10 anos depois

1 Capítulo 1 - Lara


Notas iniciais
A história vai ser narrada por POV e cada personagem vai ter dois capítulos seguidos, um se passando no presente e outro no passado.

Presente

Oito horas da manhã e o sol já entrava radiante pela janela do meu quarto, fazendo-me acordar de um sono profundo e sem sonhos. Como queria apenas estar morta. Bocejo e forço-me a levantar e caminhar até o banheiro. Olho para o espelho por uns cinco minutos até perceber que estou uma bagunça. Escovo os dentes, lavo o rosto e penteio o cabelo embaraçado por ficar me movendo durante a noite. Depois de mais disposta, volto para a cama e me sento na beirada, tirando o celular do carregador e vendo as horas, quando meu coração dá um pulo.

Não eram oito horas da manhã. Eram 10. E por algum motivo, o despertador não tinha tocado. Eu realmente odeio minha vida.

Desço correndo as escadas de casa, um pé com calçado e o outro sem, apenas uma das mangas da blusa enfiada no braço, e pego um café que havia feito na noite anterior para conseguir ficar acordada trabalhando até de madrugada. Bebo um gole e quase vomito na bancada de mármore; aquilo tinha gosto de morte.

Xingo tudo o que aparece na minha frente, pego um pão com manteiga e saio de casa, tropeçando no batente da porta e quase caindo na grama na frente daquele vizinho gatinho que eu vinha paquerando fazia meses. Argh! Faltava muito pro dia acabar?

Vou para o carro, apesar de apenas morar uma rua abaixo do meu local de trabalho, e depois de quinze minutos procurando a chave percebo que ela estava no bolso do meu jaleco. Saio depressa, vendo as horas: 10:30. Merda! Estava uma hora atrasada e era apenas minha segunda semana de trabalho! Enquanto subo a rua, tentando me maquiar olhando pelo espelho retrovisor, vejo três caminhões de mudança estacionados na frente de três casas próximas a minha, e seus tamanhos fazem com que o trânsito naquele pedacinho seja insuportável.

Aproveito o sinal vermelho para terminar de me maquiar e bebo o resto do café frio, procurando meu crachá e minha carteira. De repente ouço uma buzina insistente vindo atrás de mim, e olho para o farol verde. Não demora muito para que a moça atrás de mim tente me ultrapassar e para do meu lado, gritando:

— Ô MADAME, DÁ PRA PARAR DE SE MAQUIAR E ANDAR COM SEU CARRINHO? TEM PESSOAS QUE PRECISAM TRABALHAR!

Mostro o dedo do meio para a mulher e ela acelera, dobrando a esquina apressada. Suspiro, tentando me controlar, e vou para o hospital. Chegando lá, cumprimento as recepcionistas e vou para meu consultório, tentando livrar a cabeça do que já tinha acontecido. Pego a primeira ficha de pacientes e vou para o corredor chamá-lo, quando vejo seu nome: MAYA DA SILVA. Meu coração dispara e olho para a fila de pessoas que esperava ser atendida, e não demora para que eu ache seus cabelo negros encaracolados. Ela percebe que estou olhando e imediatamente me reconhece. Pega sua bolsa e vem até mim, enfurecida.

— Ótimo, era só o que me faltava. – ela entra no consultório e senta em uma das cadeiras estofadas. – De todos os médicos dessa cidade, eu tinha que ser atendida logo nesse hospital por /você/.

Ignoro e olho sua ficha, vendo o que ela estava fazendo no meu hospital. – Bom, se você tomasse todos os cuidados necessários, não estaria aqui para tratar dessa… dor no estômago?

Ela fica quieta e começa a mexer na alça da bolsa, enquanto eu preparo os materiais para examiná-la. Depois do exame, prescrevo alguns antibióticos e mando-a para casa, pedindo para que volte em 3 semanas. Tudo formal e profissional. Respiro e mando o próximo paciente entrar.

Quando meu turno acaba, mais ou menos 20h, me despeço de todos e decido ir para o bar do lado do hospital, já esgotada e cansada. Percebo que o crush da casa em frente está numa mesa na minha frente, sozinho, e penso: é agora.

Pego duas bebidas e vou até ele. Machos, pffff, sempre tão lentos. Nós sempre tínhamos que tomar a iniciativa. Sento na sua frente e sorrio. Ele parece estranho e desconfortável, e sinto um nó de arrependimento na minha garganta, mas não tinha mais volta. Aumento meu sorriso e pergunto:

— Você… Mora na minha frente, certo? – Porra Lara, o que você tá fazendo? Assim parece que você fica observando ele o dia inteiro, não que isso não seja verdade. – Escuta, eu vi você aqui sozinho e queria saber se você gostaria de beber comigo? Meu acompanhante não vai mais vir e acho que seria interessante para nós dois. – ótimo, agora parece que eu to desesperada. Simplesmente ÓTIMO. Torço para que ele não saiba do meu trabalho no hospital e aceite o convite.

— Eu adoraria, mas eu… — De repente um cara da minha idade chega na mesa com dois copos de batida e senta do lado dele.

— Você não vai acreditar, Skye! Eu pedi de maracujá, mas ele só tinham de morango. Péssimo, nunca mais vamos voltar. Vou fazer com que esse lugar feche! – Ele olha para mim e franze a testa. – E quem seria você?

Saio do choque e percebo que seu rosto é familiar, mas ele fala primeiro:

— Lara?

Olho espantada para ele, e quase derrubo meu copo.

— Vic?

Notas finais
Espero que tenham gostado :) é minha primeira fanfic, mas comentem aí o que vocês acharam.