—-Sua técnica é admirável, senhorita. Embora lhe falte velocidade, vê-se que é audaciosa – uma voz arrastada e sombria sibilou aos ouvidos de Kay Kamurato.

—- Quem seria você? – a garota pareceu menos temerosa do que Jackal imaginara.

Kay virou-se e deu de cara com um ser assustador, alto e magro, trajado com roupa e um chapéu pretos, que sorriu para ela de uma maneira terrivelmente assustadora, porém, quase amigável.

—- Kuroudo Akabane. E quem seria a senhorita? – Jackal se aproximou lentamente da garota, impressionando-se cada vez mais com sua destreza e controle.

—- Me desculpe, mas não sou de falar meu nome para pessoas desconhecidas – Kay respondeu friamente, sem demonstrar que todo o seu corpo se arrepiou do terror ao ver aquele homem mais de perto, pálido, sombrio e interessado em seu modo de combate.

—- Creio que já não sou um desconhecido para você, não é? Afinal, já me apresentei – Jackal sorriu mais amigavelmente para a garota.

—- Ah, agora eu o reconheci. Dr. Jackal, é como lhe chamam, não é? Assisti a algumas lutas suas. Impressionante – Kay parecia entediada com a presença dele.

Akabane gargalhou, maliciosamente.

—- Não pretende mesmo me dizer o seu nome?

Kay gargalhou, desta vez.

—- Vejo que é persistente, Dr. Jackal, mas eu sou realmente uma cabeça dura, nessas situações – a garota estava disposta a fazê-lo desistir de querer saber seu nome e deixá-la em paz. Não queria arranjar problemas, nem com ele nem com ninguém na Arena de Batalha... Se Tay soubesse onde ela estava agora, com certeza a mataria...

Ele caminhou lentamente até ela e puxou para fora um de seus bisturis, encostando-o no pescoço da menina.

—- Entenda, senhorita. Se eu realmente quisesse saber o seu nome, eu já teria feito isso há muito tempo atrás.

Ela desencostou o bisturi de sua garganta, rindo graciosamente.

—- Saiba, Dr. Jackal. Sou famosa por aqui. Principalmente pelo fato de que não aceito chantagens.

Ele recolheu o bisturi, mas sua mão ainda estava muito próxima do rosto dela.

—- Mas, diga-me. Se alguém com um nível de poder tão alto como o seu vem me procurar, deve haver um motivo bem convincente.

Akabane chegou mais perto dela e riu.

—- Esperta! Ouvi um boato a seu respeito. Dizem que, além de seus saltos magníficos e seu poder sobre o clima, há uma terceira habilidade.

—- E se não for só um boato?

—- É o que eu vim comprovar. Entraria na arena de batalha acompanhada por mim, senhorita?

Kay rondou Jackal, com um sorriso malicioso e desdenhoso no rosto.

—- Entraria...

A expressão dele mudou.

—-... Se já não tivesse visto o seu estilo de lutar. Por mais que eu queira lutar muito com você, vou ter que recusar.

—- Tem medo?

Kay se enfureceu um pouco, mas voltou a sorrir e respondeu.

—- Digamos que eu não queira te machucar.

—- Mas é uma luta. Um dos dois sairá machucado.

—- Marcaremos um dia, então. Se quer tanto lutar. Mas já vou avisar-lhe. Quando lutarmos, não serei um oponente fácil de se derrotar.

—- É o que eu espero.

Ela se virou e saiu, caminhando lentamente.

—- Para onde é que está indo?

—- Para casa! Boa noite, Dr. Jackal!

Ele sorriu e respondeu, baixinho para que apenas ele pudesse ouvir.

—- Boa noite, senhorita Sem Rumo.

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