10 Motivos para Odiar Mary

5 Capítulo 5 - Motivo 2


Acordei na manha seguinte e caminhei ate a cozinha passando pela sala e vendo o caderno na mesa de centro com o um único motivo escrito. Cocei a cabeça. Nem tinha idéia do que seria o próximo motivo, coloquei água para ferver e preparei um pouco de café. Sentei desconfortavelmente no sofá e liguei a televisão que mostrava um acidente de carro nada grave mais um pouco próximo de casa. Beberiquei o café ainda quente e por pouco aquele liquido quente não queima o meu esôfago.


Café me lembrava o Joshua. Eu sempre levava café para ele na cama quando ele ia dormir comigo. Morávamos ainda em Las Vegas. Sair da nossa cidade natal e ver o mundo de uma outra perspectiva nos fez bem. Crescemos e amadurecemos, acho que ate demais, mas em parte foi bom para todos. Vimos que o mundo não era só Las Vegas e seus cassinos. Existia um mundo fora dali e fomos descobri-lo. Ainda me lembro como se fosse ontem.

# Flashback #

– Será que estamos mesmo dispostos a sair daqui e conhecer o mundo? – Jon perguntou.

– Claro que estamos. Se continuarmos aqui, o mundo nunca vai saber quem é o Panic! Salamander. – Joshua respondeu.

– O Joshua tem razão. Começamos com a banda aqui, mas não é o único lugar que temos para tocar nossas musicas. – Respondi.

– Suas musicas, Alec. – Spencer comentou.

– Se somos uma banda, então elas são de vocês também.

Nessa noite, Joshua dormiu em casa. Nossas malas já estavam feitas, e o combinado seria sair bem cedo e pegar Spencer e Jon em suas casas. Joshua iria dirigir o carro nem tão velho do meu pai, ele não iria se importar mesmo. Ele não se importava, não se importava com nada.

Nossas coisas já estavam na Kombi, Joshua saiu do banho enrolado na toalha e se vestiu. Não me importava de ver ele nu, a gente já tinha transado algumas vezes, e quanto mais queríamos, mas sentíamos algo um pelo outro. Apenas conversamos, tudo ficaria e seria mantido do jeito eu estava. A única coisa que mudou é que nos tornamos namorados. Uma noite antes da nossa partida para conhecer o mundo resolvemos sobre nossos sentimentos. Dormi abraçado em seus braços. Foi revigorante para ambos os lados.

# Fim do Flashback #


Spencer apareceu depois do almoço e confesso que sua visita foi inesperada, a tarde em que ia tocar um pouco de guitarra, teve outros planos. Conversaria com ele e já que ele que me procurou, ele tinha alguma coisa para me contar.


– Spencer, entra. Nem repare na minha bagunça.


– Deixa disso Alec. Você sabe que eu não me importo.


Quando olhei para o sofá vi que tinha uma cueca minha ali e o pior, eu não sabia como ela tinha ido parar ali. Corri rapidamente ate onde ela estava, enquanto Spencer estava distraído.


– Senta Spencer, você não cresce mais. Então, o que te traz aqui?


– Sabe aquele dia no restaurante?


– Sei. Continue.


– A Mary ficou com raiva de você estar no mesmo restaurante que a gente e depois do encontro armado que você teve com o Joshua ele ficou diferente, parece que voltou a viver. A querer viver.


– Serio?


– Serio. O que foi que vocês conversaram?


– Deixa de ser curioso Spencer!


– Poxa, não vai contar nada pro seu melhor amigo aqui? – Spencer fez uma cena indicando a si mesmo.


– Está bem, vou contar uma coisa: Lembra quando ele fez aquela lista com os 10 motivos pra odiar a Iza? Então, propus a ele que eu faria uma lista com 10 motivos para odiar a namorada dele e se ele gostasse, eu vou pedir como premio o que eu quiser.


– E o que você tem em mente.


– Isso é segredo, não posso contar.


– Não vai me dizer que você vai pedir pra vocês trasarem?


– Não! É outra coisa, mas com o tempo isso pode acontecer. Sem falar que da outra vez ele pediu isso para satisfazer. Era um pedido dele e eu só acompanhei seus movimentos.


– Nem precisa continuar. O que vocês fizeram naquele quarto, ficam entre vocês.


– Lógico que fica entre a gente. Uma coisa intima nossa e a gente vai sair espalhando por ai. Ate parece.


– E se o Joshua contasse sem querer?


– Eu iria lá ao apartamento dele e cortaria aquilo que ele tem no meio das pernas.


– Você é cruel Ross e eu tenho medo de você.


– Não fique com medo, mas passa esse recado para ele quando o Ian e o novo baixista não estiverem por perto.


– Eu dou o recado. Nossa, olha a hora. Alec já vou indo. A conversa esta boa, mas já tarde e sem falar que eu já ocupei bastante o seu tempo.


Spencer se foi e eu fiquei encostado na porta observando meu próprio apartamento com medo do perigo. O perigo mora na mente de cada um. Rolei os olhos observando cada canto, como se alguém pudesse sair de trás do sofá e me atacar.


Corri ate a mesa de centro peguei o caderno e anotei algumas coisa na antepenúltima folha do caderno. Folheei ate onde tinha escrito o primeiro motivo. Mordisquei a tampa da caneta e fiquei pensando em qual seria o titulo do próximo capitulo. Lembrei de uma coisa que Spencer tinha mencionado outro dia no celular. Comecei a redigir as próximas palavras do meu motivo.

MOTIVO 2: OGRA DOS COMESTICOS

As vezes fico me perguntando se o grau do seu óculos está correto, porque não é possível. Ela nem faz o seu tipo. Eu sei muito bem qual é o seu tipo, Joshua e aposto que você também sabe. Não se faça de tonto.

Como que alguém pode vender cosmético e ser esteticista e ainda permanecer um ogro. Só sendo muito feia pra nenhum cosméticos arrumar a feiúra. E outra coisa que eu reparei é que ela é azeda. Acho que já chupou tanto limão na vida que ficou assim. Como você atura o humor azedo dela?

Josh, eu não sei o que passa na sua cabeça, mas você tinha que estar insano para gostar dela na época. Eu só me arrependo de uma coisa. De não ter impedido esse ato de loucura. Sei que agora você vai estar com um sorriso enorme no rosto se perguntando: “ele me ama?” A minha resposta é sim. Eu te amo Joshua.

Ela é feia demais pra você. Ela não está a sua altura. Acabei de lembrar de uma coisa. Ela parece com o Smeagol.


Essa fusão de ogra com Smeagol ficava bem claro pra quem fosse ler que ela tem uma aparência abominável. Relaxei deitando um pouco no sofá, com o meu celular no peito. Onde fica o coração. Eu sempre acho que a qualquer momento ele pode ligar para mim e falar que terminou tudo com ela. É com isso que eu tenho sonhado nos últimos meses.


Sempre sonho com isso todas as noites e também sonho com ele voltando para mim. Sempre dou um sorriso bobo só de pensar nisso. Eu não tinha idéia do que propor a ele caso ele gostasse dos meus motivos, ele disse que terminaria com sua namorada, mas e eu? O que eu faria por ele? Ainda não sei. Eu tenho que pensar nisso também.


Meus olhos foram pesando e não resisti. Acordei com o barulho do despertador e me lembrei porque eu tinha ativado o infeliz. Eu tinha que ir ao ensaio dos Veins e mais tarde tínhamos um show pra fazer na cidade vizinha. A hora do ensaio chegou e fui ate a casa do Jon, pois o ensaio seria lá. Andy já estava lá, só falta Murrey e Black. Não demoraram muito para chegar, começamos logo com o ensaio.


Eles estavam estranhos comigo, mas fingi que nem tinha reparado nisso. Eles se revezavam para manter seus olhos fixos em mim. Estavam me comendo pelos olhos. Eu me sentia como uma presa, pronta pra ser devorada. O ensaio terminou, coloquei minhas coisas no carro.


– Vejo vocês lá no show. – Falei antes de sair. Nenhum deles pronunciou uma palavra.


Dirigi ate meu apartamento e fiquei com isso na cabeça, eles ficaram me olhando como se eu fosse apontar um revolver pra eles e assaltá-los não falaram mais nada a não ser as letras cantadas. Eu me senti um estranho na casa do Jon, mas eles estavam me tratando dessa forma, como um estranho. Estacionei o carro na garagem e tirei minhas coisas do banco traseiro e levei para dentro colocando próximo ao sofá.


Aquilo estava me incomodando. Será que eles estavam tomando alguma decisão sem mim? Será que expulsariam da banda? Pode ser qualquer coisa, ou eles apenas estavam me vigiando porque da ultima vez eu sai do ensaio antes mesmo dele terminar. Se eles estavam me tratando como um estranho, talvez eles tenham motivos para tal.


Tomei um banho, coloquei uma roupa que me deixasse confortável. Peguei a guitarra que usava com mais freqüência nos shows e dirigi ate a cidade vizinha no local do show.


A nossa apresentação foi normal, depois tivemos que tirar fotos com fãs e só então depois da meia noite que eu cheguei em casa, desfiz o nó da gravata, coloquei o case da guitarra em um canto e joguei-me na cama. Eu estava um trapo humano de tão exausto que estava. Fechei os olhos rapidamente e a ultima coisa que desejei antes de pegar no sono, era ter bons sonhos.