Mãe,
Thiago me disse que tinha escrito uma carta para você também. Fiquei com ciúmes, devo dizer.
Não que eu ache que a senhora dava mais atenção para ele... Não, não acho. Mas é que eu estou tão ocupada, tentando fazer o pai lidar com isso (e tentando não desabar a qualquer momento) que esqueci completamente como a senhora gostava de coisas simples. Como uma carta, um beijo, um abraço... Um simples “Eu Te Amo”.
Mãe, eu te amo.
Fico muito triste quando te vejo naquela cama, imóvel, com os olhos fechados e as mãos geladas. Sim, às vezes me passa pela cabeça se a senhora já não está morta, mas... Não acredito que esteja. A senhora é forte demais para morrer por algo bobo, como um acidente de carro.
Sinto falta das nossas conversas, sabia? De como falávamos mal das meninas da minha escola e dos garotos que a senhora achava bonito e que, segundo você mesma, eram “um grande partido”.
Os médicos disseram algo sobre parar as máquinas. Me sinto mal só de pensar nisso. Não posso te perder. Tenho tanta coisa para te contar, tantas coisas que ainda temos para rir, para chorar juntas, para compartilharmos, lugares para ir, pessoas para ver... Porque vocês dois foram inventar de brigar? E porque a senhora saiu de carro? Não podia ter ido dormir na minha cama?
Mãe. Eu sinto sua falta. Todos nós sentimos.
Eu te amo, muito, muito, muito.
Sophia.
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