Notas iniciais
AAAAA BERROS!!!!! A linda da Hael recomendou a fanfic e eu tô super surtada até agora (?????) MUITO OBRIGADA QUERIDA fico muito feliz em ver a recepção positiva dessa fanfic aqui nesse site. Tô no chão ainda. PS: Leiam as notas finais por favor, daqui até lá já me levantei do chão.

Felicity's Pov

Depois de recuperada da minha queda, agora eu encarava Nyssa — nossa vizinha sinistra — enquanto segurava firmemente no braço de Curtis, para não o deixar sair correndo — e também pra ter algum apoio moral naquela situação, já que eu nunca na minha vida me imaginei pedindo alguém pra fazer um serviço daqueles pra outro alguém. Principalmente quando esse outro alguém era alto, bonito, tinha olhos azuis e um sorriso que me fazia querer o estapear todinho. Ao mesmo tempo que aquele sorriso me fazia ficar de pernas bambas.

Maldito Queen e malditos genes!

― E então? ― Olhava Nyssa, em expectativa.

E claro, também super pronta pra sair correndo caso ela fosse me rogar algo. Das poucas coisas que eu havia aprendido com a minha mãe, uma delas era não brincar com forças ocultas.

― Você quer que eu... me livre do seu chefe por você? ― Ela falou lentamente, parecendo absorver minha ideia com muito cuidado — qual é? Eu nem tava pedindo pra ela matar ele! Só queria que ela fizesse algo para o manter afastado de mim...

― Sim, sim, sim! Isso mesmo! ― Respondi efusivamente, contente por ela ainda não ter gritado comigo me chamando de uma pessoa horrível, por estar querendo se livrar do próprio chefe.

― Acho que eu posso te ajudar nisso... ― Ela disse, abrindo a porta do apartamento e dando espaço para eu e Curtis passar. Arrastando Curtis comigo — quem parecia que queria travar os pés no chão e permanecer tremendo feito vara pau naquele corredor, enquanto eu e a amiga do diabo discutíamos o plano de despacho pro Queen -, passei por ela entrando no seu apartamento.

― Mas vou querer algo em troca. ― Ela completou e antes que eu pudesse voltar atrás na questão, A Sinistra fechou a porta, não nos deixando saída.

― Ai meu Deus, vamos morrer, vamos morrer! ― Curtis choramingava ao meu lado, e eu não sabia ao certo se era eu ou ele quem se agarrava mais um ao outro.

Engoli em seco, ao olhar a decoração do apartamento de Nyssa. As paredes eram pretas com vários quadros horripilantes espalhados pelo cômodo, havia incensos acesos, estátuas e de bônus, a cabeça de um alce pendurada bem na parede de centro.

Valeu Deus!

― Ai meu Deus, nós vamos morrer! ― Confirmei, não conseguindo desviar o olhar daquele pobre alce.

― Eu vou mijar nas calças, Felicity. Eu quero ir embora!

Eu também, Curtis, eu também. Quis responder, mas o olhar severo que Nyssa nos lançou ao passar por nós, fez eu engolir todo o meu chilique. Quais seriam as minhas chances de sair viva dali, caso eu a tratasse com educação e cortesia?

― Sentem-se.

Ela mandou, indicando um sofá de dois lugares encostado justamente na parede do alce. Puta merda!

― Eu não vou sentar embaixo do defunto... ― Curtis deu voz aos meus pensamentos.

― Sentem-se! ― Nyssa repetiu, dessa vez com um olhar zangado e uma voz de comando que fez eu e Curtis correr rapidinho pra sentar naquele sofá.

― Então, acho que mudei de ideia. ― Comecei a dizer, tentando de alguma maneira escapar daquela situação sinistra.

Até longe, Oliver me fazia ficar atolada na merda, era incrível! Apesar de ter total ciência de que quem havia provocado essa situação, havia sido eu mesma... Meu Deus, como carma era uma merda!

― Sim, nossa Felicity aqui está sobre efeitos de remédios e nem sabe o que diz. ― Curtis contou a lorota, soltando uma risadinha e se o meu olhar matasse, a cabeça dele seria a próxima a ser pendurada numa parede de apartamento. ― Sua saúde mental é questionável, coitada. Ficou assim depois que o chefe ameaçou a despedir.

Bem, aquela última parte até que era uma verdade de certa forma — de certa forma bem torta, mas era.

― Ah, é mesmo? ― Nyssa olhou para nós, com um ar zombeteiro ― Ela me parece bastante sã.

Arregalei os olhos, puta merda! Eu não sabia agir como uma louca! Agora sim que A Sinistra iria me jogar uma coisa das brabas, só por eu ter tentado humildemente a enganar.

― Pelo amor de Deus! Não faça nada comigo! A ideia de inventar que eu sou louca foi toda dele! ― Apontei para Curtis do meu lado, me olhando chocado com a minha traição.

― Felicity!

― Que foi? Tô muito nova e infeliz pra morrer! ― Virei pra ele, com a minha melhor cara de sofrida ― Você sabe que almas infelizes, nunca saem da terra. Ou seja, se eu morro aqui e agora, provavelmente vou te assombrar pra sempre e ficarei vagando pela terra infeliz. Você quer isso pra sua vida?

Quando ele estava prestes a me dar uma resposta, Nyssa foi mais rápida:

― Me digam, como vocês descobriram sobre o meu trabalho ou não vão sair daqui hoje. E nem nunca. ― Acrescentou rapidamente, nos olhando parecendo a reencarnação de Lúcifer na terra — pois é, alguém havia acabado de assumir o posto do Oliver.

Engoli em seco, mais uma vez. Deus, se eu sair dessa, juro que não terei mais pensamentos de cuspir no café do Oliver, juro... Comecei as minhas orações internas.

― Tô esperando uma resposta.

A sujeita realmente não tinha paciência! Em momentos tensos como esse, minha mente dava pane e como minha primeira tentativa de inventar uma história pra ela falhara miseravelmente, resolvi ir pela verdade.

― Ouvimos as vizinhas falando sobre você... E sua ligação com ... as forças das trevas. ― Ouvindo aquilo saindo da minha boca, ficou bem mais ridículo do que em meus pensamentos. Sério.

Ela também pareceu achar ridícula a forma como eu definia o seu 'trabalho'. Porém a verdade era essa mesma: O povo falava bastante de Nyssa, a achavam tremendamente estranha. E eu, infelizmente, também ia na onda deles.

― Forças das trevas? Sério? ― Falou num tom descrente, quase com um olhar reprovador — que me fazia lembrar do Oliver, já que o maldito também me olhava constantemente bem daquele jeito.

Minha ignorância sobre aquele assunto, me fez querer sair correndo daquele lugar e ir pesquisar mais sobre ele (o que devo dizer para uma pessoa que parece ser amiga do diabo?).

― Bem, foram isso que elas falaram. ― Encolhi os ombros, começando a sentir o meu rosto esquentar. Oh Deus, e se Nyssa não fosse mesmo uma pessoa ruim e eu tivesse dado ouvidos as velhas fofoqueiras? Merda!

Ela ficou me encarando por mais alguns segundos, como se me estudasse, até que eu notei nos seus olhos passarem um brilho de compreensão. Ótimo, pelo menos ela não iria me matar hoje. Eu acho.

― Uh-hum... Então, você quer que eu me livre do seu chefe por você, certo? ― Questionou e eu apenas assenti com a cabeça, incapaz de dizer alguma outra coisa e acabar desencadeando mais outro desastre. ― Não estou disponível no momento para fazer esse tipo de serviço, mas... Conheço alguém que possa te ajudar.

Franzi o cenho, pensando na ideia de conhecer alguém mais estranho e amendrontante como Nyssa.

Não era uma boa ideia...

― É mesmo? Quem? ― Curtis se meteu no assunto, visivelmente interessado e eu quis meter uns tapas nele.

Nyssa não respondeu de imediato, ao invés, pegou um cartão que estava no bolso detrás da sua calça e nos ofereceu.

― Ra's... angu... o quê?! ― Eu tentava ler aquele nome estranho. Ela por um acaso estava fazendo alguma piadinha comigo? ― Que bosta de nome é esse?! ― Perguntei me irritando e esquecendo completamente que minha vizinha podia ser uma das maiores serial killers já vistas naquele país — que foi? Ela ainda não havia negado... -, e podia muito bem me assassinar sem deixar rastros, porque ela tinha cara de assassina.

E isso acrescentava mais dois 'Meus-Assassinos' em potencial, na minha lista de 'Quem odiava Felicity Smoak e a silenciaria para sempre."

O primeiro era Diggle, o guarda-costas com olhar de serial killer. Tinha certeza que se Oliver mandasse, ele me esquartejaria e jogaria minhas sobras num poço. E rindo sem parar, devo acrescentar.

Já Nyssa, tinha cara de quem me daria veneno e me assistiria agonizar no chão.

― Ra's Al Ghul. ― Ela me corrigiu ― Ele tem um local formidável para negócios e não tenho dúvidas que você vai encontrar lá o que quer.

Eu encontraria Oliver Queen preso numa cadeira elétrica? Quis perguntar, mas deixei pra lá. Seria muita loucura pra um dia só.

― Você disse local formidável para negócios? ― A voz do Curtis cresceu três oitavas e eu me ocupei em apenas guardar o cartãozinho com cuidado. Sabia que não faria uso dele, mas era melhor me prevenir, quem sabe né... ― Negócios do tipo... ocultos? ― Sua voz falhou no final e se a situação não fosse tão horripilante, eu riria.

― Sim. ― Ela assentiu com a cabeça e não pude deixar de notar o tom de escárnio com que a resposta havia saído.

Num pulo, Curtis se levantou do sofá e se dirigiu até a porta do apartamento.

― Okay, está na hora de eu e Felicity ir! ― Ele anunciou, claramente perturbado com as informações processadas.

Sem deixar uma brecha para impedimentos, me levantei também e feito um furacão fui até o seu lado.

― Sim, precisamos alimentar Barry! ― Reforcei, esperando que ela não notasse o tremor nas minhas mãos.

― Entendo. ― Murmurou, caminhando lentamente em nossa direção, ela parecia uma felina e eu começava a não entender o motivo de todos a chamarem de louca, já que nos últimos minutos ela se mostrou uma pessoa lúcida — até demais pro meu gosto.

Ela destrancou a porta e como mais cedo, abriu um espaço para eu e Curtis passarmos, como o previsto, eu fui a última sair do apartamento e antes que eu pudesse enfim respirar aliviada por ter me livrado de uma furada, senti o meu pulso ser segurado firmemente.

― Algumas vezes, somos cegos demais para enxergar aquilo que está bem na nossa frente. ― Ela se aproximou perigosamente de mim, e mesmo que eu quisesse recuar, puxar o meu braço pra longe, alguma força inexplicável me mantinha ali. Cara à cara com ela. ― Nem tudo é o que parece ser. Nada, absolutamente nada, é por acaso. ― Enfatizava e eu parecia hipnotizada por seus olhos fixos nos meus ― O ruim, na verdade pode ser bom, tão bom! Que quando você perceber, vai querer voltar no tempo e viver tudo novamente.

Assim como num passe de mágica, o feitiço dela quebrou e eu voltei à realidade.

― O que você tá tentando me dizer? ― Perguntei extremamente confusa e não gostando nada, nada daquilo.

Ler por entrelinhas nunca foi o meu forte. E ei, essa mulher é sinistra!

― Você vai descobrir sozinha isso, quando chegar o momento certo. ― Deu de ombros, fazendo pouco caso da minha curiosidade. ― Ah, tome isso também, vai ajudar com o assunto do seu chefe. ― Ela tirou do bolso de trás da calça, um frasquinho e colocou na palma da minha mão.

Não precisava ser nenhum gênio pra sacar que aquilo se tratava de um comprimido.

Será que ela estava acreditando na história de Curtis e agora me considerava uma louca?

― Ei, eu não sou louca! ― Gritei indignada, fazendo menção de lhe devolver aqueles comprimidos mas obviamente, ela ignorou totalmente minha tentativa.

― Fique com isso, vai precisar mais que eu. ― Me dispensou com a mão ― Além de que, é pra você usar isso com o seu chefe. Coloque no café dele.

Estreitei os olhos, desconfiada.

― Por que eu faria isso?

― Porque você pediu minha ajuda mais cedo. ― Respondeu simplesmente e eu não consegui engolir aquela medíocre explicação.

― Mas você disse que não poderia me ajudar! ― Rebati, não querendo me dar por vencida.

Ela revirou os olhos e começou a se abanar.

― Detalhes, detalhes...

― Não são apenas detalhes! Eu sequer sei se você é mesmo uma mulher sinistra que trabalha pro oculto! ― Joguei as mãos para cima ― Ou uma charlatã!

OPA!

Arregalei os olhos, ao perceber que havia a ofendido.

― Puta merda, corre! ― Curtis murmurou baixinho perto do meu ouvido, já se acovardando mas confesso que minha vontade naquele instante era aquela mesma.

Entretanto, o olhar fulminante que Nyssa agora me lançava, me deixou travada no lugar.

Eu só podia ser uma suicida! Pernas, acordem, pelo amor de Deus!

― Coloque isso no café do seu chefe e depois venha me procurar. ― Demandou, séria. ― Direi para você exatamente no que eu trabalho. ― E fechou a porta, dando fim naquela discussão e me deixando parada feito uma idiota de frente à sua porta.

― Acho que eu mijei nas calças.

A voz de Curtis me fez despertar do torpor em que me encontrava e com uma cara engraçada, o encarei.

― Sabe, em outras circunstâncias, até falaria que você é um medroso. Mas... ― Pausa dramática ―... eu acho que eu também tô mijada.

E eu não estava brincando.

(...)

Depois de me livrar daquele vestido horrível — e prometer mais de vinte vezes para Curtis que não, não iria o queimar (INFELIZMENTE) -, pude finalmente fechar os olhos e descansar.

Ou pensava que fosse ser assim. Ás três da manhã, ouvi o meu celular tocando na cômoda que ficava ao lado da minha cama. O ignorei com sucesso, afinal, ninguém dispensaria uma rapidinha com Chris Evans nem em sonhos!

Mas, foi entre uma pegada violenta com Henry Cavill, às quatro da manhã, que o celular resolveu tocar novamente e eu resolvi que iria mandar o maldito que estivesse me interrompendo no meu horário sagrado, para o inferno!

Há certas coisas que uma menina não pode aguentar.

― Quem morreu? ― Atendi mandando na lata, não me importando de olhar no visor o número.

Apostava 50 dólares que era minha mãe querendo me perturbar de alguma forma. Ela sempre fazia isso, nos horários mais atípicos ela me ligava.

― Ainda ninguém, mas posso reconsiderar isso se você não descer aqui em menos de cinco minutos.

Eu iria perder 50 dólares de bobeira!

A voz do outro lado do telefone, não era nada parecida com a da minha mãe, ao contrário.

Oh Deus, por que não era a minha mãe?!

― Sr. Queen, por que você está me ligando a essa hora? ― Tentei manter toda a profissionalidade ao falar, mas eu tinha certeza que minha voz saiu furiosa — denunciando meu o estado de espírito do momento.

― Porque temos um acordo onde diz que você tem que estar disponível para mim à qualquer horário. ― Me respondeu de modo arrogante e eu me senti tentada a voltar deitar minha cabeça no travesseiro, e fechar os olhos. ― E eu preciso de você agora. ― Completou, parecendo ranzinza por ter de admitir aquilo em voz alta.

Uh-hum.

Sua declaração final me fez despertar rapidamente. O que uma reviravolta não fazia, não é mesmo? Parecia que os papéis estavam se invertendo ali.

― Por que você precisa de mim agora? ― Questionei, esticando um braço e pegando o meu despertador para constatar que de fato, eu não estava presa num pesadelo onde Oliver Queen me ligava de madrugada para me pedir — rudemente — um possível favor de origens duvidosas.

― Você saberia se descesse aqui. ― Ele bufou e eu já o podia imaginar revirando também aquelas esferas cristalinas, intitulada como os seus olhos.

― Você tá em frente ao meu apartamento? ― Tinha que confirmar, já que não sabia se quando ele me mandava descer, ele mandava eu ir pagar uma visitinha pra ele no inferno (HAHAHAHA O-K-A-Y NÃO).

― Não, estou em frente a um sanatório esperando você escapar pela janela. ― Ironizou e eu fechei a cara, ficando de mais mau humor ainda — se possível.

Além do tirano interromper o meu sonho, ficava debochando da minha cara?! Olha as horas pra aquilo!

― Desça logo, você só tem cinco minutos. ― Avisou e quando eu estava prestes a abrir o bocão pra reclamar, ele desligou na minha cara.

Contei mentalmente de um até quatro e quando me considerei calma o suficiente para não pegar meu taco de beisebol e dar só na cara daquele maldito, me levantei da cama. Ou melhor, tentei. Minha tarefa foi totalmente sabotada com sucesso pelos três cobertores que eu dormia com e que acabaram enrolando-se nos meus pés, me fazendo despencar feio no chão.

Pelo barulhão que eu produzi, parecia até que um elefante havia caído de paraquedas no apartamento.

― Eu odeio a minha vida. ― Murmurei, ainda de cara no chão.

Fiquei mais alguns minutos caída, até tomar coragem e levantar para ver o que meu chefinho queria àquelas horas da manhã. Não me incomodei em descer com aquela minha calça ridiculamente larga do meu antigo pijama e com uma blusa absurdamente grande de Curtis que eu havia roubado para mim há alguns meses atrás.

Oliver já havia me visto com aquele vestido ridículo, não tinha motivos para me envergonhar das minhas vestes de dormir — ainda mais quando era o infeliz quem deveria se envergonhar de algo ali. Era ele quem estava me mantendo refém dos seus joguinhos com aquele contrato ridículo!

Desci e quando cheguei de frente ao prédio, estaquei com a visão.

― Oliver? ― Murmurei incerta. Talvez eu estivesse sonhando.

Aquele não podia ser Oliver Queen. Me recusava a digerir a ideia de que Oliver Queen podia ficar absurdamente mais gostoso vestindo uma levi's preta e um casaco de cashmere, igualmente preto, do que vestido com um terno.

Não, não! Era insano demais! O cara conseguia ficar gostoso também fora dos ternos? Aquilo não era justo com os mortais!

Continuei parada, esperando por alguma manifestação da minha alucinação. Ele estava tão sexy de braços cruzados e encostado naquele seu carrão.

― Olá, Felicity. ― Ele me saudou finalmente e nossa senhora da bicicletinha, por que diabos a voz daquele inútil havia saído tão sexy daquele jeito? Ou, por que ele parecia tão sexy ali, todo sério, com uma porra de roupa normal? Limpei a garganta, tentando focar na situação ali. ― Você tá horrível. ― Ele completou e aquilo foi o suficiente para me convencer que não, eu não estava sonhando!

― Claro, eu estava dormindo! ― Tentei me justificar e quis me estapear por isso. Por que havia ficado tão na defensiva?

Talvez, porque você está de frente a um Deus grego, vestida feito uma desvairada... Uma voz sussurrou na minha cabeça.

― Nota-se.

Perdi a paciência.

― Afinal, o que você quer?

― Já disse, sua ajuda. ― Me olhava agora como se eu tivesse algum problema mental por o fazer repetir aquelas palavrinhas novamente.

― Ajuda pra enterrar quem? ― Tentei fazer piada, mas por dentro estava morrendo de medo que de fato houvesse um cadáver me esperando. Quer dizer, qual seria o motivo dele me procurar naquele horário, pedindo ajuda, além pra isso? Ele deveria ter aprontado feio, se veio atrás do meu auxílio.

Diferente do olhar de repúdio que eu esperava ganhar, Oliver me encarou de maneira travessa.

― Você realmente me ajudaria a enterrar alguém, caso eu lhe pedisse?

Abri e fechei a boca por diversas vezes, feito um peixe fora d'água. Não sabia como responder essa pergunta, porque nem eu mesma sabia se seria capaz de negar algo daquela magnitude a esse idiota.

Estiquei o meu pescoço, notando Diggle parado na calçada, atrás do carro.

Deus, eu era alvo fácil!

― Só lhe respondo essa questão na presença dos meus advogados. ― Desconversei, querendo desesperadamente sair daquele tópico e mais ainda, sair daquele frio. ― Sr. Queen, me fale logo com todas as letras o que quer que eu faça. ― Pedi, cruzando os braços e afastando um pouco daquele frio que me consumia.

Estava com pressa para fazer o-que-quer-que-fosse, para finalmente voltar a cair nos meus cobertores quentinhos e aproveitar meu final de semana em paz.

― Hoje tentei conversar com Isabel e renegociar o contrato arruinado, mas ela não me deu ouvidos. ― Ele começou e só de ouvir o nome Isabel e contrato numa mesma sentença, fiquei em alerta ― Claramente, ela não vai descansar até me ter completamente humilhado aos seus pés, coisa que não vai acontecer jamais. ― Sorriu arrogante e eu quase, quase sorri junto com ele. Se existia alguém que eu odiava tão intensamente quando odiava Oliver, era Isabel. ― Por isso...Eu vim até você.

Demorou exatos trinta segundos até eu perceber o que ele insinuava.

― Você quer que eu me humilhe no seu lugar, pra ela? ― Gritei, enfurecida.

Era hoje que chutava o pau da barraca! E o do Oliver.

― Em algum momento você me ouviu dizendo isso? ― Seu olhar agora era sombrio e notei quando seu guarda-costas, saiu de sua posição e foi até o seu lado, totalmente em alerta.

Eu não me atrevi a ficar intimidada. Uma coisa era eu ser a escrava-capacho-empregada dele, outra bem diferente era ser de Isabitch.

― Não, mas pelo jeito que voc...

― Então, não ponha palavras na minha boca! ― Me interrompeu com a voz um pouquinho mais alterada que o normal, e eu compreendi que aquele seria um bom momento para recuar.

Deixa pra lá essa história de não me intimidar, valorizava demais o meu pescoço para ficar sem ele. E o Diggle TEM uma arma.

― Calma, não precisa ficar nervoso assim não...

Ele me fitou com severidade, e observei tenebrosa quando ele começou a apertar a ponta de seu nariz. O via fazer aquilo sempre quando estava nervoso.

É, atingi um nervo.

― Nunca faria você se rebaixar a alguém tão desprezível quanto Isabel. ― Sua voz era firme e até mais suave que antes ― Essa mulher é intragável até mesmo pra mim, quem dirá pra você.

Malditas esferas lazúlis! Pensei ao perceber que começava a ficar comovida com suas palavras, diante o olhar sincero que ele me lançava. Quer dizer, aquelas palavras nem confortadoras eram, já que deixava meio explícito que ele se achava o maioral por achar que podia me fazer rebaixar pra alguém ou não, quando a escolha era minha, mas... Era a primeira vez, desde que eu cruzara o seu caminho, que o via com um olhar desprovido de sua habitual carranca arrogante.

― Então, vai me falar ou não direito sobre essa ajuda que você quer? E como a Isabel se encaixa em tudo isso? ― Fiz as enxurradas de perguntas, tentando jogar para as profundezas aquelas sensações estranhas de compaixão por aquele sádico narcisista.

Ele me olhou profundamente durante longos segundos, até me dar a resposta que eu me arrependeria por ter pedido:

― Soube que Isabel tem um relacionamento ilícito. ― Pausa ― Vamos a espionar e a pegar em flagrante.

― Hã?

Apostava os 50 dólares que eu vivo apostando, que eu estava fazendo a minha cara de trouxa.

Impaciente, ele finalmente se desencostou do carro e em passadas largas, veio na minha direção.

Automaticamente, dei passos para trás.

Oliver Queen vestido daquele jeito era muito perigoso. Principalmente naquela hora da madrugada, numa rua escura e só com uma testemunha para presenciar o meu possível ataque.

Porque sim, tinha que admitir, ele estava pronto para ser atacado. Por mim. E não sei se de uma forma boa ou ruim.

E isso era péssimo, porque ele era um idiota — mas um idiota muito gostoso -, que era a reencarnação do diabo na terra — mas bem que falaram que Judas era lindo. Tava ali a prova.

― Vamos flagrar Isabel com o amante e a chantagear, assim ela não pode negar o contrato de milhões. ― Me contou sua linha de raciocínio e eu demorei mais do que normal para assimilar o plano.

Sei lá, algo a ver com estar perto daquele homem me deixava absurdamente burra.

Meu cérebro demorou alguns segundos para captar a implicação do seu plano ardiloso, mas quando captaram...

Se ele estava falando que havia encontrado uma maneira de reter aquele contrato de milhões, isso só poderia dizerque o nosso contrato iria para o fundo do ralo. Imediatamente, meu humor se renovou e eu nem ligava mais por estar ridiculamente ridícula na frente daquele sádico.

Sem nem pensar duas vezes, bati continência igual uma soldada e confirmei presença no plano dele:

― Vamos pegar aquela vadia!

Tudo para pular fora desse contrato maldito!

Notas finais
O capítulo deveria estar mais longo por causa da minha demora pra postar? Sim, deveria. Por que não tá? Porque o azar da Felicity, se infiltrou na minha vida. Não tô brincando. Mas muito obrigada pela paciência e reviews anteriores. Espero que tenham gostado desse capítulo, xx Daisy :)