Notas iniciais
UH, OLÁ. Estou feliz de ter voltado a escrever fanfic. Admito que rever Naruto me deixou com muita saudade do meu querido OTP, Sasusaku. ♥ Fiquei inspirada e voltei a ler no fanfiction.net (one-shots maravilhosas por sinal) e fiquei ainda mais inspirada vendo alguns doujinshi do otp. Amo esses dois. Poxa, só queria mais Sasusaku. ME DÁ SPIN OFF, KISHIMOTO.

Encarou os próprios sapatos.

Estavam completamente sujos.

Não só eles, como ela também. Não era surpresa, afinal. A chuva que pairava em Konoha era brusca e violenta, era realmente difícil alguém conseguir escapar.

Sapatos cobertos de lama e roupas ensopadas. Ela estava imunda. Apesar de tudo aquilo, Sakura ainda se esforçava pra esgueirar-se ao máximo possível numa tentativa de fuga, não que fosse realmente efetivo.

O time 7 foi a causa para tudo. Como de costume, Kakashi havia marcado uma reunião com a equipe pra discutir assuntos da próxima missão que fariam; o que deveriam levar, por quantos dias ficariam, dentre outros prepativos. O mesmo de sempre. Uma missão fácil para quase chunnins e nada muito complicado, fora uma reunião simples. O que fora difícil foi no caminho de volta para casa: um dilúvio.

Água, mais água e água.

Queria imensamente dar um soco em alguém, ou quebrar as paredes das várias casas que estavam lá, ou simplesmente bater no Hatake por não ter cedido a própria casa que era bem mais perto do campo de treinamento e em que poderia esperar tranquilamente até a chuva passar. Poderia ter sido bem mais simples, se seu professor não tivesse sido egoísta e chato.

Agora estava péssima; correndo debaixo de telhados e rezando para que chegasse logo em casa.

Normalmente Sakura costumava gostar de chuva, a fazia lembrar memórias boas da infância. Adorava banhos de chuva, se divertia bastante com tudo aquilo. Era realmente gratificante. Teria sido agora se não fosse uma gennin; havia crescido e tinha responsabilidades, não poderia deixar as roupas molhadas ou sua bandana suja. Sabia disso. Haruno Sakura agora era uma “mocinha”.

A rosada desistiu de ir pelos becos. Era ainda mais incomodo. Os bueiros empurravam toda água para os cantos e ficava ainda mais com dificuldade pra se locomover estando neles. Decidiu pegar um atalho para sua casa no centro comercial de Konoha, normalmente, costumava ir lá somente para comprar shurikens e visitar a loja de flores da Ino, era estranho que não estivesse lá por nenhum desses motivos.

Cansada e brava.

Isso tudo resumiria Haruno Sakura no dia 1 de Junho.

Mas logo notou a figura masculina a um palmo de sua distância. E então, tudo parecia estar diferente naquele instante.

Aquele sentimento de agonia e sufoco sumiu quando ela o viu. Ela podia vê-lo de longe. Uchiha Sasuke. Ele. Visivelmente irritado e encostado numa loja de Shurikens fechada. Igualmente em péssimas condições e sujo. Mas, surpreendentemente, Sakura estava ainda na imensidão dos seus pensamentos do quanto ele era lindo até mesmo daquela forma.

Sentiu seu coração gritar e suas bochechas não demoraram para ruborizarem.

Era uma oportunidade, afinal. Estar a sós com seu amado parecia tão surreal. Era difícil ter alguma chance em que não houvesse Naruto no meio. Ele sempre estava lá, seja brigando com o moreno ou tentando ter alguma chance com ela. A Haruno não estava acostumada com momentos assim. Momentos que ela poderia conseguir tê-lo.

Encarou a poça e pôde ver seu reflexo. Não estava nos seus melhores dias, teve certeza disso. Mas decidiu se esforçar pra estar minimamente aceitável. Ajeitou os curtos cabelos, arrumou o vestido e suspirou ainda com um sorriso formado.

Estava ansiosa, afinal.

Correu por debaixo dos telhados até alcançá-lo. Conforme se aproximava, mais sentia arrepios pelo corpo. Aproximou-se do rapaz e antes de falar qualquer coisa, direcionou o olhar para as mãos dele. Logo percebeu que seu amado carregava alguma coisa...

Flores. Sasuke estava carregando flores.

Estremeceu-se.

Sakura começou a imaginar diversas possibilidades do porquê delas. Não era nada comum vê-lo carregando algo assim, na verdade, não era nada comum vê-lo carregando algo sequer delicado. Pensou. Poderia ser para decorar a casa, ou ele poderia ter pegado para si mesmo por algum motivo que não conseguia imaginar. Não sabia. Não demorou para perceber que tudo aquilo era bobagem. Nada daquilo fazia sentido, por que ele se dedicaria a pegar aquilo justamente numa hora daquelas?

Analisou e notou que a melhor alternativa seria que iria dar para alguém.

Considerou que a melhor alternativa era que as flores eram para alguma garota. Outra garota que não seria ela. Por qual outra razão ele estaria com flores se não fosse essa?

Respirou fundo e percebeu que estava paranoica. Era Sasuke, afinal. Nunca havia demonstrado interesse em ninguém fora do seu clã. Ninguém que fosse a parte da sua história. Muito menos se importava com decoração ou coisas delicadas como flores. Talvez ele simplesmente estivesse carregando sem motivo algum. Estava pensando fora da caixa demais.

O moreno sequer havia a notado. Sasuke se mantinha encarando a direção oposta da em que Sakura estava em pé, ainda do mesmo jeito que ela tinha o visto: Irritado e molhado, apoiando suas costas na porta e procurando respirar fundo numa tentativa frustrada de se acalmar.

A Haruno estava insegura, mas independente daquilo, ainda estava feliz em encontrá-lo.

— Sasuke—kun!! – A voz apaixonada manifestou-se. O tom foi alto o suficiente pro moreno se assustar e perder todo o foco que anteriormente tinha. Se virou iirritado, mas não demorou pro olhar se transformar no mesmo que sempre teve diante dela: Frio. Não só frio, mas o olhar que a rosada apelidou de “devorador de coragem”, o olhar que a fazia sempre estremecer. O olhar que fazia se sentir culpada por ficar tão animada perto dele.

Ele não poderia odiá-la, poderia?

Sakura sempre se fazia essa pergunta nesses momentos. Era difícil lidar com o comportamento agressivo de Sasuke, uma vez que volta ou outra, escutava um “irritante”’ ou se deparava com um par de olhos agressivos e uma atitude igualmente hostil.

Era difícil entender como ele se sentia. Não só por ela, como também para Naruto e Kakashi era igualmente difícil. Sasuke sempre foi frio desde que o conhecera. No entanto, Sakura sentia que havia algo de pior na relação dos dois. No fundo, havia medo que pudesse ser irritante de “verdade”.

Sabia que ele não pensava aquilo de realmente, que a parceira era irritante. Ele se preocupava com ela, tinha consciência disso. Afinal, a vez que a protegeu durante o Exame Chunnin na floresta da morte, provou isso. Conseguir acalmá-lo com seu abraço foi uma massagem pro ego da garota, aquilo foi extremamente gratificante para uma apaixonada. Mesmo com toda preocupação que sentiu por conta da marca da maldição, essa teria sido a parte mais agradável do episódio inteiro: A confirmação que Sasuke não a via só como empecilho.

— Ah. – Sasuke se pôs a falar. Ficou alguns segundos calados. Indiferente. E então, desencostou da parede e ficou devidamente de pé. – Sakura.

— Não esperava que pudesse te encontrar por aqui. – Olhava para os lados e teve vontade de rir. Estava nervosa. – Quer dizer! Você nem mora por aqui. Eu pensava que só eu tava correndo perigo com a chuva. Ainda tem sorte de morar perto do campo de treinamento. Aparentemente só eu e o Naruto estamos com azar. Ele não tanto. Aproveitou a chuva pra poder ficar mais tempo comendo no Ichiraku Ramen.

Sempre era assim perto dele, começava a falar muito e não pensava direito sobre.

O Uchiha desviou o olhar.

— Decidi visitar alguém antes de ir pra casa.

A rosada estremeceu novamente. Sentiu um aperto no coração.

Então, havia outra pessoa mesmo. Seus pensamentos estavam certos.

Aquelas flores realmente eram pra alguém. Então, quem poderia ser? Ino? Ela realmente teria perdido Sasuke para Ino? Ou poderia ser Hinata? Ela era fofa, mas... Seria o suficiente pra atrair Sasuke? Quem sabe, Tenten? Sempre aparentou não ter nenhum interesse romântico por ninguém, mas quem sabe ela teria escondido os sentimentos por Sasuke por tanto tempo? Eram tantas possibilidades. Todas rodavam na cabeça de Sakura, e todas igualmente frustrantes.

Passou uns instantes calada pensando no que falaria.

Porém, surpreendentemente, fora Sasuke dessa vez que havia quebrado o silêncio.

— Mas não acho que vou conseguir ver ela. — Olhou para o céu. — O clima está péssimo. Provavelmente vou ficar resfriado se insistir.

Ela.

— Quem? — Em um pequeno murmuro, a Haruno se manifestou. Era visível ver o quanto estava desanimada agora. Sakura não sabia mascarar muito bem seus sentimentos quando se tratava do Uchiha, acabava sendo invasiva e só notava posteriormente. — AH! Não precisa me falar se não puder! Sei lá, pode ser segredo, né? Não sei. Entendo caso o Sasuke-kun não queira me falar. — Soltou um risinho nervoso e começou a balançar o corpo de um lado pro outro.

Ele arqueou a sobrancelha.

— Não faço ideia o que pode estar na sua cabeça agora, mas com certeza não é nada disso que tá cogitando. — Suspirou e cruzou os braços.

— Sasuke-kun... — O encarou apreensiva e começou a se reverenciar numa forma de pedir perdão por ser intrometida. — Sinto...

— Não precisa disso. — O moreno a interrompeu. — Já entendi.

Sakura retomou a postura e não desespero percorreu seu corpo. Afinal, não sabia mais o que dizer, tinha feito besteira e nem aceitar suas desculpas propriamente o parceiro queria.

Retomou o olhar para o nada e sentiu vontade de chorar.

Se virou para o rapaz novamente já pensando em se despedir e sair correndo, qualquer coisa para fugir da situação desconfortável ali presente, mesmo que tivesse que enfrentar uma furiosa chuva.

Mas.

Percebeu que havia um cartão de aniversário com o símbolo dos Uchiha desenhado em que ele segurava com a outra mão, anteriormente não tão visível assim. Um cartão feito a mão. Escrito “feliz aniversário, mamãe.”, composto de tinta nanquim e com uma letra péssima.

Sasuke poderia ser perfeito em outros aspectos, mas não se saia bem com caligrafia.

Assim que leu, Sakura retomou o olhar para o amado com mais atenção. Finalmente havia notado que ele não só estava irritado, como era possível também ver pequenas fibras de lágrimas se formando. Como não havia percebido antes?

Finalmente começou a entender pra quem eram as flores.

Num momento de impulso, ela correu para o companheiro de equipe e o agarrou. O agarrou com tanta força que Sasuke soltou um gemido de dor ao sentir os braços envolto de si. Sasuke cogitou imediatamente em expulsá-la, mas notou que havia gostado do contato e pôde sentir as lágrimas de Sakura se agarrando a sua camisa.

Ela estava chorando porque sabia que seu príncipe estava mal.

Pela primeira vez, Sasuke decidiu considerar o carinho e o amor que a Haruno estava se esforçando em dar. No fundo, ele também precisava daquilo naquele momento, o Uchiha sentia falta daquilo; contato, carinho; se sentir verdadeiramente amado, eram sentimentos que sentia saudades. E então, ao invés de afastá-la como o esperado, a envolveu em seus braços e pôs a cabeça sob a dela. Não demorou muito tempo para ele igualmente começar a chorar.

Sakura arregalou os olhos e se arrepiou completamente. Estaria se vangloriando mentalmente se fosse em qualquer outro momento, mas não naquele: estava se preocupando muito mais com os sentimentos do Sasuke do que qualquer outra coisa do mundo.

Permaneceram alguns minutos ali.

Juntos.

Não se importaram o quanto estavam molhados ou o quanto estava tarde. Só estavam gratos. Ela por estar com ele. Ele por estar sentindo aquilo.

Se separaram e encararam um ao outro. A Haruno estava tão vermelha quanto suas roupas e o Uchiha esboçava um sorriso no canto do rosto e ainda com as lágrimas transparecendo no rosto.

— Vamos visitar ela! Não se preocupe. —Sakura juntou as próprias mãos sob o peito. — Eu juro. E caso fique resfriado, eu me responsabilizo por cuidar!

— Você sabe que bem provavelmente se eu ficar, não vai ser muito diferente do seu caso. — Sasuke desviou os olhos dela. — Mas não me importo mais de correr o risco. — Retomou o olhar, ainda sério, porém, havia algo diferente naquele olhos.

Estavam reluzentes.

Sakura corou imediatamente.

Respirou fundo e o pegou pela mão. Não se importava mais se ele iria brigar com elá, não estava mais se importando com nada aquilo, ou se alguém iria os vê-lo, ou se Ino iria brigar com ela por aquilo. Estava só determinada a ir junto com ele visitar sua falecida mãe.

E então, puxou-o e saíram correndo meio a chuva.

Naquele dia, 1 de junho, decidiram passar juntos o aniversário de Mikoto Uchiha.

O moreno apertou ainda mais a mão da rosada numa forma de avisá-la para parar de correr. Haruno retornou o olhar para Sasuke enquanto corriam, e desacelerou os passos até parar.

— Estamos perto, Sasuke-kun! — sorriu, ainda com as mãos juntas ao do Uchiha. — Não se preocupe, sério. Daqui a duas quadras.

Dessa vez, o usuário do Sharingan optou em não dizer nada. Separou suas mãos e a pôs no rosto da parceira.

— Obrigado, Sakura.

Sasuke sentiu necessidade de dizer aquilo naquele momento. O quanto estava fazendo por ele naquele momento era absurdo. Não era idiota, sabia o quanto Sakura gostava dele e faria tudo pelo próprio, só não esperava que fosse tanto como se provou naquele momento.

O fitou com os olhos marejados. Sakura permaneceu parada sob a frente do Uchiha sem dizer nenhuma palavra sequer. As roupas dela estavam completamente molhadas agora e o olhar cada vez mais apreensivo. Ela parecia estar agoniada. Porém, antes de Sasuke retomar o rumo que estavam tomando, a Haruno não pensou em outra coisa a não ser aquilo:

Um beijo se manifestou entre os dois.

Em outros momentos, ele teria a recusado, o moreno era convicto disso. No entanto, aquilo era uma ocasião diferente. Sasuke, em todo dia 1 de Junho, se sentia não só carente, como saudoso. Todo ano, nesse mesmo dia, o Uchiha percebe que mesmo com os anos, ainda sentia falta de apego.

Mas no fundo, sabia que não era só isso. Não era só por aquilo que havia cedido ao beijo de Sakura. Tinha consciência que se fosse qualquer outra pessoa o beijando teria imediatamente recusado mesmo que estivesse gritantemente carente. Sabia que se sentia grato por ela e gostava dela.

Não sabia se gostava dela do mesmo modo em que Sakura o via.

Não sabia ao certo, mas percebeu que precisava da companheira ali.

Beijá-la era como uma luz em meio a uma tempestade.

Eram crianças de 12 anos provando o que teria sido o primeiro beijo de ambos.

Notas finais
Engraçado que quando eu tinha 12 anos adorava ler hentaizão e coisas uou álcool, drogas, uooou. Escrever igualmente. Agora que eu faço boa parte disso, só quero escrever e ler romances água com açúcar, kek. Tentei deixar fiel a personalidade deles do clássico, sos. Also, eu esqueci quando tava escrevendo que, na verdade, o primeiro beijo do Sasuke foi com o Naruto. KDKSKAM :>
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