10 coisas que eu odeio em você

8 Motivo 8: Você permitiu que eu me afastasse.


— O que vocês acham? – Falei virando o meu rosto na maca para encará-las.

Eu mandei um S.O.S para Hinata e Tenten e nós decidimos nos encontrar no Spa de sempre.

Até Fabian, minha massagista, disse que eu estava com muita tensão nas costas.

— Bom, não é surpresa pra ninguém. – Tenten virou o rosto também. – Você está caidinha por ele desde que fomos à praia.

— Acho que desde antes disso. – Hinata falou. – Mas sim, estava bem óbvio.

— Mas eu não sei se sou correspondida, ele odeia tudo o que eu represento, vocês sabem disso.

— É só perguntar pra ele!

— O que? Tenten, as pessoas não saem perguntando isso.

— A Hinata tem razão. Só me resta fazer o que qualquer garota normal faria. Vou encomendar flores e chocolate para me entregarem anonimamente na escola, só para que ele veja o quanto eu sou desejada, caso ele ainda não saiba.

— Eu não acho que você tem tempo para isso. – Tenten falou jogando areia nos meus planos. – Eu realmente acho que o diálogo é sempre a melhor opção.

— De qualquer forma, você precisa falar a verdade pra ele, Saky, sobre quais eram as suas reais intenções quando você voltou a falar com ele depois de tanto tempo.

— Eu não posso fazer isso. Eu o manipulei... Ele me odiaria e eu estou querendo justamente o contrário.

— Não sei, isso pode não acabar bem.

— Se tem algo que não vai acabar bem é a vida do Sasori na escola. – Ergui a cabeça. – Ele falou alguma merda para o Sasuke que o magoo muito e eu não vou deixar isso assim. – Me sentei enrolando uma toalha. – Eu já me cansei dele sempre se safar das coisas que faz. O Sasuke quase foi expulso por causa daquele idiota.

— O que você está planejando? – Tenten perguntou se levantando também.

— Eu já falei o quanto eu amo ter uma amiga hacker?

...

— Você por aqui? – Falei me sentando ao lado de Sasuke na arquibancada.

O treino das líderes de torcida havia acabo e agora os meninos estavam jogando futebol.

Sasuke estava sentado lendo um livro de história sobre como os soldados da antiga Grécia lutavam em falanges...

Ele deve ter percebido minha cara de incredulidade. Ele estava estudando durante o treino dos rapazes enquanto os outros alunos conversavam ou gritavam por conta de um gol.

— O Diretor Jiraya disse que minha punição pela briga seria dar suporte ao time de futebol, então eu virei o cara que abastece as garrafas de água e recolhe as toalhas suadas do chão. – Ele fechou o livro. – O diretor disse que era melhor do que ser expulso, mas eu tenho minhas dúvidas.

— E você estuda nos intervalos?

— Em algumas partes do universo, é considerado descolado saber sobre a antiga Grécia.

— Sério? Que lega. Eu super preciso que você me dê dicas de como ser descolada. – Falei sorrindo e ele deu uma risada em resposta.

Nós olhamos por uns segundos e eu senti minhas bochechas esquentarem.

Eu não sabia mais como me comportar ao redor dele.

— Está tudo bem?

— Como assim? – Falei desviando o olhar.

— Você parece confusa.

— Não é nada. Preciso ir. – Me levantei e saí para colocar meu plano em ação.

Fui em direção à biblioteca, pois do mesmo jeito que o diretor havia colocado Sasuke de castigo com o time de futebol, Sasori foi obrigado a ajudar na biblioteca da escola.

Algo sobre eles precisarem conhecer o habitat um do outro para conseguirem se entededer.

E lá estava ele, dormindo atrás de uma estante, se escondendo da bibliotecária.

Me aproximei o mais silenciosamente que pude e peguei sua mochila que estava jogada ao lado.

Eu precisava pegar o celular dele e devolver antes que ele desse falta.

Assim que encontrei o aparelho, devolvi a bolsa e fui correndo para o banheiro feminino.

Tenten estava me esperando sentada na pia e Hinata estava escorada na parede roendo as unhas.

— Cheguei! Vocês estão aqui há muito tempo?

— Não, acabamos de chegar. – Hinata falou e Tenten pegou o celular da minha mão.

Ela plugou um cabo no computador e conectou a outra parte no laptop.

— Um amigo meu desenvolveu um drive que copia e restaura e-mails e conversas deletadas. Se Sasori tem algum pôdre que nó possamos usar para expô-lo e acabar com ele, é assim que nós vamos descobrir.

— Não sei se é uma boa ideia, estou nervosa. – Hinata falou.

— Não é hora de ser a voz da razão, precisamos ir até o final agora.

— Eu realmente não acho que-

Hinata parou de falar quando ouviu o barulho de algo caindo de dentro de um dos banheiros.

— Ai meu pai do céu! Tem alguém aqui?

— Calma, Hinata! – Fui em direção do barulho para averiguar.

Olhei por debaixo para ver se avistava os pés de alguém, mas a única coisa que eu achei foi um parafuso caído perto da uma das portas.

— Foi só um parafuso. Não tem ninguém aqui. Vocês não checaram o banheiro ao entrar?

— Eu nem pensei nisso, estou muito nervosa.

— Falta muito tempo, Tenten?

— Ainda vai demorar alguns minutos. – Tenten estava tão nervosa quanto o resto de nós e por isso quis mudar o assunto. – Decidiu se vai contar para o Sasuke?

— Sobre isso? Eu jamais o envolveria em algo assim.

— O que? Claro que não! Sobre o que a Hinata falou hoje mais cedo.

— Gente, eu não posso falar isso pra ele. O que ele iria pensar de mim? Como que se chega em alguém e fala: “olha, Sasuke, não me odeie, mas eu estava com muita raiva do meu ex-namorado, então achei uma boa ideia te usar para deixá-lo irritado e com ciúmes, e de quebra ser o meu rei do baile para que Sasori não ganhasse e se arrependesse de ter me deixado, não me leve à mal, não foi pessoal, é só que você aparentava mais fácil de manipular do que os outros, afinal, você sempre foi o excluído e com certeza faria qualquer coisa para mudar isso.”

— Você esqueceu a parte que se apaixonou por ele e que se arrepende. Talvez isso seja o suficiente.

— Quem me dera ser tão positiva quanto você, Hinata. – Escorei na parede. – Mas uma coisa é verdade, eu me arrependo muito e não sou mais essa pessoa horrorosa que eu era antes dele, pelo menos eu acho que não.

— Gente, terminou e... Caramba... O Sasori dá em cima de todas as meninas do colégio, e isso não é de agora, sinto muito Sakura.

— Tudo bem, hoje em dia a única coisa que eu sinto por ele é pena. – Me aproximei para ver as mensagens. Ele era um canalha safado e me traiu com a metade do colégio. – O que é esse link?

— Eu não estou conseguindo acesso... Espera, deixa eu tentar... – Tenten começou a digitar um monte de códigos em uma telinha preta. – Consegui!

Ela abriu o link e uma página anônima apareceu. Nessa página estavam escritos os mais diversos comentários ofensivos embaixo de fotos de todos os alunos da escola.

— Mais que merda é essa? – Tenten começou a explorar a página. – A treinadora Tsunade Senju tem um caso com o diretor... — Ela foi começou a ler alguuns comentários da página. – Chōji Akimichi só não é mais gordo, porque a comida do mundo é finita... Sakura Haruno se faz de santa, mas na primeira oportunidade substituiu o namorado pelo nerd escroto, além de...

— O que? – Perguntei, mas Tenten fechou o laptop quando eu fui tentar ler o resto.

— Melhor não. Alguém fez um site ofendendo todos os alunos da escola. Você sabia disso Sakura?

— É óbvio que não! – Falei indignada. – Eu nunca tinha ouvido falar nisso antes, deve ser novo ou só alguns possuem acesso, não sei... Eu não ando mais com o retardado do Sasori, ou você se esqueceu disso?

— O meu nome também está aí? – Hinata perguntou. – Tem algo sobre mim?

— Acho melhor a gente não-

Peguei o laptop da mão de Tenten e comecei a ler. Havia todos os tipos de fofocas, ofensas e xingamentos, tanto para os alunos quanto professores.

— “Tenten pode até parecer durona e não se importar com a opinião de ninguém, mas está tendo um caso escondido com o Neji, seria vergonha ou medo das amiguinhas não aprovarem e abandonarem ela?” – Olhei para Tenten.

— O que? Eu não... – Ela tentou pegar o computador.

— Tenten, é por isso que você agiu estranho quando eu perguntei sobre ele aquele dia?

— Eu... – Ela suspirou. – Eu sei que você acha ele um perdedor esquisito, mas eu gosto dele. Eu descobri que ele estava bloqueado minhas redes sociais para chamar minha atenção, e ele foi naquela feira medieval pra falar comigo, mas ficou com medo, e na festa nós nos acertamos. Acho que alguém viu nós dois lá, só pode... Eu realmente gosto dele e queria que vocês, como minhas melhores amigas, gostassem também.

— Tenten, eu... Me desculpa por não ter prestado atenção nisso. Eu jamais quis ofendê-lo ou fazer você sentir que esconder isso de mim era melhor do que me contar. – A abracei. – Quem sou eu pra julgar? Não tem ninguém mais esquisito que o Sasuke e eu estou apaixonada por ele... A sua felicidade é tudo o que importa pra mim.

— E o Neji é um esquisito legal. – Hinata acrescentou entrando no nosso abraço. – Ele é amigo do Naruto, super gente boa e inteligente. Quero dizer... Ele é meu primo.

— Ele é seu primo? Como você nunca contou isso pra gente?

— Porque as pessoas sempre falavam dele e eu fique com vergonha.

— Nossa, essa escola está repleta de pessoas horríveis, inclusive eu. Estou me sentindo péssima agora.

— Não era só você, e você está diferente agora. Quem precisa de uma mudança é a pessoa que criou esse site.

— Você consegue descobrir quem foi quem foi, Tenten?

— Acho que não. – Ela começou a digitar algumas coisas novamente. – Mas só se tem acesso ao site se for convidado e está falando aqui que apenas ele e mais duas pessoas tem acesso... Espera... O IP do computador do criador do link mostra que o endereço onde o site foi feito é na Rua... Hey! Esse é o endereço da casa da Karin.

— Mentiraaaa. – Falamos ao mesmo tempo.

— Aquela vaca desalmada. Nós podemos acabar com os dois agora! – Tenten copiou toda a informação para um pen drive e me devolveu o celular.

— Eu vou guardar isso no meu armário e amanhã a gente fala com o diretor. – Peguei o pen drive. – Está na hora deles pagarem de uma vez por todas as merdas que já fizeram.

...

— Sakura, o que significa isso? – Minha mãe perguntou saindo de dentro de seu escritório.

Ela estava segurando um envelope com o emblema da Universidade Brown.

— Mãe eu...

— Aqui está falando que se você não os responderem até amanhã, confirmando seu interesse, você vai perder a vaga. Por que você não fez isso ainda?

— Mãe eu ainda não sei se-

— Eu vou ter que resolver isso agora! Você tem alguma ideia de como chegou perto de comprometer o seu futuro?

— Não é tão simples assim, mãe. Eu não sou com você. Eu ainda não sei se é isso o que eu quero.

— Pois já está na hora de saber! – Ela guardou a carta. – Ser adulto é isso, fazer escolhas.

— E quanto as suas escolhas, mãe? Você afastou o papai! Você vive enfurnada no escritório. Ter sucesso vale tudo isso mesmo? – Ela me olhou assustada. – Me desculpe, mas a senhora não pode consertar os seus erros através de mim!

— É isso que você acha que eu estou fazendo? Sucesso pode não ser tudo, mas eu só quero o melhor pra você, ainda que você não saiba o que é o melhor.

Respirei fundo, era inútil insistir.

A campainha tocou e ela falou que nós conversaríamos depois.

— Sasuke, podemos estudar na sua casa? – Ele reparou que eu estava chateada e apenas assentiu.

...

— Você está no meu quarto. – Ele falou se sentando no pé da cama ao meu lado.

— Então, estou mesmo. – Retirei os livros da minha mochila. – Você se lembra de como a gente costumava ficar aqui assistindo anime o tempo todo? Eu me sentava exatamente aqui. – Escorei minha cabeça na cama. – Desse jeito.

— Caramba. Quantas horas você acha que passamos jogando Pokemon aqui?

— Tipo, um milhão. – Falei sorrindo. – E a gente falava de como seria louco quando fizéssemos 16 e pudéssemos dirigir. E aqui estou eu, com 17 e sem carro.

— E sem carteira de habilitação também.

— Sim, obrigada por me lembrar. – Dei um empurrão nele.

— Você não era a rainha do colégio na época. E ainda era minha amiga.

— O que nos afastou?

— Você sabe. Você começou a ser notada pelos populares e gostou disso. Eu não te acompanhei e você nem percebeu. – Ele falou sem me olhar. – Do nada você estava namorando aquele babaca e sequer me cumprimentava quando passava por mim. A minha amizade já não era mais o suficiente.

— Se eu pudesse voltar no tempo eu mudaria tudo isso. Eu fui uma covarde e eu sinto muito.

— Você não está falando isso só pra conseguir meu voto para rainha do baile, né? – Ele riu e começou a tirar os livros da mochila.

— Idiota.

Quando ele terminou de tirar o último livro uma foto impressa caiu de sua mochila.

— O que é isso?

— Nada não. – Ele tentou pegar da minha mão.

— É a foto que tiramos na cabine da festa?

Era uma sequência de três fotos. Na primeira eu estava fazendo uma careta e ele olhando para mim. Na segunda ele estava com a mão na minha bochecha e na terceira nós estávamos quase nos beijando.

— Eu.. Er... O Neji encontrou na casa dele e me entregou hoje. Acho que nós esquecemos de pegar aquele dia. De qualquer forma, pareceu errado jogar fora.

— Ainda bem que você não jogou. – Falei olhando em seus olhos, as borboletas no estômago não paravam. O que eu sentia por ele eu nunca havia sentido antes por ninguém. Mas Hinata tinha razão, eu precisava ser honesta com ele antes que o pior acontecesse. – Sasuke, eu preciso te falar uma coisa-

— Ei, pirralho. – Itachi entrou no quarto.

— O que você quer? – Sasuke perguntou irritado.

— Me desculpe, eu não queria atrapalhar você e a sua não-namorada, mas o pai tá chamando pra jantar.

— Estamos indo. – Falei me levantando. Se o destino não queria que eu contasse, eu é que não iria lutar contra isso.

Nos sentamos na mesa de jantar e o Sr. Fugaku começou a falar sobre um caso em que estava trabalhando na polícia.

— Não é fácil a vida de um policial. Mikoto sempre se preocupou com a possibilidade de um dos meninos quererem seguir a carreira, e agora Itachi está no caminho...

— É mesmo? – Perguntei.

— Sim! – Ele respondeu. – Estou na faculdade de sociologia e quando terminar vou ingressar na carreira de policial.

— E você, Sasuke? Você nunca me disse o que vai fazer.

— Eu... Não sei ainda.

— Ele foi aceito em um milhão de faculdades e ainda não escolheu nenhuma. – Itachi falou.

— Eu ainda estou considerando as melhores opções. É o meu futuro inteiro que eu preciso decidir, não entendo o porquê de as pessoas agirem como se fosse uma coisa simples.

— Concordo plenamente. – Falei.

Fui pegar a jarra de suco e Sasuke fez a mesma coisa, fazendo com que nossas mãos se tocassem.

— Desculpa. – Ele me passou a jarra envergonhado.

— Vocês dois são tão bonitinhos. – Itachi falou nos deixando sem graça. – Fico feliz que você tenha voltado, Sakura.

— Cala a boca, Itachi. – Sasuke jogou um tomate-cereja que estava em seu prato bem na cara do irmão.

— Eu não aguentava mais o Sasuke falando de você O. TEMPO. TODO. – Itachi falou só para irritar e jogou uma azeitona de volta que acabou acertando a minha bochecha.

— Hey. – Peguei a primeira coisa que vi em meu prato e joguei de volta.

— Parem já vocês três. – O Sr. Fugaku falou jogando um pedaço de cenoura em cada um de nós.

A guerra começou e quando dei por mim, todos estávamos cobertos da janta e rindo sem parar. Fazia tempo em que eu não me divertia tanto. Acho que me esqueci como era jantar em família. Foi muito bom.

Eu queria que você soubesse, Sasuke, do tanto que eu gosto de você. Essa parte nunca foi mentira ou um jogo.

Sim, você é quem eu quero e quando fecho meus olhos, são os seus que aparecem...

Notas finais
E essa super referência ao Burn Book (Livro do Arraso)? hasushuahas xD