10 anos depois

7 Capítulo 7 - Vic


Presente

Por que infernos o MEU namorado está conversando com aquela piranha?

— Obrigado por nada. – Penso, mas apenas pego as batidas da mão da garçonete, olhando com desgosto pros morangos, e vou até minha mesa, fingindo não notar a presença da vaca loira. — Você não vai acreditar, Skye! Eu pedi de maracujá, mas ele só tinham de morango. Péssimo, nunca mais vamos voltar. Vou fazer com que esse lugar feche!– olho para ela e franzo a testa. – E quem seria você?

Deixo meu olhar sobre ela por mais um momento até reconhecer as feições dela. Ela abre a boca para falar, mas sou mais rápido.

— Lara?

Ela olha para mim chocada, mas logo se recupera.

— Vic?

— AHHHHH! SAI ABERRAÇÃO! – Jogo a batida de morando na cara dela, e ela solta um grito. Depois de alguns momentos, percebo que ela continua lá. – Ufa, você não é uma invenção da minha mente.

Ela se levanta, furiosa, e me dá um tapa no rosto, fazendo com que eu quase derrube a outra batida.

— Escuta aqui, vadia! — Me levanto e percebo que é apenas um pensamento meu, e que na verdade ainda estou parado olhando para a moça loira enquanto ela pronuncia meu nome. De repente, ouvimos um grito do fundo do bar e o barulho de algo pesado caindo no chão.

— Um médico! Tem um médico aqui? Ele está passando mal! – A voz do homem era estranhamente familiar. Assustado, entrelaço a minha mão livre na de Skye, e ele se levanta.

— Abra espaço, por favor. Eu sou médica, trabalho no hospital aqui do lado. – Ela vira a cabeça do homem de lado, para ele não se engasgar com a própria saliva. – Ele está convulsionando, alguém chame uma ambulância e me ajude a segurar os braços dele.

Skye se aproxima, abaixando-se e prendendo os dois braços do homem contra o chão, impedindo que ele se machuque até que a convulsão passe. Decido ser útil e vou para perto do homem que havia gritado.

— Hey, tá tudo… Gus?

— Vic? – ele se levanta, sua cara com uma mistura de medo e confusão, escondendo o tremor nas mãos enfiando-as no bolso.

— AHHHHHH! – Jogo uma das batidas na cara dele, e ele solta um grito de choque. Dessa vez não era um pensamento meu, foda-se o que ele ia fazer. Dou um sorriso disfarçado e coloco a outra batida em uma bancada.

— DÁ PRA ME AJUDAR AQUI? – O som vem de baixo e quando olho, recebo um fuzilamento pelo olhar de Lara.

— Ops, reflexo. Desculpa. – deixo o copo vazio em uma das mesas e pego um guardanapo para Gus se limpar. Depois, eu e ele nos abaixamos para tentar ajudar o homem a... não morrer.

Em um instante, a ambulância chega, e paramédicos levam o homem convulsionado para o hospital ao lado. Lara se levanta, batendo as mãos na roupa para limpá-la, e pega sua bolsa e seu casaco.

— Estou indo para o hospital. Prazer conhecê-lo e obrigada pela ajuda, Skye. Vic… Bom revê-lo. – Ela deixa o dinheiro na mesa e começa a sair pela porta.

— Queria poder dizer o mesmo.. – Digo baixinho.

— Espere, nós vamos com você. – Antes que eu possa protestar, Skye deixa o dinheiro em cima da mesa e pega suas coisas, me levando junto, e vamos para o Hospital.

— Eu também vou. Aliás, ele caiu em cima de mim. – Gus guarda seu celular e nos segue.

Nós três esperamos no saguão por alguma resposta, meu pé batendo impacientemente no chão de mármore, o som ecoando nos corredores silenciosos. Duas mulheres chegam e se sentam no fundo do saguão, uma delas com um gatinho malhado no colo miando baixo, e a outra com aparência de suja e segurando um livro de… Rituais e Maldições? Adorei.

Lara aparece vestindo um jaleco e parecendo séria, e vem até nós.

— Sigam-me.

Vamos até a ala onde o homem bêbado está deitado, e a loira nos explica a situação.

— Ele teve uma overdose. Nos exames de sangue, identifiquei uma grande quantidade de álcool e outras substâncias nocivas ao organismo.

— E por que está nos contando isso? – Pergunto, e recebo um aperto no braço dado por Skye, dado de advertência. – Digo, nós não conhecemos ele nem nada…

— Sim, eu também pensava isso até que a coleta de sangue mostrou sua ficha médica. – Ela nos mostra um papel, onde está grifado o nome do paciente. BRUNO SANTANA.

— BB?

— BB? – Gus exclama surpreso.

— Bebê? Quem tá grávida? – Skye pergunta maravilhado.

Ouvimos um barulho na porta, e as duas mulheres do saguão aparecem.

— Moça, esta área é restrita apenas a paciente e funcionários. E animais não são permitidos no hospital. – Lara se inclina para expulsá-las.

— É que a minha vizinha aqui se acidentou e deslocou o braço, e eu estou cansada e preciso dormir. Pensei que você poderia fazer aquele negócio pra colocar o braço no lugar que as pessoas gritam muito, ou se eu apenas podia deixá-la largada em uma das macas… — Ela olha para a loira mais um momento antes de exclamar: — Lara?

— Nina?

— Gente, alguém sabe me dizer onde está aquele homem que teve um ataque no bar agora a pouco? Meus clientes estão preocupados, e uns arruaceiros que foram com ele deixaram tudo sujo… — A garçonete que não tinha maracujás aparece, e solto um gritinho de surpresa.

— Maya?

— Vic?

— Lena?

— GUS?

— NINA?

— LARA?

— Gente… — O homem balbucia por um momento antes de desmaiar de novo, e todos olhamos para ele.

— BB?

— Acho que vou comprar algo pra comer… — Skye sai da sala, e ficamos uns olhando para os outros, perplexos.