!!! ― Se jogou no chão, próximo ao sofá, toda dramática. ― MAS SEM MIM CÊ NÃO VIVE NÃO MEU AMOOOOOOOOR, FALA BAIXINHO CUUUMIGO, A SUA DONA CHEGOUUU!!! ― Adaptou uma parte da música, para deixar tudo mais deprimente.

Finalmente, consegui me soltar do Jackzinho e corri para o sofá, tentando resgatar os meus pertences, por sua vez, Barry foi desligar o som e tentar encerrar aquele show dos horrores.

―...Felicity, não sabia que você gostava de cantar tanto assim. ― A voz do chefe delícia preencheu todo o apartamento e com os pelos até do cu arrepiado, soltei um berro, correndo rapidinho na direção do Jack, tentando me salvar da alma penada do gostosão da espada misteriosa.

― AAAAAAAAAAAAAAA!!!!!! ― Felicity também gritava escandalosa, olhando o celular, mais vermelha que um tomate.

― QUE FOI RACHA? ― Gritei de volta, ainda no colinho do Jack. Estava até parecendo uma noiva e ele um noivo. Adorei, viado!

Como se tivesse perdido as cordas vocais — finalmente! — a doida apontou para o celular. Cerrei os olhos, o inspecionando e logo saquei o que havia acontecido. Soltei uma gargalhada alta rapidinho, adorando rir da desgraça da racha mal comida. Num é que no meio da cantoria a burra parecia ter ligado para o Queen — ou ele ligou para ela e ela esbarrou com o pé, sem querer, no celular?! Ah, não sei!— e agora ele havia ouvido tudinho?!

Agora que o Queen tinha certeza que a garganta dela só servia pra uma coisa: Engolir. Não falei o quê!

Soltei uma risadinha maliciosa, com o pensamento e logo senti minha raba bater contra o chão duro. CHOREI!

― BARRY! ― Gritei, enlouquecida, enquanto levantava-me do chão e massageava o meu instrumento de negócios. Como é que ele fazia uma coisa dessas comigo? Não esperava por aquele golpe baixo! Ele ficou vermelho, mas também não se desculpou.

ABUSADO! ME AGARRA E DEPOIS ME DISPENSA ASSIM!

― Hmm, Oliver, o que você quer? ― A racha falava com uma voz calma, camuflando seus pulinhos retardados em volta de Barry-cão, que não sabia se acompanhava a dona naquela loucura ou olhava Barry-Jack, esperando por uma orientação. Coitado, o cão logo iria vomitar de tanto que a doida girava ao redor dele, feliz com a ligação do gostosão.

Se bem que eu no lugar dela, estaria subindo pelas paredes.

― Tenho uma entrega para você. ― Comunicou no viva voz, com aquela voz que fazia a menina em mim querer aflorar ainda mais. Os olhos da racha cresceram em expectativa, e como se eu fosse alguma empregada, fez sinal para que eu fosse até a porta, receber sua tal entrega. Será que ela não sabia que o tempo de escravidão já havia passado?!

Só não bati o pé, porque resolvi pensar com mais coerência e ver as coisas pelo o lado bom. E se fosse o gostosão na porta? Iria o receber de braços abertos — até porque as outras coisas já estavam abertas e preparadas para ele. Desculpa racha, mas se der mole, cato mesmo!

Me tremi todinha em expectativa, ao abrir a porta, mas encontrei apenas o corredor vazio. O GOSTOSÃO ESTAVA FAZENDO UM JOGO COMIGO?

― Tem nada aqui. ― Comuniquei a racha, rachando todos os seus sonhos cor-de-rosa.

― AKIOOOO!!

Ouvi uma voz e voltei a olhar de um lado para o outro. Tava ouvindo coisas do além?!

― Aqui onde? ― Perguntei para o nada, aguardando.

― AKIOOOOO!!! ― A voz insistiu. Impaciente, voltei a inspecionar todo o corredor com o olhar. Será que eu tava com o olho no cu? Não era possível!

― AQUI ONDE?

― AKIOOO! ― Recebi uma canelada certeira que me fez ver toda a nebulosa de Órion. Aiiiiii, como bicha sofre!

Com a purpurina já escorrendo dos meus olhos, olhei para baixo e dei de cara com uma pestinha de olhos puxados, ele me olhava com um sorrisão na cara. ME DERRETI TODA!

― Awwwww que bonitinho Felicity, temos um filhote de guaxinim órfão perdido na nossa porta! ― Comuniquei a racha, apertando as bochechas do pequeno órfão. Mas em troca, recebi outra canelada. ― AIIIIII!!! ― Gritei segurando o lugar atingido e quando pensei de começar a citar toda a bíblia para aquela cria do diabo, ele passou rápido do meu lado e entrou no apartamento.

― LOIRA DE FARMÁÁÁÁCIA, CHEGUEI!!!! ― Anunciou de braços abertos, como se fosse algum presentão. Só não fiquei indignada, porque vi a racha empalidecer rapidinho e cair dura, dura no chão, como se tivesse visto o demônio em pessoa.

CHOQUEI, VIADO!

Oliver's Pov

― Essa foi uma péssima ideia.

Ouvi pela milésima vez, num intervalo de três minutos, Slade dizer a mesma coisa. Revirei os olhos.

― Foi uma ótima ideia. ― Objetei, focando nos papéis na minha mesa. Como o imaginado, a QC estava frenética com a equipe do buffet e os organizadores da festa, andando pra lá e pra cá. Até a noite, tudo estaria prontamente impecável do jeito que minha mãe esperava.

― Não foi não.

Bufei, largando os documentos e o fitando, contrariado.

― Felicity, adora Akio.

Ele riu zombeteiro.

― Você sabe que não. Aliás, ainda estou me perguntando o que de tão importante você tem para me dizer, pra me solicitar aqui em Star City, e ainda com Akio de bônus.

Girei os olhos, com a sua impaciência nítida.

― Slade, você não ouviu falar que a pressa é inimiga da perfeição? Calma.

Cruzando os braços e adotando uma expressão no mínimo suspeita, meu velho amigo me encarou. Desviei o olhar, convencendo-me que aquela manobra havia sido meramente estratégica da minha parte e não covarde.

― Bem, dane-se esse ditado, tenho pressa para voltar para casa e para a minha família! Uma vez que você se case, saberá o que eu estou dizendo. ― Me olhou simpático ― Portanto, sem enrolação Queen, me conte logo o que você quer comigo, ou deixarei Akio sob a sua asa durante um mês inteiro.

Ele não era nem louco! Tudo bem, admitia que não estava nos meus planos Akio acabar aparecendo ali junto a Slade, mas compreendi imediatamente que fora inevitável, uma vez que Slade falou em alto e bom som, perto da criança, que me faria uma visita rápida.

Akio podia ser uma peste 80% do tempo, mas nutria um certo apreço por mim e eu por ele. Naturalmente, grudou em Slade até que o mesmo o trouxesse aqui, porém surpreendentemente, resolveu que queria ver Felicity. Não me incomodou com isso, ao contrário. Por mais divertido que fosse ficar na presença de Akio, não conseguiria garantir muita diversão para ele no dia de hoje. Já Felicity, por outro lado...

― Faça isso que eu prometo apresentar minha próxima geração à sua querida Rose.

O homem cresceu com a provocação. Não dei um passo para trás, ao invés, voltei a olhar atentamente os papéis na minha mesa, ainda de pé.

― Queen, prometa que irá deixar sua prole bem longe de minha filha pelos próximos 100 anos!

Um sorriso perverso tremulou nos meus lábios. Foi inevitável.

― Mmmm-hmmm, veremos. Não posso te prometer nada. ― Foi minha resposta nem um pouco interessada e quando ele estava prestes a retrucar, tornando aquilo numa discussão acalorada, fui mais rápido. ― Assine aqui. ― Ofereci o papel que segurava, logo em seguida, tirando uma caneta do paletó.

Slade franziu o cenho, mas assinou de qualquer jeito. Bom.

― Por que eu tive que assinar isso? ― Perguntou, ao fim da tarefa e eu suspirei, recolando a caneta no seu local de origem.

― Para assumir o comando do projeto em Lian Yu, caso algo me ocorra.

Ele esboçou uma genuína preocupação, mesclada de diversão.

― Pensando em morrer, Queen?

Soltei uma risada sufocada. Não pretendia morrer nem tão cedo...antes fosse.

― Não, isso foi só no caso de eu perder a sanidade. Penso em cometer uma loucura brevemente.

Talvez tivesse sido pelo meu tom sério, ou quem sabe, pelo o meu olhar aniquilado, mas Slade pareceu ligeiramente assombrado com a minha confissão, deixando claro que acreditava veemente em cada palavra dita por mim. Muito bom.

― Que tipo de loucura? ― Se interessou, analisando-me. Mais uma vez, soltei um suspiro pra lá de dramático.

― O tipo que vai me fazer perder uma fortuna e tanto.

Compreensão brilhou em seus olhos e não me deixei impressionar pela sua rápida percepção. É claro que ele tinha uma certa ideia sobre o que eu estava implicando.

― Ora, ora, ora... ― Arrastou a voz, num gracejo alegre ― Parece que alguém por aqui está apaixonado!

Revirei os olhos novamente, temendo que a qualquer momento ele fosse cair, caso eu voltasse a repetir este mesmo movimento num curto período de tempo.

Resolvi me explicar, antes que acabássemos tendo um mal entendido.

Não é nada disso, só achei a ideia de me casar agora, menos atraente. Não preciso me tornar o cordeiro sacrificado para ninguém ou minha família. E também...O contrato de Felicity acaba hoje.

Ele ficou me encarando por tanto tempo em silêncio, após aquela nova informação, que pensei em perguntar se ele gostaria de um beijo.

― Faça-a ficar. ― Disse ele, da forma mais banal possível. Fechei a cara.

Faça-a a ficar? Como? Não era tão simples assim! Não sabia como fazê-la ficar.

Era certo que a vaga de secretária sempre estaria aberta, mas não para ela, pelo menos. Era inquestionável que faltava-lhe habilidade o suficiente para aquele cargo, portanto, suas chances eram nulas naquele setor. Não cometeria o mesmo erro novamente.

Nos mataríamos em poucos meses. Voltaríamos a brigar feito cão e gato, e por mais que minha parte sadista apreciasse mais outras briguinhas infantis com Felicity — onde eu sempre ganhava, é claro -, tinha o pressentimento que ela quem não aguentaria mais essas brigas.

― Não sei como. ― Confessei a verdade, achando que a melhor maneira de abordar o assunto era usando a honestidade. Quem sabe assim, Slade tivesse um conselho bom...

Fala a verdade, mesmo que ela esteja contra ti. ― Citou solenemente ― Use isso com a loirinha.

Como se eu fosse ter o trabalho de mentir sobre alguma coisa, o olhei debochado.

― Obrigado, você ajudou muito.

― Não há de quê. ― Ironizou, logo adotando uma expressão curiosa. ― Agora me diz, a sua loirinha vai estar na festa hoje?

Franzi o cenho, cruzando os braços. Felicity naquela festa, junto com Samantha, não era um cenário que eu gostaria ver.

― Espero que não. ― Respondi lentamente, ainda pensando nos inúmeros cenários desastrosos que poderia acarretar a presença dela na festa.

Não queria uma cena.

― Por que?

― Porque os acionistas da empresa, estarão presentes. Sem contar, é claro, nos diversos possíveis investidores para o projeto de Lian Yu. ― Esfreguei o queixo, pensativo. ― Imagine se Samantha ou Felicity, decidam causar uma cena? Pois já é fato que irei acabar com os sonhos de Samantha ao dizer que não irei me casar com ela, assim como minha mãe esperava. E também é fato que irei, definitivamente, honrar o meu contrato com Felicity...

― Ou seja, será inevitável que uma dama hoje, ou duas, queiram sua cabeça numa bandeja. ― Slade completou minha lógica, com um pouco mais de exagero. Na realidade, eu completaria aquela frase com um pouco mais de graça, usando por exemplo: Será inevitável que uma dama hoje, ou duas, queiram o meu pinto num cachorro quente tamanho família.

Mas tudo bem, deixaria aquele deslize passar.

― É, mais ou menos isso mesmo.

― Ótimo, acho que vou enrolar um pouco mais por aqui em Star City e voltarei amanhã para Lian Yu. Não quero perder o evento de hoje. ― Anunciou com um sorriso de quem havia acabado de ganhar na loteria.

Certamente estava muito contente para ver minha desgraça. Maldição.

― Não terá nenhum evento hoje, além o do planejado. ― Praguejei, carrancudo só com a ideia de tudo não sair conforme o imaginado.

― Será? ― Me olhou com uma sobrancelha levantada, duvidando das minhas palavras — e com razão. Geralmente, Felicity tinha a tendência de me surpreender e deveria ser por isso mesmo que chamou tanto assim a minha atenção.

Suspirei, não poderia ter escolhido melhor, mulher mais complicada para me apaixonar.

Felicity's Pov

― Eu vou nessa festa!

Falei, segurando firmemente meu cartão de identificação da QC. Se aquele fosse ser o meu último dia o usando, que fosse útil!

Após receber a cria do diabo na minha casa, quase mandar para o ralo toda a minha paciência e ainda impedir que Curtis jogasse a criança para fora da janela do nosso apartamento após o comparar pela milésima vez com um nescau estragado...Concluí que não passaria a noite, madrugada, semana, ano, década, chorando pelo o pinto perdi-pelo Queen perdido!

Eu iria naquela festa e lutaria pelo o MEU Queen! Diria bem na cara dele, tudo que tinha que dizer e se eu não conseguisse executar aquela tarefa, apenas tascaria um beijo naquela boca e lhe daria um ultimato. Ele não podia simplesmente se livrar de mim assim daquele jeito!

Me recusava a estiar a bandeira da derrota. Não e não! Primeiro, veria o seu procedimento comigo. Quem sabe ele mudasse de ideia sobre aquele contrato? Tinha consciência que ele nutria algum sentimento por mim e por menor que fosse, me agarraria àquilo. Segundo, se ele não me ouvisse e voltasse a ser uma completa geleira comigo, lhe presentearia com uma bela duma discussão de Adeus. E terceiro, sairia com o rabo entre as pernas, sabendo que o meu plano todo havia dado errado e as minhas esperanças de um dia ficar com aquele...sádico, haviam sido frustradas. Entretanto, ninguém poderia dizer que eu não tentei, e ao menos, dormiria todos os dias com a consciência limpa. Ou não.

― IIIIIISSO RACHA!!! VAI MESMO! ― Curtis incentivou, jogando Akio feito uma bola, contra o sofá. Quase senti pena, quase.

― Vou mesmo. ― Falei, tentando me encorajar mais ainda a cometer aquela pequena loucura. Sentado no sofá oposto que Akio havia sido jogado carinhosamente, Barry adotava uma expressão estranha.

― Ihhh, a Lombriga Anêmica parece que tá passando mal! ― Akio gritou, apontando um dedo para Barry. Nem me preocupei em lhe passar um sermão de duas horas, sobre como era feio xingar alguém, principalmente quando esse alguém era Barry Allen, pois Curtis facilitou o meu trabalho, dando um safanão na criaturinha diabólica.

― Barry, você tá bem? ― Perguntei, me aproximando lentamente dele. Com um aceno rápido, ele confirmou que sim, tudo estava bem.

― Só preciso dar uma volta. ― Levantou-se rapidamente, parecendo prestes a desaparecer diante os meus olhos a qualquer momento, de tão rápido. Sem reação, o assisti sair do apartamento, enquanto ouvia muito nitidamente Akio e Curtis começarem uma nova discussão sobre quem era quem ou o quê.

Era muito difícil distinguir quem era a criança e o adulto ali.

― Tem como vocês pararem e focarem na minha situação, por favor? ― Os interrompi indignada, realmente aguardando uma ajudazinha de uma criança diabólica e de uma bicha homicida.

É, eu estava no fundo do poço mesmo.

― Loira de farmácia, nem morrendo e voltando, sua situação melhora! ― A cria do diabo teve a audácia de falar, com um sorrisinho maldoso. Como se de repente se entendessem, Curtis e Akio bateram um high-five, em comemoração a sua perversão juvenil.

Emputeci.

― Vai ficar me provocando mesmo, pingo de gente? ― Questionei, com secura. ― Se esquece não que hoje você está nas minhas mãos! ― Ameacei, esperando surtir algum efeito e que filhote de Lúcifer fosse tomar algum jeito, mas aquilo só serviu para o incitar mais a me afrontar.

― Ou será que você está nas minhas mãos? ― Como para dar mais ênfase, mostrou as mãozinhas, balançado-as de um lado para o outro.

Rosnei, me segurando todinha para não avançar contra ele. Podia-se reparar mesmo de longe, que ainda faltava-lhe alguns tufos de cabelo em seu couro cabeludo, e ponderei maleficamente — não pela primeira vez, admito -, que não faria mal ele perder mais alguns. Shado havia feito um excelente trabalho, talvez eu imitasse os seus passos também.

― Acho que você está esquecendo aqui quem é maior. ― Retruquei com uma voz doce, olhando-o de maneira triunfal. Foi o suficiente para fazê-lo retroceder um pouco, o que achei ótimo.

Já estava uma pilha de nervos, só na perspectiva de encarar o Queen e todo o seu clã hoje, para finalmente, dar um fim na minha tormenta, que não precisava de Akio para azucrinar o meu juízo — apesar de perceber que o Queen não tivera a mesma concepção que a minha e me enviara aquela pestinha de presente... Franzi o cenho, olhando Akio com desconfiança.

― Ei, Akio, por que Oliver te enviou aqui? ― Minha mente começava a trabalhar em algumas teorias.

Um brilho travesso cruzou os seus olhos.

― Porque eu pedi.

Hein?

― QUE? Explica essa história direito, filhote. ― Exigi, com as mãos na cintura, fazendo pose de A Toda Poderosa. Sei.

― Ouvi quando tio Oliver ligou para Tio Slade, pedindo para que ele visse à Star City. ― Deu de ombros ― Fiquei decepcionado ao chegar aqui e não te encontrar, logo pedi para tio Oliver me enviar até sua casa. Parecia que ele estava ocupado demais para que eu o perturbasse. ― Suspirou infeliz, como se a ideia de não poder infernizar Oliver fosse terrível demais.

Fiquei entre rir ou chorar, com a sua explicação.

― Sabe que horas alguém vai vir aqui te buscar? ― Perguntei, recebendo em troca um olhar apático.

― Não.

Semicerrei os olhos.

― Não?

Ele só podia tá tirando umazinha com a minha cara.

― Não. ― Balançou a cabeça. Com um suspiro, resolvi ser prática e ir até o meu celular, verificar se o sádico-mor havia me enviado alguma mensagem comunicando que horário buscaria Akio, ou por ventura, se alguém iria o buscar. Não havia nada.

― Merda! ― Xinguei, jogando o celular de volta no sofá. Como me livraria de Akio para ir a essa festa? Levá-lo estava fora de questão, uma vez que o seu gênio era indomável. Apesar que se eu o levasse, poderia servir de grande lição para o Queen aprender a não me jogar suas bombas.

A ideia me parecia atraente.

Como se soubesse o que eu pensava, Curtis se manifestou com um ar um tanto quanto indignado:

― Ih racha, se esse pirralho for para essa festa, eu vou também!

Abri a boca, pronta para protestar, quando a porta do apartamento foi aberta bruscamente, quebrando qualquer linha de raciocínio que havia formado:

― NÓS TAMBÉM!

Era Barry, Sara e...Nyssa? Nyssa?! NYSSA!

Que porra ela estava fazendo aqui? Tá bom que após os acontecimentos na fazenda, tudo havia sido esclarecido e já não sentíamos tanto...medo dela assim, mas era inegável que eu ainda me recordava nitidamente das cabeças de animais penduradas no seu apartamento, o que causava-me arrepios. Portanto, foi mais que natural eu resolver não manter contato com ela.

E não ajudava em nada também ela ser mais uma ex-namorada de Oliver.

Desanimada, suspirei.

― Eu não vou mais nessa festa.

Nem morta que levaria todo aquele pessoal! Era mais ou menos carregar comigo um mini-hospício de chaveiro.

― Você vai sim! ― Toda mandona, Sara tomou a frente, apontando um dedo na minha direção. ― Barry não foi à toa atrás de nós, para você se acovardar no final!

Elevei uma sobrancelha, impressionada com a nova informação. Com o olhar, busquei o rosto de Barry. Ele tinha as maças do rosto coradas.

― Barry, você fez isso?

Deu de ombros, acanhado. ― Presumi que você fosse precisar de uma cavalaria...

Presumiu certo, exceto pela atitude extremista de chamar também Nyssa. Eu sequer sabia que ele falava com ela! Notoriamente, havia ficado por fora de muitos assuntos durante a minha viagem para Lian Yu com o sádico. Falando em minha viagem para Lian Yu...

― Akio, quais são as chances de você por fogo no apartamento se eu te deixar sozinho aqui com Curtis?

Minha única opção era deixar a bicha homicida de babá com a cria do diabo. Eu que não me atreveria a pedir um favor daqueles para Sara, Barry ou Nyssa — mesmo tendo certeza que Nyssa daria cabo daquela missão lindamente. Bastava um olhar e Akio se converteria num anjo na presença dela!

Talvez fosse por causa disso que o relacionamento dela com o Queen, não deu certo. Demônio com demônio não se batem.

― EI! ― Curtis me olhou ofendido, batendo o pé. Já sabia que estava prestes a dar o seu piti habitual. ― Você não é nem louca de me excluir da gandaia pra ficar aqui de babá pra esse demônio mirim!

Akio adotou uma expressão ofendida também.

― Ficar na minha presença seria uma honra pra você, ô cdf! ― Riu alegremente ― CDF! CDF! CDF! Cabeça de Defeco!

Jesus, Curtis vai realizar o seu sonho de matar alguém hoje! E o pior que eu ainda ajudaria...

Comecei a massagear minhas têmporas, refletindo como Akio tinha um vocabulário tão extenso para ofender os outros. Decerto o Queen tinha a ver com isso.

Com uma precisão e rapidez invejável, Nyssa acertou uma almofada na cara de Akio, fazendo-o cair do sofá. Com certeza, ele não se atreveria a abrir sua boca, no mínimo pelos próximos 30 minutos. Ou ao menos, era o que eu esperava.

Curtis's Pov

VIADO, ADOREI ESSA MULHER!

Só foi ela aparecer, para o filhote de guaxinim se calar — mas não sem antes de lançar um olhar ameaçador para todos que estavam rindo da sua queda. RI MAIS AINDA, E SE TIVESSE OPORTUNIDADE, RIRIA NOVAMENTE!

Após conseguirmos deixar o pequeno guaxinim calado, fomos para o X da questão: Como ajudar a racha?

Assim como Akio disse, nem morrendo e voltando, a situação dela melhoraria! Porém, felizmente, haviam coisas que só amigos poderiam fazer para ao menos, aliviar um pouquinho a barra da perereca voadora — que foi? Até parece que ela não quer colar suas coisinhas com as coisonas do macho Queen! RÁ, ME ENGANA QUE EU GOSTO!

― Você precisa de uma roupa bafo pra essa festa. ― Decretei, estudando suas roupas com um ar reprovador. Pelo amor, quando aquela racha iria começar a se vestir como uma autêntica biscaranha? Às vezes, uma menina precisa fazer o que for preciso, para chamar a atenção do macho alfa!

E não era usando aquelas calças puritanas que ela conseguiria aquele milagre...Apesar que de certo forma, ela havia conseguido exatamente isso. Ainda tinha algumas quedas de pressão só de saber que ela havia conseguido lascar uns beijos no chefe delícia.

― É verdade. ― Sara concordou, também analisando a racha.

― Eu tenho um vesti- Começou a falar, até se auto interromper. ― Esquece, o único vestido que tinha para a ocasião, usei naquele coquetel estúpido antes de irmos nos refugiar na fazenda. ― Voltou a encolher os ombros, desanimada.

― Isso não é problema, eu e Nyssa podemos te ajudar! ― Sara indicou Nyssa ao seu lado, entusiasmada. A ex macumbeira apenas maneou a cabeça, de acordo.

Meu sensor de putaria pescou alguma coisa diferente ali, mas não me aprofundei muito no assunto, uma vez que minha mente começou a fantasiar com que roupa EU iria para aquela festa abarrotada de roludos ricos. Iria bem ao estilo do meu ídolo Clodovil: Elegante e fino. Pronto pra arrombar geral!

(...)

NUM É QUE O TEAM FELICITY FEZ MILAGRE MESMO COM A RACHA? Com a nossa ajuda, conseguimos tirar aquele ar da criadagem dela e transformá-la numa digna mulher poderosa atrás do seu boy magia.

― Arrasamos! ― Bati palminhas empolgado, vendo minha mais nova obra de arte. Se o Queen a rejeitasse, eu teria a completa certeza que ele gostava mesmo era de escorregar num quiabo...O que não me deixaria triste. Ok, talvez só um pouquinho, já que a racha era xonadinha por ele. E ver os sonhos da amiguinha serem destruídos assim, seria lamentável.

― Não sei não... ― Felicity se olhou incerta no espelho estacionado bem no centro de seu quarto. ― Acho que exageramos um pouquinho.

Revirei os olhos, ao ouvir o seu espírito da criadagem falar mais alto. Era aquele ditado, né? Quem nasceu pra ser rainha, jamais seria ralé. Agora, quando o caso era ao contrário...

― Você está ótima, Felicity, não se preocupe! ― Sara tratou de relaxar a racha. Assim como Felicity, todos nós estávamos prontíssimas para arrasar naquela festa que prometia ser bafônica. É claro que EU era a mais bonita ali, mas não ficaria me exibindo — muito — em voz alta.

― Sim, Sara tem razão. ― Nyssa também expos sua opinião, analisando todos. Acho que senti o mijo saindo — ainda sentia medo daquela ex-macumbeira das trevas, não ia negar. ― Todos nós estamos muito bem para uma festa desse tipo. ― Completou com um sorriso, que me fez sentir mais medo dela, do que simpatia.

― Até que dá pro gasto. ― A criaturinha das trevas abriu a porta do quarto, se intrometendo no assunto e esquecendo a noção do perigo que sofria caso Nyssa desse uma de assassina pra cima dele.

― Dá pro gasto é pouco, criaturinha! ― Falei, fuzilando com o olhar a peste. Onde já se viu desdenhar do meu trabalho duro? ― A gente tá dando pro gasto, não gasto e ainda pra quem quer gastar!

― Cuidado com o que você fala perto da criança. ― A racha resmungou, toda preocupada com a inocência do guaxinim.

Virei o rosto. ― Ele não é uma criança normal. ― Frisei ― Arrisco a dizer inclusive, que ele deve saber até demais para a sua idade.

Ela travou o maxilar e não falou mais nada, muito consciente que eu tinha razão naquele assunto. Feliz, voltei a me olhar no espelho. Bem que valeu a pena ficar me emperiquitando todo durante aquela tarde! De esguelha, notei Nyssa com os olhos fixos em Felicity e algo me ocorreu.

Ela era uma ex namorada de Oliver...O que implicava que...Ele e ela, já haviam feito coisinhas...Hmmm...Portanto, ela poderia muito bem desvendar o grande mistério da minha vida: QUAL. ERA. O. TAMANHO. DA. DROGA. DO. PINTO. DO. CHEFE. DELÍCIA?

Só ela poderia me responder — uma vez que Sara falsiane, havia se negado -, e por julgar a cumplicidade que todos nós parecíamos ter criado durante essa tarde (Incluindo Barry que serviu muito bem de jurado nessa tarde, ajudando-nos a decidir qual roupa melhor para vestir). Minhas chances de ter minhas dúvidas sanadas eram altas! Me animei com ideia, mas assim que abri a boca para fazer a maravilhosa pergunta, ela me atravessou com o olhar, como se soubesse o que passava na minha mente.

TREMI, VIADO!

Broxei na hora e resolvi que o pinto do chefe delícia poderia ser discutido numa outra situação em que não exigisse o meu pescoço pendurado na parede alheia.

Oliver's Pov

― Tudo parece correr conforme o planejado.

Moira murmurou ao meu lado, observando os convidados, enquanto segurava uma taça de champagne. Sorri irônico, perguntando-me internamente se ela pensaria o mesmo, se soubesse que eu planejava brevemente ruir todos os seus sonhos de casamento entre eu e Samantha Clayton.

― Sim, parece. ― Concordei, ocupando minha boca logo em seguida com a minha própria taça.

Como ela mesma havia observado, tudo de fato parecia sair conforme o planejado. E isso era preocupante, segundo as minhas experiências passadas. Entretanto, uma vozinha interior dizia que talvez eu estivesse sendo apenas paranoico.

― Não vi Felicity. ― Comentou novamente, com um ar de desinteresse, mas seus olhos a denunciavam. Tentei impedir que o meu sorriso se ampliasse.

― Deve ser porque ela não virá a essa festa.

― O que é decepcionante.

Franzi o cenho. O nítido interesse de Moira com Felicity, me causava tamanha estranheza que fazia-me desconfiar que ela tramava algo. Só não sabia se essa sua trama me faria bem ou mal.

Para mim, não. Agora, me diga por que você está tão interessada assim em Felicity. ― Resolvi ir direto ao assunto, tentando me privar do trabalho de adivinhar o que se passava na mente dela. Como havia aprendido com o meu pai, anos atrás, a mente de uma mulher era um rio profundo demais para um homem tentar se aventurar sem um bote salva vidas.

Ela pareceu refletir por algum tempo, até me dar uma resposta que julguei nada satisfatória:

― Eu vi o jeito que você ficou ao redor dela. O jeito que a olhava... ― Suspirou, girando a taça na mão. ― E como também correu desesperado para salvá-la de um possível tiroteio. ― Completou, com os olhos nublados de especulações. Que muito provavelmente, eram corretas.

Me senti exposto e odiei aquela sensação. Fiz o que qualquer pessoa normal, na minha situação faria, ataquei:

― Você só esteve naquela fazenda conosco por um dia. ― Estreitei os olhos ― Ou melhor, por algumas horas. Você pode ter visto tudo errado e interpretado de maneira errônea.

Um garçom passou no exato momento e com uma certa impaciência, depositou sua taça já vazia, em cima da bandeja que o homem carregava, e virou-se para mim com um olhar afiado:

― Oras, por favor, Oliver! Eu sou a sua mãe! Eu vi o que vi e sei o que vi.

Curvei os lábios, zombeteiro.

― Por que tenho a impressão que todos da nossa família apreciam muito os jogos de palavras?

Parecendo ter sido pega momentaneamente fora de guarda, ela me encarou atônita. Sem esperar por mais uma oportunidade de réplica de sua parte, movi os meus pés para longe dali. Acabara de avistar um dos meus alvos da noite, Samantha Clayton — entretanto, algo me dizia que aquela discussão com a minha mãe, não havia chegado ao fim. Principalmente agora que ficaria cara à cara com Samantha.

(...)

Com a precisão de uma cobra, abordei Samantha antes que algum membro familiar ou conhecido, pudesse fazer o mesmo. Para a minha surpresa, ela não mostrou resistência alguma ao ser arrastada gentilmente, por mim, até o meu escritório, lugar onde teríamos a privacidade correta para aquele tipo de conversa.

― Aceita uma bebida? ― Perguntei, olhando-a atentamente, estudando o território. Estava claro, até para um cego que Samantha Clayton faria uma ótima esposa e uma boa mãe, contudo, só restava a dúvida se seria uma boa amante.

Como ex namorada minha, recordava-me muito bem que nenhuma fagulhava voava quando nós dois estávamos sozinhos num mesmo ambiente (Motivo pelo qual, terminamos.), diferente do que acontecia com Felicity...O que me fazia crer que quem quer que se casasse com a loirinha, poderia se dar bem no quesito de ter uma amante excelente. Já nas outras áreas, não tinha tanta certeza.

Supus que se ela tivesse filhos homens, seu marido iria se divertir um bocado com eles, pois teriam humor para dar e vender. Mas se tivesse filhas mulheres e elas adquirissem a terrível tendência de mentir, igual Felicity, iriam passar boa parte de suas vidas levando umas palmadas na bunda. O incrível é que essa imagem não me desanimava em nada, ao contrário, me divertia igual.

A pequena encrenqueira provara-se ser uma mulher diabolicamente indomável, além de um sensor ambulante para confusões. Seu futuro marido precisaria ser muito homem para conseguir lidar com todo aquele pacote sem surtar.

― Não, obrigada. ― Foi educada ao recusar, porém podia-se notar de longe ela também me analisando com cuidado, como se soubesse o que estava prestes a acontecer. Talvez, eu devesse começar a acreditar no sexto sentido que minha mãe sempre dizia que as mulheres possuíam.

Com um suspiro, percebi que não teria tempo para sutilezas. O melhor, seria tratar de uma vez do assunto e foi o que eu fiz.

― Veja bem, Samantha, tenho a completa certeza que você está bastante consciente do que veio fazer aqui hoje na QC... ― Lhe lancei um olhar e ela maneou a cabeça, afirmando minhas palavras. Ótimo. ―...E tenho a completa certeza que você também, assim como eu, pensa que esse casamento não pode acontecer. ― Completei firme, mas a verdade é que não fazia a mínima ideia do que Samantha pensava de fato sobre tudo aquilo.

Um silêncio quase insuportável caiu sobre nós, até ela decidir o quebrar:

― E por que não?

E por que não? É a minha vez de franzir o cenho com aquele seu tom tão contemplativo. Por que não, ela perguntava? Oras, Srta Clayton, essa é fácil! Não estou mais interessado nesse plano de negócios, apesar de uma vez, ter me sido muito atraente. Além de claro, existir a remota possibilidade de você ter aceito este compromisso meramente por vingança após o jeito que o nosso conturbado relacionamento terminou no passado.

E de uma coisa eu estava certo era que: O passado era imutável.

― Porque eu não estou mais interessado.

É tudo que eu tenho como uma justificativa. Ou pensava ter, até com horror, notar que eu continuava a falar sem parar o meu monologo interior:

― E também não acho agradável a possibilidade de sofrer um atentado na minha noite de núpcias. Francamente? Gosto de dinheiro, mas não muito para arriscar o meu pescoço! Se casar com uma ex, é pedir pelo o seu próprio velório! E eu não estou disposto a morrer nem tão cedo.

Tive o impulso de me socar, após isso. E Samantha teve também, ao ver sua reação completamente — e absolutamente justificável — indignada.

― Você está insinuando que eu só aceitei esse...acordo, por vingança? ― Riu incrédula ― Por favor, Oliver! Não seja tão arrogante, você não é tão superestimado assim...

Meu ego se rebelou.

― Arrogante?

― Sim, arrogante! ― Levantou o queixo, obstinada. Retesei, achando sua atitude semelhante a Felicity. ― Não foi por vingança que eu aceitei esse compromisso.

Minhas sobrancelhas se elevaram. Se não era por vingança...

― Ah, não? Por qual motivo então?

Dever. Falta de coisa melhor. Você escolhe o que te faz se sentir feliz. ― Deu de ombros ― De qualquer jeito teria de me casar com alguém e não vi porquê não com você. Mesmo sendo arrogante e cínico, às vezes, te conheço e sei que não esperaria...amor, da minha parte.

Algo no seu tom estava muito errado. Samantha não fazia o tipo de garota iludida, mas tampouco era a desiludida — tanto que quando descobriu minha traição, ficou devastada. Eu havia visto o estrago que havia feito. Duvidava muito que uma pessoa mudava assim da água para o vinho, mas o caso era: Eu não queria me envolver. Ou queria?

Com um suspiro resignado, fixei os meus olhos no seu rosto. Parecia atormentada. Considerei que talvez, eu lhe devesse algo por...destruir o seu coração uma vez. Por isso, pus me a perguntar:

― O que você não está me contando, Samantha?

Seus lábios tremeram.

― Era para eu te contar alguma coisa? ― Simulou um tom desdenhoso e eu revirei os olhos com aquele seu teatro barato.

― Ah, por favor! Eu te conheço o suficiente para saber que você está tensa. ― Algo me ocorreu ― Por um acaso você está endividada e por isso aceitou tudo isso?

Pois se aquele fosse o caso, sairia daquela sala imediatamente. Uma coisa era perder um dinheiro que sequer havia visto e não era meu, outra completamente diferente, era perder o meu dinheiro por conta de uma ação equivocada da minha parte em cogitar a ideia de casar-me com uma socialite, aparentemente, falida. Se ela abrisse a boca, os credores correriam até o meu rabo.

Não estava disposto a perder mais do que já estava prestes a perder.

― Não. ― Ela ficou vermelha de raiva ― Quem você pensa que eu sou? Me acha uma mulher tão...tão frívola assim para prometer um matrimônio lucrativo e no final, tudo não passar de uma grande mentira?

Não me abalei nem um pouco com o seu ataque.

― Acho que você é o tipo de mulher que se casa por dinheiro.

― Você também aceitou isso! ― Rebateu lívida, apontando o seu dedo para todas as direções daquele escritório. A diplomacia para conduzir aquela situação, havia sido esquecida, concluí sombrio.

― Mas já mudei de ideia. ― Assinalei arrogante, como ela mesmo havia me chamado minutos atrás.

― O que me faz ficar estarrecida! ― Me olhou recuperando a compostura. ― O que pode ter feito um homem tão avarento quanto você, desistir de um casamento que lhe daria grandes lucros?

― Insanidade. ― Respondi no automático.

A resposta era bem outra... E ela pareceu compreender isto também. Malditos sentidos femininos!

― Você deve gostar muito dessa mulher... ― Sorriu simpática ― Bem, já que você me deu uma resposta tão honesta, irei lhe dar a minha. ― Como se eu me importasse...Quis zombar, mas continuei quieto na minha, esperando. ― Eu estou passando por um momento bastante delicado, na vida de uma mulher e por isso preciso de um marido urgentemente. Mesmo ele sendo você. ― Completou azeda.

A olhei desconfiado. Não era lá uma explicação tão concreta, mas em sua defesa, eu também não havia lhe dado uma muito bem elaborada. Portanto, estávamos quites.

― Ótimo, mas esse homem não será eu. Espero sinceramente que você encontre um marido. ― Desejei com toda a honestidade que poderia reunir numa situação tão delicada quanto aquela.

Ela assentiu, de acordo. Já não precisaria mais me preocupar com aquele assunto e agora, finalmente, poderia focar na minha última missão da noite. Ray Palmer.

Como se mil demônios estivessem no meu pé, saí em disparada daquela sala. Precisava encontrar Ray Palmer urgentemente. Contudo, algo me fez girar os calcanhares e voltar ao meu lugar anterior. No final, minha veia sadista ainda continuava ativa, doida para ser exposta.

Samantha, que não esperava pela a minha volta, olhou-me curiosa.

― O que foi?

― Não é educado chamar um homem de arrogante e avarento, na sua frente. Mas aprecio sua coragem. ― Murmurei, imitando o joinha que vi Felicity fazer uma vez para Slade. ― Ah, e você sabia que fornicação antes do casamento é um ato gravíssimo? Se eu fosse você, me casaria logo, antes que alguém note sua barriga. ― Acrescentei debochado ― Aliás, já dá pra notar.

Pelo o seu olhar chocado, havia acertado bem na mosca. A pilantra estava grávida e por isso, queria se casar assim tão rápido!

Decerto, não esperava por essa reviravolta. Muito menos pela próxima que me aguardava. A vida como eu conhecia chegara ao fim.

Felicity's Pov

Uma mulher bonita, sempre está preparada para a guerra; era o que minha mãe sempre dizia e que eu havia adotado como mantra, horas atrás. Porém, era inegável que à cada passo que eu dava para dentro daquele saguão que havia se transformado num autêntico salão de festas, como num passe de mágica, eu sentia um nó no meu estômago.

Sim, eu estava bonita. Sim, eu tinha toda a minha cavalaria comigo. Mas...Por Deus! Sentia-me tão nervosa, que não estranharia se vomitasse todas as minhas tripas nos meus pés.

E atribuía aquilo somente ao maldito Queen dos meus sonhos e a bombástica notícia que Sara havia me soltado, durante a tarde. Esta não seria apenas uma mera festa. Seria a festa de noivado do Queen, ou seja, eu teria de ser rápida no gatilho para tentar ao menos, convencer o Queen de não casar com qualquer mocréia.

«Eu espero que você seja feliz, sem mim...» Ser feliz sem mim? Uma ova! Aquela frase não existia no meu dicionário! Jamais diria aquilo em voz alta. J-A-M-A-I-S.

Se não fosse para ficar comigo, que ele sofresse o inferno que eu também sofreria sem ele.

Determinada, cacei o MEU Queen no salão, mas tudo que encontrei foram rostos conhecidos de alguns colegas de trabalho, mas nada além disso. Comecei considerar a ideia que possivelmente ele estivesse enfurnado no seu escritório, quando Akio deu um berro perto de nós:

― TIIIIIO OLIVER!!!! ― E saiu correndo em direção ao seu alvo, causando um alvoroço nos garçons que passavam por perto e tentavam equilibrar as bandejas, mesmo com uma pestinha passando entre as pernas deles.

Já estava prevendo o possível desastre que a cria do diabo causaria até o fim daquela festa.

Num agarre, o Queen capturou a criaturinha que bateu contra suas pernas e depois circulou os bracinhos ao redor da mesma. Lentamente, ele ergueu os olhos na minha direção e eu paralisei com a intensidade daquelas lazúlis. Ele também parecia paralisado — só não sabia dizer se era pelo choque por eu ter tido a coragem de aparecer, ou pela a minha aparência impecável naquele vestido vermelho que batiam até o chão, e o meu coque elaborado. Torcia veemente para a última opção.

Eu queria que ele me achasse tão bonita quanto eu já me sentia. Nem aquelas dondocas enterradas na grana, iriam me desanimar.

Tardiamente, notei que ele não estava sozinho. Aparentemente, ele também tinha sua cavalaria ao seu lado. Thea, Moira, Tommy, Laurel e Slade estavam com ele, e para a minha surpresa, fitavam-me num misto de satisfação e admiração.

Gostei daquela sensação. Dava-me a impressão que mesmo eles sendo, evidentemente, Team Queen, torciam também para o Team Felicity. E eu sequer fazia ideia da onde havia surgido aqueles Team's na minha cabeça, mas ninguém poderia culpar uma garota com os nervos a flor da pele por inventar Team's descaradamente, numa guerra aparentemente inexistente.

― Felicity, eu não contava com a sua presença aqui! ― A voz de Laurel me saudando entusiasmada, foi o suficiente para fazer com que eu parasse de encarar Oliver, como se eu precisasse desesperadamente de água no meio de um deserto sem fim. ― Você está muito bonita! ― Continuou, me abraçando brevemente.

Ensaiei o meu melhor sorriso, tentando camuflar o meu nervosismo.

― Tá uma gata! ― Tommy-corno-chifres-lapidados adicionou, dando uma piscadela marota na minha direção.

Abri a boca, prestes a dizer um "Obrigada" e saudar os demais presentes, quando uma mão me rebocou para longe dali. Não precisava nem pensar muito para saber quem era.

― EITA, É HOJE QUE A RACHA BRINCA DE 50 TONS DE QUEEN! ― Ainda ouvi Curtis comentar em alto e bom som, para qualquer um ouvir.

Só não voltei para dar uma surra naquela bicha abusada, pois estava muito ocupada pensando na possibilidade da bicha estar correta desta vez.

Mas como a minha sorte era deficiente, óbvio que a bicha-má estava incorreta.

― O que você tá fazendo aqui? ― Oliver perguntou, após achar um lugar suficientemente isolado de todo o barulho e agitação da festa. Ele não parecia feliz, mas também não parecia infeliz. Na realidade, não podia sequer imaginar o que se passava na sua cabeça naquele momento — felizmente, aquilo já não era mais uma novidade pra mim.

Duvidava que um dia saberia o que se passava na cabeça daquele doido.

Resolvi me fazer de idiota, vai que colava né?!

― Não era uma festa onde todos os funcionários poderiam comparecer? ― Questionei, elevando uma sobrancelha, copiando sua pose arrogante que por vezes, me fez enlouquecer. De raiva.

Ele riu, sem humor.

― Pensei que você fosse ficar em casa, ocupada demais, cuidando de Akio. Mas como sempre, me enganei. ― Fixou os olhos no meu rosto e eu sustentei o olhar. ― Sempre me engano quando o assunto é você.

Franzi o cenho.

― Isso é bom ou ruim?

― Acredite, eu ainda não sei como responder essa questão.

― Hmm... ― Soltei, sem saber o que falar. Na teoria, o meu plano parecia muito fácil de ser executado, mas na prática, provara-se o contrário.

Eu tava é lascada.

Com uma calma deliberada, o sádico-mor me estudou por alguns instantes e eu me senti prestes a ter uma arritmia cardíaca. Seus olhos cintilavam na minha direção e mesmo que ele não expressasse em voz alta, sabia que estava me achando bonita com aquele visual. Só não sabia ele que aquele era o meu visual AI-HOJE-VOCE-VAI-CONHECER-MINHA-GRUTA-CUSTE-O-QUE-CUSTAR.

Percebendo que ele não quebraria o silêncio primeiro, respirei fundo e resolvi discursar o que eu passara ensaiando a tarde toda, mentalmente.

― Oliver, eu sei que não tenho direito nenhum de falar sobre o que você pode ou não pode fa-

― Não tem mesmo não. ― Me interrompeu, com aquele seu típico sorriso sadista que me fazia ficar em ponto de ebulição.

Mordi o lábio, controlando a vontade de soltar uma praga.

― Como eu dizendo... ― Recomecei com determinação, aproveitando aquela chama de coragem. ― Sei que não estou na posição de dizer o que você deve ou não fazer com a sua vida, e não deveria estar me metendo nesse assunto, uma vez que nós...nós não somos nada. Quer dizer, nós somos nós. ― Oh, Deus. Alguém soca a minha cara, por favor! ― E isso quer dizer que somos alguma coisa. Não alguma coisa juntos, tipo, um casal. Não, absolutamente não! Não é isso que estou querendo dizer! Não que a gente ser um casal fosse ser ruim, é claro que não! ― Porra, cala a boca, Felicity! Sentia o meu rosto tão vermelho, que não me impressionaria caso minha cabeça explodisse. Parecia até que estava com a síndrome de Tourette na minha maldita boca que desconhecia a palavra limites.

Resolvi tomar uma pausa, para não cair durinha ali mesmo, entretanto foi o suficiente para o Queen achar uma brecha e falar o que tinha que falar.

― Eu não vou me casar mais, Felicity.

Pisquei os olhos. E ele piscou os dele de volta.

Ele...não...ia...se...casar?

― Hein?

― Eu não irei mais me casar, Felicity. ― Repetiu lentamente, dando tempo para que eu absorvesse as palavras. Franzi o cenho. Aquilo não fazia sentido, mas eu não tinha muita certeza se queria saber o motivo da sua mudança de ideia.

Ao menos, um problema já havia sido resolvido. Nenhuma mocréia iria relar a mão no MEU Queen. Pelo menos por enquanto.

― Ah...Que bom.

Sério Felicity? Você só tem isso a dizer?

Bati o lábio, nervosa. Não sabia como abordar o assunto sobre aquele maldito contrato. E tinha o pressentimento que Oliver não queria falar sobre ele naquela noite em especial. Mas deveria. A gente deveria falar sobre isso. Urgentemente.

Como Cinderela, minha carruagem se transformaria em abóbora, quando o relógio indicasse meia-noite. Meu contrato valia até meia-noite, meu único elo com Oliver Queen tinha prazo de validade e eu não queria aquilo. Não queria um prazo de validade.

Se possível, eu iria negociar.

― Ótimo, na verdade. ― Ele concordou, olhando para algum ponto atrás de mim, distraído. Curiosa, olhei na mesma direção que ele.

Ray Palmer havia acabado de chegar na festa. Senti que o Queen estava escapulindo das minhas mãos. Desesperada, chequei o meu relógio de pulso. Merda, faltava cinco minutos para a meia noite!

Hora de agir!

― Oliver, queria falar com você sobre o nosso contrato...

Ele virou tão rápido na minha direção que se ele estivesse um pouco mais próximo, teríamos colidido e sem sombra de dúvidas, eu teria levado o pior.

― O que tem o contrato? ― Não me deixou responder. ― Não temos nada a discutir sobre esse contrato, ele é o que é.

Demônio!

― Eu queria que você o reconsiderasse. ― Rebati, com a voz firme. ― Sei que tenho muitas falhas como sua secretária, mas tentarei melh-

― Nem pensar! ― Me interrompeu, com os olhos semicerrados. ― Você já provou o suficiente sua incompetência nesse cargo. Acho bem melhor aceitar os termos, que você mesma assinou, nesse contrato e darmos um fim nessa discussão. ― Me dispensou com a mão.

Emputeci de vez.

AGORA QUE A BAIANA RODAVA!

― Pra começo de conversa, você nunca facilitou o meu trabalho me tratando bem. Portanto, a causa do seu estresse absurdo e da minha incompetência, é sua. ― Falei soando petulante até demais para os meus ouvidos.

Ele ficou vermelho.

― Não gosto de tratar as minhas secretárias bem.

Bufei. Que desculpa mais idiota!

― Isso é idiota. ― Resmunguei mau humorada, cruzando os braços. O movimento chamou a atenção dele para o meu busto. Ah, homens...

― Não é tão idiota quando se é um bilionário atraente. ― Retrucou, ainda não desgrudando os olhos do meu decote.

― O seu ego está se sobressaindo novamente. ― Repliquei, intensificando mais o aperto ao redor dos meus chuchuzinhos, pra ver se distraia o suficiente aquele demônio. Quem sabe assim ele mudava de ideia, né? Minha mãe ficaria orgulhosa da minha atitude.

― É automático.

― Okay mas o ponto não é esse.

― E qual seria? ― Desviou os olhos dos meus chuchuzinhos.

Merda!

Ugh, por que mesmo eu gosto de você? ― Resmunguei baixinho, mas ele ouviu. Um sorriso cafajeste enfeitou seu rosto e eu senti o meu coração dar um salto. Ele era tão absurdamente bonito...

― Me pergunto isso todos os dias...

― Você não consegue viver sem mim. ― Brinquei, querendo camuflar a outra verdade. Eu é que temia não conseguir viver sem ele.

"Felicity Smoak não pode coexistir sem Oliver Queen na sua vida" desconfiava aquelas palavras tinham o potencial de me assombrar até o final dos meus dias.

Ele elevou uma sobrancelha, parecendo distantemente divertido. Presumi que era um bom sinal.

― O ego de quem agora está sobressaindo?

― É automático.

O relógio tocou, indicando que era meia noite. Ouvi um burburinho atrás de mim, mas não me virei. Sabia que todos estavam comemorando o Ano Novo e felicitando seus respectivos colegas ou familiares.

Não esperava por alguma felicitação e sim por um milagre...

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― Parabéns Srta. Smoak, você acaba oficialmente de se livrar do cargo de minha secretária. E feliz ano novo!

...Que obviamente nunca chegaria.

Sem esperar por uma reação da minha parte, Oliver girou os calcanhares e saiu do meu campo de visão. Provavelmente, ele havia ido atrás de Palmer. E provavelmente, eu deveria ter lhe desferido um tapa na cara ou quem sabe, o sacudido enlouquecida, fazendo uma cena.

Mas eu não fiz nada. Absolutamente nada, além de ficar parada no mesmo lugar, igual uma babaca, olhando pro nada, enquanto as palavras que Nyssa uma vez dissera, nublavam minha mente como um nevoeiro.

"― Algumas vezes, somos cegos demais para enxergar aquilo que está bem na nossa frente. ― Ela se aproximou perigosamente de mim, e mesmo que eu quisesse recuar, puxar o meu braço pra longe, alguma força inexplicável me mantinha ali. Cara à cara com ela. ― Nem tudo é o que parece ser. Nada, absolutamente nada, é por acaso. ― Enfatizava e eu parecia hipnotizada por seus olhos fixos nos meus ― O ruim, na verdade pode ser bom, tão bom! Que quando você perceber, vai querer voltar no tempo e viver tudo novamente.

― O que você tá tentando me dizer?

― Você vai descobrir sozinha isso, quando chegar o momento certo. ― Deu de ombros, fazendo pouco caso da minha curiosidade."

POOOORRA, MACUMBEIRA MALDITA!

(...)

― Racha, acho melhor você parar de beber agora, se quer manter intacto o que ainda lhe resta de orgulho. ― Curtis me alertou pela enésima vez, enquanto eu entornava a minha terceira taça de champagne, tentando afogar a magoa por ter levado um belo dum fora do Queen maldito.

O ignorei, pegando mais uma taça.

Eu que não seguraria aquela barra de cara limpa!

Estranhamente, após o nosso confronto, não havia visto o Queen zanzando em nenhum lugar da festa. Mas aquilo eu poderia atribuir pelos poucos minutos que a tragédia havia acontecido. Para ser exata, tudo havia acontecido há 10 minutos e 43 segundos. E eu não estava contando!

― Racha burra, se você beber tanto assim num curto período de tempo, vai causar vexame e espantar os roludos do dinheiro! ― Ralhou comigo, tomando a taça da minha mão. Nem liguei, sabia que logo um garçom passaria por perto, com uma nova taça cheia pra eu atacar. ― Só porque suas chances foram para o ralo, não estrague as minhas!

Fechei a cara irritada e como se detectasse o perigo, Barry apareceu ao lado de Curtis, que imediatamente se agarrou a ele.

Idiota.

― Felicity, você não acha melhor ir pra casa? ― Perguntou com delicadeza, já consciente do que havia me acontecido. Ou não acontecido. Ah, que seja!

Parei para raciocinar um pouco. Ir embora seria bom, mas...Algo me dizia que seria preferível eu ficar. Entretanto...Seguir minha intuição essa noite, não havia me levado à lugar algum. Talvez eu devesse ir embora mesmo.

Oliver's Pov

Achar Ray Palmer era o mesmo que tentar encontrar água no deserto.

― Vi Felicity há alguns minutos e ela não parecia bem. ― Slade informou, andando ao meu lado. ― Bebia sem parar.

Franzi o cenho, ainda andando. Slade estava comigo especialmente para ter uma conversa com Palmer. Quem sabe, vendo uma pessoa que residia na ilha, ele se interessasse mais? Só não incluía Akio nessa missão, por saber que provavelmente ele faria algo que traumatizaria Ray pelo o resto da vida.

― Deixe-a beber, deve tá comemorando.

― Não parecia assim...O que você falou pra ela, Queen?

Suspirei, tentando distinguir Ray de todas aquelas cabeças. Ser alto tinha lá suas vantagens. O achei no canto da sala, conversando com Samantha Clayton. Coitado, ele não estava sendo só o meu alvo naquela noite.

― Nada demais... ― Respondi vagamente, começando a empurrar algumas pessoas para abrir caminho. ― Só falei que ela não é mais minha secretária. Deve estar comemorando por causa disso e também pela sua conta bancária cheia. ― Virei rapidamente pra ele, dando uma rápida pausa na minha caminhada. ― Você sabia que ela precisava de dinheiro pra faculdade dela? Foi por isso que assinou o contrato. ― Voltei a andar, não esperando por uma reação dele.

Mas não contava com o puxão que recebi. Se fosse outra pessoa, teria caído de bunda no chão.

― Queen, seu idiota! ― Rosnou com os olhos ferozes. Parecia até que eu havia feito algo para sua cria. ― O que mais você falou para ela?

Será que ele não percebia que estava num momento crucial? Desviei o olhar do seu rosto, para novamente, caçar Ray. Ele parecia ter finalizado a conversa com Samantha e se dirigia para o terraço. Segundo Diggle havia me informado, o exibicionista tinha chegado de helicóptero na festa e se ele estava indo até o terraço, era apenas por um motivo...Ele estava indo embora!

― Falei feliz ano novo, também.

― E mais o quê?

Mais o que, o quê? Começava a suar frio. Precisava daquele contrato assinado pra hoje. Ontem. Há uma década atrás.

― Slade, que tal a gente falar desse assunto depois? ― Murmurei apressado, tirando a sua mão do meu braço. Tarefa difícil, uma vez que ele tinha o aperto da morte sobre mim.

Comecei a andar tão rápido, que se minha mãe me visse, pensaria que eu estava sofrendo de uma constipação.

― Queen, ela acha que levou um fora! ― Slade rugiu no meu ouvido, alcançando-me. Quase tropecei nos meus próprios pés.

― Que? Levou um fora? ― Ri, ofegante, acelerando mais o passo. Ray já começava a ficar fora de vista. ― Me lembro muito bem de ter falado pra ela que não iria mais me casar.

― E falou também que a queria?

Travei.

Diabos, como Slade conseguia fazer aquilo? Lentamente, virei na sua direção. Eu não havia dito nada daquilo para Felicity, mas não era como se ela pudesse ter interpretado de outra forma...certo?

Comecei a apertar a ponta do meu nariz, nervoso. Oh, inferno de mulher! É claro que ela interpretaria tudo errado! Afinal, estávamos falando de Felicity Smoak, a loirinha mais...imprevisível do planeta.

― Bem, não. ― Admiti ― Mas também não falei que não a queria, o fora só aconteceu na mente dela. ― E só Deus sabia o quão perturbada poderia ser a mente dela — tanto quanto a minha. Esfreguei o rosto, nervoso. ― Deixo para resolver isso depois com ela, Ray Palmer é mais importante no momento.

Antes que eu pudesse escapar, Slade segurou o meu braço mais uma vez. Já estava ficando cansado daquele pega-e-puxa. Aparentemente, ele estava me confundindo com uma bolinha de ping pong.

― Você tem certeza que Ray é o mais importante agora? ― Me olhava com olhos afiados, enviando-me uma mensagem subliminar que só eu conseguiria entender. Engoli em seco.

― Vamos perder as chances de conseguir o apoio do Ray. Lian Yu depende disso.

― Esqueça Lian Yu, escolha o que é importante para você.

Ele não deveria ter dito isso. Felicity não deveria ter vindo.

Merda. Merda. Merda!

― Eu odeio essa mulher! ― Grunhi, girando os calcanhares e me livrando do seu aperto novamente. ― Eu sabia que faria merda essa noite, sabia!

Slade riu ao meu lado, começando a me acompanhar para o meu novo destino.

― Pelo menos eu ainda tenho, o que você segundo chama, seu atestado de louco. ― Tirou o documento que o fiz assinar mais cedo, de dentro do paletó, o balançando no meu rosto. Bufei, mas não o retruquei. Tinha que tentar recuperar uma loirinha e colocar juízo em sua cabeça oca.

Felicity's Pov

― Será que Nyssa vai demorar muito? ― Questionei, sem esconder a minha impaciência. Estava louca para vazar logo daquela festa!

Só faltava ela sair daquele maldito banheiro, para todos nós irmos embora — mesmo que Curtis e Sara não estivessem nada contentes com a ideia.

Curtis me olhou debochado.

― Pra quem estava bebendo há pouco tempo atrás, é até irônico você tá toda apressadinha pra ir embora. Vai assaltar um bar, racha e nos deixe curtir um pouquinho mais a festa. Tá cheia de homem da espada poderosa aqui! ― E soltou uma risadinha como se estivesse envergonhado, quando um engomadinho passou ao nosso lado.

Revirei os olhos com o seu fingimento.

― Pensei que foi você quem disse para eu parar de beber. ― Ironizei e ele virou a cara.

― Não sabia que você ia concordar com Barry, após isso, para ir embora. Se soubesse, teria incentivado você beber tanto, mais tanto, que ia sair dessa festa enrabada. ― Virou o rosto pra mim, com um sorriso malicioso. ― Porque você conhece o ditado, né? Cu de bêbado não tem dono, a-d-o-r-o! Amo d-e-m-a-i-s.

Ele ia adorar mesmo um soco bem na cara. Ia avançar na sua direção, para fazer exatamente isso, quando todo o Team Queen apareceu.

Paralisei na hora.

― Ei, vocês já estão indo embora? ― Thea perguntou, com um ar reprovador. Franzi o cenho, confusa. Como diabos ela sabia daquela informação? ― Sara me mandou uma sms avisando. ― Adicionou como se fosse a porra dum leitor de mentes.

Olhei para Sara, com o meu melhor olhar de homicida, mas não causou efeito algum naquela amante de vibradores. O máximo que ela fez foi encolher os ombros e me lançar um sorrisinho sem graça.

TRAÍRA!

― Cadê Oliver? ― Moira me olhava, quando soltou a questão de 1 milhão de dólares. ― A última vez que o vi, estava contigo. Esperava o encontrar aqui.

Eu também esperava várias coisas, mas nem por isso tô atacando ninguém. Certo?

― Ela levou um fora do bofe delícia.

ERRADO! É HOJE QUE DEPENO UMA GALINHA! EU IA VOAR IGUAL PERERECA ARANHA NA CARA DAQUELE VIADO!

― Tio Oliver deu um fora na Loira de Farmácia? ― Olhei pra baixo, só agora notando Akio. O discípulo de Lúcifer olhava Curtis interessado, esperando colher informação. ― Legal!

Legal mesmo seria eu o arremessar do último andar da QC.

ONDE AFINAL ESTAVA A MÃE DAQUELA CRIATURA?!

― Felicity não levou um fora!

Mais uma vez naquela noite, me encontrei paralisada e num estado catatônico. Completamente ofegante e vermelho — culpei a corrida por isso -, o Queen parou na minha frente. Ao seu lado, estava Slade, igualmente ofegante mas com um sorriso enorme no rosto. Parecia até ter visto papai noel.

COMO ASSIM EU NÃO HAVIA LEVADO UM FORA?

― Oliver, explique isso direito. ― Pedi, ao recuperar minha habilidade de falar. Minha voz havia saído tão...trêmula que poderia se quebrar ao sopro.

Primeiro, ele olhou para a nossa plateia, trajando o seu melhor olhar de: Sumam daqui, antes que eu mesmo faça o serviço.

Quando percebeu que ninguém acataria à sua ordem silenciosa, virou para mim, com um ar condescendente. Lentamente, iniciou seu discurso ou o que pensei que seria um.

― Não te dei um fora, só falei que você não seria mais a minha secretária.

Ofeguei, incrédula. Era só isso? Cadê a explicação?

― E como isso não é levar um fora? ― Rangi os dentes, sentindo minha mão coçar pra dar uns tabefes naquela carinha perfeita. ― Você me demitiu!

― Eu não te demiti. ― Contrapôs com um ar revoltado ― Eu só tirei o seu cargo de secretária, nada mais! Em algum momento falei que você não seria mais funcionária da QC? Não! ― Rugiu bem na minha cara e eu fiquei abrindo e fechando a boca, igual peixe. ― Pretendia te colocar na área de TI da QC, uma vez que você já está finalizando sua faculdade. Tudo não passa de um infeliz mal entendido. ― Completou, todo ofendido e com razão.

Eu havia sido uma burra!

Queria me socar, ao mesmo tempo que também queria tascar um beijo de cinema na boca do Queen.

― Ai, graças a Deus! ― Thea se manifestou, quebrando o clima tenso que havia se instalado entre eu e o seu irmão. ― Estava torcendo por vocês dois desde Vegas!

― E eu também! ― Sara se envolveu no assunto.

Laurel e Tommy riram, balançando a cabeça positivamente.

― Nós também! ― Exclamaram juntos.

― Eu não. ― Akio resmungou me olhando feio, devolvi o olhar, mostrando a minha língua pra ele. Sei que era infantil, mas apenas não pude resistir.

― Nem eu! ― Curtis bateu o pé. ― Estou bege de ciúmes, alguém me colore A-G-O-R-A. ― Virou para Slade. ― Ei, quem é você? Ainda não fomos apresentados. ― Abriu o seu sorriso de safado.

Tentei reprimir a risada, diante o olhar assassino que Slade lhe enviou.

― Esse é Slade Wilson, meu amigo. ― Oliver resolveu apresentar o Schwarzenegger da selva, para a bicha.

― O QUE? O SEU NOME É WILSON? ― Soltou o berro, com direito a mão no coração e tudo. Ninguém entendeu sua reação.

― O que tem isso? ― Indaguei, entendendo nada.

Me arrependi imediatamente por ter perguntado aquilo, quando ele abriu o bocão logo em seguida:

― EU NÃO NASCI GAY, A CULPA É DO MEU PAI QUE CONTRATOU UM TAL DE WILSON PRÁ SER O CAPATAZ!!! ― Balançava os braços de um lado para o outro, parecendo boneco de posto, e dava alguns pulinhos nas pontinhas dos pés. ― EU VI O BOFE TOMAR BANHO E O TAMANHO DA SUA MALA ERA DEMAIS! ― Se inclinou pra perto do rosto do Schawarzenegger e soltou o bafão ― ALÉM DE LINDA, ERA DEMAIS!!!!

Puta que pariu! Será que eu devia avisá-lo que Slade era um ex-militar que vivia andando por aí armado?

Se Curtis tinha alguma chance de sobreviver, ela foi para o fundo do ralo quando Oliver me puxou para um canto, afastando-me daquela loucura.

Ansiosa, o olhei, esperando o que ele tinha para me falar. Mesmo que tivéssemos esclarecido nossa situação profissional, ainda faltava esclarecer a pessoal. A que eu julgava mais importante, pelo menos, no momento.

― Felicity Megan Smoak... ― Seu tom continha um mix de seriedade e diversão. ― Eu arruíno um compromisso lucrativo por você, e tudo que ganho é isso? Sinceramente, esperava por mais!

Atordoada, meus olhos se ergueram em direção aos seus.

― Você desmanchou o seu noivado por minha causa? ― Não podia acreditar!

Notei quando um vinco se formou entre suas sobrancelhas.

― É claro, por que mais seria?

― Talvez porque você...ficou com medo de se casar? ― Arrisquei ― Ficou apavorado com a ideia de compromisso? Achou uma herdeira que irá lhe render mais lucros? ― Quanto mais eu falava, mais vermelho ele ficava.

Obviamente, ele estava ficando completamente furioso com o rumo da prosa. Bati o lábio, resolvendo mais uma vez naquela inédita noite, fechar o bico.

― Primeiro, vamos deixar claro uma coisinha: Eu não tenho medo de nada. ― Vociferou e eu dei um passo para trás, só para garantir né? Contudo, aquilo foi inútil. Ele deu um passo para frente, se aproximando. ― Segundo, só há uma coisa nesse mundo que tem o potencial de me apavorar, mas isso ainda não aconteceu. Portanto, nada me apavora, por enquanto. ― Inclinou o seu rosto diante do meu, fazendo com que os nossos narizes se tocassem. ― E terceiro, achei uma herdeira de temperamento péssimo, dramática, tagarela, estabanada e que tem o estranho hábito de atrair confusão por onde passa. Ah, e que tem a incrível tendência de soltar umas mentiras de vez em quando! Conhece ela?

Se eu a conhecia? Estava lutando para conseguir segurar um sorriso tão brilhante, que o Queen ficaria cego por alguns segundos.

― Oh, não, não conheço. ― Resolvi entrar na brincadeira. ― Será que ela é bonita? Faz o seu tipo?

Ele enrugou o nariz. ― Ah, fazer o meu tipo, ela não faz não...

Minha boca despencou. COMO ASSIM? ELE ESTAVA FAZENDO UM JOGO COMIGO? Fiquei puta.

― Queen, como assim ela não faz o seu tipo?

Dependendo da sua resposta, ele só ficaria sem uma bola, não sem as duas logo de uma vez.

― Veja bem, loiras não fazem o meu tipo e ela ador-

― Se você continuar essa frase, eu vou chutar as suas bolas. ― Ameacei irada com a sua audácia, não o deixando completar sua frase. Aquele maldito sádico! Como tinha coragem de falar NA MINHA CARA que EU não fazia o tipo dele?!

Ele me ignorou completamente.

― ...E ela adora falar que é uma loira, quando na verdade... ― Começou a se balançar nos calcanhares, com um sorriso malandro. Eu já havia me afastado o suficiente para lhe dar um chute certeiro. ―...quando na verdade é morena.

― SEU DESGR-Hein?

COMO ELE HAVIA REPARADO NAQUILO? NÃO ERA POSSÍVEL!

Olhei para os lados, inspecionando a área, checando se ninguém havia ouvido aquela revelação bombástica sobre as minhas origens. A cada segundo, me convencia mais que ele tinha parte com o demônio, não era possível!

O puxei pela gravata, aproximando-o mais que o permitido, fazendo os nossos narizes se encostarem de novo. Seus olhos cintilavam.

― Se você contar isso para alguém, eu juro que picoto todo o seu pinto quando você estiver dormindo.

Não quis nem perguntar como e quando ele descobriu aquele detalhe meu, ciente que não gostaria nada, nada da resposta — ainda mais pela quantidade de tempo que ele vinha falando que não curtia uma loira.

Ele riu, ignorando o possível triste destino do seu pinto na minha mão.

― Seu segredo estará seguro comigo, srta. Smoak.

― E DISSE HEY!!! VAI DEVEGAR AMOR!!! NÃO VAI COM FORÇA AINDA SOU MOÇA E NÃO QUERO SENTIR DOOOOR!

E Curtis continuava com a sua cantoria lá atrás...Estava impressionada por Slade ainda não o ter estrangulado.

― Acho bom mesmo.

― Será que agora podemos parar de discutir? Tenho coisas mais importantes para fazer. ― Pediu em voz baixa, puxando minha cintura contra sua mão. Oh, sim!

Num minuto, Oliver se apossou da minha boca, num beijo que fez o fogo na bunda subir até o cérebro.

― Ei, espera. ― Recordei algo importante, me separando daquele Deus Grego. Sem entender nada, o Queen me olhou, mas ainda não havia me soltado.

― Que foi agora?

― Você ainda não me disse as palavrinhas mágicas.

Ele tava achando mesmo que ia fugir do AI LÓVI U, FELICITY? Não mesmo.

― Que palavrinhas mágicas? ― Se fez de desentendido, mas eu sabia que ele havia pescado a dica. Não era burro.

Eu podia tá colocando os carros na frente dos bois, porém, por julgar nosso histórico, já havíamos passado por situações o suficiente para aquela frase ser dita em voz alta. Estava esperando.

― Você sabe quais.

Começou a resmungar mau humorado.

― Sério que você quer que eu fale essa frase clichê? ― Balançou a cabeça ― Nem pensar! Você já teve prova o suficiente quando eu desisti de fazer o Palmer assinar o contrato, quando corri atrás de você, para resolver esse mal entendido. Eu me rec-

― Você fez isso? ― O interrompi, estarrecida. Ele havia desistido de um contrato...por mim? Puta que pariu! Oliver Queen havia desistido de um contrato por mim!

PORRA! ERA HOJE QUE EU DAVA LOUCAMENTE PARA ESTE HOMEM!

― ME TRATE COMO UMA MENINA, VASELINA, POR FAVOOOOR! ― Mais outro grito escandaloso de Curtis ― PARECIA RAMBOOOO! COM A SUA BAZUCA NA MINHA NUCA!!!

Caí de boca no Queen na hora. Quer dizer, caí minha boca na dele. Enterrando minha mão na sua nuca e sentindo a sua, subindo até o meu seio, invadi o interior da sua boca com a minha língua. ISSO QUE É MULHER DE ATITUDE!

Um gemido gutural escapou da garganta do MEU Queen e dessa vez, quem afastou quem, foi ele. Ofegante, olhei onde sua mão ainda se encontrava.

― Queen, tire a mão daí, estamos em público. ― Mandei, soltando uma risada breve. Ele acatou minha ordem, escorregando a mão para longe do meu seio, mas deixando-a pairar na minha cintura, num gesto possessivo. Arqueei uma sobrancelha com aquela atitude. ― Acho que somos namorados agora. ― Comentei e ele balançou a cabeça, distraído.

― É, acho que somos.

Cerrei os olhos.

― Queen, fale as palavrinhas mágicas. Não vou aceitar ser a sua namorada sem ouvir elas.

Até parece! Já era a namorada dele há semanas e ele sequer sabia!

Todavia, ainda tinha o desejo de ouvir aquelas palavrinhas saindo daquela boca pecaminosa. Sabia que ele tinha dito que não as falaria, mas...Ainda assim, tinha que tentar!

― Por favor, vamos transar? ― Sugeriu, com a voz doce.

― Não, tente mais uma vez. ― Cantarolei, espalmando uma mão no seu dorso forte.

Fingiu pensar por algum tempo, até me olhar de maneira tão profunda, que tive a impressão dele ter atravessado minha alma e voltado.

― EAFS. ― Falou com uma voz terna e demorei alguns bons segundos até desvendar o que ele queria dizer com aquela sigla, mas quando entendi, só soube lhe presentear com o meu sorriso mais brilhante que estava guardando desde cedo.

― Ah, EAOQ também!

Ele gargalhou, jogando a cabeça para trás. Parecia até que o tempo havia parado e só existia nós dois naquela sala.

― Parece que sua doença foi curada, srta. Smoak. ― Sussurrou depositando um beijo rápido no canto da minha boca.

Não conseguia parar de sorrir.

― Ahãm! ― Assenti feliz.

A reação de Oliver foi imediata. Com agilidade, inclinou minha nuca pra trás e capturou meus lábios num beijo tão feroz, que tive a completa certeza que até o fim da noite, minha boca estaria tão inchada que as pessoas perguntariam no outro dia se eu não fui picada por uma abelha. Bem que eu queria ser picada mesmo...

― E DISSE VAI!!! AHH, WILSON VAI!!! ESFREGA A MALA NA MINHA CARA!

(...)

Em algum ponto da noite, o Team Queen inteiro — já havia me conformado que no meu Team só tinha traíra e que todos agora eram Team Queen -, se juntou a nós, impedindo qualquer possibilidade de putaria entre eu e o sádico. Mas isso não queria dizer que impedia Curtis de soltar comentários maldosos.

Nem a presença da Moira, inibia a bicha que quando não estava soltando comentários pra cima do MEU Queen, ficava mandando olhares safados para Slade.

Agora, estava conversando com Moira e as outras mulheres, ignorando completamente a discussão calorosa entre Akio e Curtis — enquanto Slade incitava o baixinho a chutar Curtis nos países baixos.

Oliver continha uma mão na minha cintura, e conversava em voz baixa com Diggle, mas ainda conseguia ouvir muito nitidamente o que aqueles dois tentavam sussurrar um para o outro.

―...Oliver, acabei de receber a notícia de um segurança da equipe que o Sr. Palmer voltou aqui, parece ter esquecido algo. Ele está no terraço. Se você esperava por uma oportunidade, ela apareceu. É pegar ou largar.

Um silêncio caiu sobre eles por algum tempo e eu continuei conversando animadamente com Moira, tentando dar aquela disfarçada básica. Lentamente, a mão do Queen escorregou para fora de minha cintura.

― Okay, vou lá. Não conte nada para Felicity. Ela me prometeu uma recompensa hoje mais tarde, não quero correr o risco dela mudar de ideia. ― Meu Queen sussurrou de volta para Diggle e eu reprimi a vontade de rir alto. Com a desculpa de que iria tirar água do joelho, Oliver saiu correndo com Diggle, seu fiel companheiro, no seu encalço.

Só quando ele estava longe o suficiente para me ouvir, eu ri. Ah, meu Queen avarento...Certas coisas nunca mudavam.

EPÍLOGO

4 anos depois...

PUTA QUE PARIU!

Caí da cama na hora e ainda bem de cara no chão.

M-E-R-E-Ç-O. Não foi dessa vez que eu acordei com sorte.

― CACETE!

Epa, aquilo não havia saído da minha boca!

Lentamente, olhei para cima e descobri a fonte de todos aqueles xingamentos.

Oh, não! Oliver Queen estava xingando! Eu nunca o havia ouvido xingar! Das duas, uma: Ou o apocalipse estava próximo, ou...Corri em direção a janela do quarto, que dava acesso total à vista do hotel. Apertei os olhos, tentando enxergar o que queria.

Como eu dizia antes, das duas, uma: Ou o apocalipse estava acontecendo ou Curtis havia deixado de ser viado. Tava ainda caçando ele no meio da multidão de hóspedes, se agarrando com alguma mocréia doida. Quando não achei, resolvi checar o sol, só para ver se ele estava no lugar também. Tudo conferido, girei para encarar o meu adorável noivo, sentado na poltrona que havia no quarto e com uma revista na mão.

― Que foi? Descobriu que tem um vibrador entalado no seu rabo?

Normalmente, Oliver me responderia com um rosnado ou quem sabe, me atacando uma almofada bem na cara. Entretanto, ele só se limitou a me chamar com um dedo, para que eu me aproximasse dele. Euein, parecia até que eu era cachorra dele! Tá bom que vivia cantando "VEM AQUI MEU CACHORRINHO" pra ele e às vezes, soltava um "AUAUAU" pra animar a coisa, mas não era pra tanto!

Mesmo assim, resolvi atender o seu pedido. Sua cara de quem comeu e não gostou, após quatro longos anos de namoro, estava me preocupando. Será que ele finalmente havia enjoado da minha plantação de chuchuzinhos e minha floresta desmatada? Apressei o passo, só com a ideia.

― O que foi? O que aconteceu? ― Perguntava igual uma metralhadora, parando ao seu lado. Estava mais que aflita com a possibilidade de nunca mais brincar com a sua pistolinha comedora. ― Não quer mais regar a plantação?

Com um suspiro exasperado, ele balançou a revista nas mãos, ainda incapaz de dizer alguma coisa e depois me ofereceu ela. Com o cenho franzido e sem entender merda alguma, peguei a revista, para imediatamente tacar ela longe ao ver sua capa.

― PUTA QUE PARIU! ― Foi a minha vez de xingar. Ele assentiu com a cabeça.

― Minha mãe vai nos matar.

O pior que ele tinha razão. Acho que Moira nunca nos perdoaria por não ter sido convidada para o nosso casamento. Em Vegas. Na capela do Elvis. Na última noite. E tendo nada mais, nada menos que Curtis Holt e Donna Smoak como padrinhos, claro, isso segundo a revista e a foto da capa, onde estava eu e o MEU Queen com um sorrisão de bebum naquela maldita capela.

Eu sabia que nós não deveríamos ter ido para Vegas!

― Deveríamos fugir. ― Recomendei sábia, já começando a arrumar todas as minhas malas.

Maldita hora onde Curtis veio chorar no meu ombro, todo xexelento, falando que havia sido chifrado e precisava de diversão para curar o seu coração quebrado — tava é outra coisa quebrada nele! -, e eu como boa amiga, resolvi aceitar seu convite para ir à Vegas com ele e minha mãe! Óbvio que não iria prestar.

Ainda mais quando Oliver decidiu ir de última hora conosco.

― Sim, deveríamos. ― Oliver concordou, começando a me ajudar a arrumar as malas, prontíssimo para nossa próxima fuga. ― Mas pra onde?

Boa pergunta.

― Rússia?

Fazia maior tempão que nós não falávamos com Anatoly, que havia desenvolvido uma estranha afeição por mim. Não que eu reclamasse, é claro. Oliver até que curtia e não perdia a oportunidade de soltar alguma piadinha sobre Suvinil, toda vez que pisávamos no território da máfia russa.

Digamos que o sadismo do Queen não havia diminuído nem um pouco, com o decorrer dos anos. Na realidade, havia ficado pior, porém felizmente, eu conseguia tirar de letra o desafio de lidar com ele.

Ah, havia descoberto também o que significava a sigla PP, do tal clube que ele e Tommy participavam, junto com Laurel. Foi preciso que Sara e Nyssa nos segurassem, para não capar aqueles dois cafajestes. O negócio era: PP significava, Playboy Pervertido e existia um clube só para eles. Não sabia como não havia pensado naquilo antes! Fiquei uma semana sem fazer sexo com o Queen — só fazia por telefone, mas aí não contava, né?! — como castigo.

― Não, voltei de lá mês passado, após aquela viagem de trabalho. ― Oliver murmurou, jogando a coleira de Barry-cão que eu acidentalmente, coloquei na minha mala, para baixo da cama do hotel.

Oliver e Barry-cão se detestavam, e vire mexe, um rosnava para o outro. Não fazia ideia do que fazer para acabar com aquela inimizade entre os dois. Para minha sorte, Barry- Jack há dois meses atrás, resolveu viajar para Lian Yu e ofereceu levar Barry-cão junto com ele. Aceitei a oferta imediatamente, sabendo que o pequeno cão encrenqueiro estaria em boas mãos.

Há um mês atrás havíamos recebido uma imagem que Barry havia nos enviado. Na imagem estava ele sorrindo para câmera, segurando sua baby Rose (Não tão baby assim. HellooOOo, havia se passado quatro anos!), enquanto atrás dele aparecia um Slade nada feliz, mirando uma arma na sua cabeça e mais à fundo, nos matos, Akio espionando a cena toda com um olhar travesso. Falando nele, tentava a todo custo saber o que diabos Oliver havia feito, para ele conseguir o chantagear tão livremente. Descobri tardiamente, que a possibilidade de eu desvendar esse mistério, era a única coisa com potencial de apavorar o Queen.

Graças a Deus, tinha a impressão que a cria do diabo logo cederia e me diria o bendito segredo. Mas não sei não ein... O discípulo de Lúcifer era tão fiel ao lunático, que ficava difícil! Então era melhor eu não ter grandes expectativas... Mas mesmo assim... Bem. Veríamos isso com o tempo.

Agora, voltando à Barry... Apostava que ele já havia se arrependido por ter aterrissado naquela ilha, tendo Slade por perto, dando uma de paizão ciumento.

― Então pra onde? ― O olhei com ar de dúvida e ele apenas deu de ombros, finalizando sua missão de arrumar as malas.

Iguais doidos varridos, chegamos correndo na recepção do hotel, pedindo para fechar a conta. Quase tive um treco ao ver o valor, Oliver por sua vez, apenas cerrou os olhos e soltou algumas pragas para o meu amigo Curtis — que aparentemente, estava desaparecido com a minha mãe. Não que eu ligasse. Queria mesmo me mandar dali, antes que os dois inventassem alguma outra doideira.

Com raiva, Oliver fechou a nossa conta e quando julguei que nada mais poderia acontecer, eis que surge um dos meus maiores pesadelos na minha frente.

― LOIRINHA PERVERTIDAAAAA!!!! ― Clô acenava na porta do hotel para mim, ao seu lado estava Dovil e a Esquisitona, todos com roupa de praia. Senti logo a tremedeira.

― Ah, não... ― Lamentei, segurando o braço de Oliver.

― Ah, sim. ― Ele ria da minha desgraça, coisa bem típica. Alegremente, acenou para aquele trio, que nós só recebíamos notícias, através de cartas do Sr. Lance, que havia engajado um rolo com a minha mãe que ia e voltava.

A principio, Oliver ficou horrorizado com a ideia de Lance namorar mamãe, tanto que se ofereceu diversas vezes para arranjar um BR&R pra ela, até que um dia, se conformou com a situação. Quando o perguntei o motivo disso, ele apenas me lançou um sorriso irônico e respondeu: Ficaria feio para Lance matar algum membro da sua futura família.

Como sempre, Oliver não dava um ponto sem nó.

― O que vocês estão fazendo aqui? ― Questionei, não escondendo minha revolta. A Esquisitona secou o MEU Queen de cima a baixo, me ignorando.

SERÁ QUE ELA NÃO ESTAVA VENDO O ANEL ENORME NO MEU DEDO? E NO DEDO DE OLIVER? Tava pedindo para ser afogada...

― Estamos de férias. ― Dovil respondeu, com um ar desinteressado. Semicerrei os olhos, desconfiada.

― De férias, sei.

― E Curtis também nos ligou essa madrugada, falando que tava rolando um casamento das galáxias. ― Clô confidenciou, sussurrando em voz baixa dessa vez, como se estivesse nos contando um segredo.

Lhe lancei um sorriso falso, apertando mais ainda o braço do MEU Queen. A gente precisava urgentemente fugir daquele lugar, antes que Moira ou Thea aparecessem. Deus sabia para quem mais aquela bicha fofoqueira havia ligado para comunicar sobre o "Casamento Das Galáxias".

― Ah, é? Que legal! ― Não era legal nada ― Agora, se não se importa, eu e Oliver estamos indo. Foi muito bom ver vocês, depois de todo esse tempo!

Nem esperei que eles retrucassem alguma coisa, saí rebocando o MEU Queen para fora do hotel, enquanto fazia planos mirabolantes para quando encontrasse aquela bicha desgraçada que eu chamava de amigo e também para quando encontrasse a desmiolada da minha mãe, que com certeza no ápice do momento, deu a maior força para que eu e Oliver nos casássemos naquela capelazinha. Sua participação não deveria ter se limitado a só incentivar o casório, ela também deveria ter algo a ver com o motivo de eu não me lembrar de nadinha que havia acontecido na noite passada.

Ela amava bolar uma bebida forte o suficiente para derrubar um touro... Tommy que o diga!

― Eu vou matá-los! ― Grunhi, olhando de um lado para o outro, caçando tanto pelas as minhas vítimas, quanto para os possíveis paparazzis de plantão.

―...E que tal Lian Yu?

Percebi tardiamente que Oliver continuava oferecendo lugares para nós fugirmos da fúria de Moira, ignorando completamente o meu surto homicida. Parei, pensando no assunto.

Lian Yu até que seria uma boa escolha. Desde o sucesso do contrato que Oliver conseguiu fechar anos atrás, Lian Yu havia virado um lugar parcialmente desenvolvido e que atraia turistas de todas as partes do mundo. Entretanto, Moira não curtia muito ir pra lá não, por conta da grande distância, fazendo com que aquela ilha se tornasse o lugar perfeito para eu e o MEU Queen nos refugiarmos.

Lhe lancei um joinha, aprovando a ideia.

― Lian Yu, é uma boa.

Ele sorriu.

― Lian Yu, então.

― RACHAAAAS ME ESPEREM, QUERO IR TAMBÉM!!!!!!

E quem resolvia dar as caras? Curtis Holt, segurando duas malas rosa choque, com um óculos branco do tamanho da cara e ainda com um chapéu amarelo escandaloso. Ao lado dele, estava minha mãe, com um salto tão alto que era um milagre não ter se estatelado no chão durante a corrida.

Balancei a cabeça negativamente.

― O que você acha de deixarmos eles pra trás? ― Sugeri, já começando a entregar minhas malas para que o MEU Queen segurasse.

― Acho uma ótima ideia. ― Declarou, saindo em disparada e me deixando para trás. Abri a boca chocada, com a sua falta de lealdade.

COMO ELE TINHA CORAGEM DE FAZER ISSO? EU ERA A MULHER DELE E... Oh, meu Deus! Arregalei os olhos, sentindo que finalmente a ficha havia caído.

Eu era agora oficialmente Felicity Queen. Puta que pariu!

EU ERA FELICITY QUEEN!!!!!

― EI SEU DESGRAÇADO, ME ESPERA!!! ― Gritei, começando a correr para alcançar o meu maridinho em fuga.

― SEUS RACHUDOS, ME ESPEREM!!!!!

Curtis ainda gritava enlouquecido quando eu alcancei o meu marido e entrei no carro conversível que nos esperava. Lá dentro, estava Diggle, seu fiel companheiro, esperando por instruções.

― BOTA O PÉ NO ACELERADOR, DIGGLE, QUE NÓS ESTAMOS INDO PARA LIAN YU!!!!

(...)

Três dias depois, eu e Oliver decidimos fazer uma cerimônia oficial de casamento em Lian Yu, com direito à presença de todos os nossos familiares. Diferente da crença popular, Moira não nos matou quando descobriu sobre o nosso casamento em Las Vegas, ao contrário. Parecia bastante contente com a notícia, mas eu desconfiava que era unicamente por causa da sua ansiedade para me ver casada e prenha do seu filho. Coisa que não iria acontecer nem tão cedo. A parte de ficar prenha, é claro.

Verdade seja dita: Ver Shado expelindo a dinossaurinha Rose, da sua vagina, anos atrás, havia me traumatizado tanto que às vezes eu tinha pesadelos. Por isso, ignorava completamente as indiretas de Moira e sempre dizia solenemente que só engravidaria após dois anos de casada. Outra mentira. Eu queria sim ter filhos, só não encontrava a coragem. Tava muito cagada com a possibilidade de expelir um dinossauro da minha vagina.

Como não podiam faltar, Cisco e Caitlin apareceram na cerimônia e soltaram a notícia de que iriam se mudar para Star City brevemente. Desconfiava que eles haviam combinado com Barry de os três dividirem um apartamento, o que era ótimo.

Alguns dias após a cerimônia em Lian Yu, Slade chegou todo feliz para eu e o MEU Queen falando que a ilha havia ganhado mais destaque ainda, graças ao nosso casamento que tinha causado um frenesi gigantesco na imprensa e ainda soltou uma piscadela para Oliver, dizendo que tudo havia saído como o planejado. Para o seu crédito, Oliver sequer piscou, mas seus olhos adquiriram um brilho perigoso, como se estivesse mandando Slade calar a boca.

Desconfiei da sua atitude, mas fiquei quieta.

Um mês depois, soltando fogo pelas ventas e gritando à plenos pulmões que Oliver viraria o meu escravo pelos próximos nove meses e o quanto ele havia arruinado todos os meus planos para aquele ano, e ele não ter sequer piscado nenhumazinha vez (Novamente), foi que eu tive a certeza. Tudo fora premeditado por ele. Desde o casamento em Vegas até o casamento em Lian Yu.

― Você planejou tudo, né? ― Soltei, o fitando. Ele curvou os lábios num sorriso.

― Demorou para descobrir, ein.

Filho da mãe!

O bandido havia feito uma jogada de marketing, conseguido me levar ao altar e ainda, de bônus, me engravidar. Tudo numa bolada só! (Ou transa só).

Peguei a primeira coisa que encontrei na mesa do seu escritório na QC, para o acertar.

― VOCÊ ME ENGANOU!!!! ― Joguei o vaso de flores em direção a sua cabeça e com rapidez, ele abaixou.

― Eu não te enganei. ― Teve a audácia de negar, voltando a se levantar. Me olhava com cuidado, analisando cada movimento meu. ― Estava tão bêbado quanto você na possível noite que fizemos Oliver Jr.

Ri incrédula.

― Oliver Júnior? Nós não estamos chamando o nosso bebê de Oliver Júnior! ― Respirei fundo ― E não tente levar a discussão para outro lado, você planejou tudo!

Ele bufou, revirando os olhos e eu comecei a pensar no que mais poderia usar para acertá-lo. Vê se pode? Parecia até que era ele o enganado!

A ideia de ter um mini Oliver ou uma mini Felicity era ótima, mas ainda me via imaginando a vagina de Shado parindo Rose, de vez ou outra, o que acabava arruinando completamente minhas fantasias.

Alguém precisaria me desmaiar no dia do parto, é isso, decidi.

― Felicity, você não acha que seria arrogante demais da minha parte achar que eu conseguiria te engravidar? Ainda mais bêbado? Eu nem lembro direito daquela noite! ― Fingiu limpar alguma sujeirinha do terno e depois me fitou seriamente. ― O ponto é, planejei o casamento em Vegas, não o bebê. Mas não serei hipócrita o suficiente para fingir que não estou satisfeito com os resultados, porque eu tô. ― Me lançou uma piscadela safada e eu senti o meu rosto ficar vermelho. De raiva. Provavelmente. Eu esperava que sim.

É bom que seja Felicity.

Indiferente a minha áurea assassina (ou simplesmente ignorando ela, pois convenhamos, esse homem continua um doido), Oliver continou:

― Você não deveria estar mais preocupada com a possibilidade do nosso filho nascer igual Akio?

Assim que essa pergunta escapou dos seus lábios, me senti fria, faltando infartar com aquela possibilidade.

MEU. DEUS.

― Acho que está na hora de eu pagar uma visita ao pastor West. ― Declarei, piscando sem parar. A solução seria que aquele homem me benzesse, exorcizasse, ou sei lá o quê comigo. Não estava disposta a cuidar de um Akio 2.0.

SERIA CASTIGO DEMAIS!

― Também acho. ― Concordou, voltando a se sentar na sua cadeira, como o Todo Poderoso.

Apressada, fui até a porta da sua sala, já maquinando os planos para visitar pastor West e pedir para que ele perdoasse minha gafe de anos atrás, sobre o dedo do meio. Ele era um pastor né? Não poderia guardar ressentimentos.

Quando já estava fechando a porta do escritório do MEU sádico preferido, ouvi algo que me chamou atenção.

― Iris, quais seriam as possibilidades das ações da QC crescerem, caso Felicity estivesse grávida e eu soltasse essa exclusiva para o seu jornal?

FILHO. DUMA. CONDENADA.

Iris West, atualmente era uma jornalista de sucesso, consequentemente, Oliver via nela uma aliada valiosa para os seus negócios. Geralmente, ele conseguia um furo de algum sócio misteriosamente, mas eu sabia muito bem quem era sua fonte.

Na minha frente, estava Diggle balançando a cabeça negativamente, mas com um sorriso divertido no rosto. Claramente, havia ouvido o mesmo que eu.

Com um suspiro resignado, enchi ar nos meus pulmões, pronta para fazer AQUELE escândalo com Oliver. Diggle já até estava acostumado com uma cena daquelas. Religiosamente, duas vezes por mês, eu entrava feito um touro naquela área da QC, pronta para gritar com Oliver, por alguma coisa que ele teria aprontado comigo.

Invadi o seu escritório novamente, o pegando com a boca na botija.

― OLIVER JONAS QUEEN, VOCÊ TÁ NEGOCIANDO O NOSSO FILHO?!

Não seria o MEU Queen, caso não fizesse exatamente isso, pensei com ternura, enquanto lhe acertava um livro nas fuças.

Você pode correr, você pode se esconder,

Mas você não pode escapar do meu amor.

"Escape" — Enrique Iglesias

FIM.

Notas finais
E CHEGAMOS AO NOSSO FIM, com direito a Akio, Slade Wilson, Samantha (Quem esperava ein? Ela quem era a misteriosa noiva!), baby Rose, Clodovil&Esquesitona. E...Ah, gente! Não sei nem por onde começar para finalizar de vez essa nota final que será a última. Okay, vou começar agradecendo ao mais de 400 comentários, as 21 recomendações, e as 290 pessoas acompanhando a fanfic até aqui. MUITO OBRIGADA MESMO, vocês todas, foram mais que demais e contribuíram bastante para o desenvolvimento dessa fic. Se ela chegou até aqui, vocês tem uma parcela de crédito. Sempre adorei entrar na minha conta e ler seus comentários, e também suas mp's (mesmo aquelas onde vocês me ameaçavam), vou guardar cada palavra de vocês com carinho, viu? ♥ Graças a vocês, escrever essa fanfic foi divertidíssimo e fico mais que satisfeita por ver o nosso casalzinho da discórdia, chegarem até aqui juntos e mais loucos do que no primeiro capítulo. Estou bastante consciente que algumas pessoas esperavam mais (sex scene, oi), entretanto, não pude realizar o pedido de vocês, por um motivo: Já tinha imaginado esse final na minha mente, há tempos. (Apesar que na minha mente perturbada, ele era bem melhor.) E não podia imaginar de outra forma ele. Sempre tentei escutar todas vocês (Briga na lama, oi), mas dessa vez, não deu :/ será que rola uma pizza de chocolate tamanho família para vocês me perdoarem? (O tanquinho do Evans e do Tatum, está fora de mercado. Sorry not sorry.) E por último, além de agradecer todas vocês que acompanharam essa doideira (Porque fanfic não é) até aqui, gostaria também de incentivar quem tem medo de postar alguma coisa aqui ou em qualquer outra plataforma, a arriscarem. Afinal, a vida é feita de erros né? Quanto mais você erra, mais você aprende. Se arrisquem queridas, não tenham medo de errar, viu? Agora, sem mais delongas, um ENORME OBRIGADA, UM FORTE ABRAÇO, toda a felicidade e chocolate do mundo para todas e...Espero que sempre quando vocês beberem um suco de maracujá, se lembrem de mim hahahaha ♥♥♥ Adorei conhecer todas vocês, beijos, beijos, beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!