10 minutos longe de você / Capítulo 3 – Suspiros

Oh merda. Não nos falamos mais. Pelo menos não como antes, as piadas cretinas reduziram tanto que eu posso dizer que chegaram a estaca zero, você ainda me vê como uma amiga claro, pedindo minha opinião sobre projetos seus vez ou outra.

O que de certo ponto de vista me faz me sentir bem, por saber que minha opinião tem valor pra você e que você se importa com ela, ainda mais sabendo que você não se importa com a de muita gente. Porém o fogo pode ter reduzido pra você, mas tem noites como essa que ele parece tão acesso pra mim que sinto que já derreti a muito tempo.

Ai que saudade imensa eu sinto no peito da sua presença, seja pra escutar baixarias ou pra odia-lo. E todo esse afastamento só parece me consumir até que não sobra muito do que já fui um dia.

Só que as redes sociais não me deixam esquecê-lo, e vejo você vacilar vez ou outra fazendo o chão sumir debaixo dos meus pés e me fazer cair com tanta força contra a realidade que mal consigo em equilibrar. E então nesse breve momento que reparo como você está alheio aos sentimentos que tenho no meu peito sinto que evolui por reconhecer e que vou poder esquecer também, mas então meu coração trai a razão e me coloca no estado de alucinação outra vez.

Logo noites como essa surgem, onde imagino possibilidades onde nos encontramos ocasionalmente. Num jantar entre amigos na maioria das vezes. Às vezes penso em sentar na sua frente, mas me conheço o suficiente pra saber que eu provavelmente evitaria seu olhar e você interpretaria como a pessoa que eu sempre fui, sem muito contato visual com que não me interessa. Quando na verdade meu interesse é tão grande que tenho medo do quão explicito eles podem estar em meus olhos. Sei que não quero sentar longe então escolho sentar ao seu lado ainda que pareça inapropriado para os poucos sentido racionais que ainda me restam. Assim não tenho a obrigatoriedade de fica-lo observando e sei que posso espiar quando for olhar para o seu lado da mesa. Mas passar a noite observando está muito fraco para os meus planos. Imagino que pela proximidade você era fazer uma ou duas – quem sabe três – das suas cantadas terríveis, que você deixou claro que era mero interesse da carne.

Então eu vou poder rir e acreditar que as coisas vão funcionar da maneira que eu quero. A parte mais obscura do eu sonho torce que ainda que você não peça pra me beijar outra vez você coloque a mão na minha coxa, só pra fazer um carinho singelo, só como lembrança dos velhos tempos, e que você a esqueça ali até a hora de ir embora. Eu não deveria pensar assim, com certeza nem quero, ainda mais porque quando tudo começou achei que os papeis seriam ao contrario, quem cairia de amores seria você eu seguiria em frente como uma adulta civilizada.

Egoísta eu sei, meus últimos casos foram assim, mas nunca quis estar desse lado do tabuleiro e agora a situação parece ainda mais cruel. A diferença é que os meus casos se confessavam, e eu certamente nunca o farei.

O que claramente estragaria qualquer relação saudável entre nós dois, então preferi me manter nas sombras me alimentando do que nos sobrou porque me parece melhor do que nada.

Sei que essa parte soou mais como melhor mal acompanhado do que sozinho mas longe disso, ainda consigo respeitar meus princípios morais então talvez eu não tenha me afogado por completo.

Ah como eu queria coragem pra contar meus planos pervertidos pra você, que podem soar meio românticas e alguns pontos – o que fará se perguntar se são realmente minhas ideias – mas que são tão perversas pra mim que mal consigo pensar em escrevê-las, sopra ver sua reação, só porque quero ver o brilho da surpresa passar pelos seus olhos outra vez, porque preciso do sorriso sacana para xingá-lo e você me receber de braços abertos por isso.

Oh Deus, não quero extrapolar nas idealizações, não quero imagina-lo fazendo o que não faria, não quero me decepcionar com nada, quero conhecê-lo o suficiente para saber como vai reagir e assim ter as reações que quero. Através do que você realmente é e não pelo que gostaria que fosse. Estou ficando melosa, o que me deixa desesperada pra que tudo isso termine de vez.

Proibi-me de pensar em você quando estou deitada sozinha no escuro do quarto, por questões de saúde mental e corporal. Afasto de mim todas as ideias de possíveis encontros casuais, apesar de parte de mim dizer “Só mais dessa vez, e então amanhã definitivamente paramos. Se solte de vez essa noite, e então amanhã paramos” todas as vezes.

Se eu soubesse que tu era essa droga tão pesada eu com certeza teria evitado, porque a cada dia que passa sinto que minhas chances são cada vez menores. Ah sim porque estávamos pegando fogo quando nos encontramos, éramos uma chama tão ardente nos beijos que você deixou claro que queria marcar de novo, e eu só não o fiz pelo colapso emocional que estava passando por sua causa.

Fecho os olhos e tento imaginar se o fato de nada mais ter acontecido tenha sido minha culpa, talvez eu não tenha me expressado bem o suficiente, talvez você não tivesse conseguido usar seus super poderes sobre mim e ver que mesmo contrariada eu teria lhe dado chances que teria negado a maioria.

Concluir tanto sentimento e embaraço em tão poucas palavras me faz pensar se eles são realmente tão grandes ou se eu estou apenas o exaltando e resumindo para facilitar o compreendimento. Se é que é possível compreender algo.