10 anos depois
15 Capítulo 15 - Todo Mundo
Notas iniciais
Presente
DIA 1
Vic entra pelas portas do Hospital de manhã, bocejando. Skye está ao seu lado, com um copo de café na mão, e seus olhos estão com olheiras em volta.
— Eu ainda não sei porquê acordamos tão cedo para vir aqui ainda… — Skye boceja, e toma um gole de café, andando até uma poltrona que ficava no saguão.
— Eu já disse, ele era meu amigo de infância, e agora estamos todos reunidos novamente. – Vic senta ao seu lado e pega o café da mão do namorado. – Além disso, quero saber se ele vai morrer ou não.
— Vic!
— Ué, eu tô sendo sincero! – Vic bebe um gole do café e dá um beijo em Skye, demorando um pouco até perceber que alguém os estava encarando. O primeiro se vira e olha para os olhos de Maya.
— A garota resmunga e volta seus olhos para a bainha do avental.
— Maya? Você está aqui faz quanto tempo?
— Vim para cá de madrugada. Ainda não tive notícias sobre alterações no estado de Bruno. E tiive que descobrir isso sozinha, já que a Lara não fala comigo. E nem eu com ela. Isso é café?
— Pode beber um pouco… — Skye entrega o café pra ela e a garota bebe um pouco, seus olhos ficando mais iluminados com o efeito da cafeína. – Bom, acho que podemos ir então, Vic? Podemos acordar com um bom banho quente, só nos dois… — Ele se esfrega no moreno, afagando sua mão.
— Certo, acho que podemos conversar sobre isso no caminho. – Vic se levanta e olha para Maya. – Pode ficar com o café. Quer carona pra casa?
— Não, acho que vou ficar aqui por mais um tempo. Mas obrigada.
Vic e Skye saem pela porta do Hospital, ligam o carro e vão embora. Demora um pouco até que Maya se levante, procure por Lara nos corredores do Hospital e depois ir para o bar, tomando cuidado para não ser vista até que ele abra.
DIA 2
A porta do quarto de BB abre silenciosamente, e Lena entra. Ela senta ao lado do homem adormecido, e olha para seu rosto calmo. Demora um pouco até que sua expressão dura desapareça.
— Por favor, eu preciso que você acorde, BB. – Ela pega sua mão e fecha os olhos. – Estamos todos reunidos novamente e… Nina ainda não esqueceu aquilo. Ela nunca vai esquecer, e eu não posso culpá-la, mas se você melhorasse talvez pudéssemos nos reaproximar. E meu filho…
Passos são escutados do corredor e Lara entra no quarto, parando na porta ao notar a presença de Lena.
— Você sabe que não pode ficar aqui, Lena.
— Já estou saindo. – Ela passa pela médica depressa, virando o corredor e desaparecendo da vista da loira.
Ao virar, Lena se apoia na parede fria e respira fundo. Ela começa a andar em direção ao saguão, torcendo para que a mulher não tivesse sentido o cheiro da bebida que vinha de sua boca.
DIA 5
— COMO QUE EU SÓ FICO SABENDO AGORA QUE MEU IRMÃO ESTÁ INTERNADO? – Lara consegue ouvir a voz esganiçada de Ju do consultório onde estava atendendo um paciente com virose, e pede licença. Assim que fecha a porta, sai correndo pelos corredores e chega no meio de uma briga entre a garota e o atendente do Hospital.
— O que está acontecendo? – A loira para o resto das pessoas no saguão, e identifica o rosto de Nina e May entre eles.
Ju se vira para ela, e vai até onde estava parada.
— Meu irmão está aqui faz 9 dias e EU SÓ FICO SABENDO DISSO AGORA? – Sua voz aumenta novamente, e a médica para ela fazer silêncio.
— Não tinha nenhum contato da família dele nos registros, e ele não foi encontrado com celular ou com alguém. Ele ainda não acordou, então não tínhamos como chamar algum membro da família.
Ju olha para Lara por um momento, piscando os olhos. Depois se vira e vai para um dos bancos, resmungando. A médica expira o ar preso em seuus pulmões e percebe que ela havia acreditado nas desculpas.
— Qualquer sinal de melhoras, você será a primeira a saber, OK?
Ju olha em seus olhos, e concorda. Apesar de tudo, ela está com medo pelo irmão mais novo. A loira sorri, tentando transmitir calma, e prepara-se para voltar para seu consultório, quando Ju fala:
— Lara? É você? – Ela se levanta.
— Sim, Ju. – A médica se vira, e vê confusão no olhar da mais velha.
— Eu… Você não… — Ju não encontra palavras para se expressar. Aliás, a situação toda era incomum. No fim ela apenas fala: — Apenas não deixe meu irmão morrer, tudo bem?
Lara estremece com as palavras, balança a cabeça e se vira, caminhando em direção ao paciente que a esperava.
DIA 9
O barulho do salto contra o piso de mármore enche o saguão silencioso, e Maya olha para ele com ódio. Ela levanta o olhar e se depara com uma Ju impaciente, os braços cruzados, esperando que algo acontecesse. A irmã mais velha de BB estava assim fazia quatro dias, e até agora não havia saído do Hospital para nada. No máximo ia para a cantina do Hospital ou para o banheiro, e se animava quando Lara vinha em sua direção, apenas para informar que o estado de BB continuava inalterado.
Apenas as duas estavam no saguão agora, fazendo companhia para uma Lena adormecida em um sofá afastado, o sol da madrugada aparecendo no céu escuro. Cansada do barulho do salto e da tensão no ar, Maya se levanta, soltando o ar e começando a andar.
— Para onde você vai? – Ju pergunta, e o barulho da batida do salto para momentaneamente.
— Para longe daqui. – A morena começa a andar, o barulho recomeçando, e vira em um corredor deserto. Começa a se distrair com as luzes, e depois de um tempo percebe que está perdida. – Merda. – Ela resmunga e acha um elevador no fim de um corredor branco. Espera a caixa de metal chegar e aperta o botão do último andar.
Quando as portas se abrem, ela caminha em direção a uma porta corta-fogo. Assim que sobe as escadas mal-iluminadas e abre a última porta, um vento frio vem em seu rosto e a faz estremecer. Maya fecha o zíper do casaco que estava usando, e começa a caminhar pelo telhado do Hospital.
Mesmo com o vento assobiando no ouvido, a garota consegue ouvir um barulho de choro vindo de um canto do telhado. Ela se vira e vê a forma pequena de Gus encolhida no chão, encostada em uma das paredes do andar, usando apenas uma blusa cinza fina e de mangas curtas. Maya caminha até ele, pensando no que falar. O rapaz olha para ela, os olhos molhados de lágrimas, e volta a abaixar a cabeça.
A morena se ajoelha ao lado dele e abre a boca para falar algo, mas em vez disso abraça o homem, tentando confortá-lo e aquecê-lo.
Depois de alguns minutos, os soluços passam e ele fala:
— Desculpe pelo outro dia. Eu não queria ter sido tão rude.
— Tudo bem, todos sabemos o que você estava passando.
— É que, mesmo que doze anos tenham se passado, eu não consigo esquecer…
— Eu sei, Gus. Tá tudo bem, sério.
Ele olha para a garota, e voltam a se abraçar. Ela sente seu braço úmido com as lágrimas, mas não se importa. Demora um pouco até que qualquer um dos dois saia dali.
DIA 12
O sol estava nascendo, e todos estavam dormindo nas cadeiras do saguão do Hospital desconfortavelmente. Gus entra pela porta do Hospital segurando oito cafés desajeitadamente, e para para observar as seis pessoas desacordadas. Maya estava em um canto, encolhida e com os óculos deixados em cima da mesinha de centro. Nina estava jogada em uma poltrona acolchoada, um livro recostado em seus peitos, abertos na página onde tinha parado a leitura. Skye estava deitado no colo de Vic, que havia adormecido com os dedos enrolados em seus cachos. Ju estava com a cabeça apoiada no braço da cadeira com uma revista apoiada em seu colo, as pernas cruzadas. Lena estava em uma cadeira encostada na parede perto de uma tomada onde seu celular estava carregando, com a tela ligada na página inicial do Twitter.
Passos apressados vêm do corredor, e Lara aparece correndo, seu avental branco seguindo-a. O garoto estende um dos cafés para ela, que sorri ao vê-lo.
— Obrigada, Gus. – Ela vai apressada para uma das sala, bebendo o café extra quente que ele havia comprado.
Gus senta ao lado de May, repousando os cafés com o nome de cada um na mesa de centro, e espera o resto deles acordarem.
DIA 17
Nina aparece com uma caixa de pizza no Hospital, o relógio apontando 23:30.
— Nossa, eu estou com MUITA fome. – A moça deixa a caixa de pizza no centro e pega um pedaço de pepperoni, mordendo com vontade. – Ahn… Podem pegar se quiserem.
Estavam todos reunidos no saguão, conversando casualmente. Assim que Nina oferece, quase todo mundo avança na pizza, pegando um pedaço, exceto Lena.
— AAAAAAA PIZZAAAAAAAA. – Maya solta um grito, devorando o pedaço que havia pego.
— Está muito boa. – Ju exclama, esquecendo sua preocupação momentaneamente.
Nina olha para Lena, sentada em um canto mexendo no celular, e sua raiva se dissipa por um momento. Ela pega um pedaço com um guardanapo e caminha até a mulher quieta. Todos param de conversar para observar a cena.
Lena levanta os olhos da tela brilhante, e pisca algumas vezes.
— Pega logo que meu braço tá doendo. – Nina dá um meio sorriso, e Lena pega o pedaço de pizza, mordiscando a ponta.
— Ela volta para o celular, e Nina volta a se sentar, a conversa voltando a fluir pelo saguão do lugar.
DIA 20
A luz forte deixa o homem com dor de cabeça, e ele pisca várias vezes até seus olhos se acostumarem. Ele tenta mexer seus braços, mas eles estão dormentes. Consegue olhar para o relógio, e vê as horas: 04:49
Ele ouve barulho de passos apressados e uma voz familiar:
— Eu sei que todos estão ansiosos para ver como ele está, mas para que todos entrem, eu preciso que façam silêncio. – É uma voz feminina, e logo sua dona aparece.
Oito pessoas passam pela porta, sorrindo ao verem o homem deitado na cama do Hospital. Uma delas, uma mulher com aparência de cansada, corre até sua direção, e o abraça.
— Seu idiota! Você sabe quantas desculpas eu tive que dar para o papai não perceber nada? E como você pôde me deixar tão preocupada? Vai tomar no cú, Bruno! – Ela abraça o homem novamente, e ele sorri.
— Calma Ju. Eu não queria preocupar vocês nem nada. – Ele olha para os outros, e reconhece todos imediatamente. – Espera um pouco… O que vocês estão fazendo aqui?
— Longa história. – Todos dizem em uníssono.
— Explicamos mais tarde. – Vic fala do fundo do quarto.
— Bom, agora vamos deixar ele descansar, certo? – Lara leva todos até o saguão, e depois de uns minutos BB só ouve o barulho da televisão, que passava uma novela antiga.
Novamente, passos apressados preenchem o quarto, e a cabeça loira de Lara aparece pela porta. Ela sorri antes de fechá-la, deixando-o quieto.
— É bom ter você de volta. – Ela vai embora, e ele sorri, fechando os olhos novamente.
Fale com o autor